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Capítulo 27

Autor: Annie_mds
last update Fecha de publicación: 2026-06-04 07:50:13

POV: Maya

O ar sumiu dos meus pulmões no exato momento em que os olhos de Alexander pousaram no bilhete e na foto que eu tentava, inutilmente, esconder entre os meus dedos trêmulos. A sala do apartamento, que segundos atrás ardia com o calor de um beijo desesperado, congelou instantaneamente.

— Me dá isso — Alexander ordenou.

A voz dele não era mais a do homem ferido que buscava consolo nos meus lábios. Era a voz do monstro corporativo, fria, cortante e desprovida de qualquer vestígio de humani
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Último capítulo

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    POV: AlexanderO som insistente dos telefones tocando na sala de estar era o hino da ruína da minha mãe. A iluminação elegante da cobertura parecia agora a luz fria de um tribunal prestes a ditar uma sentença de morte social.Caminhei em direção à Maya, ignorando completamente os dois seguranças de Eleonor. Eles olhavam para as telas dos próprios celulares, vendo as notificações de prisão preventiva emitida pela Justiça Federal e o congelamento imediato dos ativos da holding V&M. Lentamente, os dois abaixaram as armas e deram um passo para trás, abandonando o posto.— O que vocês estão fazendo?! Peguem o meu filho! Parem essa mulher! — o grito de Eleonor perdeu toda a compostura aristocrática. A voz dela agora era aguda, estridente, o som de uma mulher vendo trinta anos de controle virarem poeira.Ajoelhei-me ao lado da Maya. Puxei a faca tática do meu cinto e cortei os lacres de náilon que cortavam seus pulsos.— Maya... — murmurei, tentando tocar as mãos dela com todo o cuidado do m

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    POV: AlexanderO elevador de serviço nos levou direto ao 40º andar. Quando as portas de aço escovado se abriram no corredor privativo, nós quase atropelamos a pessoa que tentava digitar o código da porta principal da cobertura com dedos trêmulos.Era o Arthur.Ele usava um sobretudo amassado, óculos escuros tortos e segurava a mala rígida de alumínio com a força de um náufrago se agarrando a um tronco. Quando ele se virou e deu de cara comigo, com o Edward e com a Sra. Cavendish, a pouca cor que restava no rosto dele desapareceu.— A-Alexander?! — Arthur engasgou, recuando até encostar as costas na parede. — O que... o que você está fazendo aqui? O Cavendish devia ter...— O Cavendish está morto e a mansão dele virou pó, seu covarde — Edward avançou como um raio, acertando um soco seco no estômago do Arthur.O Arthur dobrou de tamanho, soltando a mala de alumínio, que caiu no chão com um baque pesado. Ele foi ao chão tossindo, agarrando a barriga.Ajoelhei-me ao lado dele, pegando-o p

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    Atendi no primeiro segundo, colocando o aparelho no ouvido com a respiração suspensa.— Maya? Onde você está? Me fala a sua localização, eu vou te buscar...— Ela está aqui, Alexander — a voz do outro lado da linha não era a da minha esposa. Era uma voz feminina fria, aristocrática e carregada de uma satisfação doentia.Minha mãe.— Eleonor... — rosnei, sentindo o sangue congelar nas minhas veias. — Se você encostar um único dedo na Maya...— Poupe-me das suas ameaças patéticas, meu filho — Eleonor interrompeu com uma risada baixa e elegante. — A garota foi muito tola. Achou que podia invadir a minha cobertura no Upper East Side com uma pasta cheia de papéis antigos para me chantagear sobre o acidente do pai dela. Ela esqueceu que este prédio pertence à minha família. Ela entrou por livre e espontânea vontade... mas não vai sair daqui sem a minha autorização.Ouvi um barulho abafado de luta ao fundo da ligação, seguido por um suspiro dolorido da Maya e o som seco de uma bofetada.— Al

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    POV: AlexanderO quarto decadente de um motel na zona industrial de Queens cheirava a café requentado e umidade, mas era o único lugar seguro onde as câmeras de vigilância da holding não podiam nos rastrear. Sobre a mesa de fórmica, três monitores operados por Edward brilhavam com linhas de códigos green-screen e gráficos do mercado financeiro de Wall Street.Eu estava com a camisa aberta, os nós dos dedos enfaixados e um copo de café barato na mão, encarando a tela da televisão que transmitia o canal de notícias de economia ao vivo.— Três, dois, um... e pressionar enter — Edward disse com um sorriso diabólico no rosto, dando um clique no mouse militar.A transmissão ao vivo do canal de notícias foi interrompida por um plantão de emergência. A imagem da âncora apareceu com uma tarja vermelha piscando na parte inferior da tela: "BOMBA EM WALL STREET: DOCUMENTOS VAZADOS REVELAM FRAUDE MULTIBILIONÁRIA E SABOTAGEM INDUSTRIAL NA HOLDING V&M."— Conseguimos — sussurrou a Sra. Cavendish do

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    POV: MayaA viagem de trem de Boston de volta a Nova York pareceu uma eternidade gélida. Eu estava sentada perto da janela, encolhida em um casaco velho que comprei com os últimos trocados na estação, vendo a paisagem da madrugada passar como um borro escuro. Minhas mãos ainda carregavam a fuligem da mansão explodida e a dor dos meus pulsos machucados, mas a ferida na minha alma era o que realmente sangrava.A imagem do rosto de Alexander pedindo perdão não saía da minha cabeça. Eu sabia que ele não tinha culpa direta pelas atrocidades da mãe. Ele era tão vítima das garras de Eleonor Vance quanto eu. Mas o peso do sobrenome dele era uma cortina de ferro entre nós. Como eu poderia olhar para o homem que dormia ao meu lado na cama e não lembrar que o dinheiro da família dele foi construído sobre as ruínas da vida dos meus pais?Quando o trem finalmente encostou na estação Penn Station, em Manhattan, o dia estava amanhecendo sob um céu cinzento e chuvoso. Peguei um táxi amarelo direto pa

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    POV: AlexanderO calor que descia pelos dutos de ventilação do túnel subterrâneo tornou-se insuportável em questão de segundos. Pedaços de concreto e fuligem começaram a despencar do teto, afundando na água escura do canal com estrondos abafados. Eu sentia os meus pulmões arderem com a fumaça tóxica que começava a invadir o ambiente.Com o braço esquerdo, puxei a Maya com força contra o meu peito, enquanto com a mão direita mantinha a pistola empunhada, apontando para o Sr. Cavendish. O velho estava estirado no convés da lancha rápida, o ombro ensanguentado, mas com aquele sorriso psicótico e vitorioso estampado no rosto enrugado.— Xande! Maya! Saiam daí agora! — o grito de Edward ecoou no topo da escadaria de ferro.Olhei para trás e vi meu irmão descendo os degraus aos tropeços, tossindo por causa da fumaça, acompanhado por uma mulher loira de vestido cinza rasgado que eu nunca tinha visto na vida.— Edward! O que está acontecendo? — gritei de volta, tentando sobrepujar o som das c

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