FAZER LOGINO único lugar naquela delegacia em que ela podia ficar à vontade era o telhado, e olhando para as estrelas daquela noite cheia de confusão em sua cabeça, ela riu, riu de si mesma e de toda aquela história. Oscar estava errado em relação ao sentimento de Tristan para consigo. Não havia amor, e ela tinha certeza.
— Delegada? - Lilian não virou para saber quem lhe chamava, simplesmente esperou que a pessoa se aproximasse o que demorou alguns minutos até se deparar com Mike ao seu lado. — Achei que estivesse passando mal quando saiu daquele jeito.
— Achou isso mesmo? Ou foi outra coisa? - Virou para ele que fez o mesmo. — Cassius deve achar que vim chorar.
— É, algo assim. Jenie disse que não iria se aproximar de Tristan porque você gosta dele, mas acho que deu tudo errado.
— Não gosto do Tristan. - Bradou devagar — Certo que ele é o pai da minha filha e tudo que quero é vê-lo atrás das grades, mas não há amor, apenas ódio, e uma fome de vingança.
— Então acho que é o contrário.
— Oscar também está errado, Mike. Não há amor entre a gente, é apenas ódio. Eu posso te confirmar isso porque naquela noite em que ele esteve nesta delegacia, Tristan deixou bem claro seus sentimentos. Os meus também ficaram no passado.
— Ele a mandou ir embora - Lilian só deu de ombros, não queria saber se realmente tinham ido para a cama. Jenie tinha que fazer seu trabalho e se isso incluía seduzir aquele homem, que fizesse.
— Quais são seus planos quando ela conseguir prendê-los?
Lilian pensou um pouco antes de responder.
— Quando a família Bennett aparecer presa, eu vou querer conversar com cada um, em especial, com Tristan. Não porque o amo, mas porque quero deixar claro quem é a garota por quem ele se apaixonou. Quero deixar claro que ele foi enganado e preso, e quem nos ajudou a fazer isso. Essa vai ser minha vingança.
— Todo mundo diz que você é uma mulher centrada e completamente profissional. - Lilian o olhou outra vez e acabou lhe oferecendo um sorriso gentil. — Quer tomar alguma coisa? Está fria à noite e você está tensa.
— Não sei se é apropriado para eu sair por aí com você, afinal, ainda é meu guarda-costas. - Se aproximou um pouco de Mike que riu de lado. — Talvez precise mesmo me distrair de algum jeito.
— Tudo bem. Vamos indo.
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Assim que fechou a porta atrás de si, um sorriso brotou nos lábios de Jenie. Olhou de um lado para o outro procurando por qualquer pessoa que pudesse lhe ajudar a estudar o local, esperou ali por alguns minutos e quando viu que não iria aparecer ninguém, seguiu sozinha mesmo caminhando sobre o tapete verde que decorava o chão do corredor juntamente com os quadros de alguns dos Bennett passados, ou simplesmente membros da família que ninguém conhecia.
Respirou fundo tentando decorar cada rosto e passando lentamente para que Mike ou Julian do outro lado pegassem tudo. Conseguiu ouvir algumas vozes e até gemidos enquanto desfilava pelo corredor e parando ao fim dele, Jenie olhou para baixo. Não podia contar quantos homens estavam armados por ali, até cogitar se esconder, mas não iria fazer isso, não precisava. Tinha que ganhar confiança daqueles homens. Se fugisse, teria certeza que a trancaria em algum lugar. Quando começou a descer as escadas procurando qualquer assistência, seus olhos enxergaram Teodoro mais a frente e teve atenção dele assim que chegou ao andar debaixo.
Alguns homens a olharam na mesma hora, até porque, uma prostituta caminhando sozinha pela casa não era normal. Não na hora em que a boate estava para ser aberta a qualquer momento.
— Você. - Teodoro veio rápido em sua direção parando a frente. — O que está fazendo aqui? - Questionou alternando seu olhar entre o andar de cima e os olhos de Jenie.
— Eu desci. Ele mandou. - Disse simplesmente cruzando os braços. — Ele fez o que tinha que fazer e me mandou ir embora. - Sorriu de canto fazendo Teodoro perguntar a si mesmo se aquilo era verdade. — Essa aglomeração é por quê?
— A boate vai abrir. - Contou mesmo que não quisesse — Suas amigas da outra boate não irão para o salão. Vão passar algumas horas em um quarto legal fazendo coisas legais. Não posso te levar junto porque você foi dada a Tristan.
— Dada a Tristan - ela repetiu com mágoa e então encarou o moreno que a olhou dos pés à cabeça. Não era de seu caráter estudar uma mulher da cabeça aos pés sem que ela deixasse isso acontecer. As pessoas desconheciam a forma que os Bennett trabalhavam, o que os levava a se tornarem traficantes de mulheres lindas prostitui-las quando na verdade davam apenas um lugar onde elas poderiam fazer isso sozinha. — Porque a ele? E se ele gosta de outra pessoa como seu pai disse que quer que eu o faça esquecer uma mulher, se ele a ama de verdade, não pode esquecê-la.
— Você tem o trabalho de seduzir meu irmão. Tem até o fim do mês, que vai ser quando te devolveremos a Calvin. Se você sair bem, poderá ficar aqui. É um trato que todas que estão no nosso quarto especial desejariam. - Jenie deu de ombros soltando o ar preso. Desviou o olhar procurando qualquer rosto conhecido, mas não iria encontrar aquilo ali. — Vou mandar alguém te levar para um quarto.
— É o mesmo que as garotas vão? - Teodoro já estava dando as costas quando escutou a última frase que o fez travar. — Não é justo que todas elas possam se divertir e eu não.
— Você não é nossa. - Avisou outra vez e Jenie negou. — Mas se isso não for te incomodar, é só me seguir. - Jenie abriu um sorriso maior e caminhou ao lado de Teodoro para longe do salão.
Caminharam por entre algumas pessoas até Jenie achar outra escada, subiram devagar os levando para um novo corredor. Jenie tentou gravar tudo e o caminho de volta também, correr ali tinha que ser fácil. Entretanto, quando chegaram a outro corredor, Jenie percebeu que não apenas as imagens ao redor mudaram como também o clima.
O caminho ficou mais escuro, além de pequenos gemidos que iam surgindo a cada passo que dava. Olhou para as costas de Teodoro e este seguia como se nada tivesse acontecendo, como se os pedidos de vozes para que tudo fosse mais rápido, ou que não parasse nunca não fosse nada. Mas era alguma coisa, cada porta daquele corredor certamente dava a um quarto que neste momento era habitado por nada mais nada menos que um casal se amando de alguma forma.
No final do corredor, Teodoro parou abrindo a porta sem ao menos bater, Jenie apenas puxou o ar para dentro sabendo que toda á policia estaria vendo a próxima cena a seguir, e certamente a cena não era para qualquer uma vez que já podia ouvir os pequenos miados de mulheres ao pé da porta. Bastou pisar dentro daquele quarto para seu corpo esquentar ainda. A melhor parte de se infiltrar num lugar como aquele, era que podia dar-se com qualquer pessoa se misturando entre todos, além de que, todas as vezes que chegava a um novo trabalho, se envolver sexualmente com uma pessoa ou duas não lhe custava nada.
Parada no meio quarto depois de escutar a porta fechar, Jenie encarou os corpos jogados sobre a cama, Valentin estava fazendo seu melhor dentro de uma das meninas que mal lembrava o nome, mas seu fogo, seu vigor daria inveja a outros homens com quem dormiu. Todo seu corpo suado indo e vindo enquanto agarrava a cintura dela lhe deixou quente. Nem mesmo Tristan havia lhe proporcionado uma tensão sexual como aquela cena.
Um gemido a mais e outro menos e a garota gritou deixando claro que tinha chegado ao seu limite e junto das outras, se deitou na cama esperando o tremor de suas pernas acabarem. Valentin desceu da cama com um sorriso no rosto e assim que virou encontrou os mais novos presentes ali. O sorriso morreu assim que viu Jenie, andando até ela se cobrindo uma toalha no caminho.
— Porque a trouxe para cá? - Questionou em frente à morena que só conseguia olhar para as garotas atrás. Procurava vestígios de tortura de abuso de qualquer coisa, mas só via excitação. Elas estavam felizes de estarem ali. — Achei que tinha ouvido algo como ela ser do Tristan.
— Tem um momento?— Sim, eu acho. Estou terminando o relatório para o James. As coisas que aconteceram lá dentro podem vir à tona. Estou me sentindo um pouco culpada. Se eu tivesse procurado saber um pouco mais sobre o Mike, ele não morreria ali, e estaria feliz com sua família.— Julian me contou que ele estava dormindo em um hotel tinha dois, ou três meses. - A delegada tornou a olhar para o homem — Ele estava falando a verdade quando disse que seu casamento já tinha acabado, mas não haviam se divorciado, ele só não contou.— Não tente defender o que aquele homem fez. Estou com ódio.— Espero que fique bem, porque o que eu tenho para dizer não vai te trazer paz, ou te ajudar - Lilian estreitou os olhos quando um documento foi empurrado em sua direção com cautela, pegou com medo e olhou para seu amigo. — Meu investigador me entregou tudo que descobriu sobre a Lizzie.— Prefiro que você conte - Jogou o papel na mesa outra vez e Cassius quis rir, mas não fez. Olhou para o documento enqu
— O meu pai vai matar você.— Toda sua família vai me matar um dia.— Menos ele… - Abaixou a cabeça dando uma pequena risada — Ele diz que não te ama, que não gosta de você, que sente ódio que quer te torturar, mas eu sei que ele sente alguma coisa por você, se não, não te protegia. E por quê? Por causa da Lizzie? - Lilian revirou os olhos fechando a pasta.— Seu irmão tem tido bons momentos com a Jenie, deve ter se esquecido de mim ah muito. Não se preocupe, o único sentimento que existe entre nós é ódio. E a Lizzie não tem nada haver com isso. - Teodoro piscou duas, três, cinco vezes analisando os policiais antes de rir.— Aquela vadia é uma espiã… - Concluiu seus pensamentos. — Aquela vadia…— É, Jenie é uma policial muito respeitada. E dormir com homens e ter suas confissões, é algo muito importante - Cassius avisou deixando o outro ainda mais zangado — Tudo que descobrimos a respeito do assalto que prendeu seu namorado, foi dado por ele mesmo, enquanto era seduzido por ela. Somos
Mas iria querer uma explicação e o silêncio dele não combinava com a fúria e milhares de perguntas que se formou na mente.— Você tem filhos por acaso? - Virou para buscar pelo homem em meio ao seu desespero de saber que havia se tornado uma amante… Contudo, se assustou ao ver Mike refém e calado sob a mira de uma pistola na cabeça. — Teodoro…— Eu aposto que você sabe até quantas vezes o Tristan vai ao banheiro… Mas não sabe que seu namorado tem uma esposa? - Quis rir.Lilian piscou algumas vezes.Não era assim que queria se encontrar com Teodoro, queria está pronta, apontando uma longa e potente arma em sua direção, ela deveria ser a caçadora, não a caça.— Teodoro - Sussurrou o nome daquele homem que se aproximou um pouco levando seu refém junto. Lilian estava estática, não havia armas na sala, ainda de calcinha e uma camisola transparente mostrando tudo a ele… que droga de emboscada era aquela? — Não precisa machucar ninguém.— “não precisa machucar ninguém” - Imitou a delegada sor
— Tristan… - O gemer do seu nome deixou o homem agitado. O olhar felino de Jenie, seus toques no braço, o abrir e fechar da boca, tão sensual. Podia imaginar perfeitamente os movimentos da noite passada, como se estivesse fazendo ali mesmo — Nos conhecemos agora e lembra que sou sua? Podemos conversar, ou não confia na garota que te deu a noite inteira, e sem ganhar nada?Ele riu… Será que…— Meu irmão foi atrás do namorado - Jenie arregalou os olhos.Mike sacou o celular.Julian levantou chamando por sua delegada.— Teodoro já saiu daqui? - Perguntou totalmente surpresa — Não pode ser, eu o vi ontem enquanto dançava, ele gosta de me ver dançando.Tristan riu.Bingo.— Estava apenas me esperando, já deve ter chegado em Seant e armado alguma coisa para matar uma pessoa.— Suponho que deve ser a pessoa que prendeu seu namorado - Tristan assentiu — Vamos para o quarto agora?Ele sorriu a vendo caminhar na frente.— Você é espetar Lilian, muito esperta. Mas eu sou mais._-_— Que droga. -
Ao rolar na cama naquela manhã Tristan sentou ali buscando ar para respirar. Olhou ao redor avistando sua arma no canto de sempre e qualquer coisa para se defender do outro lado. Jamais abaixaria sua guarda, ainda mais do que houve com o primo. O celular devia estar apagado numa hora dessas, deveria ao menos ter a consciente de se manter ativo para falar com o irmão, mas sendo sincero, nada naquela noite lhe deixou tão desorientado que dormir ao lado de Jenie.E lembrando-se dela, procurou pela garota do outro lado da cama e se surpreendeu ao não vê-la. Levantou de uma vez indo até o banheiro e quando notou que ela não estaria ali se arrumou e saiu pelos corredores cumprimentando um ou outro até chegar à sala de jantar onde a mesa do café-da-manhã ainda estava colocada.Porém, não havia ninguém. Deveria se preocupar?Não tardou a voltar e procurar por seu pai. Oscar estava junto de seus homens, planejando e conversando no centro da mesa um grande mapa com nomes de prisões que nem mesmo
— Como é? - Cassius bradou do outro lado da mesa. O sol daquele dia entrava na sala da delegada iluminando sua mesa dando cor e calor ao clima pesado e frio — Você não acha que é demais colocar sua filha na frente do Valentin? Ele vai ataca-la.— Não vai - Desviou o olhar para a janela aberta gostando da vista. — Porque eles são iguais. - Cassius cruzou os braços — Eu realmente tentei criar a minha filha longe de tudo isso, mas ontem, Cassius ela me disse coisas absurdas. Ela tem o sangue deles.— Mas foi criada por você. Deve ter algo bom na sua alma.— Talvez ela tenha puxado mais ao pai - Virou para o amigo — Ela pagou e assediou dois alunos para segurar uma porta, tocou fogo em três garotas, está fingindo namorar com uma para não ser pega, e continua planejando se vingar da outra se voltar a lhe perturbar.— Posso abrir mais a sua mente? - A delegada concordou — Quanto você paga a sua filha por mês? Digo, a mesada?— Nada mais que o Archie, a mesma coisa talvez.— Lilian, minha esp







