Masuk
Inclusive na festa da indústria deste ano, quando Emmanuel entrou no salão me levando pelo braço, os magnatas empresariais ao nosso redor não economizavam em elogios.— O senhor Santillán e a senhorita Farías são um casal dos sonhos. Ele é talentoso e ela é linda, feitos um para o outro.— Com certeza. É impressionante ver os dois juntos… Fazem um casal tão perfeito que faltam palavras.Cada vez que escutava esses elogios, Emmanuel concordava com cortesia e moderação, com o olhar sereno atrás das lentes, como se na verdade fosse um cavalheiro impecável.Mas só nós sabíamos que, por baixo daquela aparência tão respeitável, escondiam-se duas almas doentias e retorcidas que se encaixavam com perfeição.Quando aquele executivo, impecavelmente trajado, sorria e brindava diante de todos, pressionava com delicadeza o controle remoto em seu bolso.E por baixo do meu elegante e distinto vestido de festa, eu apertava os dentes para suportar aquelas intensas rajadas de vibração que fraqueja
— Já terminou de olhar?Virei para ver.Emmanuel, que deveria estar a centenas de quilômetros de distância em uma viagem, apoiava-se relaxado contra o batente da porta do quarto escuro. Afrouxou a gravata com lentidão, e em seus olhos brilhava a satisfação de ver que sua presa finalmente tinha caído na armadilha.Pelo visto, ele tinha deixado aquele cartão de acesso na gaveta de propósito.Tinha descoberto meu plano desde o início e, jogando como gato e rato, atraiu-me passo a passo para que eu entrasse por vontade própria no mais profundo da sua toca, um lugar coberto pelo seu olhar.Pensou que eu iria gritar, que me quebraria ou que suplicaria clemência como uma ovelhinha levada ao matadouro.Mas ao contemplar aquela parede repleta de fotografias, aquele desejo secreto e profundo de ser observada que eu carregava no sangue venceu a razão naquele momento.Em vez de me assustar, escapou-me uma risada.— Emmanuel, você sabe o que parece? Um covarde. Só sabe se esconder atrás de
Ao lembrar o tormento de ontem à noite, aquela tortura pior que a morte, mas levada ao limite do prazer, me encolhi e só pude balançar a cabeça, fraca e humilhada.Ao ver a minha submissão total, Emmanuel retirou a mão, satisfeito, e foi trabalhar na empresa. Desde então, meus dias no escritório se transformaram em um suplício prolongado e secreto.Na aparência, Emmanuel continuava sendo o mesmo senhor Santillán, implacável e severo.Suas exigências comigo, como funcionária nova, eram altíssimas; nas reuniões do departamento, ele até destruía a minha proposta sem compaixão, dizendo que não servia para nada.— Como você tem coragem de apresentar algo tão inútil? — Jogou os documentos sobre a mesa, sem um pingo de calor nos olhos.Todos os meus colegas me olhavam com pena enquanto eu abaixava a cabeça diante da bronca dele, mas nenhum deles sabia a verdade.Enquanto me repreendia com severidade, ele manipulava discretamente, dentro do bolso da calça, um minicontrole remoto preto.
O metal frio raspava o meu ponto mais sensível. O tormento quase me deixou sem forças; me agarrei com as duas mãos nos antebraços dele e as lágrimas escaparam dos meus olhos.Ele, por outro lado, manteve em todo momento a postura de uma figura dominante.— Por… por favor… senhor Santillán… me… me dê…Diante de um estímulo tão avassalador que arrepiava a minha pele, a tortura quase me fez desmaiar.Só quando abandonei por completo a minha dignidade e lhe supliquei aos gritos, entre lágrimas, é que ele, com a atitude de uma figura dominante absoluta, preencheu o meu vazio de maneira implacável.Durante o ato, ele ergueu o meu queixo e contemplou satisfeito as lágrimas que brotavam do canto dos meus olhos. Me atormentou até me fazer soluçar sem parar, e só então teve piedade e me soltou.Naquela mesma noite, voltei para o apartamento arrastando um corpo que parecia prestes a se desmontar.Ao me olhar no espelho e ver as marcas avermelhadas que cobriam todo o meu corpo, senti um med
No entanto, quando terminei de arrumar os documentos e me dispunha a ir para a sala de reuniões, o celular no meu bolso vibrou.Era uma mensagem de texto."Venha para a escada de emergência de ontem."O remetente continuava sendo Emmanuel. Ao ver aquela linha na tela, minha respiração acelerou. Em dez minutos começaria a reunião de diretoria que ele mesmo iria presidir; o que ele pretendia me fazendo ir para a escada de emergência justo agora?Ao empurrar a pesada porta da escada de emergência, vi Emmanuel apoiado contra a parede enquanto girava entre os dedos um minivibrador preto de formato estranho.— Coloque.Ele me entregou o objeto com um tom tão indiferente como se estivesse me pedindo para fotocopiar um documento. Estremeci e recuei.— Não… senhor Santillán, a reunião está prestes a começar…— Você vai colocar ou quer que eu ajude?Ele entreabriu os olhos atrás das lentes e uma sensação de perigo me envolveu.Debaixo daquela sensação de sufoco, não me restou alternati
Emmanuel era um caçador muito astuto. Sempre sabia medir os limites com precisão e, com a força justa, me provocava gradualmente até me levar ao limite do colapso. Sobre a mesa de trabalho, aquela caneta de tinteiro caríssima girava entre seus dedos estilizados.Por momentos a roçava com suavidade; por momentos a pressionava e a fazia girar com lentidão.O frio da caneta contrastava com o calor ardente dentro do meu corpo; não demorei a chegar ao meu limite.— Não… senhor Santillán… por favor…Os gritos entre lágrimas escapavam da minha garganta sem que eu pudesse conter. Eu me agarrava à borda da mesa com as duas mãos, com as juntas dos dedos brancas, enquanto minhas pernas se abriam cada vez mais sem que eu pudesse evitar.Minha síndrome de desejo insaciável queimou; a sanidade, como papel consumido pelo fogo, caía em pedaços. Só quando se cansou de brincar, ele retirou a caneta. Disse com a frieza de sempre:— Fique de pé na frente da janela e tire a roupa.Fiquei gelada.O







