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103- Everton

Autor: Victor Lima
last update Data de publicação: 2025-06-09 19:45:11

Everton Narrando

Quando cheguei em casa e vi Luizinho sentado no colo da Pri, com aquela carinha tranquila, senti uma paz difícil de explicar. Eu sabia que o dia tinha sido pesado pra ela — uma semana desde a morte do ex — e, mesmo com o alívio, era uma história que deixava marcas. Só que ver os dois ali, juntos, com aquele amor transbordando… era como se o mundo estivesse, finalmente, no lugar certo.

— E aí, meu campeão? — perguntei, me abaixando na frente dele.

Ele me olhou com um sorrisinho
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    Priscila Narrando 1 ano depois Um ano. Um ano inteiro se passou desde que minha Estrela chegou iluminando a minha vida. Às vezes, eu paro e fico lembrando de tudo que a gente enfrentou… e nem parece que é a mesma vida. Hoje, enquanto olho meu reflexo no espelho, com o rosto sendo maquiado, o cabelo sendo finalizado com delicadeza, eu sinto uma emoção que transborda.Tô no salão com a minha mãe, que não para de me olhar como se eu fosse a menininha dela de novo. E eu acho que sou, de certa forma. Só que hoje, essa menininha vai se casar com o homem que foi tudo nos meus dias mais escuros e que continua sendo luz nas minhas manhãs.— Ai, filha… você tá linda demais — minha mãe diz, com a voz embargada.Dou uma risadinha, tentando conter a vontade de chorar também.— Se você chorar, eu vou chorar, mãe… e aí estraga tudo — brinco, mesmo com a garganta apertada.Ela se aproxima, segura minhas mãos e beija minha testa.— Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. Ver você feliz, segur

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    Neuza Narrando Ver a minha neta nos braços da Priscila era como ver um milagre respirando. Uma nova chance. Uma nova história sendo escrita, dessa vez com amor, com proteção, com verdade.Eu já vi tanta dor nessa vida… já vi mulher sendo destruída por homem ruim, já vi filho chorando calado por medo, já vi mãe desistindo de si por não ter apoio. Mas ver a Priscila florescendo de novo, depois de tudo que ela passou… ah, meu coração agradece a Deus todos os dias. Quando entrei naquele quarto e vi ela com a Estrela no colo e o Everton sentado na beirada da cama com aquele olhar bobo, encantado, eu só consegui sorrir. E segurar o choro, claro. Mas foi difícil.— Minha Estrelinha… — sussurrei, tocando devagar no pezinho dela. Tão pequenininho, tão quente. — Você chegou pra acender tudo de novo.Olhei pra Priscila, que tava com os olhos marejados e aquele sorriso de mãe que a gente conhece de longe. Ela não precisava dizer nada. Eu sabia o quanto ela tinha lutado. Eu vi o brilho voltar pro

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    Priscila Narrando Eu não conseguia parar de olhar pra ela. Minha filha. A minha Estrela. Tão pequenininha, tão delicada… como se fosse feita de nuvem. Ela dormia tranquila, como se o mundo todo estivesse em paz só porque ela chegou. E talvez estivesse mesmo. Porque desde que ela nasceu, tudo em mim pareceu se encaixar de um jeito diferente. Como se eu tivesse esperado minha vida inteira por esse momento, mesmo sem saber.Ver o Everton segurando ela no colo foi uma das cenas mais lindas que já vi. Ele parecia hipnotizado, apaixonado, e era. E eu também. Pela nossa filha, por ele, pela família que a gente construiu com tanto esforço, tanta luta, tantas dores e superações. Quando a minha mãe entrou com o pastor e ele fez aquela oração… ah, eu desabei.Senti um calor no peito, uma paz invadindo meu coração, como se Deus estivesse ali do nosso lado, abençoando nossa menina. E Ele tava, eu sei que tava. Porque pra mim, Estrela é prova viva de que milagre existe. Ela é o recomeço que a min

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    Everton Narrando Quando a Priscila falou que a contração tinha vindo mais forte, eu já comecei a suar frio. Não adiantava fingir que tava calmo, porque meu coração tava acelerado feito bateria de escola de samba. Eu sabia que esse momento ia chegar, mas saber não é o mesmo que viver, né? Fui até a porta, voltei, peguei a bolsa da maternidade, conferi fralda, roupinha, documento, carteira, celular, carregador… tudo. A Priscila ria do meu nervosismo, e a dona Neuza me olhava como quem via um filho entrar em parafuso.— Tá tudo sob controle, Everton — ela disse, colocando a mão no meu ombro. — Agora respira. Quem vai parir é ela, não você.— Mas sou eu que vou ter que ficar forte por ela — respondi, olhando pra Pri deitada no sofá com o Luizinho encostado no ombro dela.Ela me olhou naquele momento com um sorriso tão doce, tão sereno, que me desmontou. Como ela conseguia ficar tão linda, tão forte, tão ela… mesmo sentindo dor?— Amor, se acalma… — ela disse baixinho — Só vou conseguir f

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    Priscila Narrando Quando aquela contração passou, fiquei um tempo ali, quietinha, sentindo meu corpo voltar ao normal, ou quase isso. Foi leve, mas nítida. Eu conheço meu corpo, e não era alarme falso. Era o começo. Everton apareceu na cozinha num pulo, com os olhos arregalados e a mão já na minha barriga. E mesmo eu tentando manter a calma, só de olhar pra ele já senti vontade de chorar. Não de medo. De emoção mesmo. De saber que ele tava ali, comigo, inteiro. Luizinho veio logo depois, todo sonolento, e me perguntou se a bebê tava chegando. Me deu um aperto no coração de tão lindo. O jeito como ele já fala dela, como se já fosse o irmão mais velho mais protetor do mundo. Eu sorri pra ele, mesmo com aquela pontadinha de dor nas costas que começou a vir junto com uma leve cólica.— Tá quase, meu amor — respondi.Depois que tudo acalmou, sentei um pouco na sala com os dois. Everton ficou me olhando como se eu fosse feita de porcelana. Ele queria fazer tudo: buscar água, apoiar minha p

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    Everton Narrando Aquela tarde em família foi daquelas que a gente guarda na memória com gosto de saudade antecipada. O sol tava se pondo, a carne já tinha quase todo mundo elogiado, e o Patrick me ajudava na churrasqueira enquanto contava umas histórias engraçadas da viagem dele. Era bom ver ele ali, se encaixando como se nunca tivesse saído. Priscila tava sentada na varanda com a dona Neuza, os pés apoiados numa almofada e a mão sempre descansando na barriga. De vez em quando, ela fechava os olhos e sorria do nada. E eu sabia... ela tava feliz. E isso bastava pra me fazer sentir o homem mais realizado desse mundo.Luizinho corria com um aviãozinho na mão, rindo alto, e parava toda hora pra pedir mais refrigerante ou um pedaço de pão com alho. Eu ficava só observando, tentando guardar cada pedacinho daquela paz que a gente construiu com tanto esforço. Depois que o churrasco terminou e a galera foi começando a se dispersar, levei o lixo pra fora e fiquei um tempo encostado no portão,

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