LOGIN“O espaço que ocupamos também depende de nos sentirmos convidados a permanecer.”Irina PetrovaOlhei para Nikolai por cima do copo.— Facilitar o quê?Ele indicou a bolsa sobre a poltrona.— Guardar suas coisas.Baixei os olhos para o zíper fechado.— Não foi difícil. Só precisei dobrar melhor a blusa.O canto de sua boca se curvou, mas ele se aproximou antes de responder:— Por que guardou tudo agora? Ainda vamos usar algumas coisas amanhã.Segurei o copo com as duas mãos.— Não queria deixar o quarto desarrumado.Nikolai olhou ao redor.— Uma escova e um carregador não fariam muita diferença.— Eu sei.Ele esperou, e passei o polegar pela superfície fria do vidro.— Mas não sabia onde colocar.Sua expressão ficou mais atenta.— Podia ter perguntado.Assenti.Havia uma resposta simples para aquilo. Eu poderia ter perguntado onde guardar a roupa, deixado o livro sobre a mesa e mantido o nécessaire no banheiro.Mesmo assim, recolher tudo tinha sido mais fácil.— Não queria ocupar um es
“Escutar alguém muda até a maneira como escolhemos um presente.”Nikolai Romanov“O Jardim Secreto.”Repeti o título mentalmente enquanto saíamos da cobertura.Irina caminhava ao meu lado, conferindo uma pequena lista no celular. Tinha perguntado o que eu gostaria de almoçar e recebido minha resposta com uma expressão desconfiada.— O que você quiser fazer — repeti no elevador.— Isso não é uma escolha.— É uma demonstração de confiança.Ela ergueu os olhos para mim.— Depois não pode reclamar.— Vou procurar lembrar disso.Seu sorriso apareceu antes que as portas se abrissem.Fomos a um mercado perto de uma galeria de lojas. Enquanto Irina escolhia os legumes, acompanhei suas explicações sobre o que precisava comprar para preparar frango ao forno com batatas.— Você vai me dar alguma tarefa? — perguntei.Ela colocou uma embalagem no carrinho.— Vai cortar as batatas.— Já fui promovido?— Estou confiando que aprendeu alguma coisa com os cogumelos.Olhei para ela.— Você tem uma manei
“Há presentes que revelam o quanto ainda precisamos conhecer quem desejamos agradar.”Irina PetrovaAcordei antes de Nikolai.A luz atravessava a cortina, iluminando uma parte do travesseiro e os cabelos loiros que caíam sobre sua testa. Ele estava deitado de lado, com o rosto voltado para mim e uma das mãos perto da minha cintura.Fiquei olhando por alguns instantes.Seus lábios estavam ligeiramente entreabertos, a barba por fazer deixava uma sombra no maxilar e, sem a atenção constante que costumava ter quando estava acordado, parecia mais tranquilo.Aproximei-me e beijei sua boca com ternura.O canto dos lábios dele se curvou, mas seus olhos permaneceram fechados.Sorri também.Afastei o lençol devagar e saí da cama, procurando sua camisa no chão. A vesti, fechei os botões e dobrei as mangas antes de sair do quarto.Na cozinha, parei diante dos armários.Já sabia onde estavam algumas coisas. Ainda precisei abrir duas portas até encontrar as xícaras, mas não senti a mesma hesitação
“Pela primeira vez, eu esperava pela manhã sem temer o que viria depois dela.” Acordei no meio da madrugada.O quarto estava escuro, só uma fresta de luz da rua entrava pela cortina. Por um instante não soube onde estava. Depois a memória voltou inteira: a camisola, o fio dental, eu de joelhos, a voz dele me chamando de gostosa, o jeito como rebolei no colo dele até gozar em seus braços.O calor subiu ao meu rosto na mesma hora.Nikolai dormia atrás de mim, com o braço pesado sobre minha cintura.Sorri sem querer.O corpo dele era grande, quente, e estava colado às minhas costas nuas. Mordi o lábio quando senti sua ereção pressionada contra mim, e no mesmo instante, meu baixo-ventre contraiu numa resposta que eu não tinha chamado.Minha intimidade pulsava e o desejo tomava conta de mim. Fiquei envergonhada com o rumo dos próprios pensamentos. Pensei em me afastar e chamar seu nome para quebrar o silêncio, mas ele se moveu antes que eu falasse. Senti sua mão se movendo e seus dedos s
“Naquela noite, tive coragem de me aproximar e tranquilidade para adormecer.”Irina PetrovaO silêncio de Nikolai quase me fez cruzar os braços outra vez, mas encontrei seus olhos azuis e hesitei: ele me olhava com um desejo que me deu coragem para permanecer ali.Lembrei da voz de Ekaterina.“Ele vai ficar doidinho.”Mordi o lábio.— Então — disse, com a voz mais baixa do que eu pretendia. — Gostou?Nikolai soltou o ar devagar.— Irina…
“Eu ainda sentia vergonha, mas já não queria esconder dele tudo o que desejava.”Irina PetrovaAcabamos escolhendo comida de um restaurante que eu ainda não conhecia. Nikolai confirmou o pedido e deixou o telefone sobre a mesa, com a tela virada para baixo.— E agora? — perguntei.Ele se acomodou ao meu lado.— Agora esperamos.— Pensei que tinha planejado tudo.Seu olhar veio para mim, e reconheci o sorriso antes de ouvir a resposta.— Algumas coisas.Minhas bochecha







