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Capítulo 2

Author: Chama Lunar
Daniel não soube quanto tempo havia passado até finalmente despertar daquela ressaca.

Ao abrir os olhos, viu que estava em uma cama enorme, luxuosa, claramente de hotel.

Debaixo do lençol, estava completamente nu. E os vestígios espalhados pelo quarto deixavam claro que algo íntimo havia acontecido ali.

A cabeça ainda zumbia. Daniel tentou reconstruir a noite anterior.

Depois de descobrir a traição de Letícia, não quis voltar para casa nem encará-la. Preferiu se afundar na bebida.

Mas o que tinha acontecido depois disso...

Ele não fazia a menor ideia.

Havia apagado.

"Será que vim parar no hotel com alguma mulher do bar? Então eu também traí. Que diferença existe entre mim e Letícia? Não... Existe diferença, sim. Eu vou me divorciar dela. Entre nós dois já não existe mais nada. Daqui para frente, a forma como eu quiser viver é problema meu."

Daniel encontrou para si mesmo uma desculpa frágil, quase ridícula, mas ela serviu de apoio suficiente para que tentasse se levantar.

Assim que se mexeu, porém, uma dor forte explodiu em sua cabeça. Ele não conteve um gemido baixo.

Pouco depois, ouviu a descarga no banheiro.

Virou a cabeça na direção do som e viu Letícia sair de lá.

"Fui pego no flagra?"

Daniel ficou imóvel.

"Letícia, você me enganou por tantos anos, e eu nunca desconfiei de nada. Nunca percebi você e aquele homem. Mas eu, bastou perder o controle uma única vez depois de beber, e você já me pega assim? Que merda de injustiça é essa?"

Com esses pensamentos atravessando sua mente, Daniel encarou a esposa, sem saber o que deveria dizer.

Mas Letícia falou primeiro.

— Acordou? Você bebeu demais ontem e ainda ficou aprontando até de madrugada antes de dormir. Deve estar exausto, não é? Já passou da idade de se acabar desse jeito. Da próxima vez, nada disso. Preparei um caldo para ajudar com a ressaca. Levanta e toma um pouco.

Daniel não viu nenhum sinal de raiva nela.

Pelo contrário. Letícia o ajudou a se sentar e passou a cuidar dele com uma naturalidade quase carinhosa. Aquilo o deixou ainda mais perdido.

— Como eu vim parar aqui? E você? Como chegou?

No meio da confusão, Daniel se lembrava vagamente de ter sido levado, na noite anterior, para algum imóvel novo de Letícia. Não deveria estar em um hotel.

— Foi você que me mandou mensagem ontem à noite, pedindo para eu vir ficar com você. Só não imaginei que tivesse bebido tanto. E ainda perdeu completamente o controle depois. Ontem você me assustou um pouco. Saiu do nosso ritmo de sempre e me pegou desprevenida. Da próxima vez que quiser brincar assim, me avisa antes, para eu me preparar. Senão, você acaba me machucando.

Letícia sorriu, os olhos semicerrados e cheios de uma doçura satisfeita. As faces coradas lhe davam um charme maduro, quase irresistível.

O Daniel da noite anterior havia sido intenso demais. Mais uma vez, ele a fizera se entregar por completo.

Daniel se obrigou a recuperar a lucidez.

Pegou o celular e abriu as mensagens. De fato, havia enviado uma mensagem para Letícia na noite anterior.

Aquilo o deixou completamente desnorteado.

Ele não se lembrava de nada. Estava bêbado daquele jeito e ainda conseguira mandar mensagem? Ainda conseguira fazer tudo aquilo?

Tudo bem. Então aquela tinha sido a última vez que a tocara como marido.

Daniel acabou aceitando esse fato.

Vestiu-se, deixou o quarto e fez o check-out. Só então descobriu que a diária havia sido registrada com seu próprio documento e que dez mil reais em dinheiro tinham sido pagos pela hospedagem e pela caução.

Ele pediu para ver as imagens das câmeras da noite anterior, mas o hotel se recusou, alegando proteção à privacidade dos hóspedes. A única informação que conseguiu foi que a pessoa que o levara até ali era uma mulher de cabelo curto tingido de vermelho.

Por um instante, Daniel não conseguiu encaixar aquela informação em nada.

Como Letícia já o apressava, ele deixou o saguão às pressas e foi almoçar com ela.

A Casa Aurora era um dos restaurantes mais sofisticados de Porto Dourado e fazia parte dos negócios da família Teixeira.

Letícia pediu uma sala privativa, afastada do movimento. Escolheu alguns pratos mais sofisticados e ainda mandou preparar algo nutritivo para Daniel, como se quisesse ajudá-lo a recuperar as forças. Afinal, depois da noite anterior, ela sabia muito bem o quanto ele havia se entregado. E só de lembrar, uma satisfação silenciosa voltou a percorrer seu corpo.

Daniel, porém, quase não tinha apetite. Comeu algumas garfadas e logo largou os talheres. Em seguida, pegou o celular e encarou a mensagem enviada na noite anterior.

[Eu bebi. Não quero voltar para casa. Faz tempo que a gente não faz isso num hotel. Quero relembrar. Vem logo.]

Uma mensagem daquelas jamais teria saído dele. Ainda mais agora, depois de descobrir que Letícia o havia traído.

Ao notar Daniel distante, Letícia soltou uma risada baixa.

— Anda, toma logo. Você continua sendo incrível, mas, querendo ou não, já passou dos quarenta. Nessas coisas, é melhor ir com calma. Tem que saber dosar para durar.

Daniel não conseguiu achar graça.

Olhou para a esposa sentada à sua frente, linda a ponto de tirar o fôlego, e sentiu um amargor se espalhar devagar pelo peito.

Letícia era uma mulher deslumbrante. Mesmo depois de mais de dez anos olhando para ela, ele nunca havia se cansado daquela beleza. Se não tivesse descoberto sua traição, talvez continuasse fascinado por ela por todas as décadas que ainda viessem.

Então perguntou:

— Lê, você é tão bonita... Tem homem atrás de você lá fora?

— Claro que tem.

Letícia comia devagar, com uma elegância natural, saboreando cada garfada sem pressa.

Daniel sentiu o peito apertar de um jeito quase insuportável.

— E você já foi para a cama com algum deles?

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