INICIAR SESIÓNDIAS ATUAIS
Nunca procurei saber quanto minha mãe recebeu de indenização no processo contra a família de Lucca e os demais envolvidos.
No entanto, apenas os juros acumulados durante aqueles cinco anos foram suficientes para comprar uma casa para mim e para Melissa.
Samantha veio morar conosco no início, mas, algum tempo depois, os pais dela lhe deram uma casa de presente no mesmo condomínio onde eu morava. Basicamente, éramos vizinhas, além de ela ser a madrinha de Melissa.
Incentivada pela minha terapeuta, matriculei-me em uma academia de aeróbica.
Samantha foi a primeira a apoiar a ideia. Disse que cuidaria de Melissa enquanto eu estivesse treinando.
No começo, não fiquei muito animada. Sentia dores por todo o corpo, mas, com o passar das semanas, fui me acostumando aos exercícios.
Além disso, consegui uma carta de recomendação do reitor da universidade para concorrer a uma vaga como professora em uma conceituada escola.
Ainda assim, precisava passar por uma rigorosa entrevista.
Grande parte dos alunos daquela instituição pertencia a famílias influentes e muito bem-sucedidas, que valorizavam a segurança dos filhos acima de qualquer coisa. Por isso, todos os funcionários eram submetidos a um processo seletivo extremamente criterioso.
Fui contratada para lecionar no primeiro ano do ensino fundamental, com crianças entre seis e sete anos.
Minha principal responsabilidade seria alfabetizá-las.
A diretora fez questão de ressaltar que aquela não era uma contratação comum.
O reitor da minha antiga universidade havia fornecido excelentes referências sobre mim, e o fato de eu ter concluído dois cursos simultaneamente contou muitos pontos a meu favor.
Aquilo demonstrava dedicação, exatamente o perfil que a escola procurava para conduzir uma turma tão importante.
O melhor de tudo era que, além do salário, recebi uma bolsa de estudos integral para Melissa.
No meu primeiro dia de aula, senti dezenas de olhinhos apreensivos voltados para mim. Eu era a professora nova. Uma completa desconhecida.
Decidi fazer uma dinâmica para me apresentar e ajudá-los a perder um pouco da timidez enquanto eu também conhecia cada um deles.
Com a ajuda da auxiliar, organizamos as cadeiras em um grande círculo.
Então comecei.
— Oi, meus amores! Eu sou a tia Alice, a nova professora de vocês. Querem saber um segredo sobre mim?
Instantaneamente, todos voltaram os olhos curiosos para mim.
— Eu adoro ensinar brincando.
Na mesma hora, eles trocaram olhares, e alguns sorriram timidamente.
Eu sabia que estavam ali para aprender, e que tanto a escola quanto seus pais esperavam resultados. Mas acreditava que crianças aprendiam muito mais rápido quando o ensino era criativo, divertido e lúdico. Tinha certeza de que, dessa forma, elas jamais esqueceriam o que aprendessem.
É claro que eu não permitiria que aquela turminha se transformasse em um pesadelo para a escola. Mas também não pretendia formar robôs.
Precisava conhecer cada um deles, entender suas limitações e descobrir seus interesses.
Então pedi que todos se apresentassem.
Em vários momentos, acabávamos rindo juntos.
Em apenas uma semana, já havia me tornado a tia favorita dos meus pequeninos. Já conhecia cada um deles o suficiente para estabelecer limites, incentivar os mais tímidos e estimular aqueles que precisavam apenas de um pouco mais de confiança.
Devo admitir que um deles chamou especialmente minha atenção pela facilidade de aprender e pela maneira como interagia com os colegas.
Luan Castro era, sem dúvida, o elo daquela turma.
Era o garoto popular, mas da melhor maneira possível. Sabia incluir todos, acalmar conflitos e aproximar os colegas naturalmente.
Quanto à Melissa, que já estava com quatro aninhos, sua primeira semana foi difícil. Era seu primeiro contato com a escola, mas, aos poucos, ela se adaptou à professora e aos novos amiguinhos.
Passar meus dias ao lado daquelas crianças estava se tornando uma das melhores partes da minha vida.
Como a escola funcionava em período integral, muitas vezes eu só conseguia ir à academia durante a noite.
Desde o incidente com Lucca, nunca mais me envolvi com outro homem.
Aquele idiota havia deixado marcas profundas em mim, embora eu tivesse conseguido seguir em frente.
Na verdade, “seguir em frente” também não era a expressão correta, segundo minha terapeuta.
Ela dizia que eu só poderia afirmar que havia superado tudo quando fosse capaz de me envolver novamente com alguém sem sentir medo.
Eu não sabia se esse dia chegaria.
Confesso que gostaria de esquecê-lo para sempre. Mas bastava olhar para Melissa para que sua lembrança voltasse. Ainda assim, como sempre dizia, jamais me arrependi de ter minha filha.
Naquele dia, em especial, cinco anos após a pior humilhação da minha vida, confesso que não estava muito animada para ir à academia.
Algumas datas ficam marcadas para sempre na memória. Aquela era a minha.
Mesmo assim, eu sabia que não era justo permitir que algo ocorrido tantos anos antes continuasse controlando minha vida.
Depois de deixar Melissa com Samantha, segui para a academia.
Após quase duas horas de treino intenso, saí distraída, olhando para o celular.
Não percebi os três homens de aparência suspeita caminhando em minha direção.
A rua estava completamente deserta.
Quando finalmente os notei, já era tarde demais para recuar. Mesmo assim, tentei.
Fingi que havia esquecido alguma coisa e mudei de direção.
Não adiantou.
Um deles acelerou os passos e segurou meu braço.
— Por que tanta pressa, gatinha?
Os três me observavam como se eu fosse uma mercadoria.
— Que tal um pouco de diversão, fofinha? Tenho certeza de que você vai gostar de passar um tempo conosco. — O outro sorriu de forma nojenta.
— Por favor... me deixem passar. Eu preciso ir para casa.
Tentei me soltar.
Em resposta, o homem apertou meu braço com ainda mais força.
Naquele instante, um arrepio percorreu meu corpo. O medo voltou como uma avalanche.
Mas eu jamais permitiria que fizessem qualquer coisa comigo sem lutar.
Quando percebi o segundo homem se aproximando, comecei a me debater e a gritar por socorro.
— Ela é arisca... Mas, depois que passar por nós três, vai ficar bem mansinha. Aposto que você vai adorar o que tenho guardado na calça, belezinha.
— Eu vou ser o primeiro.
O homem que me segurava tentou me beijar à força.
Ao mesmo tempo, outro homem se aproximou por trás e deslizou a mão pelo meu traseiro. Meu desespero aumentou ainda mais.
Debati-me com todas as forças, determinada a escapar antes que fosse tarde demais.
Ainda fixando meu olhar nele, coloquei-o quase que completamente na minha boca. Ao retirá-lo, deslizei minha língua por toda a extensão. Hugo entreabriu os lábios, como se buscasse um pouco mais de ar. Repeti o movimento, sugando-o lentamente, usando minha mão para complementar o vaivém dentro da minha boca.Escutei sua respiração acelerar um pouco, aproveitei para intensificar a velocidade dos meus movimentos. Percebi seus olhos se fechando, indicando que ele estava se entregando ao momento. Era exatamente o que eu desejava: que ele se perdesse em minha boca.Após um momento, ele segurou minha cabeça com uma das mãos e, basicamente, começou a mover-se em minha boca de forma selvagem, entregando-se completamente àqueles movimentos.Recebi-o com todo o prazer, o que só aumentava minha excitação. Quando ele não suportou mais conter seu êxtase, ouvi seus gemidos intensos enquanto depositava em minha boca todo o seu prazer.Ele me lançou um olhar ainda mais selvagem, ajudando-me a levantar
Quando a hora de andar até o altar chegou, eu estava totalmente nervosa e emocionada. A música começou a tocar, e comecei a ser conduzida pelo meu pai, com Melissa e Luan logo à nossa frente. Mais adiante, avistei meu noivo, completamente lindo e emocionado também.Durante o meu percurso até ele, vi muitos rostos por mim conhecidos, e me surpreendi com a quantidade de pessoas que compareceram ao nosso casamento. Quando enfim cheguei até Hugo, tentava ao máximo segurar as lágrimas, mas parecia algo impossível.O celebrante deu início falando sobre a importância do amor. Uma parte do que ele disse realmente me marcou. “O amor é um dos sentimentos mais poderosos que existem. Ele pode transformar vidas, tanto a de quem ama quanto a de quem é amado”.Acreditava que foi exatamente isso que aconteceu comigo e com Hugo. O amor nos transformou, mesmo quando não estávamos procurando por ele e não queríamos nenhuma mudança em nossas vidas. No entanto, não é um sentimento que depende da gente. Ele
Um ano havia se passado desde aquele dia em que Hugo e eu decidimos que estaríamos juntos para sempre. Muito aconteceu nesse tempo, mas a verdade é que cada dia ao lado dele foi uma reafirmação do nosso amor. A vida havia assumido um ritmo intenso, mas também incrivelmente satisfatório.Lembram daquela pulseira que Melissa havia me presenteado? Pois bem, ela recebeu mais alguns pingentes, que, segundo Hugo, eram importantes ter: um lindo menino, um bolo que fazia referência ao pedido dele e um anel que simbolizava o meu sim.Estávamos de fato construindo nossa família. Ravi crescia a cada dia mais parecido com o pai, tanto na aparência quanto nas manias. Enquanto Melissa era uma cópia perfeita minha. Lucca e Hugo também haviam se entendido e superado o passado. Afinal, ambos estavam presentes na vida de minha filha.Na escola, continuava sendo a tia mais disputada por todos os alunos. Como já havia mencionado anteriormente, não ensinava apenas por necessidade. Ensinava porque amava o q
HUGO CASTROObservei, de longe, que assim que me afastei de Alice, Enrico se aproximou dela. Um sentimento de ciúme me tomou por completo, mas fiz o possível para controlar. Sabia que não tinha o direito de cobrar qualquer coisa deles.Enquanto brincava com Luan e Mel ali perto, minha atenção estava dividida. Vez ou outra, meus olhos buscavam por eles, conversando um pouco mais afastados de todos os outros. Eu tentava me concentrar nas crianças, rindo e me divertindo com eles, mas a verdade era que a visão de Alice e Enrico juntos me incomodava mais do que eu gostaria de admitir.Mesmo à distância, conseguia perceber a calma na postura dele, a maneira como falava com Alice. Isso me roía por dentro, o fato de saber que Enrico esteve ao lado dela durante todos os momentos difíceis que ela enfrentou — momentos em que eu deveria ter estado aqui, mas não estava.Quando finalmente vi Enrico se afastar, uma pontada de alívio percorreu meu peito. Aproveitei a oportunidade e fui até Alice, dete
Assenti, acompanhando-o até um canto mais tranquilo da piscina. No entanto, também pude notar que Hugo, apesar de continuar brincando com Mel e Luan, nos observava discretamente.— Eu… estou feliz por vocês, de verdade. — Enrico começou, me olhando nos olhos com uma gentileza que fez meu coração se apertar. — Sei o quanto tudo isso foi difícil para você, e é bom ver que finalmente vocês se entenderam.Eu abri a boca para dizer algo, mas ele levantou a mão, me pedindo silenciosamente para deixar que ele continuasse.— Desde o começo, eu sabia que você e Hugo tinham uma história especial. Eu nunca me iludi, achando que seria fácil competir com isso. — Ele fez uma pausa, respirando fundo. — Mesmo assim, eu nunca perdi a esperança, porque você é uma mulher incrível, e a ideia de poder construir algo com você… bem, foi o suficiente para eu tentar.Enrico sorriu, um sorriso melancólico, mas sem amargura. Era o sorriso de alguém que havia feito as pazes com a realidade.— Mas a verdade é que
Olhei para ele, tentando conter as emoções. Lutando contra meus próprios sentimentos, tentando me proteger, e parecia que isso só fazia ele ter ainda mais determinação para tentar consertar as coisas.— Eu não estava lá quando você mais precisou de mim. — Ele continuou, sua voz carregada de culpa. — Eu deveria ter lutado por nós, ter confiado em você, em vez de me deixar levar pelas mentiras e pelas manipulações. Deveria ter ficado ao seu lado, como prometi. Mas fui um covarde, Alice, e sinto muito por cada lágrima que você derramou por minha causa.Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas me recusei a deixá-las cair. Não podia ceder tão facilmente, não depois de tudo o que havia passado sozinha. Mas, ao mesmo tempo, cada palavra dele atingia meu coração com força.— Sei que não posso apagar o que aconteceu. — Ele disse, aproximando-se ainda mais. — Mas quero passar o resto da minha vida fazendo o que for preciso para consertar isso. Para mostrar a você que ainda sou o homem que







