로그인A sexta-feira à noite pesava nos ombros de Maya. O trajeto de ônibus do campus até o novo bairro foi feito em silêncio, com a testa dela encostada no vidro gelado da janela, observando o trânsito lento da cidade. Ela só queria que aquele dia específico acabasse o mais rápido possível. Era o aniversário dela, uma data que, no calendário de Maya, representava apenas uma lembrança aguda de solidão. Durante a infância, a falta de dinheiro e a ausência dos pais, que sempre precisavam dobrar os turnos de trabalho, transformavam o aniversário em um dia como qualquer outro, marcado apenas por jantares congelados e uma casa vazia. Ela não havia contado para absolutamente ninguém. Nem para os colegas do laboratório, nem para os professores, e, principalmente, não havia contado para Leo. Maya destrancou a porta do apartamento. O ambiente estava mergulhado na penumbra. A única iluminação da sala vinha da luz, daqueles pisca-piscas baratos, que havia sido esticado sobre o encosto do sofá e a
Na cadeira ao lado do granito, gato se mexeu. Bug acordou do sono matinal. O gatinho espreguiçou as quatro patas curtas, bocejou abrindo a boca rosada e pulou da cadeira a ilha da cozinha. Leo manteve a postura impecável e os olhos na câmera, ouvindo a desculpa do diretor com os braços cruzados sobre o paletó escuro. Sem o menor senso de perigo, Bug caminhou balançando o rabo até o centro do improvisado escritório. O animal ignorou o teclado, passou por trás da caneca de café e parou na frente da webcam. O corpo do gato tapou o rosto sério dele na transmissão de vídeo para os doze diretores da chamada. Para piorar, Bug olhou para a luz da câmera e soltou um miado fino, longo e exigente no microfone. A diretoria inteira calou a boca. O silêncio de choque preencheu a sala do apartamento. Nenhum deles ousou questionar a interrupção. No sofá, Maya arregalou os olhos e cobriu a boca com a mão para sufocar um engasgo de pânico, esperando o momento em que Leo finalmente perderia
A quarta-feira de manhã começou com o barulho da máquina de café. O cheiro de grãos moídos dominava o apartamento, misturando-se ao som alto e contínuo das teclas. Maya estava sentada no sofá da sala, com as pernas cruzadas debaixo do corpo e o notebook pessoal apoiado no colo. Os dedos dela voavam sobre o teclado. A poucos metros de distância, a dinâmica de trabalho era completamente diferente. Leo havia transformado a ilha da cozinha em seu escritório particular. Ele tinha uma reunião da diretoria marcada para as nove horas. Maya parou de digitar por um segundo e ergueu os olhos para observar a montagem do cenário do namorado. A cena era um contraste hilário entre a formalidade e o casual. Da cintura para cima, Leo vestia uma camisa branca de algodão perfeitamente passada e um paletó, com um corte que alargava ainda mais os ombros dele. A postura exalava controle. No entanto, escondida pela bancada e invisível para a câmera, a realidade era outra. Da cintura para baixo, uma c
O animal protestou assim que as patas tocaram a umidade. O bicho miou alto, espirrando água para todos os lados. Leo ficou em pé ao lado da bancada. Ele havia dobrado as mangasda camisa até os cotovelos, mas o tecido não escapou.- Ele é minúsculo, mas tem a força de tração de um motor v8 para fugir da água. Isso não tem lógica. Gatos possuem uma língua áspera projetada para autolimpeza. - Leo resmungou,enxugando um pingo de água que voou na bochecha dele.Apesar das reclamações, ele não saiu de perto um único segundo. Assim que Maya enxaguou o último resquício de sabão, Leo esticou os braços. Ele segurava a toalha branca e felpuda com o maior cuidado do mundo, como se o filhote fosse quebrar ao meio. Leo secou o pelo molhado dofilhote com a toalha felpuda, esfregando o tecido macio com uma delicadeza que contrastava brutalmente com o tamanho das mãos do homem.Eles colocaram o animal seco sobre o balcão. Maya rasgou a ponta de alumínio da embalagem da comida e colocou um montinho
A sexta-feira à noite começou com uma caminhada tranquila pelas calçadas do bairro novo. Maya segurava um saco de papel com pães recheados que eles haviam acabado de comprar na padaria da esquina, enquanto a mão livre dela estava firmemente entrelaçada a Leo. O clima era de fim de expediente, e o cansaço da semana acadêmica deixava os ombros dela pesados.De repente, o vento úmido avisou a mudança de tempo. Uma garoa fria começou a cair, molhando o asfalto.Eles apertaram o passo para alcançar o saguão do prédio, mas, ao passarem por um recuoestreito entre a parede de uma farmácia fechada e uma lixeira, Maya paroubruscamente. O puxão na mão fez Leo estancar no meio da calçada, os sapatosderrapando levemente no piso molhado.Um som extremamente baixo, quase imperceptível por causa do barulho dos carros na avenida,chamou a atenção dela.Maya soltou a mão de Leo e caminhou até o canto escuro do beco. Atrás da lixeira, havia umacaixa de papelão molhada, com as abas desmanchando por c
A quarta-feira à noite se arrastava sob uma tempestade torrencial. Maya estava sentada no chão, cercada por caixas de papelão ainda lacradas.Leo estava a poucos metros de distância dela, empilhando alguns livros em uma prateleira perto docorredor.De repente, a lâmpada piscou uma vez. Piscou a segunda vez, acompanhada por um estalo na fiação do poste da rua. No segundo seguinte, a energia elétrica do quarteirão inteiro apagou, mergulhando o apartamento em um breu .Maya perdeu o equilíbrio ao tentar se levantar às pressas. O pédela escorregou no pedaço de fita adesiva jogado no piso. Antes que o joelho batesse, as duas mãos de Leo agarraram a cintura dela, segurando o corpo da garota com firmeza para que ela não caísse. Arespiração dele bateu no topo da cabeça dela.Maya ficou imóvel. O calor das mãos dele atravessou o tecido fino da camisa que ela usava, ancorando-a. Ela escutou ele soltar a cintura dela devagar, seguido pelo som de gavetas sendo abertas com cuidado na cozinha, o







