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Capítulo 3

Penulis: Alyssa J
Tarde da noite, Ethan entrou apressado, trazendo consigo o ar frio da madrugada. Quando me viu sentada no sofá da sala, relaxou visivelmente.

Trocou os sapatos e se aproximou, estendendo uma sacola de papel com um tom animado, como se estivesse esperando elogios.

— Aqui, você não estava implorando por esse bolo de castanha dessa loja há alguns dias? Fui até lá buscar. Ainda está quentinho.

Aquela loja ficava no bairro antigo, pelo menos quarenta quilômetros de ida e volta do nosso apartamento atual. Enquanto falava, como já tinha feito incontáveis vezes antes, ele tentou me puxar para um abraço.

Levantei-me, usando o movimento de colocar o bolo de castanha sobre a mesa de centro para me inclinar e desviar do braço que descia, evitando sua intimidade. Minha garganta apertou. Forcei um sorriso.

— Vamos deixar para depois. Não estou com muito apetite agora.

O braço de Ethan ficou suspenso no ar por um instante, depois recuou como se nada tivesse acontecido. Ele me olhou rapidamente, com a expressão inalterada, tratando aquilo como se fosse apenas mais um acesso de birra meu. Sem muita preocupação, virou-se em direção ao banheiro.

— Tudo bem, come quando tiver fome. Vou tomar um banho.

A água começou a correr. Nesse momento, a tela do celular dele acendeu no sofá onde ele o havia largado casualmente. Como se estivesse possuída, peguei o telefone. Sem senha. Eu sempre soube disso, mas nunca tinha pensado em olhar antes.

A tela acendeu direto em uma conversa com Selene. Uma foto ocupava toda a tela: um bolo de creme extremamente delicado e elaborado. O logotipo da caixa era da mesma loja do bolo de castanha que ele tinha acabado de me trazer. Abaixo, uma mensagem:

[O bolo é tão delicioso! Obrigada pela recomendação, Ethan... Comer uma sobremesa tão incrível antes do meu exame faz minha perna doer menos [emoji fofo].]

Então era isso. O meu suposto agrado especial, que exigia uma viagem de quarenta quilômetros, não passava de sobras que ele me jogou enquanto escolhia cuidadosamente um bolo para outra pessoa.

Meu coração pareceu ser mergulhado em um copo de limonada gelada, azedo e amargo, ele estava se contraindo dolorosamente.

Ethan saiu do banho, o cabelo ainda pingando, usando apenas uma toalha enrolada na cintura. Aproximou-se com o calor úmido do corpo, tentando me abraçar de novo. Afastei-o como se tivesse levado um choque, procurando a desculpa mais desajeitada possível.

— Não… estou menstruada. Não estou me sentindo bem.

O calor no rosto de Ethan desapareceu rapidamente, substituído por uma impaciência e frieza extremas. Ele passou a mão de forma brusca pelo cabelo molhado, os olhos revirando com raiva e irritação contidas.

— Aria Greenwood.

Ele me chamou pelo nome completo, a voz fria e dura.

— Você precisa ser tão implacável e agressiva assim?

Levantou a voz, como se estivesse me acusando de ser irracional.

— Eu não entendo. Por que você insiste em marcar nossa cerimônia justo no dia do exame da Selene? Que diferença faz ser um dia antes ou depois? Eu disse que não faria a cerimônia de marcação com você? Você está realmente tão desesperada a ponto de fazer birra por causa disso?

Cada palavra era como uma lâmina cega, cravando-se cruelmente no meu coração.

Ele lembrava de tudo. Lembrava da promessa feita ao lado do leito da minha mãe, lembrava do acordo sobre o meu vigésimo quinto aniversário. Mas não se importava. Assim como não se importava com o fato de Selene ser minha meia-irmã, não se importava que aquela mulher e a aparição da mãe dela tivessem, indiretamente, levado minha mãe à morte.

Para ele, eu só estava sendo irracional, descontando minha raiva na pessoa errada.

Meu coração doeu até ficar dormente. Perdi toda a força para discutir, apenas fiquei ali em silêncio, com os olhos baixos.

Meu silêncio pareceu enfurecê-lo ainda mais. Ele me encarou, o peito subindo e descendo violentamente algumas vezes, até soltar uma risada fria.

— Ótimo, você está impossível mesmo!

Virou-se bruscamente, pegou o casaco e as chaves do carro no sofá e bateu a porta ao sair.

— BANG—

O som estrondoso ecoou pelo apartamento, fazendo meus ouvidos zumbirem. Fiquei observando em silêncio a porta ainda tremendo levemente, vendo a figura decidida dele se afastando, e de repente pensei naquele jovem apaixonado e cheio de vigor que ele fora antes.

Quando éramos pobres, dividíamos um pequeno apartamento no subsolo. Ele passava os dias procurando investidores para construir o território da alcateia, e as noites fazendo bicos como guarda para outras alcateias. No meu aniversário, trabalhou três noites seguidas para ganhar quatrocentos dólares, só para me comprar um bolo.

Naquela época, Ethan realmente me amava. Cada olhar, cada palavra eram cheios de amor por mim. Eu sabia exatamente como era quando ele me amava.

Por isso, a hesitação e a indecisão dele agora eram impossíveis de não perceber.

Não muito tempo depois que ele saiu, meu celular vibrou. Uma mensagem de um número desconhecido apareceu na tela, mas reconheci aquele tom instantaneamente.

A foto mostrava um canto mal iluminado de um bar. Ethan estava bebendo, a cabeça inclinada para trás, o perfil frio e afiado. Em um canto da imagem, dava para ver vagamente uma mão fina, com esmalte nude, apoiada sobre o casaco dele.

— Aria, o Ethan parece bem infeliz. Parece que você o deixou bravo de novo. Não se preocupe, vou confortá-lo direitinho. Quer apostar se dessa vez ele volta para você?

— Tudo o que você tem, o papai, a casa da família e o Ethan — no fim vai ser meu. Você nunca vai conseguir me vencer.

Meus dedos tremiam, mal conseguindo segurar o celular. Foi preciso um enorme esforço para digitar a resposta, palavra por palavra.

— É mesmo? Que pena. O lixo que eu não quero só pode ser valorizado por alguém como você, tão feliz em catar os meus restos.
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