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Capítulo 2

Autor: Janedoewritings
— Gianna! Se você não colocar esses sapatos agora mesmo, eu vou perder o juízo!

A voz da minha mãe subiu uma oitava.

Desviei os olhos do espelho, onde estava encarando meus próprios olhos. Tratava de ver se eles ainda pareciam os da garota mascarada de duas noites atrás.

— Já estou indo, mãe! Relaxa! Não vamos nos atrasar! — gritei de volta, pegando um par de saltos nude no chão.

Caminhei até a sala e encontrei uma cena de puro caos.

Minha mãe usava um vestido floral que a abraçava nos lugares certos, mas suas mãos tremiam enquanto tentava colocar uma argola de ouro na orelha.

Ela deixou o brinco cair pela terceira vez, soltando um som de frustração.

— Deixa que eu te ajudo. — falei, me aproximando.

Peguei o pequeno círculo dourado, passei pelo lóbulo dela e fechei com um clique.

— Obrigada, G. — ela respirou aliviada, acariciando minha bochecha.

— Eu só quero que tudo saia perfeito. O Salvatore é... ele é diferente.

— É um homem bom, mas a família dele... os filhos. Eles são os Capone, Gianna.

— São o tipo de gente que manda na cidade. Se eles acharem que não sou certa para ele, ou se acharem que vocês, garotas, são... bem, você sabe.

— Nós seremos o próprio exemplo de elegância. — prometi, piscando para ela.

— Vão achar que eu e a Jules fomos criadas em um palácio.

Virei-me para minha irmãzinha, Jules.

No momento, ela tentava enfiar uma boneca Barbie trambolhuda dentro da bolsa pequena e brilhante que a mamãe tinha comprado para a ocasião.

Ela usava um vestido com tantas camadas de tule rosa que parecia uma esponja de banho ambulante.

— Ei, tampinha. — falei, me agachando.

Fiz uma careta de peixe enorme e patética para ela, sugando as bochechas e piscando os cílios até parecer completamente ridícula.

Jules caiu na gargalhada.

— G! Você parece um sapo esquisito!

— Eu pareço majestosa. — corrigi, dando um toque no nariz dela.

— Agora, preste atenção. Quando chegarmos naquela casa, se algum daqueles caras parecer bravo, é só mostrar a língua para eles quando não estiverem olhando.

— É um truque secreto que dá sorte.

— Gianna, não ensina isso para ela! — mamãe resmungou do corredor, brigando com o batom.

Mesmo reclamando, vi o canto da boca dela se curvar.

Fiquei de pé, alisando o tecido do meu vestido creme.

Cinco mil dólares.

Aquele estranho, o homem dos olhos lindos e das tatuagens que pareciam queimar a minha pele, tinha sido uma tábua de salvação para nós.

Por causa daquela gorjeta, consegui cobrir o pagamento desta semana para Cole Mercer.

Eu entregaria o dinheiro a ele assim que o jantar acabasse.

Ainda devíamos a ele mais do que eu tinha coragem de admitir. Mas, por enquanto, pelo menos ele receberia a parte dele.

Até usei um pouco do dinheiro para comprar os sapatos chiques que a Jules está usando esta noite.

— Prontas? — mamãe perguntou, com a mão na maçaneta.

Do lado de fora, o SUV dos Capone esperava ligado, aguardando por nós.

Ela estava linda, mesmo parecendo um pouco cansada. Um pouco mais frágil do que o normal.

Era só o nervosismo de conhecer o círculo íntimo do lendário Salvatore Capone.

— Prontas. — respondi, segurando a mão de Jules e balançando-a.

O SUV deslizou pela entrada da garagem, que era absurdamente longa.

De ambos os lados, ciprestes italianos se erguiam imponentes.

O carro diminuiu a velocidade até quase parar quando a casa apareceu por completo.

Era uma construção monstruosa. Pedra branca, pilares imensos e uma porta de entrada que parecia pertencer a uma catedral.

— Uau. — Jules sussurrou. — É um castelo.

— É muita janela para limpar. — resmunguei.

O SUV parou no momento exato bem em frente às escadarias gigantescas.

Um dos homens de terno desceu rápido e abriu a nossa porta, estendendo a mão para a minha mãe. Ela aceitou, saindo do carro.

Saí logo atrás dela, puxando Jules comigo...

E foi aí que eu os vi.

Três homens altos formavam um círculo descontraído.

Meu estômago despencou tão rápido que achei que fosse vomitar ali mesmo.

Bem no meio deles estava o homem do clube de striptease.

E mesmo com os óculos de grau finos que usava agora, eu reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar.

Castanho-claros, como mel exposto ao fogo.

Duas noites atrás.

Cinco mil dólares.

A mão dele na minha cintura.

Os olhos dele em mim.

Meu estômago virou um bloco de gelo. Senti náuseas.

Eu me senti nua, mesmo estando de vestido.

— Mãe... — meus dedos apertaram a mão de Jules com força, chegando a doer.

— Quem... quem são aquelas pessoas?

Minha mãe olhou para eles, com um sorriso radiante e esperançoso no rosto.

Ela não fazia ideia. Não sabia que a filha era uma mentirosa.

Não sabia de onde todo aquele dinheiro tinha vindo de verdade.

— Ah. — disse ela, com leveza.

— Aqueles são os filhos do Salvatore. Adriano, Dante...

— E aquele ali de óculos é o Raphael.

Aqueles olhos eram os mesmos que tinham me visto dançar.

Que me viram rebolar.

Que me viram aceitar o dinheiro dele.

O mundo girou ao meu redor.

O homem para quem fiz o striptease.

O homem que me deu essa gorjeta como se não fosse nada.

Ele seria o meu futuro irmão postiço.

Cazzo.

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