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Segredos Entre Paredes

last update publish date: 2026-08-17 10:46:24

Peguei o envelope pardo com as mãos trêmulas, sentindo a pele dos meus dedos roçar na dele por um fração de segundo que pareceu uma eternidade. Henrique nem piscou. Manteve a postura ereta de um CEO inabalável, o olhar frio fixo no meu enquanto eu recolhia meus pertences e caminhava até a porta de madeira maciça.

Quando atravessei o portal e o fechei atrás de mim, encostei a cabeça na madeira por dois segundos, tentando acalmar a respiração e fazer o calor entre minhas pernas ceder. O corredor
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  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Peso da Proteção

    As horas de aula que se seguiram pareceram se esvaziar de sentido.Sentei-me nas últimas fileiras das salas, encarando os quadros brancos e as anotações nos cadernos, mas a minha mente continuava presa na cafeteria, revivendo cada frase dita por Laura. As palavras ecoavam como um zumbido constante: o meu pai pediu o divórcio... ele se apaixonou pela primeira vez na vida... o Lucas procurou por mim no dia seguinte.Quando o sinal do meio-dia soou, recolhi meus pertences com gestos automáticos e caminhei em direção à saída do campus. Como prometido, o sedã blindado de Lucas já estava parado exatamente no mesmo ponto. Naldo saltou do veículo para abrir a porta para mim assim que me aproximei.— Como foram as aulas, dona Valentina? — ele perguntou com a polidez habitual.— Foram boas, Naldo. Obrigada — respondi com um sorriso fraco, afundando no banco traseiro.Pressionei a cabeça contra o encosto estofado e fechei os olhos enquanto o carro cortava o trânsito da cidade. A revelação sobre

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   As Ruínas do Império

    O ruído suave do vapor da máquina de café parecia o único som capaz de cortar o transe que se instalara sobre a nossa mesa. As palavras de Laura ecoavam na minha mente como um eco desafinado, colidindo violentamente contra cada lembrança doentia que eu guardava de Henrique Fontes.Pressionei as mãos contra a xícara quente de cappuccino, tentando me ancorar na realidade, mas minha voz saiu trêmula, ríspida pela negação instintiva.— Não... Não é possível o seu pai estar apaixonado por mim, Laura — declarei, balançando a cabeça com veemência, os olhos arregalados em direção à minha antiga amiga. — O seu pai não é o tipo de homem que se apaixona por ninguém. Ele mesmo me disse isso dezenas de vezes. Ele sempre deixou claro que o trabalho, a reputação e o controle eram as únicas coisas que importavam para ele. Eu era apenas... uma distração conveniente. Alguém que ele podia dominar.Laura soltou uma risada fraca e sem humor, desviando o olhar para a janela do campus antes de voltar a enca

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   Sombras no Campus

    A manhã de segunda-feira nasceu com um sol brando sobre o Rio de Janeiro.O sedã blindado de Lucas estacionou com a pontualidade costumeira bem em frente ao pórtico de entrada do campus universitário. Naldo saltou do banco do motorista para abrir a porta para mim, mantendo a postura impecável e a cortesia de sempre.— Tenha uma ótima aula, dona Valentina. Estarei no mesmo local ao meio-dia — disse ele, com uma breve inclinação de cabeça.— Obrigada, Naldo — sorri, ajeitando a alça da bolsa e segurando o caderno contra o peito.Caminhar até o prédio do meu curso parecia a materialização do meu recomeço. Senti o ar fresco da manhã renovar meus pulmões, aliviando o peso de meses de ansiedade. No entanto, no instante em que dobrei o corredor principal perto do pátio central, meus passos travaram.A alguns metros de distância, caminhando na direção oposta, estava Laura.O choque foi imediato. O sangue fugiu do meu rosto e sinto meu peito se apertar num nó sufocante. A lembrança do escândal

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   anddfg

    A luz suave da tarde atravessava o vidro fumê do sedã blindado enquanto Naldo dirigia com uma precisão impecável pelas avenidas da Zona Sul.O silêncio dentro do veículo só era quebrado pelo sopro sutil do ar-condicionado. Olhar para a paisagem lá fora, do lado do passageiro e sem a pressa sufocante dos compromissos da holding, parecia um privilégio do qual eu ainda tentava me apropriar.Naldo parou o carro exatamente em frente à entrada principal do campus. Antes que eu pudesse alcançar a maçaneta, ele já havia desembarcado e aberto a porta para mim, mantendo a postura ereta e um tom de voz impecavelmente respeitoso.— Estarei aguardando aqui na frente, dona Valentina. A senhora pode fazer tudo com calma. O doutor Lucas me orientou a não ter pressa alguma.— Obrigada, Naldo. Não devo demorar — respondi com um sorriso contido, ajustando a alça da bolsa no ombro.Caminhar pelos corredores da faculdade trouxe uma onda gostosa de nostalgia. O cheiro de livro impresso, o burburinho dos al

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Tamanho do Silêncio

    Sozinha na cobertura, o silêncio do lugar parecia ganhar peso.Era uma quietude diferente do meu antigo apartamento, onde o barulho das crianças na rua e os motores de ônibus velhos serviam como pano de fundo constante. Ali, a dezessete andares do chão, a sensação era a de estar suspensa em uma bolha asséptica e perfeitamente isolada da realidade lá fora.Decidi explorar o espaço que agora servia como o meu refúgio. O andar principal da cobertura se desdobrava em um conceito aberto gigantesco, dominado por tons escuros e frios. Pisos de porcelanato cinza-chumbo, paredes em cimento queimado e sofás amplos em couro preto davam ao ambiente uma atmosfera sóbria, quase cirúrgica.Caminhei até a imensa cozinha gourmet. A bancada em granito escuro e os eletrodomésticos em inox espelhado pareciam intocados, como se tivessem saído direto de um catálogo de arquitetura. Não havia uma única marca de dedos, um utensílio fora do lugar ou o cheiro de comida caseira. Era uma cozinha linda, mas estran

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   A sensação de Liberdade

    O aroma de jasmim e linho limpo tomava conta da suíte quando abri os olhos na manhã seguinte. Pela primeira vez desde que me entendia por gente, me dei ao luxo de permanecer deitada na cama, observando o teto trabalhado em gesso e as cortinas automáticas que se abriam suavemente ao toque de um painel ao lado do meu travesseiro.Não havia chamadas não atendidas de Henrique no meu celular. Não havia relatórios urgentes de compliance para enviar antes das oito da manhã, nem a ansiedade corrosiva de cruzar os corredores do prédio da holding temendo o olhar julgador dos meus colegas. Lucas havia construído um perímetro de proteção tão perfeito ao meu redor que a minha existência parecia ter sido transportada para uma bolha de serenidade absoluta.Levantei-me, vesti um roupão de seda branca deixado no closet especialmente para mim e caminhei pela galeria até a cozinha.Lucas estava diante do balcão de mármore, vestindo uma camisa social branca de mangas dobradas e calça de alfaiataria. Ele

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