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Capítulo 7

Author: K. F. Moura
last update publish date: 2026-10-23 08:28:32

Na segunda-feira, Isabella chegou à Dorman Media Group com quinze minutos de antecedência e uma determinação renovada de fazer seu trabalho da melhor maneira possível.

A noite de sexta-feira com os amigos ainda lhe arrancava sorrisos involuntários. Pela primeira vez em muito tempo, ela tinha pessoas com quem conversar sobre o cotidiano, rir das pequenas desgraças e compartilhar as novidades sem sentir que estava incomodando alguém.

Entretanto, aquela segunda-feira prometia ser diferente.

A supervisora havia solicitado que ela levasse alguns documentos ao departamento executivo. Isabella não estava particularmente animada com a tarefa, principalmente porque ainda se perdia pelos corredores do prédio, mas aceitou o trabalho sem reclamar.

Afinal, não pretendia ser conhecida como a funcionária que não conseguia encontrar uma sala.

Com uma pasta apoiada contra o peito e o celular na outra mão, ela atravessou o corredor principal enquanto tentava conferir o número da sala indicado na mensagem.

— Décimo quarto andar, sala de reuniões... Certo. É só não entrar na sala errada e acabar participando de uma reunião internacional sem saber o idioma — murmurou.

Virou o corredor depressa demais.

E bateu diretamente contra alguém.

O impacto fez a pasta escapar de seus dedos. Documentos se espalharam pelo chão, e Isabella deu um passo para trás, perdendo o equilíbrio.

Antes que pudesse cair, sentiu uma mão firme segurar sua cintura.

A outra pessoa também recuou ligeiramente, mas permaneceu de pé, como se o choque não tivesse sido suficiente para afetá-la.

Isabella ergueu o rosto.

E esqueceu completamente o que pretendia dizer.

Era ele.

Justin Dorman.

O homem das fotografias que ela havia pesquisado na internet na noite em que descobrira mais sobre a empresa. O presidente que aparecia em entrevistas, reportagens e eventos corporativos, sempre impecável, sério e absurdamente elegante.

Só que as fotografias não lhe faziam justiça.

Pessoalmente, ele era muito mais bonito.

Os cabelos escuros estavam perfeitamente arrumados, os traços do rosto eram definidos, a mandíbula forte e os olhos possuíam uma intensidade que parecia difícil de sustentar por muito tempo. O terno escuro ajustava-se perfeitamente ao corpo, transmitindo uma combinação de autoridade e sofisticação que fazia qualquer pessoa compreender imediatamente por que ele comandava aquela empresa.

Isabella ficou imóvel por um segundo.

Então percebeu que ainda estava com as mãos apoiadas nele.

Uma delas havia pousado sobre seu abdômen.

E, meu Deus, que abdômen.

Mesmo por baixo do tecido da camisa e do paletó, ela sentia a firmeza dos músculos sob seus dedos. Era como se suas mãos tivessem encontrado uma parede de pedra disfarçada de homem.

O perfume dele também a atingiu naquele instante.

Era amadeirado, intenso e sofisticado, com uma nota quente que parecia combinar perfeitamente com sua presença. Havia algo profundamente masculino naquele cheiro, algo que fez Isabella esquecer até mesmo como se respirava normalmente.

Ela deveria soltá-lo.

Deveria pedir desculpas.

Deveria fazer qualquer coisa que uma pessoa sensata faria naquela situação.

Em vez disso, permaneceu olhando para ele como se tivesse acabado de encontrar uma resposta para uma pergunta que nunca fizera.

Justin, por sua vez, não estava muito melhor.

Ele havia saído de uma reunião quando sentiu alguém colidir contra seu corpo. Seu primeiro impulso foi segurar a pessoa antes que caísse.

Só então percebeu quem estava em seus braços.

Isabella Castillos.

A nova assistente de criação.

A jovem da impressora.

A mulher cujo nome ele havia repetido mentalmente mais vezes do que considerava razoável para alguém que mal conhecia.

Seu olhar desceu brevemente até o rosto dela.

Os olhos azuis eram ainda mais impressionantes de perto. Grandes, luminosos e de uma doçura inesperada, pareciam carregar uma mistura de surpresa e insegurança naquele momento. Os lábios carnudos se entreabriram, como se ela estivesse prestes a dizer alguma coisa, mas nenhuma palavra pareceu sair imediatamente.

Um lampejo de admiração atravessou o olhar dele.

Foi rápido, quase imperceptível.

Ainda assim, Justin sentiu algo se deslocar dentro de si.

Ele estava acostumado a olhares admirados. Funcionários, investidores e executivos frequentemente o observavam com respeito, receio ou interesse. Alguns tentavam agradá-lo; outros buscavam sua aprovação.

Mas havia alguma coisa diferente no olhar de Isabella.

Ela não parecia estar calculando o que poderia conseguir dele.

Parecia simplesmente surpresa por encontrá-lo tão perto.

E, por algum motivo, aquela reação o atingiu de uma maneira inesperada.

A boca dela começou a se mover.

— S-senhor... o senhor está bem?

Justin não respondeu.

Na verdade, mal ouviu a pergunta.

Estava ocupado demais percebendo a proximidade entre os dois, o calor do corpo dela contra o seu e o fato de que ainda segurava sua cintura.

Havia quanto tempo não ficava tão próximo de uma mulher sem que a situação envolvesse um evento social, uma fotografia ou uma obrigação conjugal?

Ele não soube responder.

Isabella piscou, finalmente percebendo que talvez tivesse provocado algum dano.

— Senhor? — insistiu, um pouco mais alto. — Eu sinto muito. Estava olhando para o celular e não vi por onde estava indo.

A voz dela o alcançou aos poucos.

Justin fechou os olhos por um segundo.

Precisava recuperar o controle.

Quando voltou a abri-los, a expressão havia mudado. A surpresa desapareceu, substituída pela máscara de CEO impassível que ele vestia com tanta facilidade.

Aquela máscara o acompanhava havia anos. Era útil nas reuniões, nas negociações e em todas as situações nas quais demonstrar sentimentos poderia ser interpretado como fraqueza.

E, naquele momento, ele precisava dela mais do que gostaria de admitir.

— Estou bem — respondeu, soltando a cintura dela e dando um passo para trás. — Da próxima vez, preste atenção por onde anda.

Isabella sentiu o rosto esquentar.

Ótimo. Simplesmente maravilhoso. Ela havia acabado de derrubar documentos no corredor, agarrar o presidente da empresa e quase esquecer o próprio nome enquanto o homem provavelmente desejava demiti-la.

— Sim, senhor. Desculpe. Eu prometo que não costumo atacar executivos pelos corredores.

A frase escapou antes que pudesse impedi-la.

Justin ergueu uma sobrancelha.

Isabella quis desaparecer.

— Eu... quero dizer, não foi intencional. Obviamente. Eu não tenho o hábito de sair por aí derrubando pessoas importantes.

Por um instante, Justin quase sorriu.

Quase.

Aquela mulher conseguia transformar uma situação constrangedora em algo inesperadamente divertido, mesmo quando estava prestes a morrer de vergonha.

— Fico aliviado em saber disso, senhorita...

Ele deixou a frase incompleta, esperando que ela se apresentasse.

— Isabella. Isabella Castillos. Sou assistente de criação publicitária.

— Eu sei quem você é.

As palavras saíram antes que ele refletisse sobre elas.

Isabella ergueu os olhos, surpresa.

— Sabe?

Justin sustentou o olhar dela por um instante.

— Seu nome consta nos registros da empresa.

Era uma resposta perfeitamente razoável. Profissional. Impessoal.

E completamente insuficiente para explicar por que ele conhecia seu nome antes mesmo de ela ter a oportunidade de pronunciá-lo.

— Ah. Claro. Os registros — repetiu ela, tentando recuperar a compostura.

Abaixou-se para recolher os documentos, mas Justin foi mais rápido e pegou algumas folhas próximas aos seus sapatos.

Quando os dois estenderam as mãos para alcançar a mesma página, os dedos se tocaram.

E tudo mudou.

Uma descarga elétrica pareceu atravessar ambos no instante em que suas peles se encontraram. Não era uma sensação dolorosa, mas uma onda intensa e inesperada, que subiu pelas mãos de Isabella e percorreu seu corpo, fazendo seu coração disparar.

Ela prendeu a respiração.

Justin também sentiu.

Por uma fração de segundo, o corredor pareceu desaparecer ao redor deles. O contato entre os dedos durou apenas um instante, mas foi suficiente para despertar uma tensão que nenhum dos dois soube explicar.

Era como se houvesse uma corrente invisível ligando os dois, pulsando entre suas mãos e tornando impossível ignorar a presença um do outro.

Isabella levantou os olhos devagar.

Justin já estava olhando para ela.

Os olhos azuis dela encontraram os dele, e uma onda de calor percorreu seu rosto. Havia surpresa em sua expressão, mas também algo que ela não conseguiu esconder a tempo: uma admiração intensa, misturada a uma atração que a pegou completamente desprevenida.

Ele sentiu o mesmo impacto.

Aquela química era absurda.

Não fazia sentido. Eles mal se conheciam. Ela era uma funcionária que havia acabado de começar na empresa, e ele era seu presidente. Ainda assim, naquele breve contato, Justin experimentou uma sensação que não sentia havia anos: uma consciência quase dolorosa da presença de outra pessoa.

Seus dedos permaneceram próximos por um segundo a mais do que o necessário.

Então Isabella recolheu a mão, como se tivesse acabado de perceber o que estava acontecendo.

Justin soltou a folha.

Nenhum dos dois comentou o ocorrido.

Mas o silêncio entre eles havia adquirido um significado diferente.

— Aqui está — disse ele, entregando-lhe os documentos, com a voz ligeiramente mais grave.

— Obrigada, senhor Dorman.

Ela se levantou, apertando a pasta contra o peito como se aquilo pudesse protegê-la do próprio constrangimento.

— E, mais uma vez, sinto muito.

— Já pediu desculpas.

— Sim, mas achei que uma terceira vez poderia ajudar a recuperar minha reputação.

Dessa vez, o canto da boca dele se moveu discretamente.

— Não acredito que três pedidos de desculpas sejam suficientes para isso.

Isabella arregalou os olhos.

— Nossa. O senhor realmente não facilita para os novos funcionários.

Justin percebeu que ela havia falado sem pensar novamente.

Esperou que ela se corrigisse, mas Isabella apenas apertou os lábios, arrependida.

— Quero dizer... eu não quis...

— Senhorita Castillos.

Ela se calou imediatamente.

— Vá entregar seus documentos.

— Sim, senhor.

Isabella virou-se e começou a caminhar pelo corredor, tentando manter uma postura digna. Depois de alguns passos, percebeu que estava indo na direção errada.

Parou.

Olhou para a placa na parede.

Virou-se lentamente para o outro lado.

Justin observou a cena em silêncio.

Ela o encarou por uma fração de segundo, com as bochechas ainda rosadas.

— Eu sabia que era por aqui — declarou, antes de seguir na direção oposta.

Quando ela desapareceu no corredor, Justin soltou o ar devagar.

Passou a mão pela gravata e retomou o caminho para o próprio escritório, tentando ignorar a sensação persistente do lugar onde ela havia tocado seu corpo.

Era ridículo.

Uma colisão acidental não deveria ser suficiente para perturbar sua concentração.

Muito menos quando a mulher em questão era alguém que ele deveria manter à distância.

Ao entrar no escritório, encontrou sua assistente esperando com uma pasta nas mãos.

— Senhor Dorman, os documentos para a reunião das dez estão prontos.

— Deixe sobre a mesa.

Ela o observou por um instante.

— Aconteceu alguma coisa, senhor?

Justin ergueu os olhos.

— Por que pergunta?

— Nada. É que o senhor parece... distraído.

Ele lançou um olhar frio na direção dela.

— Estou perfeitamente bem.

A assistente assentiu e saiu.

Justin caminhou até a janela, irritado consigo mesmo.

Estava perfeitamente bem.

Só precisava parar de pensar em uma assistente de olhos azuis que tinha o péssimo hábito de aparecer em seus pensamentos quando menos deveria.

E, principalmente, precisava parar de se lembrar do sorriso que quase deixara escapar diante dela.

Porque, pela primeira vez em muito tempo, sua máscara havia falhado.

E Isabella Castillos sequer parecia ter percebido.

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