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Capítulo 19

Autor: Runa Thorne
last update Data de publicação: 2026-01-06 08:54:32
POV — Nancy

Eu gostava de ficar nos bastidores.

Era mais seguro.

Enquanto todo mundo prestava atenção em quem estava sentado à cabeceira da mesa, eu observava quem mexia os dedos, quem evitava perguntas e, principalmente, quem mentia.

Naquela tarde, porém, eu tinha um problema.

A sala de reuniões estava cheia de gente perigosa.

E dois deles tinham acabado de atravessar a porta representando a empresa que vinha comprando ações da Layer Capital havia oito meses.

Kael Global.

Helena entrou
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  • Guardião e a CEO   Capítulo 65

    POV — Nancy— Então deixe-me ver se entendi.O investigador fechou o pequeno caderno e olhou primeiro para mim, depois para Victor.Estávamos naquela sala havia quase uma hora.Uma hora.E eu começava a desenvolver sentimentos pouco amigáveis por cadeiras de delegacia.— Mayla saiu sozinha no domingo à noite, dirigiu até uma propriedade abandonada no meio do nada e não contou a ninguém para onde estava indo.— Nós já explicamos isso — Victor respondeu.A voz dele estava controlada.O maxilar, não.Eu o conhecia o suficiente para saber que faltava pouco para aquela conversa terminar mal.— Ela recebeu o endereço naquela noite — acrescentei.O investigador voltou os olhos para mim.— Do senhor Victor.— Sim.— E disse que não iria até lá.— Sim.— Mas foi.— Evidentemente.Ele me encarou.Talvez “evidentemente” não tivesse ajudado.Victor esfregou o rosto.Ele parecia não dormir desde que encontráramos os carros.Provavelmente não dormira.Eu também não estava muito melhor.— O endereço

  • Guardião e a CEO   Capítulo 64

    Saímos da delegacia quase no fim da tarde. Victor caminhou até o carro sem dizer uma palavra. Entramos. Ele não ligou o motor. Ficou olhando para frente. — Você acha que foi ele? Eu sabia de quem estava falando. — Não sei. — O carro dele estava escondido. — Eu sei. — Ele apareceu na empresa. — Eu sei. — Depois na casa de campo. — Victor... — E depois seguiu Mayla até aquele casarão. — Nós não sabemos se ele a seguiu. Victor virou para mim. — Nancy. — Eu sei como parece. — Parece que ele estava se aproximando dela. Não respondi. Porque parecia. Muito. Peguei o celular. — O que está fazendo? — Uma coisa que a polícia provavelmente já fez. — Que coisa? Digitei. Kael Global. Resultados apareceram. Site institucional. Notícias empresariais. Registros. Abri o site. Erro. Atualizei. Nada. — O site caiu. Victor pegou o próprio celular. — Pode ser manutenção. — Pode. Mas não acreditava. Pesquisei novamente. Abner Kaelen. As primeiras referências eram

  • Guardião e a CEO   Capítulo 63

    POV — Nancy — Então deixe-me ver se entendi. O investigador fechou o pequeno caderno e olhou primeiro para mim, depois para Victor. Estávamos naquela sala havia quase uma hora. Uma hora. E eu começava a desenvolver sentimentos pouco amigáveis por cadeiras de delegacia. — Mayla saiu sozinha no domingo à noite, dirigiu até uma propriedade abandonada no meio do nada e não contou a ninguém para onde estava indo. — Nós já explicamos isso — Victor respondeu. A voz dele estava controlada. O maxilar, não. Eu o conhecia o suficiente para saber que faltava pouco para aquela conversa terminar mal. — Ela recebeu o endereço naquela noite — acrescentei. O investigador voltou os olhos para mim. — Do senhor Victor. — Sim. — E disse que não iria até lá. — Sim. — Mas foi. — Evidentemente. Ele me encarou. Talvez “evidentemente” não tivesse ajudado. Victor esfregou o rosto. Ele parecia não dormir desde que encontráramos os carros. Provavelmente não dormira.

  • Guardião e a CEO   Capítulo 62

    Os lábios dele tocaram os meus.Suavemente.Por um instante, foi apenas isso.Um contato cuidadoso, quase hesitante, como se Abner ainda me oferecesse uma última oportunidade de mudar de ideia.Eu não queria.A primeira coisa que percebi foi o calor.A boca dele estava quente, contrastando com o ar fresco dos túneis. Depois veio o cheiro — aquele aroma que eu já associava a ele sem sequer perceber. Madeira, ervas e alguma coisa limpa e terrosa que permanecera em sua pele mesmo depois das águas termais.Fechei os olhos.Meu corpo inteiro pareceu prestar atenção.Os dedos dele continuavam em meu rosto, o polegar imóvel junto à minha bochecha, e senti um arrepio começar exatamente onde me tocava e descer lentamente pelo pescoço.Abner começou a se afastar.Não.Minha mão agarrou a frente de sua túnica antes que eu pensasse melhor e o puxei de volta.A surpresa dele durou menos de um segundo.Sua boca encontrou a minha novamente.Dessa vez, não havia pergunta.A mão que tocava meu rosto d

  • Guardião e a CEO   Capítulo 61

    CAPÍTULO 61 — A LINHA ENTRE NÓSPOV — MaylaAquela tinha sido, surpreendentemente, uma boa refeição.Não boa no sentido de desejar repeti-la quando voltasse para casa — se algum dia voltasse para casa —, mas boa considerando que consistira em pão, queijo, frutas e sementes divididos sobre uma mesa de pedra no interior de uma montanha.Abner também havia preparado uma infusão com as ervas que trouxera do santuário.Eu ainda segurava a pequena caneca entre as mãos.O líquido estava quente.Levemente adocicado.— Você sabe cozinhar? — perguntei.Abner, sentado do outro lado da antiga mesa, levantou os olhos.— Sei.— Cozinhar de verdade?— Existe outra forma?— Você acabou de jogar folhas em água quente.— E está bebendo.Olhei para a caneca.— Isso não prova nada.O canto da boca dele se ergueu.A luz dos cristais era mais fraca naquela parte das ruínas. Algumas pequenas formações azuladas atravessavam o teto e iluminavam o ambiente o suficiente para dispensarmos outra fonte de luz.Do

  • Guardião e a CEO   Capítulo 60

    O caminho alternava entre galerias estreitas e câmaras tão grandes que eu não conseguia enxergar o teto.Em alguns pontos, raízes atravessavam as pedras acima de nós.Não eram pequenas.Eram enormes.Desciam pelas paredes e desapareciam novamente no chão, como se árvores inteiras estivessem tentando alcançar aquele mundo subterrâneo.Paramos duas vezes para beber água.Na segunda, aproveitei para prender parcialmente os cabelos ainda úmidos.Ou tentei.— Droga.O pedaço de tecido escapou dos meus dedos pela terceira vez.— Quer ajuda?Olhei para Abner.— Você sabe prender cabelo?— Sei fazer um nó.— Isso não me tranquiliza.Ele estendeu a mão.— Dê.Entreguei o tecido.Abner ficou atrás de mim.Imediatamente me arrependi.Senti seus dedos reunirem meus cabelos.Meu corpo ficou rígido.— Está puxando?— Não.As pontas dos dedos roçaram minha nuca.Um arrepio percorreu minhas costas.Abner parou.— Está com frio?— Não.— Você arrepiou.Fechei os olhos.Claro que ele perceberia.— Meu

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