LOGINTrês anos longe da capital foram suficientes para Ashiley Monteiro acreditar que podia ser uma mulher comum — longe de sobrenomes pesados, jantares corporativos e casamentos arranjados. Longe, principalmente, do homem por quem se perdeu. Pietro Santoro nunca soube quem ela realmente era — e quando ex-namorada dele volta a ocupar o espaço que jamais deixou vazio, Ashiley entende que não existe amor onde ela sempre precisou implorar por migalhas. Desiludida, ela retorna ao mundo que passou a vida fugindo… e aceita o acordo que mudará seu destino: o casamento com Gustavo Martins, herdeiro da família mais influente da cidade. Mas Gustavo não é apenas um noivo estratégico. Ele é silêncio, força, contenção… e um perigo suave demais para ser ignorado. Enquanto Ashiley tenta sobreviver ao próprio nome e aos conflitos entre famílias, o passado volta a rondá-la — um ex arrependido, uma rivalidade antiga, segredos enterrados e olhares que dizem mais do que deveriam. Entre o controle e o desejo, entre o protocolo e a verdade, Ashiley vai descobrir que ninguém — nem ela — está realmente preparado para o retorno de quem um dia aprendeu a desaparecer.
View MoreA cidade parecia a mesma quando voltaram, mas nada era exatamente igual. Não porque algo externo tivesse mudado, mas porque Ashiley já não carregava o peso de antes. O barulho, os compromissos, os olhares. Tudo isso existia, mas já não definia quem ela era.Gustavo estacionou o carro na garagem e desligou o motor sem pressa. Ficaram alguns segundos em silêncio, como se ambos soubessem que aquele retorno marcava algo importante.— Pronta? — ele perguntou.Ashiley sorriu.— Eu não estou mais esperando algo dar errado — respondeu. — Então acho que sim.Entraram no apartamento e deixaram as malas de lado. Não havia urgência em desfazer nada. Havia uma tranquilidade nova, um acordo silencioso entre eles.Gustavo tirou o paletó, jogou-o sobre a cadeira e foi até a cozinha pegar água. Ashiley o observou por um instante, aquele homem que antes parecia sempre dividido entre mundos, agora inteiro em gestos simples.— Eu reorganizei mais coisas enquanto estávamos fora — ele disse, voltando. — Nã
Ashiley acordou com o som distante de pássaros e a sensação de um braço firme ao redor do seu corpo. Não abriu os olhos de imediato. Quis ficar ali, naquele intervalo em que o dia ainda não tinha começado e nada precisava ser decidido.Gustavo respirava devagar atrás dela. O calor do corpo dele era constante, tranquilo, como se tivesse aprendido exatamente onde ficar. Ela se mexeu um pouco, e ele apertou o abraço de leve, ainda dormindo.— Fica — ele murmurou, sem abrir os olhos.Ela sorriu.— Eu já estou.Quando finalmente se levantaram, o dia estava claro e fresco. Prepararam o café em silêncio, dividindo gestos simples. Gustavo cortava frutas enquanto Ashiley organizava a mesa da varanda. Em nenhum momento foi preciso combinar quem faria o quê.— Sabe o que eu pensei ontem à noite? — ela disse, sentando-se.— O quê?— Que eu sempre tive medo do depois.Pausa.— Medo de quando a parte boa acabasse.Gustavo se sentou à frente dela.— E agora?— Agora eu percebo que talvez não acabe.
A estrada estava quase vazia quando saíram ainda cedo. O sol surgia tímido, iluminando o asfalto molhado da chuva da noite anterior. Ashiley encostou a cabeça no vidro por alguns minutos, observando a cidade ficar para trás, sentindo algo que não sentia havia muito tempo: leveza.Gustavo dirigia tranquilo, sem pressa. O rádio tocava baixo, uma música que nenhum dos dois tentou trocar. De vez em quando, ele estendia a mão e tocava a dela no câmbio, um gesto simples que a fazia sorrir sem perceber.— Você está quieta — ele comentou.— Estou bem — ela respondeu. — É diferente.— Diferente como?— Como se eu não estivesse esperando nada dar errado.Ele olhou para ela por um instante, depois voltou os olhos para a estrada.— Eu também sinto isso.O lugar ficava a poucas horas da cidade. Uma casa simples, cercada de verde, com uma varanda larga e silêncio suficiente para ouvir o vento entre as árvores. Nada luxuoso. Nada planejado para impressionar.— Você acertou — Ashiley disse ao descer
Gustavo acordou antes de Ashiley naquela manhã. Não foi ansiedade. Foi decisão.Ficou alguns minutos observando-a dormir, o rosto tranquilo, o corpo relaxado de quem não estava em alerta. Aquela imagem simples dizia muito mais do que qualquer conversa da noite anterior. Ela tinha confiado nele. E confiança não se pede, se sustenta.Ele se levantou em silêncio e foi para a sala. Abriu o notebook, respirou fundo e começou a reorganizar algo que vinha adiando há anos. Cancelou reuniões desnecessárias, transferiu decisões que não precisavam mais passar por ele, bloqueou horários que sempre foram invadidos por urgências inventadas.Quando terminou, fechou o computador com uma sensação estranha. Leve. Como se tivesse devolvido algo a si mesmo.Ashiley apareceu na porta algum tempo depois, ainda com o cabelo solto, vestindo uma camiseta dele.— Você sumiu — disse, encostando no batente.— Não — ele respondeu, se levantando. — Eu fiquei.Ela arqueou a sobrancelha, curiosa.— Ficou onde?Gusta


















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