Mag-log in“Dessa vez, eu não precisava esperar até a manhã seguinte para descobrir se ele queria que eu ficasse.”Irina PetrovaNa sexta-feira, terminei de arrumar minha bolsa pela terceira vez antes de admitir que não havia mais nada para conferir.Algumas mudas de roupa, o nécessaire, um pijama e um livro que provavelmente não conseguiria ler. Acrescentei uma blusa mais quente, embora soubesse que a cobertura de Nikolai não seria fria, e fechei o zíper antes de inventar outra necessidade.Ekaterina me observava na porta do quarto.— Você vai passar dois dias com ele, Irina.— Eu sei.
“Sem perceber, comecei a fazer planos para coisas que antes deixava passar.”Nikolai RomanovA sensação persistia, embora eu já não soubesse dizer o que, exatamente, parecia tão familiar.— Está tudo bem?Passei o polegar sobre seus dedos.— Está.Minha mãe chamou sua atenção para uma fotografia no celular, e Irina se inclinou para ver. Aproveitei para respirar fundo e afastar a pergunta que não conseguiria responder ali.Quando nos levantamos para ir embora, Olga abraçou Irina demoradamente.
“Eu estava aprendendo a aceitar o que sentia quando reconheci um instante que não sabia de onde vinha.”Nikolai RomanovMinha respiração ficou presa por um instante.Mikhail continuou:— Eu vi o quanto você amava Francesca. Isso não deixa de ser verdadeiro porque você voltou a gostar de alguém.Apertei as mãos uma contra a outra.— Tenho medo de que pareça que estou deixando tudo para trás.— Você se lembra dela?— Todos os dias.
“O amor que perdemos não precisa se tornar uma promessa de nunca mais amar.”Nikolai RomanovEsperei minha mãe e Irina entrarem na cozinha antes de olhar para Mikhail.— Sobre o que quer conversar?Ele passou a mão sobre o joelho, alisando uma dobra da calça. Conhecia aquele gesto. Mikhail o fazia quando precisava me dizer alguma coisa e ainda procurava a melhor maneira de começar.— Irina parece uma boa moça.Olhei brevemente na direção da cozinha.— É.— Gostei de conhecê-la.
“Às vezes, pertencer começa quando deixamos de pensar em como devemos nos comportar.”Irina PetrovaSenti minhas bochechas esquentarem enquanto Olga ria.Mikhail acompanhou a troca com um sorriso discreto. Quando a travessa de batatas chegou até Nikolai, ele olhou para a mãe.— Essas têm alecrim?— Têm.Ele se aproximou do meu prato.— Você gostou das que comemos no restaurante.Fiquei surpresa por um instante. Eu tinha feito apenas um comentário naquela noite, entre tantas outras coisas.&md
“Sentir-se bem-vinda pode começar com uma conversa em que ninguém exige que se impressiona.”Irina PetrovaAlisei a saia sobre os joelhos quando o carro parou diante da casa de Olga.Nikolai desligou o motor e olhou para mim.— Você vai acabar amassando de tanto tentar desamassar.Afastei as mãos do tecido.— Não estou tentando desamassar.Seus olhos desceram para os meus dedos, agora apertados sobre a bolsa.— Está nervosa?Olhei para a casa.







