Se connecterEstou de costas para a escada quando a luz volta a funcionar, todos estão fazendo cara de assustados, posso notar Janaína tremendo de susto, a fumaça parou de sair e ficamos todos sem reação, não sei quanto minutos se passaram, ou mesmo se passou algum tempo direito, franzo a testa, não parecia uma simples brincadeirinha, ou tentativa de pegadinha. Ísis, Miguel, Janaína e eu, andamos para perto um dos outros. Onde Davi se meteu?
Ísis nos encara, também contando a quantidade de pessoas, ela franze o cenho e vai até a porta, colocando a mão na maçaneta e a gira, abrindo a porta. Está aberta!? Por que a porta está aberta? Eu mesmo a forcei e estava muito bem trancada.
— Cadê o Davi? — Ísis olha para todos os lados, e então passa para o lado de fora o procurando
Miguel também sai, ele grita chamando por Davi, depois volta para mim e balança a cabeça, Janaína olha em volta desconfiada e então se aproxima de mim.
— Será que ele já saiu? Na hora que abriram a porta? — Janaína questiona — Não faz sentido ele sumir assim.
— Eu sei... — Tento ter certeza mais uma vez olhando em volta, a a porta da diretoria não está fechada...
— Emanuel, sua mãe tá lá no porão. — Miguel grita e então eu e Janaína saímos
— Querem carona? — Janaína é a única que aceita
Andamos até a porta e então me despeço deles, Ísis e Miguel vão para lados opostos, caminhando rapidamente, e vejo o porteiro recostado mexendo no celular.
— Ei, alguém saiu da escola além da gente? Nesse horário? Ou um pouco antes?
— Não.
— E a queda de luz?
— Algum engraçadinho desligou o padrão, mas eu liguei e tudo ok.
— Jogaram uma bomba de fumaça lá dentro, não viu nada?
— Uma bomba? — Ele finalmente sai do celular — Eu teria visto algum movimento estranho e escutado.
— Foi uma bomba de fumaça, quando a luz ligou ela estava lá... Nós cinco vimos a bomba e um de nós sumiu, tem algo errado.
— Se acalme garoto, eu vou checar tudo nas câmeras e posso garantir que vai estar tudo bem.
— Mas tem certeza que ninguém saiu?
— Sim, eu estou sempre aqui. — E voltou a mexer no celular
Vejo que minha mãe já conversa com Janaína, então vou para junto delas, entramos no carro, mamãe e Janiana conversam sobre coisas da escola super bem, na minha cabeça ainda não faz sentido Davi sumir, o porteiro apenas volta para a escola, a checando pela porta de entrada e volta para o seu lugar, e enquanto o carro começa a se afastar vejo a escola desaparecer em silêncio.
QUARTA-FEIRA
Era intervalo de almoço. Estou com sono, como sempre, e gastei a minha noite me perguntando como esqueci o celular em casa, o encontrei jogado no quarto, caído embaixo da escrivaninha, chequei as mensagens e para a minha surpresa, eu havia mandado mensagens na terça de manhã e algumas a tarde. Como eu posso ter mandado mensagens se esqueci o celular?
Agora estou parado no meio do corredor mostrando a todos os meus amigos, onde estava a bomba de fumaça, o amarelado ainda está ali, isso é uma prova, tiro mais uma foto. Isso prova que tudo que eu falei aconteceu mesmo, pela manhã conversei rapidamente com Miguel, ele também não soube me explicar bem o que aconteceu ontem a noite, apenas diz que Luciana afirmou que Davi não foi para a aula.
Paramos de checar o chão e vamos para o refeitório, nos amontoamos em uma das mesas do refeitório, eu tinha contado a todos o que tinha acontecido repetidamente, mas ninguém deu importância que eu esperava, mesmo mostrando o amarelado. Davi não foi a aula, passei pela sala dele para confirmar e se alguém sabia de algo, ninguém tinha noticias dele, e eu tenho certeza que escutei algum professor cochichar que ele não apareceu em casa, logo quando cheguei notei também que onde a bomba de fumaça estava a um leve amarelado, tentei levar algum professor para ver mas pareciam estar correndo dos alunos, nenhum professor estava disposto a conversar sobre coisas além das aulas, nem ao menos a professora de matemática, mas ela apenas me evitou ao máximo, queria perguntar a Pedro se Davi foi ao encontro, mas ele acabaria querendo me bater.
Remexo a comida no meu prato sem fome, tudo está monótono, tirando a parte que mais cedo Janaína apareceu do nada me contando que teve um pressentimento ruim quando entrou na escola.
— Mas, tipo, vocês não viram nada?— Rafa perguntou desconfiado, ele é o único que parece interessado no suposto sumiço
— Sim. — Respondo pela milésima vez — Estava completamente escuro e sinistro, aquela fumaça amarela fez parecer um filme de terror.
— Então somos os protagonistas? — Rafa ri — Espero que não tenha fantasmas.
— Não é isso, cara...
— Então quer dizer que tem chance dele ter sido pego por aliens, sabe essa coisa da fumaça...
— Por que iam fazer isso? — Reviro os olhos — O Miguel viu a bomba de perto, não parecia nada de outro planeta.
— Vocês acreditam em aliens!? — André tenta nos zoar, mas apenas o encaramos — E se um deles, matou o Davi?
Olhei de sobressalto para a mesa que Miguel estava sentado com alguns amigos, eles estão se zoando, comendo e fazendo barulho, logo depois a de Janaína, a irmã mais nova dela a acompanha junto de algumas amigas, elas comem pacificamente, entre alguns comentários e sorrisos, e a de Ísis, onde ela se senta com o namorado, um ou outro reveza sua vez de sentar ali, amigos de Luís é claro, mas não ficam muito tempo, apenas falam algo e saem, não deixo de observar Pedro, a mesa dele é a mais escandalosa, os caras falam enquanto comem, se agitam enquanto falam, todo mundo consgue escutar claramente a briguinha deles sobre os times Bahia e Vitória, Pedro parece notar meu olhar e me encara.
— Qual deles tem o perfil mais psicopata? — brinca Jorge e eu não gosto — Não faça essa cara, você pode ser o psicopata.
Odeio esse tipo de brincadeira, a morte não é uma brincadeira, estou pronto para responder, quando meu celular vibra, quero ignorar, mas é uma daquelas mensagens programadas do projeto do terceiro ano, percebo algumas reações pelo refeitório, gritinhos, abraços estranhos, noto que Ísis se levanta completamente tensa e sai do refeitório deixando Luís para trás, não posso mais resistir, abro o e-mail.
"Olá minhas cobras favoritas, destilaram seu veneno hoje?
O segredo de hoje aparentemente é triste para todos. VAMOS COMEÇAR PELA DIRETORA.
A diretora tem escondido que pela manhã encontrou um rastro de sangue pela própria sala. Sim, um rastro de sangue. E de quem será?
Meus pêsames a família.
Ps: Eu me diverti o apunhalado no escuro da escola."
A foto que acompanha o e-mail é de Davi, seu rosto está virado para o lado pálido, os olhos abertos, na bochecha está escrito "1" em vermelho sangue, a foto pega também um pouco de seu peito, a roupa está repleta de sangue e há um buraco no meio... Solto o celular na mesa.
Estou tremendo, não sei se é raiva, tristeza ou desespero pelas palavras que acabei de ler e ver. Não consigo me focar em nada, tem que ser uma piada, uma bem ruim, se isso é verdade, porque estão levando nesse tom de brincadeira? Como a diretora pode deixar isso acontecer? Davi morreu mesmo? Meu estômago revira, eu quero explodir, alguém está me chamando, várias vozes na verdade, minha pressão está em queda livre. Levo as mãos ao rosto, ainda tremendo, minha mente atrapalha as coisas.
Davi está na andando na frente. Projeto de matemática. Eu chego na biblioteca. O clube dos sem segredos. Davi está não estava mais lá. A luz se apaga.
Sinto mãos me agarrarem, braços passam pela minha cintura, estou sendo arrastado para fora do refeitório. A imagem de Davi me emprestando o celular é a única coisa na minha mente. Estou tentando respirar, e aos poucos consigo, as coisas parecem voltar a ficar claras, minhas mãos não tremem mais, fecho os olhos e os abro novamente. O rosto de Rafa está a centímetros do meu, ele coloca a mão na minha testa.
— Gelado. — Ele comenta tentando descontrair o ambiente
André ri e me entrega um copo de água, bebo tudo rapidamente e noto que Jorge está em pé ao lado deles. Estou na minha sala de aula, só nós estamos ali.
— Quer ir para a enfermaria? — Rafa questiona e eu apenas balanço a cabeça
Meus amigos sabem que o meu emocional não é lá essas coisas, eles já me socorreram em diversas crises de ansiedade, ou quando eu simplesmente estava para baixo. Estamos juntos desde a alfabetização, literalmente crescemos juntos, sabemos tudo um do outro.
— Ainda falta alguns minutos para o sinal bater, mas duvido que as aulas recomessem. — Jorge cruza os braços e me encara
Ainda tento controlar minha respiração, fecho os olhos e tento a primeira técnica que me vem a mente. Levo alguns minutos para ficar mais relaxado, não muito, mas já conseguia andar sozinho. Rafa não desgruda o olhar do celular, o grupo da sala está em surto, ninguém sabe como reagir, o grupo da formatura está pior ainda, a turma de Davi não fala nada, ninguém confirma ou desconfirma informação.
— Você acha que isso é uma piada? — André e Jorge conversam — Fazer piada sobre alguém matá-lo? Ou então ele fingir estar morto?
— Nós precisamos ir no comitê. — Digo devagar — Comitê de formatura.
— Não deve ter ninguém lá agora. — Rafa me impede de levantar
— É o comando do projeto, tem que ter alguém lá. Se essa merda foi enviada do e-mail criado por eles, eles sabem quem está escrevendo isso, e se for uma piada vão se ver comigo.
Os caras me seguram mais um tempo dentro da sala, quando o sinal toca nós saímos, fazemos o caminho contrário ao mar de gente. Nenhum dos alunos parece interessado em voltar as aulas, me pergunto qual o alcance daquela mensagem, porque me parece que todos os anos já estão sabendo disso. Andamos até uma saleta no fim do corredor, Pedro está na porta de braços cruzados, como um segurança.
— Vão embora. — Ele diz antes mesmo de nós nos aproximarmos da porta
— Libera ai. — Rafa tenta um diálogo — Só precisamos falar com qualquer um aí dentro, é rápido.
— Não. — Pedro agarra o braço de Rafa — Vão embora.
— Não quero uma briga, só deixa o Manu entrar, ok? Você sabe, ele ontem estava com o...
A porta se abre, Janaína olha para Pedro e Rafa confusa e me encara.
— Já ia atrás de você. — Ela me chama para dentro da sala com a mão
— Só ele. — Pedro adverte, ele está levando a sério o papel
Entro na sala que não está tão cheia como eu esperava, uma mesa parece dividir o lugar em dois, do lado direto a um sofá preto, cartazes, o que eu acho que é um frigobar, do outro lado estantes e cadeiras. Miguel está sentado no sofá ao lado de Bruno e então Janaína se junta, eles estão conversando, na mesa está Valéria, ela mexe no computador e Ísis está em pé ao seu lado com muita raiva, vou até as duas.
— Que porra tá acontecendo aqui? — Pergunto — Quem mandou aquela mensagem?
— É isso que eu estou tentando descobrir. — Valéria tecla rapidamente no notebook
— Puta merda, esse caralho vai demorar até quando? — Reclama Ísis
— Eu já disse, não estou conseguindo entrar no e-mail de jeito nenhum... — O digitar me incomoda, mas não digo nada — Não vai de jeito nenhum!
— Quem tinha a senha desse e-mail? QUAL DE VOCÊS TÁ FAZENDO ESSA MERDA? — Ísis Grita
Valéria abaixou a tela do notebook e arrumou o óculos redondo no rosto, ela era linda, o ruivo cabelo estava acima altura do ombro e os lábios eram carnudos, em qualquer outra ocasião eu daria em cima dela, mas hoje não há clima para nada. Ela está pronta para partir para cima de Ísis.
— Só eu e Bruno temos a senha, ou pelo menos tínhamos. Alguém mudou a senha. Alguém está usando e está nos impedindo de recuperar. Estão se divertindo com a nossa cara, é isso.
— Mas vamos pensar aqui, quem poderia estar fazendo isso? Não faz sentido.
— Nada até agora fez! — Valéria fala — Vocês que o viram por último, que merda estavam fazendo?
— Nada, foi um apagão e ele sumiu. — Me viro para Bruno — Bruno, na sala, o que vocês sabiam dele?
— Ele era legal... Sabe, é o máximo que eu sei.
Valéria bate nas teclas do computador revoltada.
— Nada funciona.
— Vocês vão dar um jeito nisso! — Ísis bate na mesa e começa a sair da sala
— VOCÊ QUER QUE EU FAÇA UM MILAGRE?
— SIM! — Ísis grita e bate a porta
Todos estão tensos e nos encaramos novamente.
— E o que vamos fazer? — Janaína abraça o próprio corpo
— Deixar com a polícia. — Valéria suspira — Bruno? Conseguiu confirmar?
— Infelizmente sim... — Noto como ele, Miguel e Janaína estão cabisbaixos — O E-mail falava a verdade... O corpo do Davi foi encontrado em uma praça aqui perto. Ele está morto.
— Morto... — Valéria se senta e coloca as mãos na cabeça
Nenhum de nós abre mais a boca, apenas nos encaramos por algum tempo, balanço a cabeça em negação e saio da sala, Pedro não está mais na porta, os corredores estão vazios, vou até a minha sala, que também está vazia, a não ser por Rafa que me encara com os olhos castanhos assustado, enquanto enfio meu caderno na mochila e a jogo nos ombros.
— Quer, sei lá, ir pra minha casa? — Rafa tenta falar comigo, mas estou farto de interações por hoje — Sabe, jogar alguma coisa...? Fazer nada?
— Eu só preciso ir pra casa, ok? — Tento não ser grosso — Eu mando mensagens assim que chegar, a gente vai se falando.
Rafa concorda e vamos até o ponto de ônibus, não tenho muito costume de pegar ônibus, minha mãe também não gosta, mas não vou esperar a van vir me buscar com a escola inteira nesse clima sombrio, meu ônibus não demora de passar, até as voltas pelos bairros parecem mais rápidas hoje, desço quase em frente a minha casa, apenas sigo reto e atravesso a rua. A casa deveria estar vazia, mas a TV está ligada, a barulhos vindo da cozinha, largo a mochila no sofá, e vou até a cozinha, minha mãe está na mesa mexendo no celular, ela vira lentamente e me encara.
Eu sei sobre o que ela quer conversar.
— A senhora já sabe, não é?
— A escola me ligou. — Diz sem tirar os olhos do celular — Parece que seu colega morreu ontem a noite. Aquela historia que me contou ontem sobre o desaparecimento, preciso que lembre com todos os detalhes.
— Eu preciso de um banho primeiro, comer...
— Tudo bem. — Ela estende a mão e eu a aperto — Vai ficar tudo bem meu filho.
Vou para o quarto, conferindo de novo a mensagem enviada, completamente horrível, choro um pouco no banho, mas consigo me controlar, visto a primeira roupa que vejo e volto a sala. Mamãe colocou um suco na mesa e está sentada falando ao telefone. Normalmente ela é extremamente reservada com seus casos, mas parece estar tensa e chocada.
— ... Senhora Meria, vou cuidar de tudo, fique tranquila, assim que eu tiver notícias mais atualizadas a senhora ficará sabendo... Sim, a senhora e o grupo de donos da escola... Preciso que a senhora deixe a escola do jeito que está agora, peça que ninguém limpe nada... Certo, certo... Ligo depois, muito obrigada, tchau.
— Eu tirei foto de onde a bomba estava. — Falo segurando um copo de suco
— Deixe-me ver... — Abro a foto e estendo o celular para ela — Deixe salva e me mande também...
— Acho que a senhora deveria falar com o porteiro.
— Eu vou...
— Davi não saiu da escola ontem mãe, é essa ponto.
O telefone de mamãe toca de novo, ela pede silêncio e então se levanta e vai para seu escritório. Me sento e começo a beber meu suco, Davi não saiu da escola, ou o porteiro está mentindo ou então quem o matou esperou nossa saida para tira-lo de lá. Cada vez que penso tudo parece mais como um filme de terror.
O churrasco do fim do terceiro ano da Escola Metódica aconteceu. Mesmo que a maioria estivesse sentada em seu canto para comer ou beber, se encaravam sem ânimo ou confiança. A música de fundo era um pagode, Antônio e Luan estavam na frente da churrasqueira, algumas meninas estavam na piscina, eles tinham alugado um espaço para aproveitar o que devia ser o último dia, ainda estavam fazendo o plano que Valéria tinha montado, a quantidade de comida, o dinheiro a ser arrecadado, até mesmo o lugar.Era a primeira vez que todos se encontravam, antes de notarem que seus assuntos em comum tinham acabado se abraçaram e perguntaram sobre Enem, sobre fim do ano, sobre como a mídia ainda trazia Valéria como uma pobre coitada que foi influenciada a cometer vários crimes, os nomes dos mortos foram falados, os religiosos fizeram suas preces, então cada um escolheu um lado para ficar. Ísis, Miguel, Emanuel e Janaína estavam felizes, curtiam o momento, Luís ao lado de Ísis exibia algumas cica
Tudo se transformou em câmera lenta e um completo alívio quando polícia e paramédicos entraram pela enorme porta, não conseguia responder direto as perguntas, apenas apontava para cima, alguém me cobriu com uma daquelas cobertas de alumínio, paramédicos com macas passaram correndo subindo a escada, comecei a ficar relaxada e as lágrimas finalmente brotaram em meus olhos, estávamos salvos e tudo tinha acabado.Um policial me amparou enquanto meu foco estava na porta aberta e nos primeiros raios de sol que começavam a aparecer, nem tinha imaginado que havíamos ficado tanto tempo aqui. Emanuel passou em uma maca sendo levado pelos paramédicos, tinha certeza que ele ia ficar muito bem, Ísis e Miguel desceram logo em seguida, amparados por policiais, eles também ganharam cobertas de alumínio. Ísis se sentou no último degrau enquanto era atendida, andei lentamente até ela, me sentado ao seu lado e agarrando a mão, não estaria viva se não fosse essa menina, Miguel se aproximou també
Deixar Miguel para trás foi uma decisão complicada, podia ter pulado no Fim e o acertado como sempre quis, mas algo disse que salvar Janaína era a melhor coisa que podia fazer, com o Fim focado no Miguel e Valéria no Emanuel, ia ter a liberdade suficiente para soltar Janaína.Assim que entrei na biblioteca fechei a porta e coloquei uma cadeira na frente, mesmo que não segurasse nada, nos daria um pouco de tempo. A biblioteca não era enorme, mas fizeram questão de deixa-la extremamente bagunçada, jogaram livros no chão, viraram algumas mesas e podia ver papel de comida espalhado, meu olho vagou atrás de Janaína, ela estava com os olhos arregalados me encarando, a boca tampada e as mãos amarradas atrás da cadeira que estava sentada, suas pernas estavam amarradas também, parecia não estar machucada, em seu pescoço havia uma corda que estava presa no teto, corri até ela e comecei a liberta-la.A primeira coisa que retirei foi a corda de seu pescoço e então tirei a fita que
Foi como se minha cabeça surtasse e passe agir em automático, meu corpo se transformou em uma máquina e a única informação que meu cérebro passava era: encontrar Valéria. Não sei ao certo o que queria com isso ainda, mas estava certo que ela me daria as informações que precisava, por mais que tivesse abandonado Ísis e Miguel a própria sorte, não me sinto mal por isso, eles não irão me dar a resposta que acho que preciso.Vejo o vestido azul-claro de Valéria se mover pelo corredor, ela entra para uma sala de aula e tento entrar também, mas Valéria segura a porta com força, peguei a maçaneta e usei toda força que tinha para entrar ali, assim que a porta se escancarou, Valéria soltou uma risada completamente alta e doentia. Ela andou por entre as carteiras e foi até a mesa do professor se sentando em cima, consertou as luvas e me encarou, como se esperasse que eu iniciasse a maldita conversa.— Quem de vocês, notou que o Fim lá embaixo era uma pegadinha? Foi a Í
O barulho da muleta era a única coisa que chamava a atenção, Ísis não parece se preocupar muito com isso, ela apenas aperta ainda mais o cutelo na mão, o grito de Janaína foi silenciado, não existe mais sinal dela, porém, temos a certeza que ela está no andar de cima, Emanuel parece chocado com tudo, girando a maçaneta da porta da diretoria e ficando chocado com a porta não abrindo, sempre olho para trás e para os lados como se algo fosse aparecer do nada nos atacar e o jeito que seguro a faca é péssimo, principalmente porque minha mão está suando de mais. As luzes da escola não estão ligadas direito, o corredor está meio escuro, mas isso apenas constrói ainda mais o clima sombrio.O espaço parece mil vezes maior e indo em direção às salas, parece que nunca estivemos antes nesse lugar.— Porquê estamos olhando as salas? — pergunto sussurrando, engolindo em seco.— Para ter certeza que não tem ninguém escondido. — Emanuel explica.Ele força a por
Ninguém tem notícias de Janaína e isso deixa todo mundo tenso, não deveria mais me importar com essa coisa, mas o Fim mexeu novamente com minhas ideias. Ísis já mandou mil mensagens, já está pronta para ir à casa dela de novo, Emanuel sumiu, ele manda algumas mensagens e depois passa um tempo sem visualizar nada, já andei por toda a casa, mas nada aquieta a minha ansiedade.— Estou indo dormir. — Minha mãe encostou perto de mim, ao lado do sofá.— Ok.— Não vai deitar muito tarde, nem ficar com esse celular a noite toda... Miguel, está me escutando? — Ela colocou a mão no meu ombro e quase saltei de susto.— Escutei, vou dormir daqui a pouco só estou esperando uma mensagem.— As suas novas amigas parecem bem legais.Sorri, quando fui a casa de Janaína menti para minha mãe dizendo que ia sair com Daniele e Nanda, para que não ficasse preocupada, sabia que minha mãe adora imaginar que estou voltando a ter um dia a dia normal. Ela me dá um beij







