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CAPÍTULO 5

Author: Euridce
last update publish date: 2026-08-25 22:43:50

Alexandre Blackwood

Antes que eu saísse da biblioteca, meu pai falou novamente.

— Já escolheu uma candidata?

— Ainda não.

— Faça isso logo.

— Não vou me casar com qualquer mulher.

Ele sorriu discretamente.

— Não precisa amar sua esposa.

Precisa apenas cumprir seu papel.

Fechei a porta sem responder.

Naquela noite, Lucas apareceu na minha cobertura levando comida.

Era uma tradição antiga.

Sempre que percebia que eu passava dias sem descansar, aparecia sem avisar.

Enquanto jantávamos, ele resolveu tocar novamente no assunto.

— Você ainda pensa em recusar?

— Todos os minutos.

Ele sorriu.

— Então por que não faz isso?

Olhei para a cidade iluminada através da varanda.

— Porque esse império não pertence apenas a mim.

Pertence a milhares de famílias que dependem dele.

Se eu perder o controle da empresa...

Todos pagarão o preço.

Lucas permaneceu em silêncio.

Sabia que eu nunca colocaria meus funcionários em risco.

Era esse o problema.

Eu sempre carregava o peso de todos.

Menos o meu.

Ele tomou um gole de vinho.

Depois perguntou:

— Como será sua esposa ideal?

Ri pela primeira vez em dias.

— Ela não existe.

— Tente.

Pensei durante alguns segundos.

— Quero alguém que não tenha medo de mim.

Alguém que fale a verdade olhando nos meus olhos.

Alguém que não veja apenas meu dinheiro.

Alguém que não tente me mudar.

Lucas sorriu.

— Interessante...

— O quê?

— Você acabou de descrever uma mulher de verdade.

Não uma esposa por contrato.

Fiquei em silêncio.

Talvez ele estivesse certo.

Talvez, no fundo, eu desejasse algo que nunca tive coragem de admitir.

Mas já era tarde para isso.

Meu destino havia sido decidido pelo conselho.

Meu casamento não nasceria do amor.

Nasceria da necessidade.

E, naquele momento, eu ainda não fazia ideia de que a mulher destinada a se tornar minha esposa estava vivendo uma batalha completamente diferente da minha.

Enquanto eu lutava para proteger um império.

Ela lutava apenas para acreditar que merecia ser vista.

E muito em breve, nossos caminhos deixariam de ser apenas paralelos para se tornarem um só.

Passei a vida inteira acreditando que pessoas podiam ser analisadas como empresas.

Você observa.

Coleta informações.

Descobre os pontos fortes.

Os pontos fracos.

Calcula os riscos.

E toma uma decisão.

Era assim que eu fechava negócios.

Era assim que eu administrava bilhões.

Mas eu ainda não sabia que o coração não seguia a lógica dos contratos.

Dois dias haviam se passado desde a reunião com o conselho.

Dois dias sem dormir .

Dois dias cercado por advogados, investidores e acionistas repetindo exatamente a mesma frase:

— O senhor precisa de uma esposa.

Eu odiava ouvir aquilo.

Não porque fosse contra o casamento.

Mas porque ninguém se importava com o que eu queria.

Para eles, bastava encontrar uma mulher bonita, colocar uma aliança em seu dedo e resolver o problema.

Como se seres humanos fossem peças substituíveis.

Naquela manhã, Lucas apareceu no meu escritório carregando uma caixa de couro escuro.

Colocou-a sobre minha mesa.

— Espero que esteja de bom humor.

Nem levantei os olhos dos documentos.

— Então veio ao lugar errado.

Ele sorriu.

Abriu a caixa.

Dentro havia dezenas de pastas organizadas por ordem alfabética.

— O que é isso?

— As candidatas.

Fechei lentamente o notebook.

— Você realmente fez isso?

— Passei dois dias selecionando mulheres que aceitariam um casamento estratégico.

Aproximei-me da mesa.

Peguei a primeira pasta.

Helena Vasconcellos.

Modelo internacional.

Vinte e oito anos.

Filha de empresários.

Fluente em quatro idiomas.

Mais de vinte milhões de seguidores nas redes sociais.

Fechei a pasta.

Peguei outra.

Olivia Harrington.

Herdeira de uma multinacional.

Elegante.

Influente.

Presença constante nas colunas sociais.

Outra.

Atriz.

Outra.

Advogada.

Outra.

Socialite.

Todas impecáveis.

Todas lindas.

Todas exatamente iguais.

Lucas cruzou os braços.

— Alguma chamou sua atenção?

Balancei a cabeça.

— Nenhuma.

— Alexander.

— Todas estão interessadas no sobrenome Blackwood.

Não em mim.

Ele suspirou.

— Você esperava encontrar amor?

Olhei para ele.

— Não.

— Então qual é o problema?

Pensei durante alguns segundos.

Nem eu sabia responder.

Até perceber.

— Elas olham para minha fortuna antes de olharem para mim.

Lucas permaneceu em silêncio.

Sabia que eu tinha razão.

Naquela tarde, fui obrigado a comparecer ao evento anual da Fundação Blackwood.

Detestava eventos sociais.

Pessoas sorriam demais.

Falavam demais.

Mentiam demais.

Assim que entrei no salão principal, dezenas de fotógrafos começaram a disparar flashes.

Cumprimentei empresários.

Políticos.

Patrocinadores.

Tudo fazia parte da obrigação de manter a imagem da empresa.

Enquanto discursava sobre projetos sociais, meus olhos percorriam discretamente o salão.

Vestidos caros.

Joias.

Sorrisos ensaiados.

Conversas vazias.

Nada diferente dos outros anos.

Até que um barulho interrompeu o evento.

Uma bandeja cheia de taças caiu no chão.

O som do vidro quebrando ecoou pelo salão.

Todos olharam na mesma direção.

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