LOGINAo chegar à delegacia, até sorriu de canto quando recebeu “parabéns” de sua secretária e de todos que passavam ao lado enquanto chegava a sua sala. Deveria ter se arrumado mais se soubesse do aniversário. Mas tudo bem, aquela data seria como recomeço para si.
— Quem é aniversariante mais… — Cassius parou na porta quando estudou a delegada com mais atenção e foi fechando a porta enquanto segurava um bolo de chocolate com cobertura de morango. — Mais sexy que já coloquei os olhos, mas não mais que minha esposa que amo demais. — Colocou o bolo na mesa, — Se arrumou toda por causa do seu aniversário?
— Me arrumei toda porque me sinto livre — contou ao sentar na cadeira e relaxar — Parece que tirei um grande fardo dos ombros e isso me deixa feliz.
— Pedi para Naomi fazer um bolo e iria te surpreender hoje já que ontem você quase surtou depois do encontro com a Jenie, e olha, está tudo bem. Ela é uma pessoa ótima. — Lilian quis rir e encarou o bolo.
— Senhorita Stewart? — A secretária abriu a porta devagar — ah duas pessoas que vieram para a entrevista com a senhora, querem a vaga de guarda-costas, sua e da Lizzie. — Lilian levantou para dizer que não havia aberto vaga nenhuma para isso quando avistou dois homens na sala de espera.
— Ah, mas claro que sim. Pode deixar que entrem agora, por favor — pediu ao mesmo tempo em que saia de trás da sua mesa. Cassius esperou os homens entrarem para fechar a porta. — Você é Mike e você o Julian, correto? Sou Lilian Stewart, a delegada.
— Sabemos quem você é. — Mike murmurou — Jenie disse algo como, uma mulher bonita que não gosta de sorrir. Acho que ela errou alguma coisa aí. — Lilian revirou os olhos. — Precisamos de um disfarce e se todos nos virem como seus guarda-costas não vão desconfiar muito.
— O plano parece perfeito. — Cassius quem concorda. — Então, o que podem nos dizer?
Mike que falava um pouco mais trouxe seu notebook para a mesa contando a eles sobre a conversa que tiveram com Luke e dele concordando, mesmo quando ele não queria ser uma grande traíra, ia ser de qualquer forma. Cassius e Lilian apenas escutavam.
No primeiro dia, a viagem de Jenie até a cidade foi carregada de tranquilidade.
No segundo, ela estava diante dos Bennett e fora escolhida e dada para Tristan Bennett, o que deixou Lilian extremamente confusa, e os outros cheios de satisfação, a infiltração havia dado certo de alguma forma.
No terceiro dia ela viajou de novo para a cidade dos Bennett. A mansão deles era ainda maior, a boate era tão lotada e brilhante, chamava atenção para quem quisesse ver, eles não se escondiam de nada e isso irritava a polícia de todo mundo.
No quarto, quando já estavam mais à vontade, a entrevista com Valentin pareceu não ter dado muito certo visto que as garotas ao invés de se negar a qualquer coisa, simplesmente deixaram claro que queriam dormir com um Bennett.
— Por que todas as garotas querem dormir com esse homem? — Mike perguntou sorrindo e Julian, o homem que transformava as pequenas imagens da lente de Jenie em fotos, trouxe para a mesa o rosto do Bennett que não calava a boca. — Só porque é bonito?
— Luke nos disse que quando uma garota nova chega à boate, Valentin e Teodoro dormem com elas para saber o limite de cada uma. Não podem mandar elas para certos clientes sabendo que não resistiriam.
— Parece que eles cuidam das garotas. — Lilian olhou para Cassius desacreditando do que foi dito e logo teve os olhos do seu parceiro em cima de si. — Não que seja algo bom.
— Claro que não é algo bom — reclamou ela e ouviu Teodoro chegar e depois de tudo o que foi dito, Lilian ficou impressionada junto dos outros.
— Achei que fosse brincadeira quando Oscar deu nossa estrela a Tristan. — Mike murmurou e fixou os olhos em Lilian que olhava para seu notebook segurando os fones de ouvido como se fossem a última coisa que faria no mundo.
Realmente, quando Jenie disse que Lilian era uma mulher bonita, mas que nunca sorria, tinha razão. Parecia fissurada e ainda apaixonada pelo pai de sua filha. Um grande desperdício, porque ela poderia ser feliz com quem quisesse.
Jenie foi chamada à sala de Oscar, o que fez os quatro dentro da sala agarrarem aqueles fones com medo do que poderia acontecer. Oscar era esperto e muito inteligente, ele poderia ter descoberto assim que chegou à casa. No entanto, o que foi dito ali deixou todo mundo ainda mais confuso. Tanto que assim que foi ordenado que Teodoro levasse a garota ao quarto de Tristan, Lilian deixou os fones e simplesmente saiu da sala, não iria querer ouvir nada daquilo.
O único lugar naquela delegacia em que ela podia ficar à vontade era o telhado, e olhando para as estrelas daquela noite cheia de confusão em sua cabeça, ela riu, riu de si mesma e de toda aquela história. Oscar estava errado em relação ao sentimento de Tristan para consigo. Não havia amor, e ela tinha certeza.
— Delegada? — Lilian não virou para saber quem lhe chamava, simplesmente esperou que a pessoa se aproximasse o que demorou alguns minutos até se deparar com Mike ao seu lado. — Achei que estivesse passando mal quando saiu daquele jeito.
— Achou isso mesmo? Ou foi outra coisa? — Virou para ele que fez o mesmo. — Cassius deve achar que vim chorar.
— É, algo assim. Jenie disse que não iria se aproximar de Tristan porque você gosta dele, mas acho que deu tudo errado.
— Não gosto do Tristan — bradou devagar — Certo que ele é o pai da minha filha e tudo o que quero é vê-lo atrás das grades, mas não há amor, apenas ódio, e uma sede de vingança.
— Então acho que é o contrário.
— Oscar também está errado, Mike. Não há amor entre a gente, é apenas ódio. Eu posso te confirmar isso porque naquela noite em que ele esteve nesta delegacia, Tristan deixou bem claro seus sentimentos. Os meus também ficaram no passado.
— Ele a mandou ir embora — Lilian só deu de ombros, não queria saber se realmente tinham ido para a cama. Jenie tinha que fazer seu trabalho e se isso incluía seduzir aquele homem, que fizesse.
— Quais são seus planos quando ela conseguir prendê-los?
Lilian pensou um pouco antes de responder.
— Quando a família Bennett aparecer presa, eu vou querer conversar com cada um, em especial, com Tristan. Não porque o amo, mas porque quero deixar claro quem é a garota por quem ele se apaixonou. Quero deixar claro que ele foi enganado e preso, e quem nos ajudou a fazer isso. Essa vai ser minha vingança.
— Todo mundo diz que você é uma mulher centrada e completamente profissional. — Lilian o olhou outra vez e acabou lhe oferecendo um sorriso gentil. — Quer tomar alguma coisa? Está fria à noite e você está tensa.
— Não sei se é apropriado para eu sair por aí com você, afinal, ainda é meu guarda-costas. — Se aproximou um pouco de Mike que riu de lado. — Talvez precise mesmo me distrair de algum jeito.
— Tudo bem. Vamos indo.
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Assim que fechou a porta atrás de si, um sorriso brotou nos lábios de Jenie. Olhou de um lado para o outro procurando por qualquer pessoa que pudesse lhe ajudar a estudar o local, esperou ali por alguns minutos e quando viu que não iria aparecer ninguém, seguiu sozinha mesmo caminhando sobre o tapete verde que decorava o chão do corredor juntamente com os quadros de alguns dos Bennett passados, ou simplesmente membros da família que ninguém conhecia.
Respirou fundo tentando decorar cada rosto e passando lentamente para que Mike ou Julian do outro lado pegassem tudo. Conseguiu ouvir algumas vozes e até gemidos enquanto desfilava pelo corredor e parando ao fim dele, Jenie olhou para baixo. Não podia contar quantos homens estavam armados por ali, até cogitar se esconder, mas não iria fazer isso, não precisava. Tinha que ganhar confiança daqueles homens. Se fugisse, teria certeza que a trancaria em algum lugar. Quando começou a descer as escadas procurando qualquer assistência, seus olhos enxergaram Teodoro mais à frente e teve atenção dele assim que chegou ao andar debaixo.
Alguns homens a olharam na mesma hora, até porque, uma prostituta caminhando sozinha pela casa não era normal. Não na hora em que a boate estava para ser aberta a qualquer momento.
— Você. — Teodoro veio rápido em sua direção parando à frente. — O que está fazendo aqui? — questionou alternando seu olhar entre o andar de cima e os olhos de Jenie.
Silêncio.— Lilian — a mãe chamou, quase num pedido.Mas agora já era tarde.— Você encontra o Tristan escondida?— Não é assim.— Então como é?Lilian respirou fundo.— Algumas vezes nossos caminhos se cruzaram.O pai gargalhou.— Caminhos? Ele arrisca ser preso para passar algumas horas com você.— PARA!A voz de Lilian ecoou pelo quarto.Todos ficaram em silêncio.Ela apontou para a porta.— Saiam.— Quero o dinheiro — Jorge respondeu.— Você não vai receber nada.— Então todo mundo vai saber quem você realmente é.— Conte.Ele franziu o cenho.— O quê?— Conte tudo.Lilian se aproximou.— Conte que me abandonou grávida. Conte que voltou anos depois interessado na minha filha porque descobriu que havia dinheiro envolvido. Conte que mexeu em documentos policiais para descobrir a conta dela. E enquanto estiver contando, explique para todo mundo que tipo de pai faz isso.O sorriso desapareceu.— Você vai se arrepender.— Já me arrependi de muitas coisas nessa vida.Olhou para a mãe.—
Aquela era mesmo uma Bennett.Dos pés à cabeça.— Tome banho. Troque de roupa.— Vamos à prisão?— Vamos. — Lizzie abriu um sorriso enorme. — Depois mudaremos de hotel novamente.— Por quê?— Porque se meus pais conseguiram nos encontrar, qualquer pessoa consegue.A garota já ia embora quando voltou.— Meu celular.— Não.— Mãe...— Não.— Você é insuportável.— Herdou de mim.Lizzie saiu. Lilian permaneceu sentada na cama. Passou as mãos pelo rosto. Sua vida estava acabada. Carreira ameaçada. Casa destruída. Namorado morto. Filha praticamente entrando para o crime organizado. Ex-marido mafioso prometendo buscar a menina. Podia piorar?A porta abriu.Seu pai entrou novamente.Um brilho estranho iluminava os olhos dele.Lilian conhecia aquele olhar.Ganância.Ela levantou.Cansada ou não, quebrada ou não, jamais abaixaria a cabeça diante daquele homem.— O que você quer?Ele sorriu.— Dinheiro.E Lilian percebeu que, sim, sua vida ainda podia piorar.— Que dinheiro?O pai de Lilian entr
— Não precisamos sair desse quarto. Ela vai acordar logo.A voz de Lizzie chegou primeiro.Lilian abriu os olhos depressa demais e imediatamente se arrependeu.O teto branco girou sobre sua cabeça. O estômago embrulhou, uma dor atravessou suas têmporas e ela precisou fechar os olhos outra vez, levando uma das mãos à testa.— Mãe?Sentiu os dedos da filha em seu braço.— Calma. Você dormiu bastante.Lilian abriu os olhos novamente, dessa vez devagar.Lizzie estava sentada ao seu lado.Os cabelos escuros caíam pelos ombros, os olhos atentos demais para uma garota de dezesseis anos e aquele pequeno sorriso preocupado fez alguma coisa se apertar dentro do peito de Lilian.Sua filha.A única coisa que ela tinha feito de verdade naquela vida e pela qual jamais se arrependeria.— Onde estamos?— No hotel.Lilian franziu o cenho.— Que hotel?— O hotel para onde você veio depois que nossa casa deixou de ser uma casa e virou praticamente uma cena de crime.As lembranças voltaram de uma vez.Mik
— Droga Lilian, que merda você se tornou? Eu te pedi, implorei pra você ser tudo, tudo menos o meu inimigo. Todo mundo que conheço quer te matar.— Eu sei que já deveria ter morrido há muito tempo, mas eu mantive firme, porque eu precisava ser forte para criar a minha filha — A escutou chorar e logo se procurou. — Mas eu acho que não consigo mais, antes de morrer, quero fazer um pedido.— Você não vai morrer caralho. — Chutou a mesa de centro do quarto espalhando todas as armas e o vaso de vidro — Eu já falei pra você, era pra ter se tornado qualquer desgraça nessa vida, mas não a minha desgraça e muito menos a da minha família. Você não aprendeu nada durante todos os nossos encontros nesses anos? Sabe o quanto é difícil ficar aqui querendo que as pessoas não te matem?— Eu nunca te pedir nada. É só você deixar isso acontecer.— Eu não posso deixar você morrer — respondeu rápido… respirou, escutou quando ela chorou mais do outro lado — A Lizzie está bem?— Cassius sabe das contas, você
A noite na boate estava agitada, muito agitada para Tristan realmente querer andar entre as pessoas e beber e dançar. Tinha tanta coisa acontecendo ao seu redor, com seu pai e as loucuras de que havia alguém ali observando…Quem seria?Ela?Um garçom?Ela?O DJ?Ela?Quem sabe alguém da limpeza…Ah… E se fosse seu segurança?Era ela…Não, Arthuro já lhe conhecia há muito, desde criança, jamais iria traí-lo. Mas que era estranho e corajoso era.Aos poucos, seu olhar chegou a mulher que dançava no palco, Jenie era incrivelmente maravilhosa, em seu modo de falar, de andar, de sorrir, de como tocava em seu corpo e de como gemia seu nome, tudo isso era perfeito. Perfeito demais… MERDA!E mais lindo ainda, era vê-la dançar, abrir e fechar as pernas enquanto subia e descia naquela barra… Os homens iam à loucura.Sua arma era a sedução… DROGA!E nenhum deles poderia tê-la, porque no momento, a única pessoa a qual ela tinha que rebolar em cima, era ele.Sentiu o celular vibrar no bolso, poderia
Os dois deram as costas para aquilo e Lilian saiu do hospital com a cabeça erguida, não poderia fazer isso, uma vez que dormira com um homem casado.Mas para sua defesa, caso alguém se aproximasse ou lhe acusasse, ela não sabia de nada, e ninguém sequer notou ou contou sobre a família de Mike. Eram homens que trabalhavam para a Agente Secreta. Maldita mulher que sempre estivera atrapalhando sua vida dentro dessa missão.A delegacia estava em festa, prender um membro daquela família era como ganhar na loteria, todos sabiam que ganhariam prêmios, que a delegacia seria falada. Entrevistas, jornais, tudo.Alguns aplaudiram a delegada quando passou, mas sendo sincera, ela serviu apenas montou toda a estratégia, e se mostrou para iscar, na hora de prender Teodoro Bennett, ela ficou parada, como uma estatua. Parecia com defeito, não fez nada nem mesmo quando seu amante caiu morto bem a sua frente.— Seja bem-vinda, demorou em chegar, achei que estaria aqui logo atrás de Teodoro Bennett. — Jam







