MasukOs meses seguintes passaram depressa.A universidade continuou exigindo boa parte do nosso tempo. Cecília estava cada vez mais envolvida com os projetos da faculdade de Direito, enquanto eu dividia meus dias entre Administração, Economia e algumas experiências profissionais que meu pai me incentivava a buscar.Mas, mesmo com nossas agendas cheias, encontramos maneiras de permanecer juntos.Havia cafés antes das aulas, almoços improvisados, tardes de estudo na biblioteca e mensagens durante o dia. Às vezes, tudo o que conseguíamos fazer era nos encontrar por quinze minutos entre uma aula e outra.E esses quinze minutos sempre pareciam valer a pena.Cecília também começou a frequentar minha casa com mais frequência. Minha mãe já tinha uma gaveta reservada para algumas coisas dela, e meu pai havia desenvolvido o hábito de perguntar se ela viria jantar antes mesmo de perguntar como tinha sido meu dia.Eu não reclamava.Gostava de vê-la integrada à nossa família.Em uma sexta-feira, depois
Eu descobri que estar apaixonado mudava até as coisas mais simples.Ir à universidade tinha se tornado mais divertido. O café da manhã tinha ficado mais demorado porque Cecília sempre encontrava algum motivo para me fazer ficar mais cinco minutos. Minhas mensagens estavam cheias de fotografias aleatórias, comentários sobre aulas e declarações que, antes, eu teria pensado duas vezes antes de enviar.Agora, simplesmente enviava.E gostava da maneira como ela respondia.Naquela quinta-feira, por exemplo, recebi uma fotografia às sete e quinze da manhã.Cecília estava diante do espelho, usando uma blusa branca e uma calça jeans. Os cabelos estavam soltos, e ela fazia uma expressão séria.Cecília: Estou apresentável para encontrar meu namorado?Eu: Não.Cecília: Como assim?Eu: Está bonita demais. Vou precisar cancelar minhas aulas e ficar olhando para você.Cecília: Você é muito exagerado.Eu: Estou sendo honesto.Cecília: Então venha me buscar.Eu: Dez minutos.Cecília: Quinze. Ainda pre
Namorar Cecília estava se tornando uma das partes mais bonitas da minha rotina.Eu ainda acordava cedo, frequentava minhas aulas, participava das reuniões com meu pai e tentava manter a organização da minha vida acadêmica. Ela continuava com seus livros, seus códigos jurídicos, suas anotações coloridas e a capacidade impressionante de encontrar alguma coisa para estudar mesmo quando tínhamos uma tarde inteira livre.A diferença era que agora eu tinha alguém esperando por mim no campus.E, sinceramente, comecei a considerar isso uma das melhores coisas da universidade.Naquela segunda-feira, cheguei pouco antes das oito. Estacionava o carro quando recebi uma mensagem.Cecília: Você está chegando?Eu: Estou no estacionamento.Cecília: Estou perto da cafeteria.Eu: Está com saudade?Cecília: Estou com fome.Eu: Romântico.Cecília: Traga café e talvez eu considere ser romântica.Sorri, peguei minha mochila e fui até a cafeteria.Encontrei Cecília sentada perto das janelas, com o notebook
Eu sempre gostei dos jantares em família. Talvez porque, desde pequeno, minha casa estivesse cheia de conversas, risadas e pessoas que pareciam não ter pressa de ir embora.Mas aquele sábado seria diferente.Era nosso primeiro jantar oficial em família desde que Cecília e eu havíamos começado a namorar. Não era a primeira vez que estávamos todos juntos, obviamente. Nossas famílias praticamente dividiam a mesma agenda havia anos. A diferença era que, daquela vez, Cecília chegaria à minha casa como minha namorada.E, por algum motivo, eu estava nervoso.— Você já olhou pela janela umas seis vezes — minha mãe comentou, enquanto organizava alguns pratos na sala de jantar.Eu estava encostado no balcão da cozinha, mexendo no celular.— Estou esperando uma mensagem.— Da Cecília?— Não, mãe. Do presidente da República.Ana ergueu os olhos para mim.— Engraçadinho.Sorri.— Ela disse que estava saindo de casa.— Então deve estar chegando. Você sabe que não precisa ficar tão ansioso, não sabe
Dois meses.Era o tempo que havia passado desde o meu primeiro beijo com Cecília.E, sinceramente, eu não sabia como tinha conseguido passar tantos anos sem beijá-la.Nossa amizade havia mudado, mas não perdido aquilo que sempre a tornou especial. Continuávamos implicando um com o outro, discutindo por motivos absurdos, dividindo cafés na universidade e passando horas conversando por telefone.A diferença era que agora eu podia beijá-la quando nos encontrávamos.Podia segurar sua mão enquanto caminhávamos pelo campus.Podia abraçá-la por trás quando ela estava concentrada em alguma coisa e receber uma reclamação seguida de um sorriso.E, principalmente, podia dizer que estava com saudade sem precisar fingir que era apenas saudade de uma amiga.Ainda não tínhamos oficializado um namoro.Eu queria fazer isso de maneira especial.Não porque precisasse de uma grande produção, mas porque Cecília merecia saber que eu não estava tratando aquilo como uma consequência natural da nossa amizade.
* MáximosNa manhã seguinte, acordei com uma mensagem do meu pai.Andréas: Bom dia. Não se esqueça do almoço de domingo na casa de Cristian. Sua mãe já confirmou nossa presença.Eu: Bom dia para você também.Andréas: E leve a Cecília.Fiquei olhando para a tela.Meu pai tinha uma capacidade impressionante de se intrometer na minha vida sem sequer estar no mesmo ambiente.Eu: Por quê?Andréas: Porque ela faz parte da família.Eu: Ela não é minha namorada.A resposta veio quase imediatamente.Andréas: Ainda.Fechei os olhos.Eu realmente precisava conversar com minha mãe sobre a possibilidade de trocar meu pai por alguém mais discreto.Encontrei Cecília na universidade pouco antes da primeira aula. Ela estava sentada nos degraus próximos ao jardim, conversando com duas colegas.Quando me viu, levantou a mão.— Máximos!Aproximei-me.— Bom dia.— Você fez a apresentação?— Fiz.— Posso ver?Entreguei meu tablet.Ela começou a ler o material e, depois de alguns segundos, levantou os olhos







