LOGINABNER MIGUEL
Continuei a minha vida após a morte dos meus pais, muito sofrimento, pouco apoio, a família aparecia apenas para saber dos lucros.
Esses iam muito bem.
Sou bom no meu trabalho, as faculdades ajudaram muito, mas trabalhar ao lado do meu pai, foi fundamental, a experiência dele, mostrando como um verdadeiro líder deve ser.
Quando Mabel fez três anos, fui chamado para um jantar na casa do meu avô Miguel, sabia que vinha alguma novidade, nada boa para o meu lado.
Não levei Mabel, evitava levar a minha filha naquela casa, as pessoas ali, olhavam ela estranho, nunca gostei.
O jantar correu tranquilo, comida sem graça, conversas vazias.
Nesse dia, estava os meus tios, e filhos.
Após o jantar vovô chamou-me até o escritório, sabia que o assunto era negócios, porque não foram até a empresa, teriam poupado o meu tempo, estaria agora vendo desenho com Mabel.
-Miguel, meu neto, serei direto. Alguns sócios e investidores vieram lembrar-me que você está perto dos trinta anos, com isso precisa apresentar responsabilidades.
— Apresentar responsabilidades. Um balancete mensal, transparência nas contas da empresa, crescimento constante, a cima do mercado, nem um escândalo com o meu nome, nem um processo. Isso não é responsabilidade suficiente.
— Não, um CEO, com trinta anos solteiro, pior, pai solteiro, não passa credibilidade.
-Isso é um absurdo!
— Concordo, mas são as regras do mercado, logo perderemos parcerias, por um detalhe com o de não termos um CEO, pai de família, casado.
— Então alguém aqui vai assumir a empresa, por isso essa reunião aqui.
— De forma alguma Miguel. — A voz enjoada da madrasta do meu pai, sempre me tirava a paz. — Estamos pensando não apenas na empresa, mas na sua filha também. Ela é a única menina dessa geração, vai precisar de um apoio, para assumir o seu papel um dia. Por isso precisa da presença feminina. Apenas seja aberto as sugestões. Conhecemos um a moça, filha de um dos sócios, seria mais um casamento... como posso dizer...
— Arranjado, falso, um casamento por conveniência.
— Não pense assim o meu neto, a moça é muito bonita, já conversamos com ela. E amiga da esposa do seu primo. Ela tem uma admiração por você, que mulher não tem, mas o afeto vocês irão construir aos poucos. Sei que você saberá levar a moça para cama.
Aquela conversa deu-me enjoo, não quis continuar.
No outro dia, falei com o meu assistente, que pesquisou, e realmente no regimento da empresa tinha esse detalhe.
Parecia até que apenas eu não sabia disso.
Naquele mês fui convidado para jantares nas casas de sócios, com filhas, irmãs, tias, sobrinhas solteiras.
Alguns foram até muito diretos, outros chegaram a oferecer a moça por uma noite, poderia "experimentar sem compromisso", se gostasse ficaria com o produto, algumas das moças, apreciam animadas com a possibilidade de serem minha esposa, outras estavam assustadas, pois a família a usavam como moeda de troca.
Sem muita saída, conheci Zilá. Uma mulher bonita, vocabulário vasto, elegante, madura, com os seus trinta e cinco anos, sabia o que queria.
Ela quis conhecer Mabel, o que me agradou.
Começamos a frequentar jantares juntos, sair uma vez por mês em encontros com Mabel, onde ela tirava muitas fotos e postava nas redes sociais, não gostava muito disso, mas fui a levar.
Não sentia nem uma atração por aquela mulher, que sorria forçado, falava pausado, como pensando em cada palavra, parecia um robô.
Em público, segurávamos mão um do outro, mas sozinho, bem, pensando nisso nunca ficamos realmente sozinhos, conversamos apenas sobre coisas vazias.
Levei isso por quatro meses, todos já sabiam sobre o nosso casamento, mesmo eu nunca tendo falado sobre isso com ela, nunca trocamos um carinho, beijo, s****, nem imaginava isso.
Nem como amiga via Zilá, ela era uma mulher artificial, o seu sorriso, não sei se por conta das plásticas, ou da personalidade dela, parecia congelado, sempre da mesma forma, nunca a via dar uma gargalhada. Sempre fina, delicada em cada detalhe, mas via como tratava os funcionários.
Numa ocasião, não gostei da atitude dela, estávamos num aniversário de criança, acompanhando Mabel, que foi brincar e voltou com as mãos sujar de tinta, veio correndo, acabou a cair e tocando no sapato de Zilá, foi a primeira vez que vi aquela mulher mudar o tom de voz, ela gritou com a milha filha, que já chorava por ferir o joelho. Acabamos a discutir e fui embora com Mabel, sem nem olhar para ela, já pensava se ter ela como madrasta de minha filha seria uma boa ideia.
Então veio o grande dia, o aniversário do meu avô.
Isso traz ao ponto onde estou, parado olhando a madrugada chegar.
Por sorte não havia levado Mabel, foi muita humilhação.
Eles lembraram-me que sou apenas o empregado de todos, sou usado, aquilo doeu muito.
Querendo ou não, eles são a única família que Mabel e eu temos ainda.
Dora fez questão de deixar claro, que quem valia naquela família era os filhos e netos dela.
Mesmo que ela seja apenas a amante de número quatro.
O dinheiro do meu avô, veio com o casamento com a minha avó, eles não deveriam ter direito a nada ali, mesmo assim, são os que aproveitam dos lucros.
Antes de abrir a porta do quarto, escutei Zilá: "Não vejo a hora de casar com o seu priminho e mandar aquela bastarda para um internato na Europa quero aquela menina longe, que volte apenas para trabalhar com ele na empresa, ele vai aprender a ser um empregadinho ainda melhor, você pode ter certeza." Ela fala isso enquanto gemia e pedia mais forte. Abrir aquela porta e ver a cena pornográfica ali, deu nojo, e também alivio, em saber que nunca toquei nela.
Mas, parece que para a família de Dora, o errado era eu ali. Que deveria aceitar a traidora, continuar a tralhar, enquanto a minha querida esposa tr@s@va com o meu primo, escondido da esposa dele.
Agora o que fazer, continuar a ser o usado, o empregado deles.
Preciso dar um rumo na minha vida.
Sinto-me usado por todos, não acredito mais em ninguém, todos olham para mim, vendo apenas o dinheiro, ninguém mais quer saber dos valores humanos, dos sentimentos dos outros.
Vou mudar algumas coisas, preciso mudar.
ABNERNo meu primeiro casamento, foi apenas no civil, nada de festa, nada de nada, pois os meus pais eram contra.Sei que se estivessem aqui, seriam totalmente a favor do meu casamento com Ingrid,Lembro do que eles falavam para a futura nora. Mamãe dizia: "Ela, precisa, ser apaixonada por carros, e corridas também, alguém tem de levar essa paixão adiante na família, vai ser uma lutadora, sem deixar de ser feminina, delicada, porém, mandona, do tipo que irá colocar-te na linha, não vai ficar fazendo a donzela em perigo o tempo todo, mas vai deixar você achar que é o herói dela." Essa conversa ouvi durante toda a minha juventude, respondia que seria impossível encontrar alguém assim, ainda mais com as exigências do papai também. O que ele colocava para a nora perfeita: "Vai ser uma mulher firme, vai mostrar-lhe quem manda, será melhor que você nos negócios, quando você ver ela a primeira vez, vai perder o fôlego, não apenas por conta da beleza, mas a presença dela vai prender você."Qu
INGRIDO casamento foi adiado, por um mês. Precisva desse tempo.Vovó Dora, conseguiu uma boa recuperação, ela e o vovô Miguel compraram uma chocara próximo da cidade, querem ficar por aqui, disseram que não tem mais nada para ficar na capital, ele tem falado muito sobre ter dado valor ao que não importava, perdeu o seu tempo, juventude, por pura ganância, magoando quem lhe amou de verdade.Dora, decidiu começar terapia, apenas agora admite que sempre precisou de ajuda, a sua vida não foi fácil, ela fez muitas escolhas erradas, prejudicando a si e os que mais amou, dando amor aqueles que não souberam valorizar, e desprezando quem sempre a perdoo, e esperou por toda a vida por um pouco de carinho.Agora ela quer viver mais leve, sem medo de voltar a passar fome, com medo de perder quem ama, e assim não amar verdadeiramente, quem está a sua volta, por isso agora quer ter mais dedicação ao marido, e os que estão ao seu lado.Os filhos deles, bem, esse realmente decepcionaram os pais, não
ABNERO sequestro de Ingrid desenrolou-se em algo muito maior, provas de crimes antigos, ligações perigosas, exame de DNA, e uma insegurança sobre o futuro.Quando Ingrid foi levada para dentro daquele banco, por um momento fiquei desesperado, como assim, não posso estar do lado dela, sim, cheguei nesse ponto.O golpe maior desse sequestro foi a distância de Ingrid, ficar longe dela, foi uma dor sem explicação, ela é a minha vida, ao lado de Mabel, a pessoa-chave para mim, não vivo mais sem essa mulher.— Dizer para ter calma, vai ser inútil nesse momento, vi o que você sofreu longe dela, mas, Abner, ela está segura, fazendo o certo, justiça. Ingrid é forte, você tem uma esposa forte, acredite nela. — Bruno, o meu irmão, que a vida apresentou no meu momento de fuga.— Sim, ela está fazendo o certo, justiça. Mas, não quero que faça isso sozinha, quero estar ao seu lado o tempo todo. Amo Ingrid, não quero ver ela sofrer.Ficamos por mais de uma hora, percebemos a movimentação da polícia
INGRIDA carta tinha informações sérias, as orientações do vovô Dantes, errão claras, ele, na verdade, passou informações que recebeu de uma carta que os pais haviam deixado, a última parte da carta falava para verificar a caixa de joias, para ver que realmente o assunto era real.— Nesse momento precisamos de passar as informações para os que estão lá fora, chamem a federal, para levar tudo para um local seguro, não por conta das joias, que precisaram de ser analisadas, mas por conta do outro conteúdo, que são provas de crimes, que aconteceram a mais de sessenta anos, que estão ligados a pessoas poderosas, que farão de tudo para que isso desapareça. -Falei para os advogados.Eles concordaram, e começaram a fazer ligações.Saímos e já tinha uma escolta grande esperando, não falei nada, Abner e Bruno apenas olhavam.Fomos levados para um galpão protegido.— Senhora Ingrid, sou o delegado federal Ramão, a senhora fez uma denúncia, diz ter informações importantes, o que seria?— Bem, acr
INGRIDEstou cansada, mas, sei que preciso de seguir para logo acabar com todo esse sofrimento e voltar para casa.No caminho para o banco, coloquei a minha cabeça no ombro de Abner, que foi fazendo um carinho bom, daqueles que precisamos nos momentos de fragilidade.Esse homem chegou no momento certo.As nossas vidas já estavam ligadas, seja por vovó Dora, ou Dalila, que já tinha planos há mais de dois anos de vir atrás de mim.Por sorte ela chegou quando tinha ele ao meu lado, para cuidar de mim.Num momento que fiquei sozinha com Bruno, que é um irmão para mim, ele falou algo que me deixou feliz: "Ele ama-te, Ingrid, esse homem ficou louco quando descobrir o seu sumiço, ficamos preocupados, pois ele se transformou em outra pessoa, chorava o tempo todo, usou toda a sua influência para te encontrar, eu estou tranquilo, pois sei que você encontrou um verdadeiro amor, num homem que te vai proteger a vida toda dele."Naquela fala de Bruno, estava resumido tudo que Abner tem sido na minh
ABNERNão conseguia acreditar nas palavras de Dalila, ela ainda pensava conseguir se passar por vítima?— Boa sorte com a sua defesa senhorita Dalila! — Era a voz de Bruno, no seu tom advogado. — As acusações contra você vai bem além do sequestro de Ingrid, ou a tentativa de homicídio de Márcio e Dora. Essa parte talvez seja até esquecida, quando as autoridades internacionais colocarem as mãos em você. Pode ficar tranquila, não irei deixar eles esquecerem de nada, vai ser cobrado de você cada um dos seus atos, provas que não faltam.Os olhos dela, por alguns segundos pareciam vacilar, mas logo voltou a seu estado normal de arrogância.— Vocês acham que sou burr@, deixando provas pelo caminho, não tem nada contra mim, nada.Os policiais levaram ela, não deixando que continuassem a conversa.Acompanhei Ingrid até o hospital, onde fez exames, tomou soro.Mas, não queria dormir, antes de fazer o seu depoimento.Assim, passamos a madrugada toda numa sede da polícia federal, ali naquela cid







