O Contrato do CEO

O Contrato do CEO

last updateLast Updated : 2026-09-30
By:  Victor NobreUpdated just now
Language: Portuguese
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SEIS MESES. UM CONTRATO. UMA MENTIRA. Para o mundo, Alexander Blackwood é o CEO perfeito: rico, poderoso, intocável e herdeiro de um dos maiores impérios empresariais de Los Angeles. Para Andy, ele é apenas o homem que apareceu na pior noite de sua vida. Conhecido como Sun no mundo dos acompanhantes, Andy aprendeu a esconder quem realmente é. Órfão, endividado e desesperado para pagar o tratamento de leucemia do irmão mais novo, ele aceita trabalhos que jamais imaginou fazer para sobreviver. Até que uma noite muda tudo. Depois de vê-lo sendo ameaçado pelo próprio cafetão, Alexander decide contratá-lo. O que deveria ser apenas uma noite acaba despertando no CEO uma obsessão que ele não consegue explicar. Então, quando descobre a verdadeira situação de Andy, Alexander faz uma proposta impossível de recusar: Seis meses ao seu lado, em troca de dinheiro suficiente para salvar seu irmão e quitar todas as suas dívidas. Mas há uma condição. Andy deverá fingir ser seu namorado. A família Blackwood está em guerra pelo controle da empresa, e Alexander precisa de um relacionamento perfeito para enfrentar seu irmão, os acionistas e uma família que não hesitaria em usar qualquer fraqueza contra ele. Andy só precisa interpretar o papel. Alexander só precisa manter o controle. Mas quanto mais tempo passam juntos, mais difícil se torna distinguir o contrato daquilo que realmente sentem. E Andy logo descobre que seu novo namorado guarda tantos segredos quanto ele. Porque sua própria identidade pode estar ligada a um dos maiores escândalos da elite de Los Angeles e à família que Alexander jurou proteger. Ele foi contratado para fingir ser o namorado do CEO. Nunca imaginou que acabaria descobrindo que seus destinos estavam ligados muito antes de se conhecerem.

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Chapter 1

01. Sun

A música no andar superior do clube privado, um dos refúgios mais exclusivos da elite de Los Angeles, era um murmúrio grave e constante, projetado para preencher o silêncio sem interromper as negociações. O ambiente cheirava a couro escuro, uísque envelhecido e perfumes que custavam mais do que o aluguel de um apartamento na periferia da cidade.

Encostado no bar de mogno, Andy observava o salão. Ou melhor, Sun observava o salão.

Naquele mundo, Andy não existia. Ali, sob a luz âmbar e o olhar faminto de homens de negócios, a persona de Sun assumia o controle. A postura era impecável, os ombros relaxados em uma confiança rigorosamente calculada. Ele usava uma camisa de seda escura, desabotoada o suficiente para sugerir pele, mas fechada o bastante para manter o ar de exclusividade. Seu cabelo estava perfeitamente alinhado, e o sorriso de canto de boca que ele oferecia a quem cruzasse seu olhar era um convite silencioso, promissor e inatingível.

Sun sabia ler clientes. Ele sabia quais homens queriam ser ouvidos, quais queriam ser bajulados e quais precisavam apenas de uma presença bonita e silenciosa ao lado deles em um sofá de veludo. Era um jogo de espelhos, e ele dominava cada reflexo. A diferença entre o que ele demonstrava e o que realmente sentia era uma fronteira impenetrável.

Discretamente, ele baixou os olhos para o relógio prateado no pulso. Onze e quarenta e cinco da noite.

A mandíbula de Andy travou por uma fração de segundo antes que Sun retomasse a pose. Ele não estava ali porque gostava daquele mundo de luxo e frivolidade. Ele estava contando os minutos para ir embora. O ar condicionado estava no máximo, mas ele sentia um calor incômodo na base do pescoço, a urgência física de quem precisa estar em qualquer outro lugar.

Com um aceno educado para o bartender, ele se afastou do balcão e caminhou em direção ao corredor dos banheiros privativos, longe dos olhos dos clientes. Assim que a pesada porta de carvalho se fechou às suas costas, abafando o som do jazz contemporâneo, a máscara de Sun começou a ceder.

Andy enfiou a mão no bolso interno do paletó e puxou um envelope pardo. O cliente anterior havia sido generoso, ou pelo menos acreditava ter sido. Andy abriu a aba e passou os dedos pelas notas. Cinquenta, cem, cem, cinquenta. Ele não precisava tirar o dinheiro do envelope para calcular o valor. Sua mente já operava na matemática da sobrevivência.

Trezentos dólares para o hospital, cobrindo parte do tratamento da leucemia. Quatrocentos para a nova rodada de medicamentos. Cento e cinquenta para a parcela atrasada do aluguel. E o resto...

O resto era para abater a dívida com o agenciador de acompanhantes.

Andy separou uma pequena quantia, o mínimo necessário para comprar comida para os próximos dias, e guardou no próprio bolso. O envelope agora parecia leve demais. Ele apertou a ponta dos dedos contra a testa, sentindo a dor de cabeça familiar pulsar nas têmporas. O dinheiro era insuficiente. Novamente. E ele sabia que não podia falhar naquela semana. Não havia margem de erro quando a vida dependia de pagamentos em dia.

O celular vibrou na calça.

Ele o puxou rapidamente, os ombros tensos, temendo ser uma cobrança, mas o nome na tela fez o ar escapar de seus pulmões em um suspiro de alívio.

Ethan: Você vai demorar?

Pela primeira vez naquela noite, um sorriso real curvou os lábios de Andy. Não o sorriso ensaiado de Sun, mas algo genuíno, que alcançava os olhos e suavizava as linhas duras de seu rosto. O garoto de dezenove anos era sua única âncora. Ele se encostou na parede de azulejos escuros e digitou.

Andy: Já estou indo.

A resposta veio em segundos, como se Ethan estivesse segurando o aparelho no quarto do hospital, esperando.

Ethan: Você comeu?

Andy olhou para o próprio reflexo no espelho acima da pia. As olheiras estavam bem escondidas sob a iluminação baixa, mas ele sabia que estava pálido, o estômago roncando vazio há horas.

Andy: Já.

Ele guardou o celular, endireitou a postura e respirou fundo. Era hora de voltar, encontrar a saída de serviço e desaparecer nas ruas de Los Angeles.

Mas assim que Andy abriu a porta do banheiro e deu um passo para o corredor mal iluminado, seu peito gelou.

Marcus Vale estava encostado na parede, bloqueando a passagem.

Aos trinta e oito anos, o cafetão usava um terno de corte duvidoso e exalava um cheiro forte de cigarro que contrastava violentamente com a elegância do clube. Marcus não pertencia àquele andar, mas ele conhecia os atalhos.

— Saindo cedo, Sun? — A voz de Marcus era áspera, carregada de um sarcasmo territorial.

— Meu turno acabou. — Andy manteve a voz neutra. Ele não recuou. Recuar era mostrar fraqueza.

Andy tirou o envelope pardo do bolso e o estendeu. Marcus pegou o pacote, abrindo-o sem pressa. Ele passou o polegar grosso pelas notas, e o sorriso presunçoso que carregava desapareceu.

— Isso é uma piada? — Marcus ergueu os olhos escuros. — Falta metade do combinado.

— É o que eu tenho hoje. O cliente não quis estender o horário. — Andy manteve os braços ao longo do corpo. — Eu trago o resto na sexta-feira.

— A dívida tem juros, garoto. Você acha que eu aceito desculpas?

— Eu sei como funciona. Você vai ter o dinheiro, Marcus. Só preciso de mais dois dias.

Marcus deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Andy. O cheiro de tabaco ficou insuportável.

— Você está atrasado, e eu odeio atrasos. — Marcus inclinou a cabeça, os olhos brilhando com uma malícia calculada. — Seu irmão ainda está naquele hospital, não está?

A menção a Ethan desfez a postura profissional de Andy instantaneamente. A frieza de Sun sumiu, dando lugar ao pânico puro e instintivo de um irmão mais velho encurralado.

— Não fala dele — Andy rosnou, a voz baixa, mas trêmula de raiva.

— Ou o quê? — Marcus sorriu. — Você acha que está no controle aqui porque veste seda? Você é meu, Sun.

Marcus avançou de vez, perdendo a paciência. Ele agarrou o braço de Andy com força, os dedos cravando no bíceps através do tecido fino da camisa.

— Me solta! — Andy puxou o braço, tentando se desvencilhar sem levantar a voz. Um escândalo ali significaria ser expulso do clube, e ele não podia perder aquele ponto de trabalho.

Em resposta, Marcus o empurrou rudemente. As costas de Andy bateram com força contra a parede de madeira do corredor. O impacto roubou seu fôlego por um segundo. A dor irradiou pelas omoplatas, mas ele não revidou. Ele estava acostumado a engolir a humilhação.

Um garçom passou apressado pelo fim do corredor, segurando uma bandeja de bebidas. O homem desviou o olhar imediatamente, fingindo não ver a agressão, e desapareceu pelas portas duplas. Ninguém interferia.

Andy engoliu a seco, o rosto queimando pela exposição. A primeira coisa que fez foi levar as mãos à bochecha, apalpando a pele perto do maxilar, procurando qualquer sinal de inchaço. Ele precisava saber se havia ficado alguma marca visível. Se o seu rosto estivesse machucado, nenhum cliente pagaria por ele, e sem clientes, não haveria dinheiro. Sua segurança não importava; a continuidade de seu trabalho era a única coisa que importava.

Marcus riu, um som cruel e baixo. Ele levantou a mão novamente para agarrar o colarinho de Andy.

Mas o movimento parou no ar.

A alguns metros de distância, perto da tapeçaria escura que separava o corredor do salão principal, alguém observava a cena em silêncio absoluto.

Andy notou primeiro os sapatos de couro italiano perfeitamente polidos. Depois, o terno sob medida que caía com perfeição absoluta sobre ombros largos. Ele não fazia ideia de quem era aquele homem, mas a postura rígida e o corte impecável do tecido exalavam o tipo de autoridade silenciosa que apenas o poder inquestionável conseguia comprar.

O que prendeu a atenção de Andy, no entanto, foi o olhar do estranho. Os clientes daquele clube olhavam para Sun como se ele fosse um produto na vitrine, algo a ser consumido. O olhar desse homem não exibia luxúria ou condescendência. Era um olhar frio, analítico e irredutível. E os olhos escuros do desconhecido não estavam fixos em Andy.

Eles estavam cravados em Marcus.

O homem deu um passo à frente, sem pressa. Ele não assumiu uma postura defensiva, nem elevou o tom de voz para soar autoritário. Apenas parou a uma distância curta, com as mãos relaxadas, e disse:

— Solte-o.

A voz era controlada, segura e assustadoramente objetiva.

Marcus girou o corpo, fechando a expressão na tentativa inútil de intimidar o recém-chegado. A diferença entre os dois era palpável: Marcus era agressividade barata, o estranho era poder estruturado.

— Isso não é da sua conta, amigo — Marcus retrucou, mantendo a mão próxima à camisa de Andy. — Assunto particular.

O homem não piscou. O contraste ficou ainda mais evidente. Enquanto o agenciador parecia prestes a gritar, o homem de terno permanecia em um estado de calma absoluta. Marcus hesitou sob o peso daquele silêncio intransigente. Lentamente, a confiança do cafetão vacilou e ele soltou o tecido, dando um pequeno passo para trás, embora se mantivesse no corredor.

O desconhecido desviou os olhos do agenciador e olhou para Andy.

— Você está machucado? — perguntou ele.

— Estou bem — Andy respondeu automaticamente, erguendo o queixo.

Os olhos do homem desceram pelo pescoço de Andy, notando a respiração curta e o punho ainda cerrado contra a coxa. Ele percebeu a mentira imediatamente.

Andy forçou os músculos do rosto a relaxarem. Ele precisava retomar o controle da situação, voltar para um terreno que conhecia. Homens ricos queriam flerte, queriam ser recompensados pelo próprio ego. Ele ensaiou um sorriso calculadamente provocador, ajeitando a gola da camisa de seda, adotando a postura polida de Sun.

O estranho ignorou completamente a persona oferecida. Ele não devolveu o sorriso, não avaliou o corpo de Andy e não fez nenhum comentário sugestivo.

— Quanto ele quer? — o homem perguntou, o tom de voz idêntico ao de antes.

Andy piscou, o sorriso profissional vacilando no mesmo instante. Todo o seu ensaio evaporou.

— O quê? — Andy murmurou, desarmado. Ele esperava um convite para o quarto, não aquela pergunta.

O homem moveu os olhos, fixando-os no cafetão.

— Pela sua dívida.

Antes que Andy pudesse formular qualquer pensamento racional, o estranho se dirigiu diretamente a Marcus, a voz cortando o ar pesado do corredor sem a menor hesitação:

— Quanto você quer para deixá-lo em paz?

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