LOGINABNER MIGUEL
A convivência com os meus pais mudou muito, realmente quando tornam-se avôs as pessoas mudam.
Eu aproveitava cada momento com a minha pequena.
Trocava fraldas, alimentava, acordava a noite.
Apenas durante o dia que eu ficava longe dela, mesmo assim, vinha mais cedo agora para casa, pois tinha um motivo especial para isso, a minha princesa Mabel.
Escolhi esse nome por achar um clássico com um charme único, e o significado tem tudo a ver com ela, "amável e carinhosa".
Na empresa, sempre ganhando dinheiro para a família, ampliando os investimentos, o que deixava todos muito felizes.
Família, essa era muito estranha, mas ia a levar.
Sabia que toda a atenção que me davam era por não ter mais ninguém para cuidar dos negócios, e colocar alguém estranho, poderia ser arriscado.
Os meus tios nem a faculdade terminaram, viviam para gastar o dinheiro, os lucros do meu trabalho, as esposas deles, fingiam que não viam as amantes. Os meus primos fizeram faculdade obrigados por Dora, que também arrumou casamentos vantajosos para eles. Tudo por dinheiro, essa mulher a ganância em forma de pessoa.
Falei para o meu pai sobre o meu outro negócio, ele ficou feliz, disse que estava certo, pois no dia que essa família viesse com algo indesejado, poderia seguir a minha vida.
Como pai solo, descobri que não teria mais vida social, pois nunca que deixaria a minha filha com os meus pais, para ir para as baladas, atrás de mulheres que queriam apenas o meu dinheiro.
A minha princesa crescia, cada dia mais esperta, carinhosa, atenta a tudo a sua volta.
Com nove meses ela começou a andar, foi uma loucura, pois era inevitável, os tombos, os machucados.
Era eu quem ia em cada consulta, entrevistava as babas, porque no plural, porque algumas mesmo tendo referencias, experiencia, queriam era fisgar o pai, não cuidar da filha.
A primeira, foi quando Mabel tinha dois meses, seria sua primeira baba, a mulher era séria, um ótimo currículo, roupas discretas, bonita, sim, mas aqui queria ela como baba da minha filha, não como amante. Ela não pensou assim, pois com uma semana, encontrei ela na minha cama, semi nua, expulsei no mesmo momento.
As outras, bem, cada uma, mais maluca que a outra, teve a que deu droga para a minha mãe e Mabel, fazendo elas dormirem o dia todo, trazendo um grupo de amigos para uma festa na piscina.
Essa foi parar na polícia, abusada.
Outra que foi parar na polícia foi a que roubou joias de mamãe.
Já estava desanimado, quando mamãe falou de uma ex-funcionária de casa, que foi minha baba, a mulher nunca teve filhos, e agora estava viúva, sem lugar para ir.
Foi um acordo bom para ambos, ela sim tratava bem a minha filha, e os meus pais.
Tia Jake, tinha os seus mais de quarenta anos, mas cuidava bem de todo o serviço.
Claro que eu como pai presente, ficava com a minha filha a noite, e todo o fim de semana.
Na minha vida existia apenas Mabel e os meus pais.
Quando Mabel tinha um pouco mais e um ano, os meus pais resolveram fazer uma viagem, motivei eles.
Seria como uma lua de mel, achei lindo aquilo.
Porém, o pior aconteceu.
Eles foram com um grupo de pessoas da terceira viagem, era um tipo de excursão chique.
No terceiro dia dessa viagem, recebi a notícia que tirou o meu chão.
O ónibus que eles viajavam, foi assaltado, os bandidos, levaram joias, celulares, cartões, e por fim ainda tiraram nos passageiros, os meus pais foram atingidos.
Morte no local, falaram para mim, não conseguiram nem esperar o resgate.
Foi um momento triste, a minha vida passava como um borrão.
A dor da perda, o sofrimento era como uma faca entrando no meu peito.
Toda a parte do funeral quem organizou foi o meu assistente e tia Jake.
Foi a primeira vez que o meu avô abraçou-me na vida, ali ele chorava de verdade.
No final do sepultamento, ele olhou para mim, novamente frio como sempre.
— Você esta fazendo certo, como pai de Mabel, sendo presente. Hoje, o meu choro, não pode ser colocado como saudade. O meu choro e de remorso. Por nunca ser o pai que o seu pai precisou, sempre o deixei de lado, apenas o dinheiro vale na minha vida, mas agora não tenho mais tempo para retroceder, fui um péssimo pai para ele. Vi nele apenas um homem de negócios, que fez a minha empresa crescer.
Ele bateu nas minhas costas e saiu.
Papai tinha muita magoa de seu pai, pois nunca foi um pai de verdade, nem marido de verdade, suas aventuras, trocando de mulheres a todo momento, deixando que essas atrapalhassem a vida da sua família. Papai disse que lembra de ter escutado uma empregada contar, como a primeira esposa sofreu por conta da amante, no caso a minha avó. A amante fazia ligações para a casa, a mandava fotos, cercava vovó no mercado, isso fez com que a sua saúde ficasse fraca, o que a levou a morte, deixando papai sem a mãe. Papai disse que ainda lembra do dia, que a segunda esposa de vovô faleceu, ele levou uma das amantes para casa, a mulher de manhã, humilhou ela, que passou m@l, vovô Miguel achou que ela fazia birra, por isso não ligou, infelizmente ela morreu e a criança que esperava também. No final a mulher que fez tudo isso não conseguiu o posto de esposa, foi Dora quem ganhou nessa guerra, mesmo continuando com as traições, vovô começou a ser mais discreto, com toda a certeza Dora tinha algo contra ele.
Em casa, foi ainda pior, após o velório, quando cheguei, peguei a minha pequena no colo, ela já falava as primeiras palavras.
Olhou para porta, balançou a cabecinha.
-Vovó, que vovó!
As minhas lágrimas desciam, abracei a minha pequena, não sabia o que lhe dizer, o que me dizer.
Fiquei em casa por um mês, trabalhava remotamente, então resolvi colocar Mabel meio período na escolinha, assim ela teria mais contato e socialização com a outras pessoas.
Foi um ano difícil, mas consegui seguir como pai solo, como alguém sozinho.
Não, não posso dizer que estou sozinho, tenho a melhor companhia, ela que corre ao meu encontro quando chego em casa, ela que com um sorriso tira todo o meu cansaço.
Mabel, e a minha vida.
Dalila foi um erro, sim, mas ser pai de Mabel, faz todo aquele sacrifício valer a pena.
Pai solo, continuo, não penso em colocar alguém nas nossas vidas, não agora.
Claro que esses não eram os pensamentos da minha família.
ABNERNo meu primeiro casamento, foi apenas no civil, nada de festa, nada de nada, pois os meus pais eram contra.Sei que se estivessem aqui, seriam totalmente a favor do meu casamento com Ingrid,Lembro do que eles falavam para a futura nora. Mamãe dizia: "Ela, precisa, ser apaixonada por carros, e corridas também, alguém tem de levar essa paixão adiante na família, vai ser uma lutadora, sem deixar de ser feminina, delicada, porém, mandona, do tipo que irá colocar-te na linha, não vai ficar fazendo a donzela em perigo o tempo todo, mas vai deixar você achar que é o herói dela." Essa conversa ouvi durante toda a minha juventude, respondia que seria impossível encontrar alguém assim, ainda mais com as exigências do papai também. O que ele colocava para a nora perfeita: "Vai ser uma mulher firme, vai mostrar-lhe quem manda, será melhor que você nos negócios, quando você ver ela a primeira vez, vai perder o fôlego, não apenas por conta da beleza, mas a presença dela vai prender você."Qu
INGRIDO casamento foi adiado, por um mês. Precisva desse tempo.Vovó Dora, conseguiu uma boa recuperação, ela e o vovô Miguel compraram uma chocara próximo da cidade, querem ficar por aqui, disseram que não tem mais nada para ficar na capital, ele tem falado muito sobre ter dado valor ao que não importava, perdeu o seu tempo, juventude, por pura ganância, magoando quem lhe amou de verdade.Dora, decidiu começar terapia, apenas agora admite que sempre precisou de ajuda, a sua vida não foi fácil, ela fez muitas escolhas erradas, prejudicando a si e os que mais amou, dando amor aqueles que não souberam valorizar, e desprezando quem sempre a perdoo, e esperou por toda a vida por um pouco de carinho.Agora ela quer viver mais leve, sem medo de voltar a passar fome, com medo de perder quem ama, e assim não amar verdadeiramente, quem está a sua volta, por isso agora quer ter mais dedicação ao marido, e os que estão ao seu lado.Os filhos deles, bem, esse realmente decepcionaram os pais, não
ABNERO sequestro de Ingrid desenrolou-se em algo muito maior, provas de crimes antigos, ligações perigosas, exame de DNA, e uma insegurança sobre o futuro.Quando Ingrid foi levada para dentro daquele banco, por um momento fiquei desesperado, como assim, não posso estar do lado dela, sim, cheguei nesse ponto.O golpe maior desse sequestro foi a distância de Ingrid, ficar longe dela, foi uma dor sem explicação, ela é a minha vida, ao lado de Mabel, a pessoa-chave para mim, não vivo mais sem essa mulher.— Dizer para ter calma, vai ser inútil nesse momento, vi o que você sofreu longe dela, mas, Abner, ela está segura, fazendo o certo, justiça. Ingrid é forte, você tem uma esposa forte, acredite nela. — Bruno, o meu irmão, que a vida apresentou no meu momento de fuga.— Sim, ela está fazendo o certo, justiça. Mas, não quero que faça isso sozinha, quero estar ao seu lado o tempo todo. Amo Ingrid, não quero ver ela sofrer.Ficamos por mais de uma hora, percebemos a movimentação da polícia
INGRIDA carta tinha informações sérias, as orientações do vovô Dantes, errão claras, ele, na verdade, passou informações que recebeu de uma carta que os pais haviam deixado, a última parte da carta falava para verificar a caixa de joias, para ver que realmente o assunto era real.— Nesse momento precisamos de passar as informações para os que estão lá fora, chamem a federal, para levar tudo para um local seguro, não por conta das joias, que precisaram de ser analisadas, mas por conta do outro conteúdo, que são provas de crimes, que aconteceram a mais de sessenta anos, que estão ligados a pessoas poderosas, que farão de tudo para que isso desapareça. -Falei para os advogados.Eles concordaram, e começaram a fazer ligações.Saímos e já tinha uma escolta grande esperando, não falei nada, Abner e Bruno apenas olhavam.Fomos levados para um galpão protegido.— Senhora Ingrid, sou o delegado federal Ramão, a senhora fez uma denúncia, diz ter informações importantes, o que seria?— Bem, acr
INGRIDEstou cansada, mas, sei que preciso de seguir para logo acabar com todo esse sofrimento e voltar para casa.No caminho para o banco, coloquei a minha cabeça no ombro de Abner, que foi fazendo um carinho bom, daqueles que precisamos nos momentos de fragilidade.Esse homem chegou no momento certo.As nossas vidas já estavam ligadas, seja por vovó Dora, ou Dalila, que já tinha planos há mais de dois anos de vir atrás de mim.Por sorte ela chegou quando tinha ele ao meu lado, para cuidar de mim.Num momento que fiquei sozinha com Bruno, que é um irmão para mim, ele falou algo que me deixou feliz: "Ele ama-te, Ingrid, esse homem ficou louco quando descobrir o seu sumiço, ficamos preocupados, pois ele se transformou em outra pessoa, chorava o tempo todo, usou toda a sua influência para te encontrar, eu estou tranquilo, pois sei que você encontrou um verdadeiro amor, num homem que te vai proteger a vida toda dele."Naquela fala de Bruno, estava resumido tudo que Abner tem sido na minh
ABNERNão conseguia acreditar nas palavras de Dalila, ela ainda pensava conseguir se passar por vítima?— Boa sorte com a sua defesa senhorita Dalila! — Era a voz de Bruno, no seu tom advogado. — As acusações contra você vai bem além do sequestro de Ingrid, ou a tentativa de homicídio de Márcio e Dora. Essa parte talvez seja até esquecida, quando as autoridades internacionais colocarem as mãos em você. Pode ficar tranquila, não irei deixar eles esquecerem de nada, vai ser cobrado de você cada um dos seus atos, provas que não faltam.Os olhos dela, por alguns segundos pareciam vacilar, mas logo voltou a seu estado normal de arrogância.— Vocês acham que sou burr@, deixando provas pelo caminho, não tem nada contra mim, nada.Os policiais levaram ela, não deixando que continuassem a conversa.Acompanhei Ingrid até o hospital, onde fez exames, tomou soro.Mas, não queria dormir, antes de fazer o seu depoimento.Assim, passamos a madrugada toda numa sede da polícia federal, ali naquela cid







