LOGINCapítulo 155 — Pontada EsquisitaAlice CarsonA xícara de porcelana repousada na mesa de centro esfriava diante dos meus olhos. Quando dona Naomi começou a chorar minutos atrás, tudo o que fiz foi me levantar para buscar um copo de água na cozinha na tentativa de fazê-la recuperar o fôlego. Eu precisava entender o tamanho do abismo em que tínhamos acabado de cair, e aquela pergunta ainda reverberava na minha própria mente: "Como assim a Rebecca morreu atropelada em uma noite de chuva e você desconfia que não foi um acidente, dona Naomi?".Aquelas palavras mal haviam saído da minha boca quando os passos pesados interromperam o mezanino, trazendo Christian de volta para a sala com a expressão desfeita em puro choque. Eu conhecia Chris desde os tempos da faculdade — quando ele era o veterano brilhante de TI que me ajudava a não surtar nas semanas de provas —, dividi noites em claro à base de café barato e farras de fim de semestre com ele, mas nunca, em momento algum, o vi daquele jeit
Capítulo 154 — Sangue por SangueChristian BakerMason soltou uma gargalhada genuína, sacudindo a cabeça com deboche sádico:— Vocês dois são tão patéticos... Nem parecem ter saído do meu sangue. Dois fracos dominados por sentimentalismo barato.— Tenha certeza de que eu amaria não carregar uma única gota do seu sangue podre nas minhas veias — Jonathan rebateu, parando a meio metro de nós, com os punhos cerrados e o maxilar rígido feito pedra. — É a maior vergonha da minha existência.— Não se iluda, Jonathan — Mason zombou, os olhos faiscando na direção do filho mais velho. — Você é muito mais parecido comigo do que imagina. Tem a mesma frieza, a mesma fome de poder.— Não muda de assunto, seu desgraçado! — apertei o tecido contra a traqueia dele, forçando a cabeça de Mason para trás. — Eu exijo a verdade agora!Mason sustentou o meu olhar, e a crueldade em seu semblante ganhou contornos aterrorizantes:— A sua mãe foi uma pedra no meu sapato, Christian. Era gostoso e convenie
Capítulo 153 — Rastro de PólvoraChristian BakerO ar da sala de estar parecia rarefeito demais para respirar. As palavras de tia Naomi ainda ecoavam nas minhas têmporas como marteladas em aço cru. Eu não sentia a dor da bala recente no meu abdômen; sentia apenas um formigamento elétrico nas pontas dos dedos e a urgência cega de esmagar o crânio de Mason Rhodes contra a parede.— Por favor, não façam isso! Vocês dois, escutem! — Naomi se colocou no nosso caminho em prantos, os olhos suplicantes indo de mim para Jonathan. — Christian, você está com a cabeça quente, não vai conseguir pensar direito! E você, Jonathan, meu filho... não alimente essa loucura, seja racional! Aquele homem não tem limites!— Eu vou com ou sem o Jonathan, tia Naomi — respondi em tom gélido, desviando dela com passos firmes. — Ninguém me impede de olhar na cara daquele desgraçado hoje.— Ninguém vai sozinho — Jonathan interveio com autoridade incontestável, tirando o telefone do bolso do paletó. — Dixon, p
Capítulo 152 — Cinzas e Segredos Christian BakerA cicatrização recente no meu abdômen ainda repuxava sob a camisa preta sempre que eu me movia com brusquidão. Levar um tiro de raspão naquele hangar em Boston foi uma experiência que eu não recomendava a ninguém, mas a parte mais intragável de toda aquela merda foi a delegacia: Michael Snyder não passou uma única noite em uma cela comum. Amparado pela influência da família e por uma banca de advogados caríssimos que compraram brechas judiciais no tribunal, o desgraçado conseguiu responder por tentativa de homicídio em liberdade vigiada, monitorado por tornozeleira eletrônica no conforto de uma propriedade particular. A elite desta cidade sempre encontrava uma rota de fuga.Pelo menos, no meio de todo o inferno, eu tinha Chloe. Nosso relacionamento estava na melhor fase possível. Desde aquele pedido de namoro improvisado na ambulância, nós nos tornamos inseparáveis. Chloe cuidava de mim com uma mistura irresistível de mimo e autoridade
Capítulo 151 — Linhas de Código e SangueJonathan RhodesA ideia de Alice recorrer a Christian me fez ranger os dentes de pura repulsa. Ter que engolir o meu orgulho e pedir favor àquele bastardo dentro da minha própria empresa foi um golpe baixo, mas a minha mulher tinha o dom irritante de conseguir exatamente o que queria de mim. E Christian, como sempre, parecia sentir um prazer gigante em me tirar do sério, tripudiando da situação com aquela audácia que me dava vontade de quebrar aquele sorriso cínico no meio com as minhas próprias mãos. A volta para a cobertura foi um borrão de ordens gélidas e escolta reforçada. No momento em que as portas do elevador privativo se abriram no nosso andar trazendo Tony, Emily, Chloe e o meu querido irmãozinho a tiracolo, foquei a minha atenção estritamente no que importava. Enquanto Alice acolhia as meninas e a minha mãe descia as escadas em um daqueles raros momentos de doçura com Christian, cortei o sentimentalismo no mesmo instante. O tempo
Capítulo 150 — Confissões na PenumbraAlice CarsonA postura implacável de Jonathan na sala do conselho deixou claro que não haveria trégua. Sustentar aquele sorriso gélido contra Mason, avisando que o colocaria atrás das grades antes de dar as costas à mesa, mostrou o homem que eu escolhi amar: alguém que não dobrava a espinha para tirano algum, muito menos para o próprio pai.Porém, bravata corporativa não barrava intimação federal. Trancados de volta no gabinete presidencial, a realidade contábil bateu à porta. Uma perícia interna convencional levaria dias, talvez semanas. E com a teia de influências que Mason mantinha na holding, qualquer relatório corria o risco de ser adulterado nos corredores antes de chegar a um juiz. Thomas Robinson era a primeira ponta óbvia da corda, mas quem garantia que outros setores não estavam corrompidos?— Nós precisamos de uma varredura externa e clandestina — declarei, sentando-me na beirada da mesa dele. — Alguém capaz de invadir o servidor centra







