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O Curandeiro Cicatrizado do Alfa
O Curandeiro Cicatrizado do Alfa
Penulis: Sada Vii

Capítulo 1: Gaiolas Caras

Penulis: Sada Vii
last update Tanggal publikasi: 2026-10-06 18:43:12

O golpe atingiu minha bochecha com um estalo que pareceu rachar meu crânio ao meio.

Caí com força no chão, e meu corpo se dobrou sobre si mesmo. Minha boca não dava espaço para gritos. Minhas mãos não se erguiam para lutar. Eu havia aprendido a ser seu saco de pancadas silencioso há muito tempo.

Minha bochecha latejava contra a madeira de lei. O gosto de cobre inundou minha boca e, ainda assim, não me mexi. Só conseguia focar na minha respiração.

Enquanto continuasse respirando, eu ficaria bem.

Lucan ficou de pé sobre mim por um segundo. Talvez dois, eu já não conseguia discernir mais nada.

Ele não me dirigiu nenhuma palavra; havia deixado de fazer isso há muito tempo. Ajustou o punho da camisa, soltou o ar pelo nariz como se eu fosse um estorvo finalmente resolvido e virou as costas.

A porta se fechou com um clique silencioso atrás dele.

Meu corpo ainda se recusava a mover.

A dor começou devagar no início e foi se espalhando até que eu pudesse senti-la por toda parte. Levei um dedo ao rosto. O calor do contato me fez chiar, e o inchaço familiar fez descer um nó espesso pela minha garganta.

O teto acima de mim entrou em foco. Foi impossível não notar o lustre de cristal alto e imponente capturando a luz moribunda da tarde, as cortinas pesadas de veludo e a cama de dossel na qual eu odiava dormir. Esse era o preço que eu tinha de pagar por uma vida de conforto.

Fique.

O pensamento ecoou na minha mente. Eu deveria me levantar. Lavar o sangue. Colocar gelo no hematoma. Escondê-lo antes que alguém visse. Fingir que ainda era a Luna da Alcateia Ironclaw, e não a mulher que vivia daquele jeito. Mas meu corpo ainda não obedecia. Ele conhecia a rotina. Sabia que o silêncio que vinha depois era pior.

O quarto permaneceu calado, mas pude ouvir os passos dele desaparecerem pelo corredor.

Murmurei uma prece breve de agradecimento à Deusa da Lua. Parecia que não haveria um segundo round esta noite.

Meu celular vibrou na mesa de cabeceira.

Fiquei encarando o aparelho. Quatro toques. Cinco. O nome de Xena brilhava na tela. Ergui meu braço pesado e atendi.

Minha boca se recusava a emitir qualquer som.

A linha ficou em silêncio por um longo instante antes de Xena falar. "De novo?"

Um soluço rasgou minha garganta, e então as lágrimas vieram. Meus ombros tremiam, e pressionei a mão livre sobre os olhos, tentando respirar em meio àquilo, mas o choro não parava.

Xena permaneceu na linha, como sempre fazia.

Depois de um instante, ela insistiu: "Você não pode continuar assim, Raven. Ele não vai parar. Você é a Luna, e está na porra do chão outra vez. Ninguém nesta alcateia vai vir te salvar, especialmente enquanto você continuar fingindo o papel de parceira feliz."

Engoli o sangue. "Você sabe por quê."

Ela esperou.

Tentei encontrar as palavras, mas elas ainda saíram despedaçadas. "Não é só por causa dele. A união… foi um acasalamento arranjado, e você sabe disso. É política, Xena. Se eu fugir, a aliança se rompe. A Ironclaw não vai permitir isso. Vão me caçar. Me transformar em inimiga e me chamar de traidora. Minha família… eles não vão me acolher. Eles não podem. O preço é alto demais. Eu ficaria sozinha."

Xena ficou em silêncio por ainda mais tempo dessa vez.

"Eu não tenho para onde ir", sussurrei, com a voz embargada. "Lugar nenhum onde ele, ou a alcateia, não consigam alcançar."

Ainda assim, ela nada disse. Então, quando pensei que ela havia desistido do assunto por completo, declarou: "Estou indo para aí."

Meu coração errou uma batida.

"Não. Xena, não vem. Só vai piorar as coisas. Ele não vai gostar nada disso."

Ela já havia desligado.

Pressionei o telefone contra o peito e rezei à deusa, torcendo para não ter tornado tudo ainda pior.

Obrigando-me a ficar de pé sobre pernas trêmulas, fui até o banheiro. Joguei água fria no rosto, embora ardesse como fogo. Puxei o cabelo para a frente, escondendo o que podia. No espelho, meus olhos castanhos pareciam mortos.

Desviei o olhar rápido.

No andar de baixo, movi-me o mais devagar que pude, pois cada passo doía. A casa parecia grande demais e, ao mesmo tempo, parecia que, por mais que eu andasse, jamais conseguiria fugir do que acabara de acontecer em nosso quarto. Meus pés se moveram de qualquer forma.

Dobrei o corredor, e o mundo parou.

Duas vozes íntimas chegaram aos meus ouvidos.

Lucan estava perto demais da minha irmã, Riley. Suas mãos envolviam o rosto dela de um jeito que ele jamais havia envolvido o meu. Ele ergueu o queixo dela e a beijou como se estivesse saboreando cada segundo.

Meu estômago despencou.

Meu coração se retorceu no peito.

Aquilo não podia ser real. Eu estava alucinando. Só podia estar vendo coisas.

Lucan levou a boca ao ouvido dela e sussurrou algo que não consegui distinguir. Minha irmã sorriu e se aninhou ainda mais no abraço dele.

Eu não suportava mais aquilo.

"Riley?!" O nome foi arrancado de mim, com a voz quebrada e quase inaudível.

Riley se afastou, seus olhos encontrando os meus. Suas bochechas estavam coradas. Uma das mãos ainda repousava no peito de Lucan, os dedos cravados na camisa dele como se ela pertencesse àquele lugar. Ela sequer falou ou pediu desculpas. Apenas me encarou com os olhos semicerrados, como se me desafiasse em silêncio.

Lucan virou a cabeça devagar por um único compasso, depois voltou a olhar para Riley.

Ele fez o impensável e a beijou de novo, os olhos desviando para mim enquanto fazia aquilo.

Era real. Meus olhos se encheram de lágrimas que não caíram, e isso nada tinha a ver com a surra que eu acabara de levar.

Ele a soltou e caminhou na minha direção.

Por instinto, dei um passo para trás.

Ele reduziu a distância entre nós, e o cheiro da minha irmã nele fez meu estômago despencar mais uma vez. "Cada dia que acordo ao seu lado parece mais um lembrete de que roubaram a minha vida. O dia em que nos uniram foi o pior dia da minha vida."

As palavras me abalaram até o fundo da alma.

Então a mão dele estalou contra o meu rosto outra vez.

Mais forte dessa vez.

Fui ao chão. Luzes brancas explodiram atrás dos meus olhos. Meus ouvidos zumbiram com o impacto, e a dor floresceu no meu peito novamente. Senti mais gosto de sangue. Meu corpo se encolheu. Por um instante, não consegui respirar nem pensar.

Com o peito arfando, apoiei-me nas mãos e nos joelhos. As lágrimas ardiam, mas forcei as palavras a saírem de qualquer jeito. "Essa união é maior do que nós dois. A aliança… é o que mantém a alcateia unida. Você sabe disso. Rejeitar a mim… vai custar tudo."

Ele olhou para mim de cima, e vi o desprezo faiscar em seus olhos frios.

"Para!"

Continuei.

De mãos e joelhos na minha própria sala de estar, machucada e trêmula. "Pense na alcateia. No equilíbrio. Por favor—"

"Eu mandei parar."

"Nós podemos consertar isso. A aliança—"

"Chega!" O grito rasgou a garganta dele, cortando o ar como um trovão. "Você não é nada para mim. Eu rejeito você. O laço está rompido. Os papéis do divórcio serão protocolados."

As palavras partiram meu mundo em dois.

Lágrimas quentes escorreram pelo meu rosto. Continuei ajoelhada, com as mãos cravadas no piso. Meu corpo não parava de tremer. Eu sabia o que aquilo significava. Uma Luna rejeitada era pior do que uma morta. A alcateia se voltaria contra mim. Minha família não me protegeria. Eu não seria nada.

"Por favor", engasguei. "Reconsidere. Não faça isso esta noite. Deixe-me—"

Ele não estava ouvindo.

Minha mão se moveu sem permissão e pousou sobre meu ventre. O segredo que eu carregara sozinha por semanas me consumia por dentro.

Olhei para a minha mão e calculei em meio às lágrimas e à dor. Se eu contasse a ele agora—

A porta da frente se abriu.

Xena entrou.

Ela bateu os olhos em mim no chão, com a mão sobre a barriga, lágrimas escorrendo, Lucan em pé sobre mim, Riley paralisada atrás dele, e cruzou a sala em três passadas. Colocou-se entre nós como um escudo.

Abaixou-se, segurou-me pelo braço e me puxou para cima. Minhas pernas mal me sustentavam, mas ela me segurou mesmo assim.

Então se virou para Lucan, com os olhos cerrados e o cenho franzido.

"Seu canalha inútil. B**e nela como se fosse seu direito. Fode a irmã dela dentro da casa que divide com ela. Se diz Alfa enquanto destrói a única coisa boa que ainda resta nesta alcateia. Espero que a Deusa faça você engasgar com cada grama de poder que roubou dela."

O rosto de Lucan se contorceu. Ele ergueu a mão para golpeá-la.

Xena foi mais rápida. Agarrou um vaso pesado de cristal na mesinha de canto e o arremessou. O vaso se estilhaçou contra a parede a poucos centímetros da cabeça dele.

Ela não esperou.

Passou o braço ao meu redor, puxou-me para junto do seu corpo e começou a andar. Saímos depressa. O ar da noite atingiu meu rosto inchado, piorando a dor. A porta se fechou com uma pancada que fez meus joelhos vacilarem.

Xena me levou até o carro e me empurrou para o banco do carona. Entrou logo em seguida e deu partida no motor, mas não arrancou. As mãos dela apertavam o volante a ponto de os nós dos dedos ficarem brancos.

Fiquei sentada ali. Mãos no colo. Tudo parecia distante. Adormecido. Em carne viva.

Xena virou-se para mim, prestes a falar.

Eu falei primeiro.

"Estou grávida."

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