Mag-log inPOV de Rosemarie
—Você é terrível, Rex —a mulher deu uma risadinha. Sua risada brincalhona e ofegante fez meu sangue gelar. —E se sua esposinha entrar e nos vir assim? —Deixe-a entrar —respondeu Rex, sem demonstrar a menor preocupação. —Ela provavelmente está em casa sem fazer nada, de qualquer maneira. Você é a única mulher que quero no meu escritório, Tracy. Tracy. Seu primeiro amor. A mulher que havia deixado a matilha anos atrás para correr atrás dos próprios sonhos, deixando Rex de coração partido. Fiquei paralisada no corredor, e o recipiente térmico em minhas mãos trêmulas pareceu ficar impossivelmente pesado de repente. Seis meses. Seis meses de dores de cabeça cegantes. Seis meses implorando para que ele se sentasse comigo na sala de espera de uma clínica. Seis meses ouvindo que ele estava ocupado demais. Ocupado demais com os assuntos da matilha. Sobrecarregado demais com as responsabilidades de Alfa. Tudo aquilo havia sido uma mentira. Ele não estava protegendo a matilha. Estava passando o tempo com ela. A dor na minha cabeça explodiu em uma fúria incandescente. Não bati à porta. Bati a mão contra a maçaneta e escancarei a porta com tanta força que ela se chocou contra a parede. Rex estava sentado atrás de sua mesa, enquanto Tracy se inclinava sobre ela, com os dedos apoiados na gola dele. Nenhum dos dois se afastou bruscamente ou pareceu culpado. Tracy simplesmente sorriu com arrogância e alisou a saia de grife. Rex parecia irritado. —O que você pensa que está fazendo, Rosemarie? —ele esbravejou. —Não sabe bater antes de entrar? Atravessei o escritório a passos largos e bati o recipiente térmico sobre a mesa dele. —Então é isso que você chama de assuntos da matilha, Rex? É esse o importante dever de Alfa que o impediu de me levar ao hospital? —Minha voz tremia de mágoa e raiva. —Você está me traindo! Você me deixou sofrer enquanto passava seu tempo com ela! Rex nem sequer piscou. Em vez disso, suspirou. —Cuidado com o que fala no meu escritório. Não tenho nada para lhe explicar. Ele se virou para Tracy, e sua expressão imediatamente se suavizou. —Tracy, deixe-nos a sós por um minuto. Espere lá embaixo. —Claro, Rex —Tracy respondeu em um tom sedutor. Ela me olhou de cima a baixo, reparando no meu rosto pálido e na minha aparência desleixada, depois passou por mim com um sorriso debochado. A porta se fechou atrás dela com um clique. Fiquei olhando para meu marido. O homem a quem eu havia dado tudo. —Nada para me explicar? —exigi, indignada. —Eu sou sua esposa, Rex! Estou doente há meses, e você não conseguiu reservar nem uma hora para mim porque estava ocupado voltando com sua ex? Rex abriu uma gaveta da mesa e tirou uma pasta grossa. Jogou-a sobre a mesa, ao lado da refeição que eu havia preparado apesar de uma enxaqueca esmagadora. Olhei para baixo. Papéis de divórcio. Minha respiração ficou presa na garganta. Senti o chão girar sob meus pés. —Por quê? —sussurrei. A raiva desapareceu, deixando apenas um vazio. —Por que está fazendo isso comigo? —Porque só me casei com você porque éramos companheiros predestinados —Rex respondeu friamente. —Nunca amei você, Rosemarie. Tolerei você por causa do nosso vínculo, mas agora Tracy está de volta. Cansei de fingir. Vou lhe dar uma indenização generosa. Você terá segurança financeira. —E Leo? —perguntei, com as mãos tremendo. —E quanto ao nosso filho? —Leo fica aqui. Comigo. —Sua voz era firme. —Ele é o futuro Alfa. Ele pertence à matilha. —Não! —O grito saiu da minha garganta, provocando uma nova onda de dor no meu crânio. —Nunca vou aceitar isso! Não vou deixar você e aquela mulher tirarem meu filho de mim! Fui eu que o carreguei! Fui eu que o criei enquanto você nos ignorava. Você não vai tirá-lo de mim! Rex deu um sorriso debochado. Um sorriso cruel e zombeteiro. —Quer brigar comigo pela guarda dele? Ótimo. Vá buscá-lo na escola e pergunte a ele mesmo. Se Leo escolher você e quiser ir embora com você, não vou impedi-lo. A confiança em sua voz me aterrorizou. Mesmo assim, não fiquei ali. Virei-me e saí correndo. Dirigi até a escola de Leo em um estado de atordoamento, segurando o volante com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos. Uma mancha escura começava a se formar no centro da minha visão, mas me obriguei a manter o foco. Eu não podia perder Leo. Ele era a única coisa boa que ainda restava na minha vida. Quando cheguei à escola, o último sinal acabara de tocar. As crianças saíam em massa pelos portões. Meu coração disparou quando vi meu filho de sete anos correndo para fora. —Leo! —chamei. Mas ele nem sequer olhou para mim. Seu rosto se iluminou de empolgação quando ele correu em direção a um elegante carro esportivo estacionado nas proximidades. Tracy estava ao lado dele, segurando uma sacola de doces caros. —Tia Tracy! —Leo gritou, jogando-se nos braços dela. Algo se partiu dentro de mim. A traição. A dor. Toda aquela injustiça. Tudo explodiu de uma só vez. Caminhei rapidamente até eles, agarrei o braço de Leo e o puxei para longe dela. —Ei! Me solta! —Leo gritou. —Rosemarie, não faça drama —Tracy disse com desdém. —Ele só queria alguns doces. —Fique longe do meu filho —rosnei. Minha voz saiu tão baixa e ameaçadora que até Tracy deu um passo para trás. Arrastei Leo até meu carro, ignorei seus protestos e o prendi no banco traseiro com o cinto de segurança. No instante em que o carro começou a andar, ele começou a gritar. —Eu te odeio! —gritou, chutando meu banco. —Você é muito malvada! Por que me afastou dela? Tia Tracy ia me levar à loja de brinquedos! —Leo, por favor, pare de gritar —implorei. As lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto os gritos dele provocavam ondas de dor na minha cabeça. —A mamãe está muito doente agora. Por favor. Seja bonzinho com a mamãe. —Você não está doente! Está inventando desculpas porque é malvada! —Leo gritou. —Você sempre estraga tudo! Tia Tracy é legal! Ela compra tudo o que eu quero! Não quero ficar com você! Quero que Tracy seja minha mamãe! Cada palavra me atingia diretamente no coração. Meu próprio filho. A criança que eu havia criado e protegido. A criança que eu amava mais do que qualquer coisa. Ele queria outra pessoa. Queria me substituir. Quando chegamos à casa da matilha, eu mal conseguia me manter de pé emocionalmente. Leo soltou o cinto de segurança, saltou do carro e correu para dentro de casa chorando. Eu o segui com as pernas trêmulas. No instante em que atravessei a porta da frente, vi Leo esconder o rosto na saia de Helen. —Vovó! —ele chorou. —A mamãe foi muito malvada comigo! Ela me afastou da tia Tracy e gritou comigo dentro do carro! Ela é louca! O rosto de Helen se contorceu de raiva. Ela passou um braço ao redor de Leo e lançou um olhar furioso para mim. —Sua mulher patética e abusiva! Como ousa descontar sua raiva em uma criança só porque meu filho finalmente percebeu que você não vale nada? Você é completamente incapaz de ser mãe, quanto mais uma Luna. —Helen, não foi isso que aconteceu —ofeguei. O cômodo começou a girar ao meu redor. —Leo está mentindo... Estou doente... Preciso... —Não me importo com suas mentiras! —gritou Chloe, aparecendo na cozinha. Ela agarrou meu braço. Antes que eu pudesse reagir, ela e Helen me empurraram para trás. Com força. —Você pode ficar lá fora até Rex chegar em casa —Helen disparou. A porta da frente bateu com força. A fechadura fez um clique. —Helen! Abra a porta! —bati na madeira. —Leo está aí dentro! Por favor, me deixe entrar! Nenhuma resposta. As cortinas permaneceram fechadas e a casa continuou em silêncio. Mas continuei batendo. De novo. E de novo. Cada batida ficava mais fraca. Outra onda de dor explodiu no meu crânio. Por fim, meus joelhos cederam e minhas mãos deslizaram pela porta. A pressão dentro da minha cabeça era insuportável. A escuridão começou a invadir minha visão... e então tudo ficou preto.Ponto de vista de RosemarieNem sequer me dei ao trabalho de voltar à casa da matilha para arrumar as minhas coisas. Já não havia nada naquele edifício que me pertencesse, e definitivamente não queria ver o sorriso presunçoso de Helen nem assistir ao meu filho a olhar para mim com aquela aversão tão dolorosa. Saí diretamente do edifício administrativo, entrei no meu carro e conduzi até ao aeroporto.Tinha economias suficientes para me sustentar e queria ir para um lugar distante. Uma cidade costeira tranquila, onde pudesse observar as ondas e passar as últimas semanas da minha vida em paz, longe dos lobos tóxicos que me tinham destruído.O terminal do aeroporto estava lotado de viajantes, um mar de pessoas que se movimentavam apressadamente, cada uma com o seu destino. Caminhei lentamente em direção ao balcão de bilhetes, mas, a cada passo, a pressão na minha cabeça piorava. O esforço de sobreviver à rejeição do meu companheiro predestinado, combinado com o stress de tudo o que tinha
POV de RosemarieO cheiro forte de antisséptico foi a primeira coisa que me trouxe de volta à realidade. Abri os olhos lentamente, piscando contra as luzes brancas e intensas de um quarto de hospital. O bipe constante de um monitor cardíaco ecoava pelo ambiente silencioso. Eu já não estava deitada na varanda de concreto frio.Uma jovem vestida com um simples vestido de algodão estava sentada ao lado da minha cama. Quando me viu me mexer, seus olhos se iluminaram de alívio. Era Maya, uma das empregadas de baixo escalão que trabalhavam na cozinha da casa da matilha.—Oh, Luna, graças a Deus você acordou —sussurrou Maya, inclinando-se para a frente. —Encontrei você caída perto da porta da frente quando saí para jogar o lixo fora. Você não reagia, então entrei em pânico e chamei uma ambulância para levá-la ao hospital da cidade.Engoli em seco, sentindo a garganta áspera como uma lixa.—Alguém... mais veio? Rex ou a mãe dele perguntaram por mim?Maya baixou os olhos para o colo, torcendo
POV de Rosemarie—Você é terrível, Rex —a mulher deu uma risadinha. Sua risada brincalhona e ofegante fez meu sangue gelar. —E se sua esposinha entrar e nos vir assim?—Deixe-a entrar —respondeu Rex, sem demonstrar a menor preocupação. —Ela provavelmente está em casa sem fazer nada, de qualquer maneira. Você é a única mulher que quero no meu escritório, Tracy.Tracy.Seu primeiro amor.A mulher que havia deixado a matilha anos atrás para correr atrás dos próprios sonhos, deixando Rex de coração partido.Fiquei paralisada no corredor, e o recipiente térmico em minhas mãos trêmulas pareceu ficar impossivelmente pesado de repente.Seis meses. Seis meses de dores de cabeça cegantes. Seis meses implorando para que ele se sentasse comigo na sala de espera de uma clínica.Seis meses ouvindo que ele estava ocupado demais. Ocupado demais com os assuntos da matilha. Sobrecarregado demais com as responsabilidades de Alfa.Tudo aquilo havia sido uma mentira. Ele não estava protegendo a matilha. E
POV de Rosemarie—Sinto muito, Rosemarie, mas você perdeu o melhor momento para realizar a cirurgia.A voz do médico parecia vir debaixo d'água. Eu estava sentada em uma cadeira de plástico duro na clínica da matilha, olhando para as partículas de poeira que flutuavam sob a luz estéril. Ele continuava falando, mencionando termos médicos que caíam sobre meu peito como pedras pesadas.Estágio avançado. Tumor cerebral. Crescimento agressivo.—Realmente não há nada que possamos fazer? —perguntei. Minha voz mal passava de um sussurro. —Nossa matilha possui alguns dos melhores equipamentos médicos da região.O Dr. Evans suspirou e esfregou as têmporas.—O problema não é o equipamento. Não há nenhum médico em nossa matilha com a habilidade cirúrgica necessária para tratar um tumor tão avançado. Mesmo que trouxéssemos um especialista de fora de avião, as chances de uma recuperação completa continuariam extremamente baixas. A própria cirurgia poderia reduzir o tempo que você ainda tem de vida.







