Compartir

CAPÍTULO 4

Autor: Euridce
last update Fecha de publicación: 2026-08-25 22:42:42

Alexander Blackwood

Naquela noite, sozinho na cobertura, servi uma dose de uísque.

Observei as luzes da cidade pela varanda.

O império que construí estava escapando das minhas mãos.

E tudo por uma única razão.

Eu estava sozinho.

Sem esposa.

Sem filhos.

Sem herdeiros.

Sem alguém para dividir o peso da coroa.

Naquele momento, ainda acreditava que um casamento seria apenas mais um contrato.

Uma assinatura.

Uma obrigação.

Eu ainda não sabia que a mulher destinada a mudar minha vida jamais aceitaria ser apenas um nome em um documento.

E, quando ela surgisse, descobriria que o verdadeiro preço do império nunca foi o dinheiro.

Foi a parte de mim que precisei sacrificar para mantê-lo de pé.

Nunca imaginei que um contrato pudesse decidir o meu destino.

Durante toda a minha vida, fui eu quem assinou contratos.

Eu comprava empresas.

Vendia ações.

Fechava acordos internacionais.

Colocava minha assinatura em documentos que movimentavam bilhões.

Mas, pela primeira vez,

O contrato seria sobre mim.

*****

Na manhã seguinte, acordei antes do amanhecer.

Não havia dormido mais que duas horas.

A conversa com meu pai continuava ecoando na minha cabeça.

"Você tem noventa dias."

Noventa dias para encontrar uma esposa.

Noventa dias para convencer uma desconhecida a dividir a vida comigo.

Noventa dias para salvar o império Blackwood.

Olhei para o teto do quarto.

A cobertura permanecia silenciosa.

Silenciosa demais.

Não havia risadas.

Não havia cheiro de café sendo preparado por alguém que me esperava.

Não havia fotografias de família espalhadas pelos móveis.

Aquele apartamento era um retrato perfeito da minha vida.

Luxuoso.

Organizado.

E completamente vazio.

Levantei-me da cama.

Vestir um terno era mais fácil do que enfrentar os próprios pensamentos.

Enquanto ajustava a gravata diante do espelho, encarei meu reflexo.

Olhos azuis.

Mandíbula marcada.

Expressão séria.

A imprensa dizia que eu era o homem mais desejado do país.

Se ao menos soubessem...

Nunca fui desejado por quem eu era.

As pessoas desejavam meu sobrenome.

Meu dinheiro.

Meu poder.

Jamais Alexander.

Às oito horas, Lucas entrou no meu escritório.

Trazia uma pasta grossa debaixo do braço.

Assim que a colocou sobre minha mesa, percebi pelo sorriso discreto que ele havia preparado alguma coisa.

— O que é isso?

— Sua única saída.

Abri a pasta.

Centenas de páginas.

Fotografias.

Perfis.

Informações pessoais.

Fechei-a imediatamente.

— Explique.

Lucas puxou uma cadeira.

— Essas são mulheres que aceitariam um casamento estratégico.

Cruzei os braços.

— Você fez um catálogo de esposas?

Ele riu.

— Prefiro chamar de levantamento de possibilidades.

Olhei novamente para a pasta.

Aquilo parecia absurdo.

Meu casamento havia sido transformado em uma seleção de candidatos.

Sem sentimentos.

Sem romance.

Sem escolha.

Apenas negócios.

Folheei algumas páginas.

Uma modelo internacional.

Uma herdeira de uma empresa farmacêutica.

Uma influenciadora digital.

Filhas de políticos.

Empresárias.

Socialites.

Todas impecáveis.

Todas bonitas.

Todas sorrindo para as câmeras.

Todas pareciam exatamente iguais.

Fechei a pasta outra vez.

— Não.

Lucas franziu a testa.

— Nem terminou de olhar.

— Não preciso.

— Alexander...

— Nenhuma delas serve.

— E o que exatamente você procura?

Pensei durante alguns segundos.

Era uma pergunta simples.

Mas nunca havia refletido sobre isso.

— Alguém que não esteja interessada na minha fortuna.

Lucas começou a rir.

— Boa sorte encontrando essa mulher.

Passei o restante da manhã mergulhado em reuniões.

Mas minha concentração desaparecia a cada poucos minutos.

As palavras do conselho voltavam como um martelo.

"A empresa precisa de estabilidade."

"Os investidores exigem um herdeiro."

"Você deve se casar."

Eu odiava quando tentavam controlar minha vida.

Sempre odiei.

Foi exatamente por isso que saí da casa dos meus pais aos vinte e um anos.

Precisava respirar.

Precisava provar que era capaz de construir meu próprio caminho.

Construí.

Transformei a Blackwood Empire em uma potência mundial.

Mesmo assim.

Ainda era tratado como um garoto incapaz de tomar decisões.

No início da tarde, fui chamado novamente à mansão da família.

Meu pai me esperava na biblioteca.

Como sempre.

Aquele cômodo parecia representar perfeitamente quem ele era.

Organizado.

Elegante.

Frio.

Ele permaneceu olhando pela janela.

Nem sequer me cumprimentou.

— Sentado.

Não obedeci.

Continuei em pé.

— Se me chamou para falar sobre casamento, pode economizar seu tempo.

Ele finalmente virou.

Os cabelos grisalhos contrastavam com os olhos igualmente frios.

— Você acha que isso é sobre você?

Respondi sem hesitar.

— É a minha vida.

Ele balançou a cabeça.

— Não.

É sobre o nome Blackwood.

Aquelas palavras me atingiram de forma diferente.

Durante toda a minha infância ouvi exatamente a mesma coisa.

Quando queria brincar.

Quando queria viajar.

Quando queria escolher minha profissão.

Quando queria viver.

"Você é um Blackwood."

Como se isso fosse mais importante do que ser humano.

— Meu nome sustentou esse império por quinze anos.

Meu pai caminhou lentamente até uma antiga fotografia.

Era uma imagem da minha mãe.

Ela sorria.

Segurava minha mão.

Eu devia ter uns seis anos.

— Sua mãe acreditava que eu estava errado.

Olhei para a fotografia.

— Ela estava certa.

Ele ignorou meu comentário.

— Ela dizia que um homem precisava de amor.

Fez uma pausa.

Depois sorriu de maneira amarga.

— O amor a matou.

Meu peito apertou.

— Não.

A falta dele foi o que a matou.

O silêncio tomou conta da biblioteca.

Foi a primeira vez, em muitos anos, que enfrentei meu pai daquela maneira.

Ele respirou profundamente.

— Você se parece muito com ela.

Franzi a testa.

— Não.

Você passa a vida tentando convencer o mundo de que não sente nada.

Mas seus olhos continuam exatamente iguais aos dela.

Desviei o olhar.

Porque ele tinha razão.

Minha mãe enxergava as pessoas.

Eu tentava não enxergar ninguém.

Era a única maneira de sobreviver.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 6

    Alexander Blackwood Uma jovem garçonete estava ajoelhada, desesperada. As mãos tremiam. Ela tentava recolher os cacos antes que alguém brigasse com ela. Algumas mulheres começaram a cochichar. — Que desastrada. — Devia perder o emprego. — Estragou o evento inteiro. Continuei observando. Ninguém fez um único movimento para ajudá-la. Ninguém. Até que uma mulher saiu discretamente do meio dos convidados. Vestia um elegante vestido vermelho. Os cabelos cacheados caíam sobre os ombros. Seu corpo fugia completamente do padrão das mulheres que costumavam aparecer nas capas de revistas. Ela ignorou os olhares. Ignorou os comentários. Apenas se ajoelhou ao lado da garçonete. — Você está machucada? A menina balançou a cabeça negativamente. Mesmo assim, a desconhecida segurou suas mãos. Sorriu. — Calma acidentes acontecem. Sua voz era tão tranquila que até eu consegui ouvi-la. Pegou um guardanapo. Começou a ajudá-la a recolher cuidadosamente os c

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 5

    Alexandre Blackwood Antes que eu saísse da biblioteca, meu pai falou novamente. — Já escolheu uma candidata? — Ainda não. — Faça isso logo. — Não vou me casar com qualquer mulher. Ele sorriu discretamente. — Não precisa amar sua esposa. Precisa apenas cumprir seu papel. Fechei a porta sem responder. Naquela noite, Lucas apareceu na minha cobertura levando comida. Era uma tradição antiga. Sempre que percebia que eu passava dias sem descansar, aparecia sem avisar. Enquanto jantávamos, ele resolveu tocar novamente no assunto. — Você ainda pensa em recusar? — Todos os minutos. Ele sorriu. — Então por que não faz isso? Olhei para a cidade iluminada através da varanda. — Porque esse império não pertence apenas a mim. Pertence a milhares de famílias que dependem dele. Se eu perder o controle da empresa... Todos pagarão o preço. Lucas permaneceu em silêncio. Sabia que eu nunca colocaria meus funcionários em risco. Era esse o problema. Eu

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 4

    Alexander Blackwood Naquela noite, sozinho na cobertura, servi uma dose de uísque. Observei as luzes da cidade pela varanda. O império que construí estava escapando das minhas mãos. E tudo por uma única razão. Eu estava sozinho. Sem esposa. Sem filhos. Sem herdeiros. Sem alguém para dividir o peso da coroa. Naquele momento, ainda acreditava que um casamento seria apenas mais um contrato. Uma assinatura. Uma obrigação. Eu ainda não sabia que a mulher destinada a mudar minha vida jamais aceitaria ser apenas um nome em um documento. E, quando ela surgisse, descobriria que o verdadeiro preço do império nunca foi o dinheiro. Foi a parte de mim que precisei sacrificar para mantê-lo de pé. Nunca imaginei que um contrato pudesse decidir o meu destino. Durante toda a minha vida, fui eu quem assinou contratos. Eu comprava empresas. Vendia ações. Fechava acordos internacionais. Colocava minha assinatura em documentos que movimentavam bilhões. Mas, pel

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 3

    Alexander Blackwood E agora queriam usar tudo isso para me obrigar a colocar uma aliança no dedo. Fechei a pasta lentamente. — Nunca amarei mulher nenhuma. Meu pai sorriu. Um sorriso frio. Calculista. — Ótimo. Porque amor nunca foi uma exigência. Naquele instante, sem que eu percebesse, meu destino começou a mudar. Em algum lugar da cidade existia uma mulher que acreditava não ser digna de ser amada. E eu, um homem que acreditava ser incapaz de amar. O que nenhum de nós imaginava era que nossas maiores feridas seriam exatamente o caminho que nos levaria um ao outro.****Existe uma diferença entre nascer rico e nascer dentro de um império.Quem nasce rico aprende a gastar dinheiro.Quem nasce dentro de um império aprende que cada decisão custa uma parte da própria vida.Eu nunca tive escolha.Desde criança, meu sobrenome foi mais importante que meu nome.Antes de ser Alexander.Eu já era um Blackwood.Na manhã seguinte à conversa com meu pai, cheguei à empresa

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 2

    Alexander Blackwood Dizem que um homem que tem tudo não precisa de mais nada. Mentira. Quanto mais você possui, mais pessoas tentam tirar isso de você. Aprendi essa lição antes mesmo de completar dezoito anos. Meu nome é Alexander Blackwood. Tenho trinta e seis anos. Sou presidente da Blackwood Empire, um conglomerado presente em dezenas de países, avaliado em bilhões. Os jornais me chamam de gênio dos negócios. Os concorrentes me chamam de monstro. Os funcionários me chamam de senhor. Mas existe uma palavra que define exatamente quem eu me tornei. Frio. E fui eu quem escolheu ser assim. Porque sentimentos custam caro. E eu já havia pago um preço alto demais. Meu despertador nunca tocava. Não precisava. Às cinco da manhã meus olhos se abriam automaticamente, como acontecia havia anos. Disciplina. Era assim que meu pai me criou. Enquanto outras crianças aprendiam a brincar, eu aprendia a administrar empresas. Enquanto outros meninos ganhav

  • O CONTRATO DA MINHA IMPERFEIÇÃO    CAPÍTULO 1

    Evelyn Carter O despertador tocou às seis horas da manhã.Abri os olhos devagar, encarando o teto branco do meu pequeno apartamento. Durante alguns segundos, fiquei ali, imóvel, tentando encontrar um motivo para levantar da cama.Todos os dias pareciam iguais.As mesmas ruas.As mesmas pessoas.Os mesmos olhares.E a mesma sensação de nunca ser suficiente.Soltei um suspiro longo antes de me levantar.O piso gelado fez meus pés arrepiarem, mas eu mal percebi. Caminhei até o banheiro e acendi a luz.Então aconteceu o ritual que eu mais odiava.Olhar para mim.Fiquei diante do espelho em silêncio.Meu cabelo cacheado estava completamente bagunçado. Meus olhos castanhos ainda carregavam o cansaço da noite anterior.Mas não era isso que eu enxergava.Nunca foi.Meu olhar desceu lentamente pelo meu rosto, meus ombros, meus seios, minha cintura larga, meus quadris, minhas pernas...Eu só conseguia ver aquilo que o mundo passou anos me ensinando a enxergar.Defeitos.Fechei os olhos.Ainda

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status