Mag-log in— Venha querida. — Allison pediu pegando na mão de Melissa e subindo as escadas de volta com ela para o quarto.
Baixei a cabeça e me deitei no chão, onde comecei a chorar sem parar. Que tipo de pessoa eu me transformei? Antes eu era um pai de família, casado, feliz. Me dava bem com minha família e agora virei um bêbado nojento que desrespeita tudo e a todos, um verdadeiro lixo humano.
— Venha filho. Você precisa de um banho. — Christopher se agachou e estendeu a mão em direção a mim.
— Vai ficar tudo bem, filho. — ouvi Ellie dizer entre soluços. Minha mãe está chorando e por minha culpa. Peguei na mão do meu pai que me ajudou a levantar. Depois, me apoiei nele que subiu as escadas comigo e me levou até o quarto. Entramos lá e ele fechou a porta.
— Consegue tomar banho sozinho? — ele me perguntou e me senti humilhado pelo jeito que estou.
— Sim. — respondi cabisbaixo, ouvindo os passos dele saindo do quarto e encostando a porta. Tirei toda a minha roupa e fui tomar um banho.
Fiquei um bom tempo no chuveiro e em seguida, me sequei e me vesti colocando uma bermuda, uma camiseta azul e me deitei na cama, onde adormeci. Algum tempo depois, ouvi batidas na porta do meu quarto. Minha ressaca está tão forte que só as batidas na porta já fazem minha cabeça estourar de dor.
— Entra. — falei e a porta se abriu. Era Ellie que entrou no quarto com uma xicará de café nas mãos.
— Toma isso, filho. Vai te fazer bem. — ela me entregou a xícara e me ajeitei na cama.
— Obrigado. — respondi tomando um gole daquele amargo café. Ela se sentou na beira da cama e me olhou.
— Seu pai está muito abalado com o que aconteceu. Tenho certeza de que ele não queria ter feito aquilo. — Ela suspira.
— Eu mereci. — falei tomando mais um pouco de café. — Ele fez o que era certo. — admiti ainda envergonhado. — Daqui a pouco irei pedir desculpas para ele. — falei e ela sorriu lindamente para mim, se levantou e beijou a minha testa.
— Descanse, meu amor. — disse carinhosa e saiu do quarto. Dei um sorriso de canto de boca e assim que terminei meu café, fui até o escritório onde meu pai está. Bati na porta e entrei. Ele me olhou, mas nada disse.
— Não iríamos ter uma reunião com os empresários de Seattle?
— Sim e tivemos. — ele larga os papéis que estava lendo e me olhou, enquanto me sentei. — Aaron foi no seu lugar.
Aaron trabalha na empresa da família e é meu melhor amigo. Crescemos juntos e por isso, tenho um carinho enorme por ele.
— Christopher, eu... — engoli em seco. — Me desculpa, de verdade. Estou muito arrependido pelo modo como tratei você mais cedo.
— Eu também não queria ter te dado aquele soco e...
— Não. — o interrompi. — Eu mereci aquele soco porque fui um imbecil. Foi você quem me criou e me ensinou tudo o que sei e por mais que não pareça nos últimos tempos, sou muito grato por isso. — falei e o vi sorrir.
— Já falou com a Mel? Ela ficou muito assustada com a nossa briga. Allison disse que ela teve uma crise. Foi bem difícil acalma-la.
— Ainda não tive coragem de falar com ela. Estou muito envergonhado do que fiz e estou procurando coragem para ir até ela me desculpar.
— Está bem, filho. Olha, deixa para ir a empresa amanhã. Vá descansar, você precisa dormir mais. A noite mando te acordarem para o jantar. — sugeriu e me levantei.
— Está bem, Christopher. Até mais tarde. — concordei saindo do escritório e indo até o quarto onde apaguei completamente.
(...)
— Por quê está com essa carinha, Allison? — Ellie perguntou, olhando para minha irmã que estava sentada ao meu lado. Allison é minha única parente de sangue e eu a amo muito. Ela é estudante de psicologia e é uma ótima pessoa. Sempre fomos muito próximos. Estávamos na mesa de jantar e minha irmã mal tinha tocado na comida e estava calada. Justo ela que é uma matraca? Isso é no mínimo, estranho.
— Estou triste por uma amiga, mãe. Ela se meteu em um monte de roubadas e agora está aqui na cidade. Ela disse que queria fazer algo para passar o tempo, mas nem emprego tem, coitada.
— Filha, por acaso sua amiga tem experiência com crianças especiais? — minha mãe perguntou e olhou para mim. Já sei onde ela quer chegar.
— A Bella leva bastante jeito com crianças pelo que sei. Até ajudou a criar os primos dela. — respondeu animada e começou a comer. — E um dos primos dela tinha sindrome de Down, então com certeza ela sabe lidar com crianças especiais.
Então Bella é o nome dessa garota. Derivado de Isabella, claro. Será que esse apelido faz juz à ela? Será que é tão bela assim?
— Então está resolvido. Sua amiga já tem um emprego. Ela será preceptora da Melissa. Provisóriamente, pelo menos até eu encontrar um profissional gabaritado para isso. — Ellie afirmou sorrindo.
— Esperem. — falei e todos olharam para mim. Eu andava tão calado nos últimos tempos que quando eu abria a boca, todos ficavam surpresos. — Vocês nem conhecem essa garota direito e já querem coloca-la para trabalhar aqui? — perguntei chocado. — É da minha filha que vocês estão falando. Eu acho que tenho direito de opinar, pelo menos. — ironizei tomando um gole de suco.
— Isso maninho, reage! — Allison exclamou. — Mostra que ainda tem algum sangue correndo pelas suas veias. — revirei os olhos. — A Bella é minha melhor amiga virtual. E quando viajei para a Califórnia anos atrás, a conheci pessoalmente. Garanto que ela é de confiança. — afirmou. — Aliás, ela é filha do chefe de polícia dessa cidade. Jamais colocaria a segurança da minha sobrinha em risco. Assim você até me ofende, Nick.
— Desculpe. — voltei a me calar.
— Você devia usar essa desconfiança para investigar aquele acidente da Sophie, isso sim. — ela jogou a indireta e eu não rebati. Sei que ela pode até estar certa.
— Então está resolvido. A tal de Bella virá trabalhar aqui. Provisóriamente, mas irá. — Christopher deu a última palavra e todos, menos eu, brindaram satisfeitos. Depois do jantar, passei no quarto da Mel que já estava adormecida, dei um beijo em sua testa e fui para meu quarto dormir.
(...)
Já havia amanhecido. Me levantei, fiz minhas higienes e tomei banho. Em seguida, vesti uma camisa social branca, uma calça social preta e um terno preto. Aparei minha barba e ajeitei meu cabelo. Em seguida, peguei minha maleta e saí do quarto. Acho que todos estão dormindo ou estão no jardim, pois a casa eatá muito quieta. Suspirei e desci as escadas até a sala de estar. Eu sei que devia tomar um café antes de ir, mas estou sem fome.
Ao invés disso, resolvi acender um cigarro. Peguei o maço de cigarros, meu isqueiro e o acendi. Em seguida, dei a primeira tragada. Foi quando ouvi batidas na porta. Olhei para o lado e como nenhuma empregada apareceu, eu mesmo vou abrir a porta. Foi então que me deparei com uma garota. E não é que é a mesma com a qual falei ontem de madrugada? A garota de programa. A menina arrogante, que me respondeu ao pé da letra e tentou até me dar lição de moral.
— Aqui é a casa da Allison Preston? — ela pergunta sem olhar para mim, enquanto tirei o cigarro da boca. Mas quando ela me olhou, arregalou os olhos quase tão surpresa quanto eu.
P.O.V NicholasAté que beijar a Bella não foi tão ruim assim por dois motivos. O primeiro é que Victória ficou revoltada graças a isso e foi embora, me deixando um pouco em paz. E segundo porque definitivamente, o beijo de Isabella é muito gostoso. Ela beija bem demais. Mas depois que Victória saiu e Bella veio tirar satisfações comigo, fiz pouco caso dela dizendo que não fazia meu tipo, então ela me xingou e foi embora. Falei aquilo somente porque queria irritá-la. Sim, eu fui um imbecil. Não adianta, gosto de vê-la assim, nervosinha, isso me diverte. É mais forte do que eu. Ok, talvez tenha pego um pouco pesado, pois fui bastante indelicado com ela, mas amanhã mesmo peço desculpas. O importante é que não cai em tentação e estou mais um dia sem colocar uma gota de alcool na boca e isso para mim é uma grande vitória, com o perdão do trocadilho. Fui tomar banho e em seguida, jantei em família. O clima estava tão bom que resolvi não contar para eles o ocorrido com Vic. Não queria pre
P.O.V BellaQuando conheci Rebecca, senti um certo incômodo pois pensei que ela tivesse um caso com o Nicholas mas depois que ele esclareceu as coisas, confesso que simpatizei bastante com ela. Além de linda, parece muito competente. Tenho certeza absoluta que ela vai conseguir descobrir a verdade sobre quem provocou o acidente que matou a mulher do Nicholas, pois nada me tira da cabeça que tem coisa aí. Depois que ela foi embora, o senhor Preston veio com um papo estranho, até me pedindo um abraço. No ínicio recusei, mas ele pareceu sincero, sem segundas intenções e por isso, aceitei. Quando ele encostou em mim, senti uma coisa tão estranha. Naqueles braços, tive uma sensação de proteção tão grande, como se nada de ruim fosse me acontecer. Eu poderia ficar ali para sempre que certamente não iria enjoar. Quando recobrei meu juízo, me afastei e fui cuidar da Melissa. Achei fofo quando ele deu um beijo na testa da filha, antes de ir trabalhar. Dá para ver que ele está se esforçando pa
P.O.V VictoriaSempre tive tudo que o que quis. Confesso que fui muito mimada, tanto pela minha mãe quanto meu pai e isso fez com que me acostumasse a ter tudo de mão beijada, na hora que eu quero. Alguns hipócritas chamam isso de egoísmo ou arrogância, mas não estou nem aí para a opinião dos outros, se me importasse não teria chegado onde cheguei. Tive uma infância e adolescência feliz com viagens, visitas a lugares chiques e muito luxo, exatamente do jeito que gosto. Assim que entrei na faculdade me apaixonei pelo cara mais lindo e popular de lá, Nicholas Preston. Me sentia em um conto de fadas e ele era meu príncipe encantado. Carinhoso, gostoso e beijava demasiadamente bem. Tem coisa melhor do que isso? Mas tudo mudou no dia que aquela desgraçada apareceu. Sophie... Este era o nome dela. A vagabunda seduziu e roubou Nick de mim, fazendo com que depois de meses maravilhosos de namoro ele simplesmente me desse um pé na bunda, tendo a cara de pau de dizer olhando na minha cara que e
(...)Dia seguinte...Acordei eufórico. Mais uma vez, não tive nenhum pesadelos, sinal de que o tratamento está fazendo efeito e isso é ótimo. Me levantei, fui ao banheiro, tomei banho e fiz minhas higienes. Me vesti socialmente já que hoje irei para a empresa e saí do quarto. Quando estava descendo as escadas, meu celular vibrou. Era uma mensagem de Aaron."Nick, a Rebecca vai tocar a campainha agora. Estou a caminho da empresa, nos falamos depois. Abraços!"Respirei fundo, coloquei o celular de novo no bolso e a campainha tocou. Terminei de descer as escadas e fui até a porta e a abri, me deparando com uma mulher loira e bastante bonita. — Você deve ser o Nicholas, certo? — perguntou olhando fixamente para mim. — Exatamente, muito prazer Rebecca. — estendi a mão para ela.— O prazer é todo meu, senhor. — apertou minha mão. — Me chame apenas de Nicholas, você é a namorada do Aaron e ele é meu melhor amigo. — disse simpático, enquanto ela entrou na casa. Em seguida, fechei a porta.
P.O.V NicholasDemnis foi até minha casa em uma ensolarada manhã de domingo. Deu pra perceber que parecia tenso e ansioso. O loiro me perguntou se podíamos conversar no meu escritório e pela expressão dele, percebi que era algo importante. — Claro, me acompanhe. — concordei enquanto andava até o escritório seguido por ele. Abri a porta, ele entrou e então a fechei. — Pronto, pode falar. — fui até a poltrona e me sentei. — Er... Nicholas, queria conversar um pouco sobre sua esposa. — sentou-se na minha frente. — A Sophie? Você a conheceu? — perguntei arqueando uma sobrancelha. — Não exatamente. — respondeu coçando a cabeça. — Mas Allison me falou sobre ela e fiquei um pouco curioso. Como foi o falecimento dela? — ele parecia até estar me sondando. Mas por quê faria isto? — Foi em um acidente de carro, há alguns anos. — respondi. — Você deve ter sofrido muito né? — lançou um olhar de compaixão para mim. — Sim, demais. Foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. — senti meus olh
— Senhor Preston, nisso eu concordo com ele. Você não teve culpa do que aconteceu. — Bella, posso te pedir um favor?— Claro! — Não me chame mais de senhor Preston, me sinto um velho cada vez que me assim. Me chame apenas de Nicholas. — Desculpe. — Sorri — É que as vezes esqueço que o senhor ainda é bem jovem. — Tudo bem. Continuando, ele disse que eu deveria investigar as causas do acidente, que acha que há algo a mais por trás disso tudo. — Mas por quê ele disse isso? Por acaso ele sabe algo que não sabemos? — Não sei. — Murmurou confuso — Eu perguntei porque ele estava me dizendo aquelas coisas e ele ficou caladão. Depois disse que era só a impressão que teve ao ouvir minha história e foi embora. Mas fiquei com a impressão de que ele queria dizer alguma coisa a mais para mim mas não conseguiu, por falta de coragem ou algo assim. — Isso está muito estranho, Nicholas. — Arqueei uma sobrancelha. — Isabella, estou desabafando isso porque gostaria de saber sua opinião. Apesar de







