Home / Romance / O Preço Do Nosso Pecado / Capítulo 1: A Noite do Escândalo

Share

O Preço Do Nosso Pecado
O Preço Do Nosso Pecado
Author: Ane Santos

Capítulo 1: A Noite do Escândalo

Author: Ane Santos
last update publish date: 2026-03-05 13:19:40

NARRADORA

O som da música eletrônica batia contra as paredes da boate Obsidian como um coração frenético prestes a explodir. Julian Blackwood não sentia o ritmo; ele sentia apenas o formigamento do uísque caro queimando sua garganta e a leveza perigosa de quem não tinha nada a perder.

— Mais uma dose, Julian? — A modelo ao seu lado, cujas mãos já estavam perdidas sob o paletó de grife dele, sussurrou contra seu ouvido.

Julian não respondeu. Seus olhos estavam fixos no flash de um celular a poucos metros de distância. Ele sabia que estava sendo filmado. Sabia que as manchetes de amanhã diriam que ele estava bêbado, fora de controle e desperdiçando o futuro da fundação.

Ele não se importava.

Quando o herdeiro de outra dinastia rival esbarrou em seu ombro, proferindo um insulto baixo sobre a "decadência dos Blackwood", Julian não hesitou. O soco foi preciso, carregado de meses de frustração reprimida. O estalo do osso contra osso foi abafado pelos gritos da multidão, mas o brilho das câmeras capturou cada segundo da queda.

Enquanto os seguranças o arrastavam para fora, Julian limpou o sangue do canto da boca e sorriu para as lentes. Ele era o rei do caos, e o caos era a única coisa que o fazia sentir-se vivo.

O Dia Seguinte...

A ressaca era uma lâmina afiada cortando as têmporas de Julian quando o sol de Manhattan invadiu sua cobertura. Ele tateou a mesa de cabeceira em busca de água, mas sua mão encontrou apenas o tablet, que brilhava com a notificação do Daily Mirror: "O PECADOR DE MANHATTAN ATACA NOVAMENTE: Julian Blackwood em briga de bar após noitada de excessos."

Ele soltou um suspiro pesado, mas o som que o fez congelar não veio do tablet.

Toc. Toc. Toc.

O bater rítmico de um bastão de prata contra o mármore da sala de estar ecoou pelo apartamento silencioso. Julian fechou os olhos. Ele conhecia aquele som. Era o som do seu julgamento.

Ele levantou-se, vestiu um robe de seda e caminhou até a sala. Sentado em sua poltrona de couro favorita, estava o Sr. Alistair Blackwood. O patriarca parecia uma estátua de gelo, os olhos cinzentos mais frios do que o gelo no copo de Julian na noite anterior.

— Você tem um talento especial para a autodestruição, Julian — disse Alistair, a voz baixa e perigosa. — Mas eu não vou permitir que você leve o meu império para o túmulo com você.

— Foi apenas uma briga, avô. A imprensa exagera — Julian tentou, sua voz falhando levemente.

Alistair levantou-se, o bastão batendo com força no chão uma última vez.

— Acabou. O conselho quer a sua cabeça em uma bandeja de prata. Eu estou aqui para decidir se entrego ou se a mantenho no lugar.

Ele jogou um envelope pardo sobre a mesa de centro.

— Lá dentro está a papelada para a sua destituição. Se você não mudar a imagem desta família em um ano, cada centavo, cada ação e esta cobertura deixarão de ser seus. Você será um Blackwood apenas no nome, e o nome não paga as suas contas.

Julian sentiu o sangue fugir do rosto.

— O que você quer que eu faça?

— Casamento — Alistair cuspiu a palavra como se fosse veneno. — Não com uma das suas modelos de passarela. Preciso de alguém que transmita pureza, resiliência e integridade. Alguém que o mundo respeite. Alguém que faça as pessoas acreditarem que até um monstro como você pode ser domado.

— E se eu não encontrar ninguém?

Alistair caminhou até a porta, parando por um segundo sem olhar para trás.

— Então prepare-se para descobrir o quão difícil é a vida para quem não tem nada a oferecer ao mundo além de um sobrenome manchado. Você tem quarenta e oito horas para me apresentar uma noiva, Julian. Faça a sua escolha. — Alistair Levantou e saiu.

A porta fechou com um clique definitivo. Julian ficou sozinho no silêncio ensurdecedor de seu império em ruínas.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O Preço Do Nosso Pecado   O Fim

    JULIAN BLACKWOODSaí do jato com Matteo e jade no colo, protegidos pelo meu casaco de lã escura contra o vento cortante do início da primavera nova-iorquina. Elena caminhava ao meu lado, usando óculos escuros e um sobretudo de marca que exalava uma autoridade que ela não possuía antes da Itália. Ela já não era a "noiva troféu" ou a "estudante da Parsons". Ela era a Sra. Blackwood.— Bem-vinda de volta ao centro do mundo, Elena — murmurei, enquanto entrávamos na SUV blindada.— Parece mais frio do que me lembrava, Julian — ela respondeu, segurando a minha mão livre. — Ou talvez seja apenas a sensação de que as paredes aqui têm ouvidos.— Elas têm. Mas agora, nós somos os donos das paredes.ALISTAIR BLACKWOODEsperei por eles na cobertura da Blackwood Tower, e não na mansão. Queria que o regresso fosse marcado pelo ambiente de negócios. O escândalo do jantar tinha sido abafado, mas as placas tectónicas do Conselho tinham-se movido.Quando as portas do elevador privado se abriram, vi um

  • O Preço Do Nosso Pecado   Capítulo 126: O Sal e a Seda

    O sol do Mediterrâneo dourava o convés de teca do *Ametista*, o iate de setenta metros que Alistair presenteara ao casal. Longe da vigilância sufocante de Nova York e das sombras úmidas do Lago di Como, o navio cortava as águas azul-turquesa entre a Sardenha e a Córsega. Não havia sinalizadores de rádio, nem reuniões de conselho, nem vestígios de sangue. Apenas o som do casco cortando as ondas e o riso de Matteo no convés inferior.ELENA BLACKWOODAcordei com o balanço suave da embarcação. O lençol de linho branco era a única coisa que me cobria, e o calor que emanava do corpo ao meu lado era o meu lembrete diário de que tudo aquilo era real. Julian dormia com uma serenidade que eu raramente via. Sem a máscara do "Coringa", ele parecia apenas um homem em paz.Levantei-me silenciosamente e fui até a varanda da suíte master. O horizonte era uma linha infinita de azul. Senti mãos fortes envolverem minha cintura e o toque frio do anel de casamento de Julian contra a minha pele.— Bom dia,

  • O Preço Do Nosso Pecado   Capítulo 125: O "Sim" Sobre as Ruínas do Caos**

    JULIAN BLACKWOODEu estava parado no altar improvisado nos jardins da Villa, de frente para o lago. O meu fato era de um corte impecável, mas o que eu sentia por baixo do tecido não era o peso do poder, era o peso da gratidão. Olhei para o lado e vi Dominic, o meu padrinho, que apenas assentiu com um olhar que dizia: “ você conseguiu ”Adrián estava posicionado discretamente perto da entrada, e Alistair, sentado na primeira fila, segurava Matteo no colo e jade ao seu lado. Ver o meu pai, o homem de gelo, a sorrir para o neto, fez-me perceber que a nossa dinastia tinha finalmente mudado de rumo.A música começou. Uma orquestra de cordas tocava uma melodia suave que parecia acalmar as batidas frenéticas do meu coração. E então, eu vi-a. ELENA MORETTICaminhei sobre a passadeira de pétalas brancas, de braço dado com o meu pai, que tinha vindo de Nápoles apenas para este momento. O meu vestido de renda artesanal, o mesmo que quase foi manchado de sangue em Milão, agora brilhava sob o so

  • O Preço Do Nosso Pecado   Capítulo 124: O Santuário de Cinzas

    O ar sobre o Lago di Como estava pesado, carregado com a eletricidade que precede uma tempestade de verão. Julian navegava em um barco solitário em direção ao sul da **Isola Comacina**, servindo de isca sob os holofotes de Viktor Volkov. Enquanto isso, do lado norte, as águas escuras eram cortadas silenciosamente por Elena e Dominic, que emergiam como espectros das profundezas, armados e movidos por um instinto puramente primal.ELENA MORETTIA água escorria pelo meu traje tático enquanto eu subia as rochas escarpadas atrás do mosteiro. Meus pulmões ardiam, mas a imagem do berço vazio era o combustível que me mantinha de pé. Dominic estava logo atrás, movendo-se com a precisão de um predador veterano.— Silêncio, Elena — ele sibilou pelo comunicador. — Há quatro guardas no pátio superior.— Deixe-os comigo — respondi, sacando a faca de combate.Neutralizamos a guarda externa sem disparar um tiro. O mosteiro cheirava a incenso velho e pólvora. Seguimos o som de um choro baixo — um som

  • O Preço Do Nosso Pecado   Capítulo 123: O Preço da Obsessão

    JULIAN BLACKWOOD chamada foi atendida no terceiro toque. O som da respiração dela do outro lado me fez querer atravessar a linha e esganá-la.— Chloe. Diga o seu preço. Dinheiro, as rotas da Suíça, a renúncia ao conselho dos Blackwood... o que você quiser. Apenas devolva o meu filho.— Dinheiro, Julian? — a risada dela foi um som agoniante, agudo e desprovido de sanidade. — Você ainda não entende? Eu queimei o império do meu pai para chegar aqui. Eu não quero papel. Eu quero o que me foi roubado. Eu quero a família que o destino me prometeu.— Você não tem família, Chloe. Você tem reféns.— Eu tenho o Matteo. E ele tem os seus olhos... os olhos que deveriam estar olhando para mim todas as manhãs. Eu quero você, Julian. E quero o bebê. Nós vamos sumir. A Elena pode ficar com as joias, com a Villa e com a sua memória. Mas se você quiser ver o seu herdeiro respirar amanhã, você virá sozinho para o ponto de extração no norte do lago.ELENA MORETTIEu estava atrás da porta, ouvindo cada p

  • O Preço Do Nosso Pecado   Capítulo 122: O Silêncio do Berço Vazio

    ELENA MORETTIEu estava sentada na beira da cama, as mãos tremendo. O nome "Theo" latejava na minha cabeça como uma maldição. Eu sabia que era uma armadilha, mas ver o olhar de Julian... aquela frieza... me tirou o chão. Eu não conseguia me mexer. Fiquei ali, esperando que ele voltasse, esperando que o amor dele fosse maior que o seu ego.Eu não ouvi os passos abafados no corredor. Não ouvi o som do silenciador que neutralizou o guarda na porta lateral. O meu instinto, geralmente tão afiado, estava sufocado pelo meu coração partido.— Ele não vem, Elena — sussurrei para mim mesma, abraçando os próprios ombros. — Ele escolheu acreditar no fantasma.CHLOE Mover-me pela Villa era como caminhar por um sonho que eu planejei em cada detalhe nas noites insones da clínica. O Julian estava no cais, perdido em seu próprio inferno. A Elena estava trancada no quarto, desmoronando. O caminho para o berçário estava livre.Entrei no quarto de Matteo com a leveza de uma sombra. Julia, a babá, estav

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status