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📖 Capítulo 8- Sentimentos proibido

Author: Kaah Crystal
last update publish date: 2026-04-28 08:22:34

A noite havia terminado.

Mas, para Darley, ela estava apenas começando.

O Alfa entrou em seu territĂłrio em silĂȘncio, acompanhado por Celeste. Os portĂ”es da alcateia se fecharam atrĂĄs deles, enquanto os lobos que estavam de guarda abaixavam a cabeça em respeito.

Darley nĂŁo respondeu aos cumprimentos.

Sua mente estava longe dali.

Helena.

A imagem dela no jardim voltava repetidamente.

O vestido branco.

O sorriso.

O beijo com Iago.

A maneira como ela havia olhado para o elfo.

Darley apertou os punhos.

NĂŁo queria pensar naquilo.

NĂŁo queria sentir aquilo.

E, principalmente, nĂŁo queria admitir o que estava acontecendo dentro dele.

CiĂșme.

Era esse o nome.

Um sentimento que ele conhecia apenas de ouvir falar, mas que nunca havia permitido que fizesse parte de sua vida.

Ele sempre fora um homem controlado.

Frio.

Calculista.

Sabia exatamente o que queria e fazia o necessĂĄrio para conseguir.

Seu objetivo era claro.

O Reino das Fadas.

A magia daquele povo era a Ășnica coisa capaz de ampliar o poder de sua alcateia e permitir que ele alcançasse territĂłrios que, sozinho, jamais conseguiria conquistar.

Celeste era apenas uma peça naquele jogo.

Uma ligação conveniente.

Um caminho para chegar até Helena e, consequentemente, ao reino.

Mas agora...

Agora Helena estava começando a ocupar seus pensamentos.

E isso era perigoso.

— Não — murmurou para si mesmo.

Parou diante da janela de seus aposentos e observou a floresta.

— Isso não vai acontecer.

Precisava manter a cabeça no lugar.

NĂŁo podia se apaixonar.

NĂŁo podia desejar Helena.

NĂŁo podia permitir que qualquer sentimento destruĂ­sse anos de planos.

Porque, se isso acontecesse, ele poderia perder tudo.

Celeste entrou em seus aposentos pouco depois.

Assim que fechou a porta, seu rosto mudou.

O sorriso desapareceu.

A expressĂŁo doce que mostrava diante dos outros deu lugar Ă  raiva.

Ela havia saĂ­do do baile ainda mais incomodada do que quando chegou.

Helena tinha conseguido tudo.

A admiração.

Os olhares.

Os elogios.

Os aliados.

E, pior ainda, tinha Iago.

Celeste caminhou de um lado para o outro.

— Eu preciso fazer alguma coisa.

Parou diante do espelho.

— Preciso fazĂȘ-la cair.

Mas como?

Helena era uma princesa.

Tinha proteção.

Tinha aliados.

E agora começava a conquistar influĂȘncia entre os reinos.

Celeste precisava encontrar uma fraqueza.

Alguma coisa que pudesse usar para humilhĂĄ-la diante de todos.

— Alguma coisa...

Ela pensou.

Nada.

Ainda.

Mas Celeste nĂŁo desistiria.

Se precisasse esperar, esperaria.

Se precisasse fingir amizade, fingiria.

Se precisasse mentir, mentiria.

Helena pagaria.

Enquanto isso, no Reino das Fadas, o amanhecer chegou.

Helena abriu os olhos lentamente.

Por alguns segundos, ficou olhando para o teto.

EntĂŁo tudo voltou.

O baile.

Iago.

O jardim.

O beijo.

Ela levou os dedos aos prĂłprios lĂĄbios.

Um sorriso involuntĂĄrio surgiu.

Ela havia gostado.

Muito mais do que esperava.

Iago sempre fora seu melhor amigo.

A pessoa em quem confiava.

Aquele que conhecia desde criança.

Mas agora ele havia dito que a amava.

E isso mudava tudo.

Helena sentou-se na cama.

— E agora?

Ela nĂŁo sabia.

NĂŁo sabia se conseguiria enxergar Iago como namorado.

NĂŁo sabia se conseguiria transformar tantos anos de amizade em algo diferente.

Mas sabia que havia gostado do beijo.

Isso era impossĂ­vel negar.

SĂł que havia outra coisa.

Darley.

Helena fechou os olhos.

Lembrou-se da dança.

Da mĂŁo dele em sua cintura.

Do olhar intenso.

Da maneira como ele a conduzia pelo salĂŁo.

Por que havia gostado?

Darley era arrogante.

Frio.

Perigoso.

Perverso em muitos aspectos.

Era exatamente o tipo de homem que deveria evitar.

Então por que seu coração acelerava quando pensava nele?

Helena passou a mĂŁo pelo rosto.

— Isso está ficando complicado.

Ela ainda nĂŁo sabia, mas havia uma razĂŁo para aquela confusĂŁo.

Uma razĂŁo que fazia parte da prĂłpria natureza das fadas.

Entre os lobos, o vínculo de alma começava de uma maneira diferente.

O cheiro.

O instinto.

A presença.

Um lobo podia reconhecer seu companheiro através do olfato e de uma conexão que despertava quase imediatamente.

Com as fadas, porém, era diferente.

Principalmente com as mulheres da linhagem real.

A magia ancestral escondia o cheiro da alma gĂȘmea durante a maior parte do tempo.

Para que uma princesa fada conseguisse reconhecĂȘ-lo, seu corpo precisava atingir um estado de intensa emoção e desejo.

Era naquele momento que a magia despertava.

O cheiro surgia.

A conexĂŁo se revelava.

E, quando acontecia, nĂŁo havia como confundir.

Helena ainda nĂŁo sabia disso.

Poucas pessoas conheciam aquele segredo.

Era uma tradição antiga, guardada pelas mulheres da família real.

E talvez fosse por isso que ela ainda nĂŁo tivesse percebido nada.

Ela nunca havia sentido aquela intensidade antes.

Até conhecer Darley.

Helena abriu os olhos.

— Não.

NĂŁo queria pensar nisso.

Darley era um problema.

Iago era alguém que ela conhecia.

Confiava.

Amava como amigo.

Talvez pudesse aprender a amĂĄ-lo de outra maneira.

Mas Darley...

Darley era diferente.

Perigoso.

ImprevisĂ­vel.

E, justamente por isso, despertava nela uma curiosidade que Helena nĂŁo conseguia controlar.

Ela se levantou e caminhou até a janela.

Do lado de fora, o reino despertava.

As fadas voavam entre as ĂĄrvores.

Os elfos atravessavam os jardins.

Tudo parecia tranquilo.

Mas Helena sentia que alguma coisa havia mudado.

Na noite anterior, ela era apenas uma princesa tentando entender seu lugar no mundo.

Agora havia dois homens ocupando seus pensamentos.

Um era seu melhor amigo.

O outro era o Alfa que deveria ser seu inimigo.

E nenhum dos dois parecia disposto a sair dali.

Enquanto isso, muito longe dali, Darley tomava a mesma decisĂŁo que Helena.

NĂŁo permitiria que sentimentos interferissem em seus planos.

Celeste tomava outra.

Encontraria uma maneira de destruir a irmĂŁ.

E Helena ainda nĂŁo fazia ideia de que o maior segredo de sua prĂłpria linhagem estava prestes a despertar.

Porque algumas ligaçÔes não podiam ser escolhidas.

Algumas nĂŁo podiam ser evitadas.

E, quando a magia reconhecesse seu verdadeiro companheiro...

Nem mesmo uma princesa seria capaz de fugir do prĂłprio destino.

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