LOGINO hospital parecia viver em um tempo diferente.Enquanto o mundo lá fora girava, dentro das paredes claras do quarto de maternidade, o tempo oscilava entre contrações e pausas carregadas de expectativa. Havia o som ritmado dos monitores, a voz suave da equipe médica, e o som abafado da chuva fina batendo nas janelas — como se o céu também estivesse em compasso de espera.Amy apertava forte a mão de Marcus, tentando manter o foco enquanto a dor vinha em ondas, cortando sua concentração como faca em seda. Mas, mesmo entre as contrações, ela se mantinha serena. O cansaço pesava sobre seus ombros, o corpo exausto pedia repouso, mas o coração batia com força — pulsando com o mesmo ritmo da nova vida prestes a nascer.— Você está indo muito bem, amor — sussurrava Marcus, a testa colada à dela. — Estou aqui. Eu juro que estou aqui.— Eu sei — ela respondeu entre uma respiração ofegante e outra. — Só… fica comigo.— Sempre.Os olhos dele estavam vermelhos, como se segurasse o choro há horas,
Agora a casa da nova Senhora Caldwell estava lotada com fotos do casamento, aniversário de Sophie, algumas fotos de Amy grávida e fotos da família. A noite caiu tranquila, e Amy, apesar do cansaço por conta do peso da barriga de quase nove meses, insistiu em fazer o jantar. Queria uma noite comum — uma noite em família, sem ensaios, sem flashes, sem gravadores por perto. Só eles. Só amor. Estava cansada dos paparazzis os parando nas ruas perguntando sobre o casamento, a gravidez, a relação com Sophie agora que vinha um novo integrante para a família.Na cozinha, Amy picava tomates em fatias finas enquanto Grace, a governanta que acompanhava Marcus desde os tempos de Rose, remexia uma panela de sopa com movimentos cuidadosos e precisos.— Nunca pensei que veria o dia em que o senhor Marcus estaria casado de novo — disse Grace, com aquele tom de quem já viu muito na vida. — E com uma moça tão doce quanto você. Acho que não existia ninguém melhor.Amy sorriu, agradecida. Ela adorava Grac
O sol se despedia com suavidade quando os primeiros convidados chegaram à chácara escondida entre colinas verdes e árvores antigas, cercada por um pequeno lago que refletia os tons dourados do fim da tarde. A cerimônia de Amy e Marcus seria íntima, longe de flashes, câmeras ou sussurros da mídia. Só havia espaço para o amor e as pessoas que verdadeiramente importavam.Os Caldwell e os Summers estavam reunidos — com Charlotte controlando as lágrimas antes mesmo da cerimônia começar, e Benjamin organizando os últimos detalhes da mesa com flores brancas e lavandas, escolhidas a dedo por Sophie. Melissa conversava animadamente com Zoe, que estava deslumbrante num vestido azul suave, enquanto Charles, em seu terno bem alinhado, andava de um lado para o outro, testando mil vezes o percurso que faria ao lado de Amy.Ethan, é claro, estava quase histérico com a beleza do local, mas contido. Dessa vez, não como empresário, mas como amigo. Ao seu lado, estava Einar — o islandês de sorriso tímid
As semanas que se seguiram após a premiação foram um sopro de paz na vida de Amy. A intensidade do anúncio da gravidez, o pedido de casamento, o prêmio consagrado… tudo parecia um sonho que, aos poucos, ia ganhando forma concreta, preenchendo os espaços antes vazios da vida dela com uma nova rotina repleta de amor, esperança e renovação.A mansão, antes silenciosa em muitos momentos, agora vibrava com vida. Pela manhã, o som do riso de Sophie ecoava pelos corredores, seguido pelo aroma delicioso do café da manhã que Charles preparava com dedicação quase cerimonial. O homem, sempre de avental e com um sorriso nos lábios, assumira com alegria o papel de cuidador e chef da família. Ele dizia que era sua forma de participar, de cuidar da filha e do neto que viria — um neto que, mesmo ainda invisível ao mundo, já transformava completamente a dinâmica da casa.Melissa, por sua vez, não passava um único dia sem aparecer por lá. Levava frutas frescas, revistas de noiva, histórias sobre gravid
Amy respirou fundo diante do microfone. A plateia silenciada esperava por suas palavras, mas ela ainda sentia o coração disparado, as mãos trêmulas e os olhos marejados.— Eu… — ela começou, e a voz saiu baixa, quase como um sussurro. — Eu estou extremamente honrada de ganhar este prêmio. Isso… isso não é só uma estatueta. Isso não é apenas um reconhecimento. Isso é um marco. Um símbolo de algo muito maior.Ela fez uma pausa, buscando forças dentro de si.— Durante anos, eu desejei poder olhar para o céu e dizer ao meu pai, John, que a gente conseguiu. Que tudo valeu a pena. Que todas as noites chorando no meu quarto, todas às vezes que pensei em desistir, me trouxeram até aqui. E agora eu posso dizer: conseguimos, pai.A plateia reagiu com um “awww” coletivo, e Amy levou a mão ao peito, segurando o prêmio com firmeza.— Quero agradecer a todos que caminharam comigo até aqui. À minha mãe, Melissa, por ter me ensinado a ser resiliente. Ao meu padrasto, Charles — ela sorriu emocionada —
A noite da premiação enfim chegou.O clima na suíte do hotel cinco estrelas era de correria e emoção, mas Amy permanecia quieta em meio ao caos. Sentada diante do espelho, ela passava a mão pela barriga em gestos delicados e repetitivos, como se tentasse transmitir segurança ao pequeno ser que carregava. A equipe ao redor, formada por maquiadores, cabeleireiros e etilistas, atribuía aquele comportamento à ansiedade pela premiação — afinal, Amy Summers era a favorita da noite.— Está tudo bem, Amy? — perguntou Layla, a maquiadora, enquanto finalizava os olhos da cantora com sombras em tons de vinho e dourado, com um delineado gatinho preciso que realçava seus olhos expressivos.— Está sim… só tentando manter a calma — ela respondeu, com um sorriso tímido. O batom, um tom profundo de vinho, completava o visual com sofisticação.Seu cabelo foi finalizado com ondas largas e soltas, mas no topo, uma delicada trança embutida formava uma espécie de coroa, adornada com pequenos cristais discr







