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CAPÍTULO 2

Autor: Euridce
last update Data de publicação: 2026-08-17 08:41:30

Alexander Blackwood

Dizem que um homem que tem tudo não precisa de mais nada.

Mentira.

Quanto mais você possui, mais pessoas tentam tirar isso de você.

Aprendi essa lição antes mesmo de completar dezoito anos.

Meu nome é Alexander Blackwood.

Tenho trinta e seis anos.

Sou presidente da Blackwood Empire, um conglomerado presente em dezenas de países, avaliado em bilhões.

Os jornais me chamam de gênio dos negócios.

Os concorrentes me chamam de monstro.

Os funcionários me chamam de senhor.

Mas existe uma palavra que define exatamente quem eu me tornei.

Frio.

E fui eu quem escolheu ser assim.

Porque sentimentos custam caro.

E eu já havia pago um preço alto demais.

Meu despertador nunca tocava.

Não precisava.

Às cinco da manhã meus olhos se abriam automaticamente, como acontecia havia anos.

Disciplina.

Era assim que meu pai me criou.

Enquanto outras crianças aprendiam a brincar, eu aprendia a administrar empresas.

Enquanto outros meninos ganhavam brinquedos, eu recebia livros sobre economia.

Enquanto outros eram abraçados...

Eu aprendia que homens fortes não precisavam de carinho.

Levantei da cama e caminhei até a enorme janela da cobertura.

A cidade ainda dormia.

Luzes espalhadas iluminavam avenidas quase vazias.

Lá embaixo, milhares de pessoas começariam mais um dia sem imaginar que um dos homens mais ricos do país acordava todas as manhãs com a mesma sensação de vazio.

Minha cobertura era luxuosa.

Obras de arte.

Móveis importados.

Tecnologia de última geração.

Silêncio absoluto.

Nenhuma fotografia.

Nenhuma lembrança.

Nenhuma família.

Parecia um museu.

Bonito.

Frio.

Assim como eu.

Entrei na academia particular.

O cheiro de ferro e couro sempre me acalmava.

Comecei o treino.

Cada soco no saco de pancadas carregava anos de frustrações.

Meu pai dizia que dor era fraqueza.

Então aprendi a transformar qualquer sentimento em esforço.

Quando terminei, meu corpo estava coberto de suor.

Mas minha mente continuava pesada.

Peguei uma toalha.

Nesse instante, meu celular vibrou.

Lucas.

Meu melhor amigo.

Meu advogado.

Uma das poucas pessoas que ainda ousava falar comigo sem medo.

Atendi.

— Fale.

Do outro lado da linha ele riu.

— Você realmente não sabe dizer "bom dia", não é?

— O que aconteceu?

— Reunião às oito.

Seu pai confirmou presença.

Meu humor piorou imediatamente.

Meu pai nunca aparecia sem motivo.

E, quando aparecia...

Alguém sempre saía perdendo.

Às oito em ponto, entrei na Blackwood Empire.

O prédio possuía sessenta andares.

Todo revestido de vidro.

Imponente.

Assim como o sobrenome estampado na entrada.

Assim que atravessei o saguão, os funcionários interromperam as conversas.

Era sempre assim.

O ambiente mudava quando eu chegava.

Uns abaixavam a cabeça.

Outros endireitavam a postura.

Alguns sequer respiravam direito.

Nunca pedi respeito.

Conquistei através do medo.

Porque medo era mais eficiente que simpatia.

A recepcionista sorriu.

— Bom dia, senhor Blackwood.

Assenti discretamente.

Entrei no elevador privativo.

Sozinho.

Sempre sozinho.

A reunião começou exatamente às oito e cinco.

O diretor financeiro fazia uma apresentação sobre os resultados do trimestre.

Projetos.

Lucros.

Expansões.

Tudo estava dentro do esperado.

Até que ele mudou de expressão.

— Senhor Blackwood...

Olhei para ele.

— Tivemos um pequeno problema.

Pequeno.

Eu odiava essa palavra.

— Continue.

Ele respirou fundo.

— Perdemos um contrato importante na Europa.

Cruzei os braços.

— Quanto?

— Aproximadamente cento e cinquenta milhões.

Silêncio.

Todos esperavam minha reação.

Levantei lentamente.

Caminhei até a tela onde os gráficos estavam sendo exibidos.

Olhei para cada diretor.

— Digam-me uma coisa.

Ninguém respondeu.

— Se perderam esse contrato...

Quem aqui acredita que fez um bom trabalho?

O silêncio permaneceu.

— Exatamente.

Desliguei a apresentação.

— Quero uma solução até amanhã.

— Mas...

O diretor tentou argumentar.

Olhei diretamente para ele.

— Amanhã.

Minha voz era calma.

Mas bastava isso para encerrar qualquer discussão.

Quando todos saíram da sala, Lucas entrou segurando duas xícaras de café.

Colocou uma diante de mim.

— Você assusta pessoas demais.

Peguei o café.

— Elas são pagas para trabalhar.

— Também são seres humanos.

Sorri sem humor.

— Esse detalhe nunca aumentou os lucros da empresa.

Lucas balançou a cabeça.

— Você realmente não sente pena de ninguém?

Olhei pela janela.

Pensei durante alguns segundos.

Depois respondi.

— Pena não fecha contratos.

Ele permaneceu em silêncio.

Sabia que eu acreditava naquilo.

Ou pelo menos tentava acreditar.

No fim da tarde fui chamado à mansão da família.

Meu pai já me esperava na biblioteca.

O ambiente tinha cheiro de madeira antiga e livros raros.

Sebastian Blackwood permanecia de pé, observando a lareira acesa.

Nem sequer virou quando entrei.

— Você chegou.

— Sim.

Ele continuou olhando para o fogo.

— Sabe por que sua mãe morreu triste?

Fechei o semblante.

Aquela pergunta foi inesperada.

— Não.

Ele finalmente me encarou.

— Porque acreditou que amor era suficiente.

Meu peito apertou.

Minha mãe era a única pessoa que realmente havia me amado.

Ela passava horas tentando convencer meu pai de que dinheiro não era tudo.

Ele nunca escutou.

No dia em que ela morreu, prometi a mim mesmo que jamais permitiria que alguém tivesse poder para me destruir daquela forma.

Meu pai voltou a falar.

— Sua mãe era fraca.

Foi a gota d'água.

Aproximei-me dele.

— Nunca mais fale dela dessa maneira.

Ele sustentou meu olhar sem recuar.

— Está vendo?

Essa é exatamente a diferença entre nós.

Você ainda sente.

Mesmo tentando esconder.

Fiquei em silêncio.

Porque ele tinha razão.

Eu havia enterrado meus sentimentos.

Mas eles nunca morreram completamente.

Apenas estavam presos em algum lugar que eu me recusava a visitar.

Sebastian caminhou até uma gaveta e retirou um documento.

Colocou-o sobre a mesa.

— Está na hora de cumprir seu dever.

Olhei para a pasta.

— Que dever?

— Casar.

Ri pela primeira vez em muitos dias.

Uma risada seca.

Sem alegria.

— Deve estar brincando.

— Nunca falei tão sério.

Abri a pasta.

Havia documentos, cláusulas e exigências do conselho administrativo.

Meu casamento era tratado como uma negociação empresarial.

— Não vou me casar.

Meu pai cruzou os braços.

— Vai.

— Não.

— Então perderá o controle da Blackwood Empire.

Meu coração permaneceu calmo.

Mas minha mente entrou em guerra.

Passei anos construindo aquele império.

Sacrifiquei minha juventude.

Minha liberdade.

Minha felicidade.

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Último capítulo

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 31

    Evelyn Eu sempre imaginei que o dia em que eu dissesse sim seria diferente. Na minha imaginação, haveria flores. Uma música bonita. Um homem apaixonado. Talvez um vestido branco. Família reunida. Olhares emocionados. Eu seria escolhida porque alguém teria olhado para mim e pensado: É ela. Durante anos, escondi esse sonho até de mim mesma. Parecia ridículo desejar um casamento quando eu mal conseguia acreditar que alguém poderia desejar ficar ao meu lado. Mas naquela manhã, enquanto segurava o documento que mudaria completamente a minha vida, percebi uma coisa: Eu estava prestes a dizer sim. Não ao casamento dos meus sonhos. Não a uma história de amor perfeita. Mas a um contrato. A um homem que eu ainda não compreendia completamente. A um mundo que me assustava. E, talvez, a uma possibilidade que eu jamais teria coragem de admitir em voz alta. A possibilidade de ser amada. Acordei antes do despertador. Fiquei deitada olhando para o teto. Me

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 30

    Evelyn Ficamos em silêncio. Depois ele perguntou: — O que você espera de um casamento? A pergunta me pegou desprevenida. — Amor. Ele ficou imóvel. — E você? — Eu não sei. — Nunca quis? — Talvez. — Então por que aceitar um casamento sem amor? Olhei para minhas mãos. — Porque talvez eu esteja cansada de esperar que alguém me ame para começar a viver. Alexander não respondeu. Eu continuei: — Passei muito tempo achando que precisava mudar para ser escolhida. — Você não precisa. — Eu sei disso agora. Ele me encarou. — Sabe? Sorri. — Estou aprendendo. Depois do almoço, ele me levou até uma joalheria. — O que estamos fazendo aqui? — Escolhendo alianças. Parei. — Já? — Se vamos fazer isso, precisamos parecer convincentes. — Alexander. — É apenas parte do acordo. Entramos. A atendente nos recebeu imediatamente. Ela reconheceu Alexander. Depois olhou para mim. E sorriu. — Parabéns. Meu coração apertou. — Obrigada. A

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 29

    Evelyn Naquela noite, Alexander recebeu uma ligação do pai. — Ela aceitou? Alexander olhou pela janela. — Está considerando. — Isso não é suficiente. — Será. — Alexander, precisamos de uma decisão. Ele ficou em silêncio. — Eu vou me casar com ela. Do outro lado da linha, silêncio. — Com Evelyn? — Sim. — Você perdeu a cabeça? Alexander sorriu friamente. — Talvez. Desligou. Mas, quando ficou sozinho, o sorriso desapareceu. Ele abriu uma fotografia. Evelyn. O vestido vermelho. O olhar tímido. A mulher que o mundo insistia em considerar inadequada. A mulher que ele estava prestes a colocar no centro do império Blackwood. Ele sabia que o contrato deveria ser simples. Um casamento. Um ano. Nenhuma emoção. Nenhuma intimidade. Depois, cada um seguiria seu caminho. Era o plano. Perfeito. Controlado. Seguro. Mas havia um problema. Alexander já não tinha certeza de que conseguiria cumprir a primeira regra. Nenhuma emoção.

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 28

    Evelyn Eu ri. Não porque fosse engraçado. Ri porque meu cérebro não conseguia compreender. — Você está falando sério? — Sim. — Você quer se casar comigo? — Quero que você considere. — Para salvar sua empresa? — Para proteger o império e impedir que meu pai e o conselho ditem minha vida. Olhei para o documento. — E por que eu? Ele ficou alguns segundos em silêncio. — Porque confio em você. A resposta me desmontou. — Você mal me conhece. — Conheço o suficiente. — Não. Balancei a cabeça. — Você não conhece minhas inseguranças. Não conhece tudo que aconteceu comigo. Não conhece minha família. Não conhece... Minha voz falhou. — Conheço mais do que você imagina. Ele se aproximou. — Eu sei como é ser julgado pelo que os outros esperam que você seja. Olhei para ele. — Você sabe? — Sei. Ele falou baixo. — Talvez de uma forma diferente. Mas sei. Sentei-me. Minhas pernas estavam tremendo. — E como seria esse casamento? Alexander sen

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 27

    Evelyn Existem encontros que parecem coincidência. Um olhar em um corredor. Uma mensagem inesperada. Um jantar que não deveria significar nada. Uma mão segurando a sua por alguns segundos a mais do que o necessário. Naquele momento, eu ainda acreditava que Alexander e eu éramos apenas duas pessoas que haviam se encontrado por acaso. Dois mundos diferentes. Duas histórias completamente distintas. Dois caminhos que, em circunstâncias normais, jamais deveriam ter se cruzado. Eu ainda não sabia que alguns encontros não acontecem por acaso. Alguns parecem ser escritos muito antes de acontecerem. Naquela manhã, acordei com uma sensação estranha. Havia algo diferente no ar. Talvez fosse apenas a minha ansiedade. Talvez fosse a lembrança da noite anterior. Ou talvez fosse a mensagem que encontrei no celular assim que abri os olhos. Alexander: "Precisamos conversar hoje." Fiquei olhando para aquelas palavras. Meu coração acelerou. Precisamos conversar.

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 26

    Adrian Encontrei-a perto da janela. Ela estava observando a cidade. — Você viu? Ela se virou. — Vi. — E? — Você ficou diferente. — Como? — Parecia... Ela procurou a palavra. — Intocável. Sorri. — Isso é o que dizem. — Eu sei. Ela se aproximou. — Mas agora eu entendo. — Entende o quê? — Você não é intocável porque não sente. Fiquei em silêncio. — Você é intocável porque sente demais. Não consegui responder. Ninguém jamais havia dito aquilo. Ninguém. Ela me observava. — Acertei? Desviei o olhar. — Talvez. Ela sorriu. — Então eu estava certa. Naquela noite, voltei para casa. Mas as palavras dela foram comigo. "Você é intocável porque sente demais." Sentei no escritório. Abri uma gaveta. Lá estava uma fotografia antiga. Minha mãe. Meu pai. Eu. Uma família que parecia perfeita. Mas eu sabia a verdade. Meu pai estava distante. Minha mãe estava cansada. E eu estava tentando entender por que as pessoas que

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