FAZER LOGINSamantha mostrou a Lucca o vídeo que ele havia divulgado, desta vez sem qualquer efeito ocultando seu rosto.
De fato, Samantha tinha muitos amigos, e vários deles não ficaram nada satisfeitos ao ver uma mulher sendo humilhada daquela forma.
— Só me entristece pensar em todo o tempo que minha amiga dedicou para ajudar você a melhorar de nota. Porque, daqui para frente, elas não vão servir para mais nada.
Ela sorriu outra vez.
— Agora vamos aguardar a reação do reitor quando assistir ao vídeo completo. Tenho certeza de que nem você nem seus amigos terão mais motivos para rir.
Naquele instante, Lucca avançou na direção de Samantha. Porém, como muitas pessoas haviam testemunhado a cena e ela era bastante conhecida na universidade, alguns rapazes imediatamente se colocaram ao lado dela.
Ele parou imediatamente.
Lucca podia ser cruel, mas não era burro.
— E tem mais... — ela disse, voltando o olhar para as garotas que acompanhavam Lucca. — São mulheres como vocês que desvalorizam outras mulheres e tornam nossa luta diária ainda mais difícil. Vocês são uma vergonha para todas nós.
Assim que terminou de falar, o reitor e um dos professores da universidade se aproximaram para verificar o que estava acontecendo.
Afinal, havia uma multidão de alunos reunida ao redor da discussão.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou o reitor.
— Reitor, este grupo de alunos divulgou para toda a universidade um vídeo com o objetivo de humilhar e degradar a imagem de outra estudante.
Ela entregou o celular aos dois.
— Vale mencionar que o vídeo recebido por todos ocultava o rosto do rapaz por meio de um efeito de edição.
O professor franziu a testa.
— Como conseguiu a versão original do vídeo, Srta. Samantha?
— Tenho alguns amigos da área de TI. Eles conseguiram remover o efeito que ocultava o rosto dele.
O reitor devolveu o aparelho.
— Onde está a aluna envolvida?
Eu permanecia completamente paralisada diante de tudo aquilo.
Foi Samantha quem me trouxe de volta à realidade.
— Alice, venha. Está na hora de fazer esses idiotas responderem pelo que fizeram.
Respirei fundo e caminhei até eles.
— Esta é Alice Fonseca, senhor.
Ele me observou por alguns segundos.
— Muito bem. Os envolvidos nos acompanhem até a reitoria. Quanto aos demais, apaguem imediatamente qualquer cópia desse vídeo.
Seu olhar percorreu todos os presentes.
— Quem voltar a compartilhá-lo também responderá criminalmente por isso. O que fizeram com esta aluna é vergonhoso. A universidade adotará todas as medidas disciplinares cabíveis e, inclusive, oferecerá apoio jurídico à vítima.
Aquele foi o ano mais turbulento da minha vida.
Como todos nós já éramos maiores de idade, a presença dos nossos responsáveis não era obrigatória. Ainda assim, qualquer aluno poderia ser acompanhado por um advogado durante o processo.
Ao final do processo administrativo da universidade, conforme previa o regimento interno, todos os estudantes envolvidos naquele crime foram expulsos por decisão disciplinar.
Todos, exceto eu.
Eu era a vítima.
Minha mãe, que era advogada, ingressou com uma ação judicial contra todos os responsáveis. Graças à sua experiência, o processo tramitou rapidamente, e obtivemos uma indenização significativa, principalmente da família de Lucca.
No entanto, minha mãe ainda não sabia que aquela história estava longe de terminar.
Quando contei aos meus pais sobre a gravidez, o choque foi inevitável. Mesmo assim, eles me acolheram.
Deixei claro que registraria minha filha como mãe solteira.
Recebi o apoio incondicional deles e do meu irmão.
Não mudei de universidade.
Como Samantha sempre dizia, meu único erro foi confiar na pessoa errada. Ainda assim, superar aquilo foi extremamente difícil.
Durante muitos dias, desejei acordar e descobrir que nada daquilo havia acontecido.
Confesso que chorei incontáveis noites nos ombros de Samantha.
Ela repetia, sempre com a mesma firmeza, que eu não tinha culpa de absolutamente nada e que jamais me deixaria enfrentar aquilo sozinha.
Até que, certa noite, minha mãe me ligou e comentou que aquele idiota havia se mudado para outro país.
Procurei seu perfil no I*******m.
Vi fotos da nova universidade.
Ele aparecia sorrindo, como se nada tivesse acontecido, acompanhado da legenda: “Um cara de sorte.”
Estranhamente, foi justamente naquele momento que encontrei forças para voltar a ser quem eu era antes dele.
Passei a me cercar de novos objetivos. Voltei a estudar com dedicação. Voltei a sonhar. Voltei a viver.
Também deixei de lamentar uma história que, no fim das contas, só existiu para mim.
Aprendi que só somos atingidos com tanta força quando abaixamos a guarda. Mas também compreendi que aquela dor já havia me ensinado tudo o que precisava.
Naquele dia, prometi a mim mesma que jamais voltaria a depositar minhas expectativas em outra pessoa.
Eu seguiria em frente.
Sem arrependimentos.
Sem olhar para trás.
Afinal, aquela experiência me transformou. Ela me fez crescer.
Algumas semanas depois de todo aquele caos, fui à consulta de pré-natal.
Apesar de tudo o que havia acontecido, eu estava completamente encantada pela vida que crescia dentro de mim.
Meu corpo começava a mudar.
E, depois da primeira ultrassonografia, aquela pequena vida tornou-se o centro do meu universo.
Tudo passou a girar ao redor dela.
Mais do que nunca, eu estava determinada a concluir minha graduação e construir um futuro digno para minha filha.
Sabia que precisaria reorganizar toda a minha rotina. Em algum momento, faria uma pausa para trazê-la ao mundo, mas não permitiria que aquilo interrompesse meus sonhos.
Pouco a pouco, minha vida começou a voltar aos trilhos.
As expectativas eram diferentes.
Os planos também.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu voltava a me sentir inteira.
Aprendi que, muitas vezes, é justamente dos lugares mais improváveis que surgem os maiores apoios.
Oito meses depois de tudo aquilo, segurei minha filha nos braços pela primeira vez.
Nunca havia sentido uma emoção tão intensa.
Ela era perfeita. Linda em cada detalhe.
Seu nome era Melissa. Minha Mel.
Ela herdara os olhos cor de oceano de Lucca, intensos e hipnotizantes. Bastava um sorriso para conquistar qualquer pessoa ao seu redor, como se carregasse a própria luz do sol.
Às vezes, aqueles olhos despertavam em mim lembranças que eu preferia esquecer.
Por um breve instante, a dor do passado insistia em voltar. Mas bastava Mel sorrir para que tudo desaparecesse.
Ela jamais seria um lembrete de Lucca.
Ela era minha filha, fruto da minha força, da minha coragem e da minha decisão de seguir em frente. Ela não era a continuação da história de Lucca. Era o começo da minha.
Nunca, em toda a minha vida, senti um amor tão absoluto quanto aquele.
Com o apoio da minha família, consegui concluir a graduação em Pedagogia e também Psicopedagogia que havia iniciado antes de toda aquela tragédia.
Sentia orgulho de mim mesma por não ter desistido.
Era profundamente grata a Samantha e aos meus pais por jamais terem me abandonado e por dividirem comigo os cuidados com Mel.
Todo o processo envolvendo Lucca correu sob sigilo judicial. Minha mãe fez questão de garantir que nada fosse divulgado, protegendo meu futuro e o da minha filha.
Depois da formatura, estabeleci novas metas.
Pela primeira vez em muito tempo, senti que minha vida finalmente seguia na direção certa.
Ainda fixando meu olhar nele, coloquei-o quase que completamente na minha boca. Ao retirá-lo, deslizei minha língua por toda a extensão. Hugo entreabriu os lábios, como se buscasse um pouco mais de ar. Repeti o movimento, sugando-o lentamente, usando minha mão para complementar o vaivém dentro da minha boca.Escutei sua respiração acelerar um pouco, aproveitei para intensificar a velocidade dos meus movimentos. Percebi seus olhos se fechando, indicando que ele estava se entregando ao momento. Era exatamente o que eu desejava: que ele se perdesse em minha boca.Após um momento, ele segurou minha cabeça com uma das mãos e, basicamente, começou a mover-se em minha boca de forma selvagem, entregando-se completamente àqueles movimentos.Recebi-o com todo o prazer, o que só aumentava minha excitação. Quando ele não suportou mais conter seu êxtase, ouvi seus gemidos intensos enquanto depositava em minha boca todo o seu prazer.Ele me lançou um olhar ainda mais selvagem, ajudando-me a levantar
Quando a hora de andar até o altar chegou, eu estava totalmente nervosa e emocionada. A música começou a tocar, e comecei a ser conduzida pelo meu pai, com Melissa e Luan logo à nossa frente. Mais adiante, avistei meu noivo, completamente lindo e emocionado também.Durante o meu percurso até ele, vi muitos rostos por mim conhecidos, e me surpreendi com a quantidade de pessoas que compareceram ao nosso casamento. Quando enfim cheguei até Hugo, tentava ao máximo segurar as lágrimas, mas parecia algo impossível.O celebrante deu início falando sobre a importância do amor. Uma parte do que ele disse realmente me marcou. “O amor é um dos sentimentos mais poderosos que existem. Ele pode transformar vidas, tanto a de quem ama quanto a de quem é amado”.Acreditava que foi exatamente isso que aconteceu comigo e com Hugo. O amor nos transformou, mesmo quando não estávamos procurando por ele e não queríamos nenhuma mudança em nossas vidas. No entanto, não é um sentimento que depende da gente. Ele
Um ano havia se passado desde aquele dia em que Hugo e eu decidimos que estaríamos juntos para sempre. Muito aconteceu nesse tempo, mas a verdade é que cada dia ao lado dele foi uma reafirmação do nosso amor. A vida havia assumido um ritmo intenso, mas também incrivelmente satisfatório.Lembram daquela pulseira que Melissa havia me presenteado? Pois bem, ela recebeu mais alguns pingentes, que, segundo Hugo, eram importantes ter: um lindo menino, um bolo que fazia referência ao pedido dele e um anel que simbolizava o meu sim.Estávamos de fato construindo nossa família. Ravi crescia a cada dia mais parecido com o pai, tanto na aparência quanto nas manias. Enquanto Melissa era uma cópia perfeita minha. Lucca e Hugo também haviam se entendido e superado o passado. Afinal, ambos estavam presentes na vida de minha filha.Na escola, continuava sendo a tia mais disputada por todos os alunos. Como já havia mencionado anteriormente, não ensinava apenas por necessidade. Ensinava porque amava o q
HUGO CASTROObservei, de longe, que assim que me afastei de Alice, Enrico se aproximou dela. Um sentimento de ciúme me tomou por completo, mas fiz o possível para controlar. Sabia que não tinha o direito de cobrar qualquer coisa deles.Enquanto brincava com Luan e Mel ali perto, minha atenção estava dividida. Vez ou outra, meus olhos buscavam por eles, conversando um pouco mais afastados de todos os outros. Eu tentava me concentrar nas crianças, rindo e me divertindo com eles, mas a verdade era que a visão de Alice e Enrico juntos me incomodava mais do que eu gostaria de admitir.Mesmo à distância, conseguia perceber a calma na postura dele, a maneira como falava com Alice. Isso me roía por dentro, o fato de saber que Enrico esteve ao lado dela durante todos os momentos difíceis que ela enfrentou — momentos em que eu deveria ter estado aqui, mas não estava.Quando finalmente vi Enrico se afastar, uma pontada de alívio percorreu meu peito. Aproveitei a oportunidade e fui até Alice, dete
Assenti, acompanhando-o até um canto mais tranquilo da piscina. No entanto, também pude notar que Hugo, apesar de continuar brincando com Mel e Luan, nos observava discretamente.— Eu… estou feliz por vocês, de verdade. — Enrico começou, me olhando nos olhos com uma gentileza que fez meu coração se apertar. — Sei o quanto tudo isso foi difícil para você, e é bom ver que finalmente vocês se entenderam.Eu abri a boca para dizer algo, mas ele levantou a mão, me pedindo silenciosamente para deixar que ele continuasse.— Desde o começo, eu sabia que você e Hugo tinham uma história especial. Eu nunca me iludi, achando que seria fácil competir com isso. — Ele fez uma pausa, respirando fundo. — Mesmo assim, eu nunca perdi a esperança, porque você é uma mulher incrível, e a ideia de poder construir algo com você… bem, foi o suficiente para eu tentar.Enrico sorriu, um sorriso melancólico, mas sem amargura. Era o sorriso de alguém que havia feito as pazes com a realidade.— Mas a verdade é que
Olhei para ele, tentando conter as emoções. Lutando contra meus próprios sentimentos, tentando me proteger, e parecia que isso só fazia ele ter ainda mais determinação para tentar consertar as coisas.— Eu não estava lá quando você mais precisou de mim. — Ele continuou, sua voz carregada de culpa. — Eu deveria ter lutado por nós, ter confiado em você, em vez de me deixar levar pelas mentiras e pelas manipulações. Deveria ter ficado ao seu lado, como prometi. Mas fui um covarde, Alice, e sinto muito por cada lágrima que você derramou por minha causa.Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas me recusei a deixá-las cair. Não podia ceder tão facilmente, não depois de tudo o que havia passado sozinha. Mas, ao mesmo tempo, cada palavra dele atingia meu coração com força.— Sei que não posso apagar o que aconteceu. — Ele disse, aproximando-se ainda mais. — Mas quero passar o resto da minha vida fazendo o que for preciso para consertar isso. Para mostrar a você que ainda sou o homem que







