LOGINA mão estendida de Nathan cortou o espaço entre eles, pairando no ar com uma elegância que mascarava o veneno absoluto do momento. O sorriso nos lábios do irmão de Alexander era malicioso, felino, e os olhos escuros revelavam, sem a menor sombra de dúvida, que o reconhecimento era mútuo.
— É um imenso prazer finalmente conhecê-lo, Andy. — Natha
O visor do celular brilhava sobre a bancada de granito, exibindo a mensagem curta e direta:“Conseguiu descansar um pouco? Chego em breve.”Andy leu as palavras enquanto tentava, com uma dose considerável de irritação e apenas a mão esquerda funcional, abrir um pacote de café a vácuo. O apartamento estava mergulhado no silêncio denso do meio da tarde.— Quer que eu abra isso para você, ou prefere continuar esfaqueando a embalagem até ela ceder por intimidação? — Ethan perguntou da porta da cozinha, encostado no batente.— Eu estou no controle da situação — Andy resmungou, largando a faca e puxando o pacote com os dentes. O plástico finalmente cedeu, espalhando pó escuro sobre a pedra. — Perfeitamente no controle.Ethan riu e caminhou até a ilha, passando um pano úmido no estrago.— Você parece agitado. E eu tenho quase certeza de que essa ansiedade não tem nada a ver com a sua incapacidade temporária de fazer café. É o CEO, não é? Ele praticamente bate ponto aqui agora.— Ele está ape
Alexander permaneceu imóvel, o olhar cravado no irmão, enquanto a presença de Eleanor Blackwood na soleira da porta alterava irrevogavelmente a gravidade do ambiente. A matriarca não precisou elevar o tom de voz para que sua autoridade preenchesse a sala.— Foi isso mesmo que você acabou de dizer? — Eleanor repetiu a pergunta, cada palavra pronunciada com uma clareza cortante.Nathan piscou, a arrogância implacável escorrendo pelo ralo em questão de segundos. Ele umedeceu os lábios, tentando desesperadamente recuperar a compostura e a máscara de herdeiro inabalável que sempre vestia diante da mãe.— Você ouviu uma frase fora de contexto, mãe — Nathan tentou justificar, ajeitando a postura e forçando um tom casual. — O Alexander e eu estávamos no meio de uma discussão acalorada. Foi apenas uma provocação infeliz em uma briga entre irmãos, um exagero retórico que não deveria ser levado tão a sério.Eleanor não recuou um milímetro. Ela deu um passo para dentro do escritório, os saltos ec
A residência principal da família Blackwood sempre pareceu menos um lar e mais um museu de expectativas intransigentes. Os lustres de cristal, os tapetes persas que abafavam os passos e o cheiro persistente de cera e flores frescas formavam o cenário onde Alexander e Nathan aprenderam, desde cedo, a camuflar qualquer emoção que pudesse ser considerada indelicada.Naquela noite, Alexander havia sido convocado por Richard para discutir uma fusão de subsidiárias que não poderia esperar até a manhã seguinte. Contudo, ao entrar no escritório forrado de painéis de mogno, não encontrou o patriarca. O cômodo estava ocupado apenas por Nathan, que servia uma dose de uísque no bar de cristal com a serenidade de quem não tinha absolutamente nada a esconder.— O papai precisou atender a uma ligação de Tóquio. Vai demorar — Nathan informou, girando o copo de fundo grosso. Ele se encostou no balcão e ergueu o copo em um brinde silencioso, o rosto esculpido em uma máscara de cordialidade irretocável.
O escritório de Marcus Vale operava em um estado de ordem precária que passava longe dos painéis de vidro e do silêncio asséptico da Blackwood Holdings. O ar cheirava a café requentado e tensão. No ambiente apertado, celulares vibravam incessantemente sobre as mesas de fórmica, enquanto funcionários de vozes ríspidas resolviam cobranças e renegociavam os juros extorsivos que mantinham a agência funcionando.Marcus administrava o caos de trás de uma mesa de metal escovado. Os negócios continuavam girando, mas a fuga de Andy havia deixado uma marca de irritação persistente em seu orgulho. Não se tratava apenas do montante que Alexander Blackwood havia liquidado de uma só vez; tratava-se da perda de controle. Andy era o seu ativo mais valioso, alguém que Marcus acreditava ter domado perfeitamente sob o peso das dívidas e do desespero, até que um CEO bilionário decidiu arrancá-lo de suas mãos.A porta do escritório se abriu, e a mudança na atmosfera foi imediata. As conversas paralelas mo
Andy movia os quadris com uma lentidão calculada, cavalgando sobre Alexander com uma cadência que arrancava suspiros pesados do peito do outro. O quarto ainda guardava a penumbra azulada da manhã. Com a mão esquerda espalmada firmemente na barriga de Alexander e a direita, imobilizada pela tala rígida, cuidadosamente apoiada fora do caminho, Andy inclinava o corpo, ditando o ritmo e a intensidade de cada toque.— Você está incrivelmente quieto hoje — Andy sussurrou. A provocação costurava sua respiração ofegante enquanto ele aprofundava o contato, um sorriso desafiador brincando nos lábios úmidos.Alexander segurou a cintura dele, os dedos apertando a pele suada. Os olhos escuros estavam cravados no rosto do rapaz, incendiados por um misto de desejo e absoluta fixação.— Estou prestando atenção aos detalhes — Alexander murmurou de volta. — E você fala demais quando quer disfarçar que está perdendo o fôlego.— Eu não estou perdendo nada. Eu tenho certeza de que estou no controle.— Tem
O plástico resistente da embalagem de presunto parecia zombar da existência de Andy. Apoiado na bancada da cozinha, ele tentava, pela terceira vez, abrir o pacote usando apenas a mão esquerda e os dentes, já que a direita estava imobilizada pela tala rígida. O esforço banal resultou em um rasgo imperfeito e algumas fatias caindo diretamente na pia.— Maravilhoso. Acabo de ser humilhado por um embutido — resmungou, descartando o que havia caído e bufando de irritação. Odiava precisar readaptar movimentos que seu corpo antes executava no piloto automático.O celular vibrou sobre a ilha. A tela acendeu com uma mensagem de Alexander. Em vez de relatórios sobre a vigilância de Nathan ou atualizações corporativas sobre o escândalo evitado, o texto era incrivelmente simples:“Como você está? Já conseguiu preparar alguma coisa para comer hoje?”Andy digitou a resposta com o polegar esquerdo, a ironia afiada despontando como mecanismo de defesa imediato:“O conselho de administração sabe que o







