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Capítulo 3

Author: Michelle
Depois de sair do hotel, fui até a Casa Southbank, a residência que Adrian tinha preparado para nós vivermos depois do casamento.

Era o refúgio da família Moretti às margens do rio. Havia um arsenal no subsolo, uma rota de fuga que atravessava a garagem e, no último andar, uma suíte com vista para o rio.

Certa vez, Adrian disse que aquele seria nosso lar depois da cerimônia.

Pressionei o polegar contra o leitor biométrico.

【Acesso negado.】

Tentei outra vez, mas o acesso continuou sendo negado.

Então a porta se abriu por dentro.

Nico, o subchefe de Adrian, estava parado atrás dela.

— Elena.

Olhei por cima do ombro dele.

A sala de estar estava diferente.

Meu bastidor de bordado tinha sido levado para um canto e coberto com uma capa contra poeira. Os croquis do casamento que ficavam sobre a mesa tinham desaparecido. No lugar deles, havia frascos de remédio, anotações das sessões de terapia e um umidificador.

Acima da lareira, antes ficava o brasão de casamento que desenhei para unir as duas famílias.

Foram necessárias dezessete versões até que eu ficasse satisfeita com a águia negra e as vinhas que se estendiam ao redor dela.

Agora, havia uma pintura de íris brancas naquele lugar. As flores favoritas de Livia.

Nico fechou a porta.

— O Don Moretti mandou fazer algumas adaptações na casa.

— Adaptações?

— A Srta. Livia vai passar a noite aqui. O médico disse que ela precisa de tranquilidade e segurança.

Dois homens tiravam meus baús da suíte principal.

Um deles não estava bem fechado. Um rolo de tecido escapava pela abertura e se arrastava pelo chão.

Era o tecido que eu tinha escolhido para o meu primeiro jantar com a família depois do casamento.

— Quem mandou vocês mexerem nas minhas coisas?

— O Don.

Nico suavizou o tom de voz.

— É temporário. A Srta. Livia tem dificuldade para dormir, e a suíte principal é a mais próxima da sala de segurança.

— Por isso removeram meu acesso.

— Ele foi bloqueado. — Corrigiu, evitando meu olhar.

— Apenas temporariamente. O Don disse que você estava muito abalada hoje e ficou com medo de que viesse até aqui e entrasse em conflito com Livia.

Soltei uma risada seca.

Então, naquela casa, eu tinha me transformado na pessoa de quem eles precisavam protegê-la.

Nico pegou uma caixa de joias verde-escura que estava sobre a mesa de centro.

— O Don pediu que eu entregasse isto a você.

Não estendi a mão.

Ele abriu a caixa.

Dentro, havia um broche de esmeraldas com a águia negra dos Moretti no centro.

Caro e bonito. Quase parecia uma compensação. Mas não era uma joia destinada à esposa do Don, era o tipo de broche que a família Moretti oferecia às companheiras de seus subordinados leais.

Eu já tinha visto peças iguais em três jantares de família.

Nico baixou a voz.

— O Don disse que reconhece que tudo isso foi injusto com você. Assim que a Srta. Livia estiver estável, ele mesmo explicará tudo.

— Onde ele está agora?

— Com a Srta. Livia. Ela tem uma consulta com o terapeuta.

— Vestida com o meu vestido de noiva?

Nico não respondeu.

Caminhei até o canto e arranquei a capa que cobria o bastidor.

A agulha continuava presa no tecido.

A asa da águia negra estava inacabada, e apenas metade das vinhas estava pronta. Depois do casamento, eu pretendia emoldurar o bordado e pendurá-lo no escritório.

Agora, ele estava abandonado em um canto.

Tirei a agulha do tecido e cortei a linha.

A expressão de Nico mudou.

— Elena, o Don gosta desse bordado.

— Então ele mesmo pode terminá-lo.

Deixei a agulha sobre a mesa e entrei no escritório.

O cofre continuava lá.

Digitei a senha e retirei tudo o que me pertencia.

Meu passaporte, dinheiro, os documentos de propriedade do ateliê, meus antigos cadernos de croquis e o dedal de prata que minha avó deixou para mim.

Não peguei nada que Adrian tinha me dado.

Nico permaneceu parado na entrada.

— Elena, o que está fazendo?

— Pegando de volta as minhas coisas.

— O Don não vai gostar disso.

— Então diga a ele que venha me impedir.

Nico ficou em silêncio, pois ele sabia que Adrian não viria.

Guardei os documentos na bolsa e contemplei o refúgio uma última vez.

Meu nome tinha sido apagado do sistema de acesso e a suíte principal já não me pertencia. Até o brasão de casamento que desenhei à mão tinha sido substituído.

Quando cheguei à porta, um dos guardas perguntou em voz baixa:

— Devemos avisar o Don?

Nico também baixou a voz.

— Avisar o quê? Ela só está abalada.

— O Don vai conversar com Elena, e ela voltará.

Abri a porta e saí para a noite. Desta vez, não olhei para trás.
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