MasukGiovana foi a primeira a reagir, paralisando os dedos que serviam a bebida enquanto uma expressão de puro aborrecimento e rancor tomava conta de seu rosto. Ela também havia notado a presença de Iolanda momentos antes. Embora Iolanda estivesse com uma aparência um pouco melhor do que o habitual, ainda ficava muito atrás dela em termos de beleza. Mesmo assim, era inaceitável ver a atenção que por direito lhe pertencia sendo dividida daquela forma, afinal, tanto Enrico quanto Álvaro deveriam orbitar ao seu redor o tempo todo.Por outro lado, o rosto de Enrico permanecia uma máscara indecifrável, ocultando qualquer vestígio do que se passava em sua mente. Ângelo, em contraste, observava a cena com um interesse quase lúdico, exibindo um sorriso de canto que não chegava aos olhos. Sentindo-se desconfortável sob o peso daqueles olhares e achando a pergunta de Simão um verdadeiro absurdo, Álvaro não conseguiu se conter.— Que porra você está falando? Você está cada vez mais sem noção. — Esbr
— E aí, Iolanda? O que você vai dar de presente para o Ângelo este ano? — A voz irritante de Simão voltou a atiçar a fogueira, aproveitando a plateia recém-chegada. — Já que todo mundo está aqui, por que você não mostra logo? Assim a gente economiza o trabalho do Ângelo ter que passar as suas tranqueiras para a roda rir.Os lábios de Giovana se curvaram em um sorriso rápido e sarcástico. Sentindo o estômago revirar, Iolanda cruzou os braços e rebateu de queixo erguido: — Eu já cansei de dizer que a minha presença aqui hoje não tem nada a ver com o Ângelo. Se eu soubesse que daria de cara com vocês, teria passado bem longe deste lugar.— Conta outra, acha mesmo que alguém cai nessa historinha? — Simão retrucou, bufando de descrença.— Chega, Simão. — A voz áspera de Ângelo encerrou a discussão. Ele parecia ter esgotado o estoque de paciência para o que considerava um teatro ridículo. — Vamos embora, a festa vai começar lá dentro.Sem sequer dirigir um último olhar a Iolanda, ele puxou
— O que você está fazendo aqui? — Perguntou Simão.Ele foi o primeiro a se aproximar, bloqueando o caminho de Iolanda sem a menor cerimônia.Sem a mínima paciência para lidar com as provocações infantis dele, Iolanda tentou desviar e ir embora. No entanto, como se o universo estivesse pregando uma peça de mau gosto, o alarme do seu celular disparou naquele exato momento, ecoando com uma notificação de voz alta e constrangedora: [Hoje é o aniversário do marido, deseje a ele um feliz aniversário.]Em pânico, Iolanda vasculhou a bolsa para desligar o aparelho o mais rápido possível. Era um lembrete do passado. Naquela época, a rotina de trabalho era tão exaustiva que ela morria de medo de esquecer a data especial de Ângelo. Desde que voltou este ano, andava com a cabeça tão cheia de problemas que o aniversário dele passou em branco, assim como a necessidade de cancelar aquele alarme maldito. E o resultado dessa distração foi a cena humilhante que havia acabado de protagonizar.Para o seu
Percebendo que a amiga havia baixado a guarda, Joana sorriu com satisfação.— E aí, o que achou? Gostou do clima?— É bem agradável. Estou gostando bastante.— Sendo assim, vou te arrastar para cá mais vezes. O seu grande erro foi ter vivido sob pressão a vida inteira, sempre respirando pelos outros e esquecendo de ser feliz."Ela tem toda a razão", pensou Iolanda, processando aquelas palavras e reconhecendo a dura verdade nelas.A conversa fluía de forma leve até que o toque do celular de Joana cortou o clima. Eram ossos do ofício, afinal, na área jurídica, clientes podiam entrar em pânico a qualquer hora do dia ou da noite. Notando que a amiga já estava segura e à vontade ali, Joana avisou que precisava atender a ligação em um lugar calmo e se afastou da mesa.Aproveitando a solidão, Iolanda mudou de lugar. Acomodou-se em um sofá de canto, onde conseguiria assistir às apresentações com mais nitidez e sem esbarrar nas pessoas ao redor.Durante a sua distração, a atração do palco havia
Iolanda assentiu com a cabeça, confirmando a entrega.— Já entreguei a ele.— Ele chegou a comentar alguma coisa na hora? — Perguntou Joana, transbordando curiosidade.Resgatando a cena na memória, Iolanda suspirou antes de responder.— Aconteceu um imprevisto bem no momento. Acabei deixando os papéis na mesa dele e saí logo em seguida. Mas, conhecendo bem a figura, aposto que a primeira coisa que ele vai fazer é mandar um advogado analisar cada linha do documento.Com anos de bagagem no mundo jurídico, Joana conhecia aquele tipo de gente como a palma da própria mão. Recorrer a especialistas antes de assinar qualquer vírgula era a atitude mais previsível de todas. Afinal, homens como ele viviam para garantir que seus próprios interesses ficassem no topo, sem ceder um centímetro sequer.— Deixe estar. Tenho cartas na manga de sobra para lidar com esse tipo de sujeito. — Garantiu Joana, com um sorriso confiante. — Quando eu não estiver por perto, se pintar qualquer dor de cabeça, me ligu
— Mas me conta, como o Ângelo conseguiu contato com alguém tão influente? — Indagou Janice, ainda curiosa com a história do hospital.Ângelo não tinha contato algum com o empresário, e mesmo se tivesse, jamais faria a ponte entre eles. Por uma fração de segundo, Iolanda sentiu uma vontade enorme de jogar toda a verdade no ventilador. Contudo, ao observar os olhos cheios de esperança e o rosto ainda abatido da mãe, o seu coração apertou."Não posso estragar a paz dela agora", pensou Iolanda consigo mesma, recuando.— Ah, eu não tenho muita certeza. Deve ser alguma relação de negócios. — Despistou ela, ajudando a mãe a beber um pouco de água. — O que importa de verdade agora é a senhora focar em recuperar a sua saúde.Janice concordou com a cabeça. Desde que a doença havia surgido, ela passara a acatar os conselhos da filha com muita docilidade.As duas conversaram de forma descontraída por mais um tempo, até que a mais velha começou a insistir para que a filha fosse para casa. Era fim







