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Capítulo 3

Author: Chama Lunar
Letícia, esposa de Daniel, já havia sido considerada a mulher mais bonita de Porto Dourado. Mesmo agora, aos quarenta anos, continuava impecável. Cercada de conforto, privilégios e cuidados, não aparentava a idade que tinha. Pelo contrário, parecia uma mulher de vinte e poucos anos, só que com uma maturidade que tornava sua beleza ainda mais perigosa.

Além disso, Letícia era bilionária. A mulher mais rica de Porto Dourado.

Naturalmente, homens interessados nela nunca faltaram.

Mas havia uma distância enorme entre ser desejada por admiradores e levar um homem para a própria cama.

O exame de DNA tinha base científica. Não mentia. Se a filha que Letícia dera à luz não era de Daniel, então a conclusão era simples e cruel: ela o havia traído.

Daniel não esperava que a esposa confessasse, por vontade própria, a vida íntima suja que escondia dele. Mas acreditava na ciência. E era essa certeza que lhe dava coragem para encará-la.

Como ele já imaginava, Letícia não admitiu nada. Apenas o observou com um sorriso leve.

— O que foi? Está tão inseguro assim? Você está se subestimando. E me subestimando também.

— Talvez. Mas cada vez mais eu tenho a sensação de que você anda se deitando com outros homens pelas minhas costas. Você me traiu repetidas vezes e me fez de idiota esse tempo todo.

— Que absurdo é esse, Daniel? Brincadeira tem limite. Não fale uma coisa dessas à toa, ou eu vou ficar irritada de verdade.

— Então é assim? Você só admite quando a prova é jogada na sua cara? Letícia, como você explica isto?

Daniel não conseguiu mais se conter. Tirou do bolso o laudo de DNA amassado e o entregou à esposa.

Letícia leu a conclusão.

Pouco a pouco, o sorriso desapareceu de seu rosto. A serenidade em seus olhos deu lugar a uma frieza afiada. Quando ergueu a cabeça, o olhar que lançou a Daniel era cortante.

Mesmo assim, ela não demonstrou pânico.

Com uma calma assustadora, rasgou o laudo ao meio. Depois dobrou os pedaços e tornou a rasgá-los, até reduzir tudo a fragmentos.

— Meu amor, chega dessa brincadeira. Já comi o suficiente. Vamos para casa.

Era essa a resposta dela?

Daniel permaneceu imóvel. A reação da esposa não o surpreendia. Ele já tinha imaginado que Letícia negaria, desconversaria ou simplesmente destruiria a prova. Por isso, não pretendia perder tempo em uma discussão inútil.

— Você sabia que eu fiz pelo menos três rodadas de exames? Procurei laboratórios periciais reconhecidos pela Justiça, como a Aurora BioGenética, aqui em Porto Dourado. Além disso, enviei amostras de forma anônima para institutos especializados em Nova Aurora, Porto Nobre e Santa Vitória. Todos os resultados apontaram a mesma coisa: Beatriz não é minha filha. Ela nasceu da sua traição com outro homem.

— Daniel, você...

O rosto de Letícia se fechou de imediato. Seu olhar ficou ainda mais duro enquanto o avaliava.

— Você teve coragem de fazer isso pelas minhas costas?

No instante seguinte, Daniel sentiu aquela pressão familiar, invisível e sufocante, que vinha da esposa que, por mais de dez anos, sempre ocupara uma posição acima dele. Em outros tempos, ele teria cedido. Teria tentado agradá-la, engolido a humilhação e baixado a cabeça para manter a paz.

Mas agora, não.

Dessa vez, ele não recuou. Encarou Letícia de frente e disse:

— Beatriz tem quinze anos. Contando a gravidez, são dezesseis. Você me enganou por dezesseis anos inteiros.

— Daniel, acho que você bebeu tanto que perdeu o juízo. Como consegue dizer uma coisa tão absurda? Você vai voltar para casa comigo agora. E, sem a minha permissão, não vai colocar um pé para fora.

— O que você pensa que eu sou? A partir de hoje, eu não volto mais para aquela casa. Pelo contrário, eu quero me divorciar de você.

Daniel apertou os dentes.

Ainda assim, pronunciou aquelas palavras com clareza.

— Divórcio? Você realmente quer se divorciar de mim? Perdeu completamente a cabeça. Está sendo irracional.

A presença de Letícia se impôs na sala, fria e opressiva.

Ao perceber que Daniel continuava firme, como se nada mais pudesse dobrá-lo, ela ficou ainda mais furiosa. Incapaz de conter a raiva, levantou-se e saiu, batendo a porta.

Daniel respirou fundo e levou a mão à testa.

Estava fria, coberta de suor.

Era a primeira vez que ele enfrentava de verdade aquela esposa que sempre estivera acima dele. Ele era apenas um médico comum, sem poder, sem influência. Letícia, por outro lado, vinha da elite e ainda era a mulher mais rica de Porto Dourado. Tinha força suficiente para fechar qualquer porta diante dele.

Dentro daquele abismo social, pedir o divórcio era quase como desafiar alguém que poderia esmagá-lo com um simples gesto. Se Letícia decidisse se voltar contra ele, talvez Daniel não conseguisse mais sobreviver em Porto Dourado.

Ainda assim, ele não podia engolir aquela humilhação.

Não podia aceitar ter criado a filha de outro homem como se fosse sua e continuar fazendo papel de marido enganado.

Agora que conhecia o lado podre daquele casamento, também não conseguiria mais mantê-lo.

Ele queria o divórcio.

Depois disso, queria viver a própria vida.

Pouco tempo depois, porém, Letícia abriu a porta e entrou novamente.

Dessa vez, sua voz veio doce, quase desconcertante.

— Dan, peça desculpas. Admita que disse aquilo da boca para fora. Prometa que nunca mais vai mencionar a palavra "divórcio", e que vai parar de beber. Se fizer isso, eu finjo que nada aconteceu. Nós continuamos como antes e voltamos para casa juntos, como marido e mulher.

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