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O Fruto Proibido - Quinta temporada

last update publish date: 2026-09-30 20:54:08

Capítulo 22

A cabine 12

Dulce Farias

A noite na Eclipse estava pesada demais. Eu estava no escritório com minha mãe, os dois computadores ligados, papéis espalhados pela mesa de vidro. O relógio marcava 23h47.minha mãe Naty revisava um contrato em silêncio, os cachos presos de qualquer jeito. Eu tentava focar nos números, mas a cabeça não colaborava.

O celular vibrou. Número desconhecido. Estranhei. Atendi mesmo assim.

— Alô?

A voz do outro lado estava baixa, distorcida, quase um sussurr
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    Capítulo 24 No ar Dulce Farias O jatinho dos Farias decolou às 6h17 da manhã. Eu estava sozinha na cabine principal, enrolada num cobertor de cashmere que cheirava a lavanda. A hostess tinha me oferecido chá, suco, comida. Eu recusei tudo. O estômago não aguentava nem a ideia. Do lado de fora da janela, São Paulo ia ficando pequena, depois sumia debaixo das nuvens. Eu apertei o cobertor contra o peito e fechei os olhos. A imagem voltou na hora. Camila nua. Fernando com a camisa aberta, os olhos vidrados. Lorenzo semi-inconsciente, a calça desfeita. O sorriso dela. Eu abri os olhos de novo, o coração martelando. A náusea subiu. Levantei rápido e fui até o banheiro. Me ajoelhei na frente do vaso e vomitei bile amarga. Nada vinha. Só o gosto do desespero. Quando terminei, lavei o rosto com água gelada e me olhei no espelho. Os olhos estavam inchados, vermelhos. O rosto pálido. Eu parecia outra pessoa. Voltei para o assento. O celular estava desligado dentro da bols

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    Capítulo 23 O vazio Fernando Gonçalves A dor de cabeça veio primeiro. Uma martelada atrás dos olhos, grossa, suja. Eu abri os olhos com dificuldade. A luz da cabine 12 parecia afiada demais. O sofá de couro estava frio contra a minha pele nua. A camisa aberta. A calça desabotoada. O gosto amargo na boca. Do meu lado, Lorenzo gemía, a mão no rosto. — Que porra… — a voz dele saiu rouca, confusa. Eu me forcei a sentar. O mundo girou. A memória voltava aos poucos, aos pedaços: a bebida que Camila tinha oferecido, o gosto estranho, a tontura, a voz dela dizendo que era só uma dose para relaxar. Depois… nada. Só escuridão. E então a imagem que não fazia sentido. Dulce na porta. O olhar dela. O horror. — Ela viu — eu falei, a voz saindo estranha. — A Dulce esteve aqui. Lorenzo abriu os olhos de uma vez. A cor sumiu do rosto. — O quê? Eu me levantei, as pernas ainda moles. Procurei o celular no bolso da calça. As mãos tremiam. Várias ligações perdidas. Nenhuma de Dulce. Eu ap

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    Capítulo 22 A cabine 12 Dulce Farias A noite na Eclipse estava pesada demais. Eu estava no escritório com minha mãe, os dois computadores ligados, papéis espalhados pela mesa de vidro. O relógio marcava 23h47.minha mãe Naty revisava um contrato em silêncio, os cachos presos de qualquer jeito. Eu tentava focar nos números, mas a cabeça não colaborava. O celular vibrou. Número desconhecido. Estranhei. Atendi mesmo assim. — Alô? A voz do outro lado estava baixa, distorcida, quase um sussurro rouco. — Cabine 12. Agora. Você precisa ver com os próprios olhos. A linha morreu. Meu estômago gelou de imediato. Eu olhei para minha mãe. — Preciso descer um minuto. Ela ergueu o olhar, preocupada. — Está tudo bem, filha? — Acho que sim. Já volto. Desci pelo elevador privativo com as mãos frias e o coração batendo na garganta. O corredor das cabines VIP estava mais silencioso que o normal. A luz baixa. O carpete engolindo cada passo. Parei na frente da porta 12. Estava entreaberta. U

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    Capítulo 21 Sem espaço Dulce Farias O elevador da Eclipse Prime subiu em silêncio. Eu ajustei o blazer preto, o cabelo preso em um coque alto, o batom vermelho marcado. O espelho refletia a mesma mulher de sempre, mas por dentro eu ainda carregava a conversa com minha mãe, o gosto do sorvete e a certeza de que Fernando e Lorenzo estavam me esperando no fim do dia. O escritório estava quieto quando cheguei. Sentei, liguei o computador e abri os relatórios da semana. O trabalho sempre me centrava. Números, contratos, decisões. Coisas que eu controlava. Até a porta se abrir sem bater. Lucas entrou. O mesmo rosto, as mesmas olheiras, a mesma expressão de quem achava que merecia uma segunda chance. Ele parou no meio do escritório, as mãos abertas, como se viesse em paz. — Dulce… Eu levantei os olhos devagar. Não me levantei. Não sorri. — Você não foi autorizado a subir. — Eu precisei te ver. Só isso. Eu sei que errei. Eu sei que fui um merda. Mas eu não consigo parar de pensar

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    Capítulo 20 Entre mãe e filha Dulce Farias Eu abri a porta do apartamento com a chave que ainda carregava no chaveiro. O cheiro familiar me recebeu: o perfume da minha mãe misturado com o café que Israel sempre passava forte demais. Eu mal tinha largado a bolsa no sofá quando ela apareceu no corredor, os cachos escuros soltos, a expressão uma mistura de alívio e reprimenda. Atrás dela vieram Israel e Rafael, os dois de braços cruzados, mas com o olhar mais preocupado do que bravo. — Então — Mamãe começou, a voz calma, porém firme. — Você some, passa a noite fora e só manda mensagem no dia seguinte. Achei que a gente tinha combinado de se avisar, Dulce. Eu respirei fundo. Não tinha como fugir. — Eu sei. Foi errado. Eu deveria ter avisado que ia ficar na cobertura deles. Rafael passou a mão pelo cabelo, o mesmo gesto que fazia quando estava nervoso. — A gente não está bravo porque você tem namorado… namorados. A gente está bravo porque você é nossa filha e a gente se p

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    Capítulo 19 Manhã seguinte Dulce Farias A luz da manhã entrava macia pela fresta da cortina. Eu abri os olhos devagar. O corpo ainda estava pesado, quente, marcado. Eu estava deitada de lado, a cabeça no peito de Lorenzo, uma perna jogada sobre a coxa dele. Fernando dormia atrás de mim, o braço forte atravessado na minha cintura, a respiração quente na minha nuca. Por alguns segundos eu só fiquei ali, sentindo. O cheiro dos dois misturado na pele. O calor. A certeza de que eu tinha escolhido ficar. Aí a memória da noite anterior voltou inteira. Eu tinha molhado a cama. Tinha squirtado tanto que o colchão ficou encharcado. E eu tinha chorado de vergonha depois. O rosto esquentou de novo. Eu enterrei a cara no peito de Lorenzo, gemendo baixo de constrangimento. — Já acordou, vergonhinha? — a voz rouca de Lorenzo veio de cima da minha cabeça. Ele estava acordado. Eu senti o peito dele tremer numa risada contida. — Cala a boca — murmurei, ainda escondida. Fernando se mexeu at

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