LOGINCapítulo 7 — Ciúmes, Desejos e Confissões
A música voltou a preencher o salão depois da apresentação da princesa. As luzes mágicas dançavam pelo teto, as taças eram erguidas e as conversas se espalhavam entre os convidados. Helena respirou fundo, ainda sentindo o peso de todos aqueles olhares sobre ela. Iago continuava ao seu lado. Ele estendeu a mão. — Princesa, me concede a primeira dança? Helena sorriu. — Desde quando você ficou tão formal? — Desde que descobri que estou acompanhando uma princesa. Ela riu e colocou a mão sobre a dele. — Então vamos, senhor Iago. Os dois caminharam até o centro do salão. A música começou. Iago conduziu Helena com segurança, fazendo-a girar suavemente. Ela acompanhava os movimentos, sorrindo quando ele fazia alguma brincadeira para fazê-la perder a concentração. — Você está se achando muito hoje — ela comentou. — Talvez seja porque estou dançando com a mulher mais bonita deste salão. Helena revirou os olhos. — Você está exagerando. — Não estou. Ela riu. Por alguns minutos, os dois esqueceram todos os problemas. Mas a noite tinha um propósito maior. Assim que a música terminou, Helena percebeu que precisava voltar aos seus deveres. Ela começou a circular pelo salão. Conversou com representantes de outros reinos, líderes élficos, membros das alcateias, feiticeiros, famílias nobres e diferentes criaturas mágicas que haviam viajado para conhecê-la. Helena não queria apenas receber elogios. Queria alianças. Perguntava sobre os territórios, ouvia histórias, demonstrava interesse pelas necessidades de cada povo e deixava claro que, quando chegasse o momento de governar, desejava manter relações pacíficas com todos. Aos poucos, conquistou aliados. Alguns líderes ofereceram apoio. Outros demonstraram interesse em fortalecer os laços com o Reino das Fadas. Helena percebeu que estava conseguindo exatamente o que precisava. Enquanto isso, Celeste observava. A cada novo convidado que se aproximava de Helena, sua irritação aumentava. Finalmente, decidiu agir. Aproximou-se com um sorriso falso. — Parece que está aproveitando bastante sua noite. Helena virou-se. — Estou, sim. — Todos parecem encantados com você. — É uma noite importante para o reino. Celeste inclinou a cabeça. — Principalmente para você, não é? Helena percebeu a provocação. — O que você quer, Celeste? — Nada. Só queria contar que eu também estou muito feliz. Helena esperou. Celeste sorriu. — Afinal, agora tenho o que sempre quis. Helena compreendeu. — Darley. — Exatamente. Celeste fez questão de pronunciar o nome. — O Alfa agora é meu. Helena poderia ter discutido. Poderia ter demonstrado ciúme. Mas apenas sorriu. — Então espero que você seja feliz. E virou-se. Celeste ficou irritada. — Você não quer saber de mais nada? Helena olhou por cima do ombro. — Não. E saiu. A indiferença dela doeu mais do que qualquer discussão. Celeste ficou parada, sentindo a raiva crescer. --- Do outro lado do salão, Darley havia acompanhado tudo. Ele não gostou da maneira como Celeste havia falado. Mas, principalmente, não gostou da maneira como Helena simplesmente ignorara a provocação. Seus olhos seguiram Helena. Ela estava conversando com um grupo de elfos quando Darley se aproximou. — Princesa Helena. Ela virou-se. — Alfa Darley. Ele estendeu a mão. — Dança comigo. Helena hesitou. — Eu estava conversando. — Pode continuar depois. Ela olhou para ele. Não queria aceitar. Mas a etiqueta exigia. — Está bem. Ela colocou a mão sobre a dele. A música começou. Darley a conduziu para o centro do salão. Helena manteve a postura firme. — Não achei que dançasse — comentou. — Há muitas coisas que você ainda não sabe sobre mim. — E talvez continue sendo melhor assim. Ele sorriu discretamente. — Você sempre responde dessa maneira? — Quando necessário. Darley se aproximou um pouco mais durante a dança. Helena sentiu o coração acelerar, mas tentou ignorar. Do outro lado, Iago observava. O sorriso desapareceu. Ele não gostava daquela proximidade. Não gostava da maneira como Darley olhava para Helena. E, principalmente, não gostava de perceber que aquilo despertava ciúmes nele. Quando a música terminou, Iago foi imediatamente até Helena. — Preciso falar com você. — Agora? — Agora. Ele segurou a mão dela e a conduziu para fora do salão. --- O jardim estava silencioso. A luz da lua iluminava as flores mágicas, enquanto pequenas borboletas brilhavam entre os arbustos. Helena parou. — O que aconteceu? Iago respirou profundamente. — Eu não consigo mais guardar isso. Ela ficou séria. — Guardar o quê? Ele se aproximou. — O que sinto por você. Helena não respondeu. — Durante anos, você foi minha melhor amiga. Minha companheira de aventuras. A pessoa que eu mais conheço. Ele sorriu. — Mas hoje eu percebi que não consigo mais olhar para você apenas como minha amiga. Helena sentiu o coração acelerar. — Iago... — Eu vejo você como uma mulher agora, Helena. Ele segurou suas mãos. — E eu quero saber se algum dia você seria capaz de me amar. Helena ficou em silêncio. Não queria destruir a esperança dele. — Eu não consigo prometer isso agora. Iago baixou os olhos. Ela apertou suas mãos. — Mas isso não significa que seja impossível. Ele voltou a encará-la. — Então existe uma possibilidade? Helena sorriu. — Existe. Foi tudo o que Iago precisava ouvir. Ele se aproximou e a beijou. Helena ficou surpresa. Mas não recuou. O beijo começou delicado e se tornou mais intenso à medida que os dois se entregavam ao momento. Iago segurou sua cintura e passou os dedos pelos cabelos dela, aproximando-a de si. Helena sentiu o coração disparar. Quando finalmente se afastaram, ela permaneceu alguns segundos em silêncio. Iago sorriu, satisfeito. Para ele, aquele beijo significava uma vitória. Talvez Helena finalmente começasse a enxergá-lo de outra maneira. Mas havia alguém observando. Darley. Ele estava parado próximo à entrada do jardim. Tinha visto tudo. O beijo. A proximidade. A maneira como Iago segurava Helena. E sentiu algo que não deveria sentir. Ciúme. Um ciúme intenso, irracional. Darley cerrou os punhos. Helena não era dele. Não havia motivo para aquilo incomodá-lo. Mas incomodava. Muito. Ele se virou e voltou para o salão. Encontrou Celeste esperando. — Vamos embora. Ela piscou. — Mas a festa ainda— — Acabou para mim. Darley segurou seu braço e a conduziu para fora. Celeste acompanhou, mas não conseguia esconder a expressão de satisfação por estar deixando o lugar ao lado dele. Até perceber que Darley não olhava para ela. Nem uma única vez. Seu olhar estava distante. Pensativo. E Celeste entendeu. Ele estava pensando em Helena. A inveja voltou ainda mais forte. Ela apertou os dentes. Naquela noite, Helena havia conquistado aliados. Conquistado a admiração dos reinos. Recebido um beijo de Iago. E, sem sequer perceber, despertado algo perigoso em Darley. O baile chegou ao fim. Iago deixou o jardim satisfeito, acreditando que finalmente havia conquistado uma chance com Helena. Helena permaneceu confusa, tocando os próprios lábios enquanto tentava compreender tudo o que havia acontecido. Celeste partiu corroída pela inveja e pela raiva. E Darley... Darley voltou para a alcateia em silêncio. Porque havia descoberto algo que não queria admitir. Ele estava com ciúmes da princesa. E talvez esse fosse o primeiro sinal de que seus planos estavam começando a sair do controle.A coluna de luz dourada continuava atravessando o céu.Dentro da alcateia, ninguém conseguia desviar os olhos das janelas. A energia que emanava da floresta era tão intensa que até os lobos mais experientes começaram a se agitar, caminhando de um lado para o outro, incapazes de compreender o que estava acontecendo.Helena permanecia nos braços de Darley.As lágrimas ainda escorriam por seu rosto, embora ela não soubesse explicar o motivo.Não estava triste.Também não sentia medo.Era como se uma lembrança esquecida estivesse tentando encontrar o caminho de volta para sua consciência.— Helena, olhe para mim — pediu Darley, segurando delicadamente seu rosto.Ela ergueu os olhos.— Eu conheço aquela voz, Darley.Ele franziu a testa.— Como pode conhecê-la se nunca a ouviu antes?— Não sei. Mas, quando ela falou, alguma coisa dentro de mim respondeu. Foi como se eu estivesse esperando por ela durante toda a minha vida.Darley encostou a testa na dela.— Então vamos descobrir quem é. Mas
Helena apertou a mão de Darley.A voz ainda ecoava em sua mente, carregada de uma força tão antiga que parecia atravessar não apenas seus pensamentos, mas também sua própria alma.Você despertou os sete.Ela tentou responder mentalmente, mas, antes que pudesse formar qualquer palavra, uma pressão tomou conta de seu peito.Não era dor.Era reconhecimento.Como se uma parte desconhecida de sua essência soubesse exatamente quem estava falando com ela.Darley percebeu a mudança em seu rosto.— Helena, olhe para mim.Ela ergueu os olhos.— Tem alguém falando comigo.Aren deu um passo à frente.— É um dos soberanos?— Não — respondeu Helena, balançando a cabeça. — É diferente. A presença de quem está falando comigo não se parece com a de nenhum deles.Kael ficou imóvel.Pela primeira vez desde que chegara à alcateia, sua expressão perdeu a habitual segurança.— O que você sentiu exatamente?Helena fechou os olhos, tentando encontrar palavras para descrever aquela sensação.— É como se essa
Helena permaneceu em silêncio por alguns segundos.A frase continuava ecoando em sua mente.Quando todos os companheiros forem reunidos, o herdeiro nascerá do poder que os uniu.Mas, dessa vez, alguma coisa havia mudado.Ela não sentia mais medo.Sentia compreensão.Como se todas as peças que estavam espalhadas dentro dela finalmente começassem a encontrar seus lugares.Helena olhou para Darley.Depois para Aren e Daren.— Eu entendi.Darley se aproximou.— Entendeu o quê?Helena respirou fundo.— Por que os sete despertaram.Os três ficaram atentos.— Não foi para que eu tomasse o poder de vocês. E também não foi para que vocês tomassem o meu.Ela levou a mão ao peito.— O despertar de vocês aconteceu porque o poder dentro de mim estava crescendo demais.Aren franziu a testa.— Crescendo?— Sim.Helena fechou os olhos.— Existe algo dentro de mim que ainda não nasceu completamente. Algo muito maior do que o poder que eu já despertei. E eu não conseguiria controlar isso sozinha.Darle
A noite parecia ter parado.No instante em que Helena abriu os olhos, todos os sons ao redor desapareceram.As folhas deixaram de se mover.O vento cessou.Até os animais da floresta permaneceram imóveis, como se alguma força invisível tivesse ordenado que o mundo inteiro esperasse.Então veio o puxão.Mais forte do que todos os anteriores.Helena levou a mão ao peito.Seu coração bateu uma vez.Depois outra.E, no terceiro batimento, uma onda de energia atravessou seu corpo.— Helena! — Darley gritou.A energia explodiu para fora dela.Não foi uma explosão destrutiva.Foi como se a própria natureza tivesse acordado junto com ela.As árvores se curvaram.O chão vibrou.A água dos rios próximos se ergueu por alguns centímetros, formando pequenas ondas sem que houvesse vento.As flores que estavam fechadas durante a noite começaram a desabrochar.E, muito longe dali, os sete soberanos sentiram.Kael foi o primeiro a cair de joelhos.Aren sentiu as pernas perderem a força.Daren segurou
Kael permaneceu em silêncio por alguns instantes.Helena ainda tentava compreender tudo o que havia visto.Seis histórias.Seis quedas.Seis maneiras diferentes de serem destruídos pelo próprio poder.Mas agora havia uma sétima presença.A última rainha.Aquela que ainda faltava.Kael respirou profundamente.— O nome dela era Aurélia.Helena levantou os olhos.— Aurélia?— Sim.Kael observou a floresta através da abertura entre as árvores.— Ela foi uma boa rainha. Talvez a melhor entre todos nós.Helena pareceu surpresa.— Então por que ela está entre eles?Kael demorou a responder.— Porque bondade não significa que alguém continuará se importando com os outros para sempre.Helena franziu a testa.— O que aconteceu?Kael suspirou.— Aurélia perdeu quase tudo. Pessoas. Família. Reino. Confiança.Sua voz ficou mais baixa.— Depois de tantos séculos, ela simplesmente deixou de se importar.Helena permaneceu pensativa.— Ela se tornou cruel?— Não.Kael balançou a cabeça.— Esse foi jus
Eryon começou a se mover.Depois de séculos preso nas profundezas da terra, cada passo parecia carregar o peso de uma era inteira.As pedras próximas tremiam quando ele passava.Algumas se erguiam sozinhas.Outras rolavam pelo chão como se estivessem sendo atraídas por sua presença.Eryon não precisava tocá-las.Não precisava sequer olhar para elas.A terra reconhecia seu poder.O ar parecia responder à sua respiração.E, a cada quilômetro percorrido, aquela sensação dentro de seu peito ficava mais forte.O chamado.Aquela energia que o havia arrancado das profundezas.Aquela presença que, desde o instante em que despertara, parecia estar esperando por ele.Eryon sabia que precisava encontrá-la.Mas havia outra coisa que começava a chamar sua atenção.Ele não estava sozinho.Existiam outras presenças se movendo.Algumas muito distantes.Outras mais próximas.E uma delas estava se aproximando rapidamente.Lúcio.Eryon fechou os olhos por alguns segundos.Sentiu a energia daquele antigo







