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Capitulo 34- O Retorno e o Impacto

Autor: Juborssuk
last update Fecha de publicación: 2026-03-13 04:53:48

Havenna não sabia exatamente o que esperava encontrar ao voltar para Puerto Nuvem, mas certamente não era a torrente silenciosa que a atingiu no instante em que o táxi parou diante do loft encravado entre o centro e o mar, o mesmo lugar de onde fugira tentando esquecer, e que agora parecia observá-la voltar. O motorista desligou o motor devagar, como se até o carro hesitasse. O silêncio que se instalou não era um silêncio qualquer, mas aquele que só existe em lugares que guardam tudo o que foi
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    O trajeto de volta pareceu mais longo.Não pela distância, mas porque, dessa vez, Adrian não desligou a mente em nenhum momento.Dirigia no automático.E o pensamento seguia preso nos mesmos pontos.Terceiros.Confidencialidade reforçada.Processo acelerado.Nada daquilo se encaixava em algo simples.Nada!Quando chegou em Puerto Nuvem, o céu já estava mais escuro.As luzes da cidade começavam a acender.Mas ele não foi direto para o apartamento.O carro seguiu por alguns minutos além do necessário.Sem destino claro.Até que ele decidiu.Virou o volante.***A casa de Dona Helena permanecia igual.Silenciosa.A mesma fachada.A mesma sensação de tempo parado.Adrian estacionou.Ficou alguns segundos dentro do carro antes de sair.Não era hesitação.Era preparação.Ele sabia que aquela conversa mudaria alguma coisa.Talvez não trouxesse respostas completas.Mas abriria mais caminhos.E agora, eles precisavam disso.Ele bateu.Alguns segundos depois, a porta se abriu.Dona Helena apare

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    O Instituto Horizonte carregava uma quietude desconfortável.Controlada.Quase calculada.Parecia construída para impedir perguntas.Como se fossem algo a ser contido ali dentro.Adrian permaneceu sentado por alguns segundos depois da última resposta de Marcelo. O diretor mantinha a postura controlada atrás da mesa, mas agora existiam pequenas falhas difíceis de ignorar.Hesitações.Pausas longas demais.Respostas cuidadosas demais.Tudo naquele lugar parecia excessivamente preparado.— O processo passou inteiro pelo Instituto? — Adrian tentou outra vez.Marcelo sustentou o olhar dele.Mas não respondeu imediatamente.A tensão dentro da pequena sala mudou de forma definitiva.Já não era apenas desconforto burocrático.Adrian permaneceu sem desviar os olhos.E foi naquele intervalo pesado que Marcelo finalmente disse:— Senhor Montenegro... — Marcelo começou cuidadosamente. — Existem situações em que determinados processos recebem acompanhamento jurídico mais direto.A resposta veio té

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    O Instituto Horizonte carregava um tipo diferente de quietude.Não trazia tranquilidade.Trazia contenção.Adrian permaneceu parado por alguns segundos depois de falar. A recepcionista ainda o observava, mas o sorriso profissional já não parecia tão natural quanto antes.Houve uma pequena pausa.Quase imperceptível.Mas suficiente.— Desculpe... — ela disse cuidadosamente. — O senhor poderia repetir?Adrian sustentou o olhar dela.— Eu acredito que vocês cuidaram da adoção do meu filho.A frase soou ainda mais real daquela vez.Mais pesada também.A mulher piscou devagar.Os dedos pararam sobre o teclado.— Certo... — respondeu, agora mais cautelosa. — O senhor possui algum documento? Nome? Número de processo?Adrian respirou fundo.Ainda segurava o envelope.— Não. — Uma pausa curta. — Só o nome da instituição e algumas informações antigas.Ela assentiu devagar.Profissional.Controlada.— Entendo.O silêncio voltou.Adrian percebeu quando ela desviou rapidamente os olhos para o corr

  • O QUE RESTOU DE NÓS   Capitulo 66- O Que Não Levava a Lugar Nenhum

    A luz da manhã atravessava parcialmente as cortinas do apartamento.O ambiente ainda carregava a quietude, mas não vazio.Havenna foi quem despertou primeiro.Ficou alguns segundos imóvel, observando o ambiente, enquanto tentava localizar a própria mente no tempo. Então sentiu o peso leve da mão de Adrian próxima à dela sobre o colchão.Virou o rosto devagar.Ele ainda dormia e sua expressão estava menos tensa do que nos últimos dias.Havenna o observou por alguns segundos.Havia algo estranho naquilo tudo.Porque, depois de tantos anos, depois de tanta coisa quebrada, o que existia entre eles ainda parecia familiar.Ela desviou o olhar antes que o pensamento fosse longe demais.Levantou devagar, tentando não fazer barulho, pegou a camisa dele que estava caída na poltrona ao lado e vestiu sem pensar muito.A cidade começava a acordar do lado de fora.Quando saiu do quarto, encontrou o envelope ainda sobre a mesa da sala.Aberto.As bordas das fotografias apareciam parcialmente para fo

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    O sol começava a se pôr e sua luz dourada estava atravessando a varanda.Adrian ainda estava a poucos passos.Havenna não desviava o olhar do envelope.Ela já sabia o que havia dentro.Mas saber, não era o mesmo que enfrentar.— Você viu — Adrian disse.Não foi exatamente uma pergunta.Havenna assentiu.Pequeno.— Minha mãe me mostrou.A pausa veio.Natural.— Eu não consegui... — ela parou — ficar muito tempo olhando.Adrian não respondeu imediatamente.Apenas se aproximou mais.Parou ao lado dela.Sem tocar.— Eu trouxe — ele disse, levantando levemente o envelope.Havenna soltou um ar baixo.— Eu sei.Um intervalo se formou entre eles.Sem desconforto.Era preparação.Adrian abriu o envelope novamente.Retirou as fotos.Dessa vez, não percorreu sozinho.Sentou ao lado dela.Deixou o espaço existir entre os dois.Mas pequeno.O suficiente. Ele colocou a primeira foto entre eles.O recém-nascido.Havenna olhou.Dessa vez não desviou.Os dedos dela se moveram devagar.Parar

  • O QUE RESTOU DE NÓS   Capitulo 64- O Que Agora Era Impossível Ignorar

    A casa estava silenciosa.Mas não era o mesmo silêncio de antes.Havia algo diferente nele agora.Menos suspensão.Mais direção.Antonella permanecia sentada na poltrona, mas já não parecia alguém esperando.Era alguém que tinha escolhido.O envelope estava sobre a mesa de centro.Fechado.Mas não intocado.Amália continuava encostada no braço do sofá, os braços cruzados, mas o olhar já não carregava dureza.Era atenção.As duas ouviram a porta.Adrian entrou.O passo desacelerou ao perceber as duas ali.O olhar percorreu o ambiente.Parou na mãe.Depois no envelope.Ninguém falou.Mas ele entendeu.Antonella se levantou.Sem pressa.Sem hesitação.Pegou o envelope.Caminhou até ele.Parou a poucos passos.— Eu acho... — a voz falhou levemente.Ela respirou.— Eu acho que isso precisa ser você quem vê primeiro.Adrian não respondeu.Apenas estendeu a mão.Antonella entregou.O envelope mudou de mãos como algo que já não podia mais ser adiado.Adrian olhou para ele.Por alguns segundos

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