LOGINBem nessa hora, Jéssica também viu Lucas.Ela voltou àquele jeito gentil de antes e abriu um sorriso.— Lucas, você voltou?Lucas caiu em si, a expressão dele aliviou um pouco.Ele assentiu e foi até ela.— Como está a sua mão?— Ainda está com um pouquinho de dor, mas já melhorou bastante. — Jéssica girou o pulso de leve.Ela viu o rosto de Lucas, um pouco carregado, e falou baixo:— Lucas, não fica com raiva da Estela. Eu entendo o que ela está sentindo.Ela fez uma pausa e olhou para longe, como se estivesse pensando.— Mesmo quando a pessoa decide, por orgulho, abrir mão, sempre tem alguns momentos em que ela se arrepende.— Então eu a entendo ficar com raiva quando me vê com você.— Isso também é culpa minha. — Jéssica soltou um suspiro. — Eu sabia que a Estela estava com raiva de mim, eu não devia ter aparecido naquele momento.— Eu só não esperava que ela me odiasse tanto.— Eu achei que, com um namorado, o ódio dela por mim ia diminuir um pouco.Depois de ouvir isso, Lucas fran
Estela olhou o que ele fez e, mais ainda, sentiu que tudo aquilo, nesses anos, tinha sido triste e ridículo.Nesses anos, ela foi deixada de lado, foi alvo de risadas e de deboche, e Lucas fingiu que não via.Agora, ele e Jéssica nem tinham se casado, e ele já tinha aprendido a limpar o caminho para ela, tirando o que estivesse na frente.Só que...Ela tinha dito que o casamento tinha acabado.Mas o plano de vingança dela, pela filha, tinha acabado de começar.Estela não disse isso. Vendo que Lucas não a impedia mais, ela se virou e foi embora sem hesitar.Quando ela saiu pelo portão, Rafael por acaso estava tirando o carro devagar.Ela abriu a porta e se sentou no banco do passageiro.Rafael viu que o rosto dela não estava bom. Pensou por um instante e logo entendeu o motivo.— O Lucas foi te procurar agora há pouco? — Ele perguntou.Estela ouviu e parou por um segundo, depois assentiu.— Mas como você sabia? — Ela perguntou, confusa.Rafael deu uma risada curta.— Quando a gente esta
Estela entrou em pânico por um instante. Quando reagiu, os dedos já foram até o anel, querendo fazer a lâmina saltar para se defender.Mas a pessoa parou, segurou os ombros dela, virou o corpo dela e a prensou contra a parede.Lucas colocou as duas mãos dos dois lados dela.Ele respirava rápido.Estela encarou o canto dos olhos dele, vermelho, e travou por um segundo.Era a primeira... não, era a segunda vez que ela via Lucas assim.A primeira tinha sido anos atrás, quando ela e Lucas ficaram presos no elevador. A luz lá dentro também tinha apagado, tudo ficou escuro. A claustrofobia de Lucas atacou, e o corpo dele ficou todo tenso.Ela fez de tudo para tirar o medo dele. Quando o resgate chegou, Lucas ficou desse jeito.Medo, pânico, impotência.E frágil.Estela olhou para ele e ficou sem reação por um instante.— Estela, o que você quer que eu faça? — Lucas soltou, com um tom complicado. — Você é quem não quis voltar a casar. E agora você é quem está com ciúme, machucando a Jéssica.
Falando isso, Jéssica puxou a mão de Estela.Jéssica estava com um sorriso no canto dos lábios, mas, de propósito, apertou com mais força.Estela sentiu uma dor rápida no dedo.Ela viu o sorriso provocador no rosto de Jéssica e quase na hora entendeu que era de propósito.Ela já estava com raiva de Jéssica e ia reagir, mas então se conteve, puxou um sorriso e segurou o pulso de Jéssica.— Não precisa.Ela dizia isso com a boca.Mas a mão dela já tinha ido para o braço de Jéssica, e ela colocou força, sem fazer alarde.Quando estava aprendendo com Rafael, Rafael tinha ensinado a ela como usar força de um jeito macio.Por exemplo, se a diferença de força fosse grande demais, dava para, sem chamar atenção, deslocar o braço ou o ombro de alguém, ou acertar um ponto que deixava a pessoa dormente por um tempo, sem força.Jéssica quis jogar sujo com ela, então ela ia acompanhar.Estela achou o lugar e colocou um pouco de força. Jéssica gritou, e o braço caiu mole, sem reação.— Estela, o que
Estela não esperava encontrar Lucas ali.E, pelo jeito, Lucas também não esperava. Quando viu ela, a expressão dele travou por um instante.Jéssica percebeu que o braço de Lucas queria se soltar do dela. Sem fazer alarde, ela apertou mais a mão e puxou Lucas para a frente.O punho de Estela se fechou sem ela perceber.Antes, ela só suspeitava que a perda do bebê tinha sido de propósito, mas não tinha prova.Mas, poucos dias atrás, ela tinha confirmado.Jéssica era, de fato, a culpada pela morte da filha dela.Ao ver Jéssica de novo, Estela sentiu o peito entupir com uma raiva quente.Ela encarou o sorriso no rosto de Jéssica.Aquele sorriso parecia, sem fazer barulho, virar satisfação, e o olhar também foi ficando provocador.Estela cerrou os dentes, e a raiva subiu de uma vez.Ela queria avançar e cobrar isso pela filha.O corpo dela tremia de ódio.Mas, no fim, quando sentiu Rafael envolver o ombro dela de leve, ela engoliu a raiva à força.Estela se lembrou do que Rafael tinha dito
Estela voltou a bater na cabeça, tirando a poeira do cabelo.Na volta, ela já tinha dado uma ajeitada e achou que estava mais ou menos, mas, quando viu Rafael e comparou os dois, ela sentiu que estava meio largada.Mas, ultimamente, ela também não tinha cabeça pra se arrumar.Estela disse, rindo:— Na frente de gente da gente, ser mais à vontade não é mais confortável?— Você também podia relaxar um pouco. Senão, todo dia pra arrumar esse cabelo você não demora um tempão? É tempo jogado fora.Estela olhou para o penteado caprichado dele e calculou que devia levar, no mínimo, três ou quatro horas.Agora, pra ela, até meia hora de maquiagem já parecia tempo perdido.Rafael passou a mão de leve no cabelo.— Não é tempo jogado fora.— Quando eu faço o cabelo, eu aproveito pra ouvir notícias, olhar ações, ou resolver outras coisas.— E, além disso, se eu não fizer, os maquiadores lá de casa ficam sem trabalho.Estela ficou sem graça.— Tá, tá, entendi.As pessoas realmente eram diferentes.
O evento de lançamento da UME tinha sido marcado para a parte da manhã.Quando Estela chegou ao local, o hotel cinco estrelas já estava cheio.O salão estava tomado por vozes. Todos comentavam sobre o lançamento. Repórteres carregavam câmeras nos ombros e ajustavam os equipamentos.Ao ver tanta gent
Ao ouvir Evandro dizer aquilo, Lucas não se irritou por causa do soco.Ao contrário, achou graça naquelas palavras.Ele soltou uma risada fria.— Você está se metendo demais. — Estela é minha esposa. O que acontece entre nós não é assunto para gente de fora.Depois disso, virou-se e subiu.Dois hom
Era raro Lucas ter paciência para consolá-la.Mas, dessa vez, ela não sentiu a gratidão de antes.Ela sabia que aquele tipo de consolo não carregava sentimento algum. Era como alguém que sente pena de um cachorro na rua e joga um osso só para aliviar a própria consciência.Ainda assim, Estela pergun
Estela pegou o celular e só então viu várias chamadas perdidas de Lucas.Ultimamente, ele vinha entrando em contato com ela com mais frequência.Ela não sabia por que ele a procurava dessa vez. Colocou o bilhete de volta sobre a mesa e não teve intenção de retornar a ligação. Levantou-se e foi tomar







