Startseite / Romance / O Segredo dos Gêmeos do CEO / Capítulo 8: A Herdeira de Vermelho

Teilen

Capítulo 8: A Herdeira de Vermelho

last update Veröffentlichungsdatum: 13.08.2026 05:42:08

Existe um tipo de mulher que entra num ambiente como quem cobra um aluguel atrasado. Patrícia Siqueira era exatamente esse tipo.

Ela emergiu no saguão da presidência com passos altivos, num vestido justo de alta-costura em tom vermelho-fechado, carregando uma bolsa de grife e óculos escuros italianos que logo empurrou para o topo dos cabelos loiros perfeitamente escovados.

Patrícia era a herdeira do Grupo Siqueira, a mulher que os colunistas davam como noiva de Alexander havia dois anos — um noivado que ele nunca confirmara e nunca desmentira — e a filha do homem que tentava fechar a fusão milionária com a Vance.

Ela atravessou a antessala com a naturalidade de quem acredita ser dona do prédio. Quando os olhos pousaram em Helena, sentada atrás da mesa executiva, parou.

Varreu-a de alto a baixo com um olhar desdenhoso, detendo-se no terninho simples e na ausência de joias.

— Cadê a Márcia? — perguntou, sem dar bom dia. A voz era estridente, acostumada a dar ordens.

Helena ergueu o olhar da tela. A fisionomia permaneceu serena.

— A dona Márcia está em uma reunião no administrativo. Sou Helena Drummond, a nova assistente executiva do senhor Vance. Em que posso ajudá-la?

Patrícia soltou um riso falso e deu dois passos em direção à mesa, apoiando a bolsa sobre o tampo de vidro.

— Assistente nova? O Alexander adora trocar o pessoal de apoio como quem troca de gravata — disse, a voz carregada de superioridade. — Avisa que eu cheguei. Nós temos um almoço marcado e eu quero alinhar os detalhes da fusão da empresa do meu pai antes da reunião do conselho.

Helena consultou a tela com um toque rápido no teclado.

— Sinto muito, senhora Siqueira. A agenda do senhor Vance não registra nenhum almoço para hoje. Às doze e trinta ele tem uma conferência com os acionistas de Londres, seguida de uma inspeção na filial de Santos.

O rosto de Patrícia contraiu-se numa expressão de fúria indisfarçável. Ela retirou a bolsa da mesa com um gesto brusco.

— Como você ousa checar a agenda dele para mim? Eu sou Patrícia Siqueira. Eu não preciso de agendamento para ver o meu noivo.

— A agenda da presidência é gerida por este departamento — Helena respondeu, a voz mantendo um tom aveludado e equilibrado, sem um único sinal de submissão. — O senhor Vance deu instruções estritas de que não haverá interrupções não programadas antes da reunião do conselho, às dez. Se a senhora desejar, posso reservar um horário para a próxima semana.

Patrícia deu um passo à frente, os olhos faiscando diante da calma cortante daquela mulher.

— Escuta aqui, sua secretariazinha insignificante — disparou, baixando o tom para que apenas as duas ouvissem. — Você não sabe com quem está falando. Eu boto você na rua com um telefonema. Sai da minha frente antes que eu faça você se arrepender de ter nascido.

Helena ergueu-se devagar da cadeira. A postura ereta fez com que encarasse Patrícia de igual para igual. O olhar castanho estava frio, límpido, sem um traço de medo.

— A senhora está livre para fazer quantos telefonemas quiser — declarou, num tom firme que ecoou pela antessala. — Mas, enquanto eu for a assistente executiva desta presidência, as regras de agendamento da Vance serão cumpridas. E sugiro que modere o tom de voz. Esta é uma área de diretoria, não um clube social.

Patrícia ficou pálida de raiva. Ergueu a mão de unhas esculpidas, como se estivesse prestes a bater na mesa ou apontar o dedo para o rosto de Helena.

— Sua vadia insolente…

— O que está acontecendo aqui?

A voz de Alexander cortou o ar como um golpe de machado.

A porta da presidência abriu-se de par em par. Ele surgiu no limiar, o paletó já vestido, o rosto tomado por uma severidade assustadora. Os olhos cinzentos varreram a cena: Patrícia alterada com a mão erguida, e Helena parada atrás da mesa com a postura de quem não se abala por ataque vulgar.

Patrícia mudou de expressão no mesmo instante, adotando um tom vitimista ao se voltar para ele.

— Alexander, querido! Graças a Deus você apareceu — disse, aproximando-se e tentando segurar o braço dele. — Essa sua funcionária nova foi extremamente grosseira comigo. Eu só vim para o nosso almoço e ela me insultou, impediu minha entrada. Você precisa demiti-la agora.

Alexander não permitiu o gesto de afeto. Deu um passo sutil para o lado, esquivando-se do toque, e manteve os olhos cravados em Helena.

— Isso é verdade, senhorita Drummond? — perguntou, a voz gélida, testando a reação dela diante da herdeira.

Helena encarou-o nos olhos, mantendo a serenidade absoluta.

— Eu informei à senhora Siqueira os compromissos da sua agenda oficial, senhor Vance. Informei que não havia almoço registrado e que suas ordens eram de não haver interrupções antes da reunião do conselho. A senhora Siqueira não aceitou o protocolo da empresa.

Alexander olhou de Helena para Patrícia. Conhecia o comportamento da herdeira havia anos e sabia perfeitamente quem estava dizendo a verdade. Mas o que mais o impressionou foi outra coisa: Helena não buscara a proteção dele. Não olhara para ele pedindo socorro uma única vez.

Ele deu dois passos em direção a Patrícia, e a figura imponente fez a mulher recuar.

— A senhorita Drummond está cumprindo as minhas ordens, Patrícia — disse, a voz firme e cortante. — Ninguém entra na minha sala sem agendamento prévio. Nem mesmo você.

Patrícia entreabriu a boca, chocada com a humilhação pública.

— Alexander! Você está defendendo uma secretária em vez de mim? A minha família está prestes a fechar a fusão com a sua empresa.

— A fusão com o Grupo Siqueira é um negócio financeiro — Alexander rebateu, sem admitir réplica. — Não um passe livre para desorganizar a minha presidência. Se você quer almoçar comigo, marque com a senhorita Drummond para a semana que vem. Agora, com licença, tenho reunião de conselho em três minutos.

Ele virou-se para Helena.

— Senhorita Drummond, pegue os relatórios em alemão e me acompanhe à sala do conselho.

— Sim, senhor Vance — respondeu prontamente, recolhendo a pasta sem dirigir um único olhar de triunfo a Patrícia.

Patrícia bufou, pegou a bolsa e caminhou pisando fundo em direção aos elevadores.

Helena caminhou ao lado de Alexander pelo corredor. Eles não se tocaram, mas a tensão entre os dois era palpável.

— Você lida bem com cobras, senhorita Drummond — Alexander comentou baixinho, sem olhar para ela.

— Fui criada para enfrentar leões, senhor Vance — Helena respondeu no mesmo tom. — Cobra é só um inconveniente de percurso.

Alexander travou os passos por um segundo diante da porta da sala do conselho. Olhou para ela, e um brilho sombrio de admiração incontida atravessou as íris cinzentas.

— Veremos se você continua confiante quando o conselho tentar te pressionar lá dentro — disse, abrindo a porta pesada.

— Que tentem — Helena respondeu, passando por ele e entrando na sala onde doze diretores de terno escuro aguardavam.

O que ela não viu, porque já estava de costas, foi o que aconteceu trinta metros atrás, junto aos elevadores.

Patrícia Siqueira não tinha descido. Estava parada no vão da porta de metal, com o celular colado ao ouvido, encarando as costas de Helena.

— Pai — disse ela, baixinho, quando atenderam do outro lado. — Preciso que você descubra tudo sobre uma mulher. O nome dela é Helena Drummond.

Lies dieses Buch weiterhin kostenlos
Code scannen, um die App herunterzuladen

Aktuellstes Kapitel

  • O Segredo dos Gêmeos do CEO   Capítulo 100: A Gaveta de Aço

    Alexander Vance desceu dezoito degraus descalço, de calça de pijama, com o celular na mão e a certeza absoluta de que ia encontrar uma gaveta arrombada.A porta do escritório estava fechada. O tapete do corredor estava liso. A chave da gaveta de aço estava exatamente onde ele a tinha deixado na sexta-feira: dentro de um livro de capa dura, na quarta prateleira, entre a página cento e dez e a página cento e onze.Ele abriu a gaveta.A caixa azul estava lá.A fita cortada. A tampa mal encaixada, do jeito que ele mesmo tinha deixado. O fundo falso no lugar. As sete cartas amarradas com barbante, em ordem, com o envelope de cima aberto e a folha dobrada dentro.Ninguém tinha tocado em nada.Alexander ficou ajoelhado no chão do próprio escritório por uns quinze segundos, com a mão em cima daquele papelão, sentindo o alívio subir e depois entender, com uma clareza horrível, que alívio era a emoção completamente errada.Porque a mensagem dizia ela encontrou o papel.E a pasta que tinha sumid

  • O Segredo dos Gêmeos do CEO   Capítulo 99: Cláusula 7.4

    Helena Drummond levou exatamente onze segundos para deixar de ser uma mulher que acordou feliz e voltar a ser uma auditora.Ela não se moveu.Ficou na mesma posição torcida, com o braço estendido, olhando para aquela folha, e a primeira coisa que passou pela cabeça dela foi completamente banal: é só um relatório, ele esvazia o bolso aqui todo dia.A segunda foi que relatório não tem a palavra exclusividade no título.Ela olhou para Alexander.Dormindo. A mesma respiração funda. O mesmo vinco entre as sobrancelhas.Helena sentou-se na cama devagar, com o cuidado profissional de quem passou dois anos aprendendo a sair de um colchão sem acordar dois bebês, e puxou a pasta para o colo.Havia, ao lado de onde a pasta estava, o resto do bolso dele: um relógio, um cartão-chave, duas moedas e o celular virado para baixo.Ela não tocou no celular.Isso importava para ela. Depois, muitas vezes, ela repetiria isso para si mesma: eu não abri o telefone dele.Abriu a pasta.Papel timbrado. Bittenc

  • O Segredo dos Gêmeos do CEO   Capítulo 98: Fica

    Há uma diferença enorme entre perdoar alguém e parar de cobrar, e quase todo mundo confunde as duas coisas até a primeira vez em que precisa fazer a segunda.— Me pergunta o que eu quero — disse Helena.— O quê?— Você ia dizer agora que não pode devolver os cinco anos. — Ela puxou a manta. — Eu conheço o roteiro. Você ia dizer que não pode devolver os cinco anos, que não pode apagar o que fez, e que vai passar o resto da vida tentando construir alguma coisa que faça esses cinco anos parecerem menores.Alexander abriu a boca e fechou.— Era exatamente o que eu ia dizer.— Eu sei. Você é muito previsível quando está emocionado, o que é um dado interessante sobre você que eu pretendo usar. — Ela quase sorriu. — E eu não quero isso.— Você não quer que eu compense.— Eu não quero que você passe quarenta anos me pagando uma dívida, porque eu já fui uma linha no passivo de um homem da sua família e eu não vou ser de novo, nem na versão bonita. — Helena olhou para ele. — Compensação é conta

  • O Segredo dos Gêmeos do CEO   Capítulo 97: O Nome Que Ele Não Usa

    Existem confissões que um homem só consegue fazer em lugares onde ninguém sabe o sobrenome dele, e é por isso que os confessionários têm grade.Eles caminharam descalços pela faixa dura de areia molhada, onde a água acabava de subir e recuar, e não havia nenhuma pegada além das deles em quinhentos metros de praia.Uma onda avançou mais do que devia e pegou Helena até o joelho.Ela gritou, riu, xingou em voz alta uma palavra que nunca tinha dito na frente de Alexander e enrolou a barra da calça de qualquer jeito, e Alexander Vance parou de andar por dois segundos só para olhar aquilo, porque em quatro meses ele nunca tinha visto aquela mulher fazer nada sem calcular antes.— Para de me olhar com essa cara — disse ela.— Que cara?— Essa cara de quem acabou de descobrir uma coisa.— Que você tem uma risada diferente quando não tem ninguém por perto.Helena parou de enrolar a calça.Andaram mais um pouco. Ele pôs a manta nos ombros dela, ela aceitou sem discutir, e em algum ponto da cami

  • O Segredo dos Gêmeos do CEO   Capítulo 96: Estrada de Terra

    Alexander Vance mentiu para a noiva pela primeira vez às sete e quarenta da noite de sábado, e a mentira tinha quatro palavras: não é nada, dormi mal.Ele tinha dormido cinquenta minutos em duas noites.Na sexta-feira, depois de ficar até as quatro e dez da manhã lendo sete cartas escritas em mil novecentos e sessenta e um, Alexander tinha guardado tudo de volta no fundo falso da caixa azul, levado a caixa para o escritório, trancado na gaveta de aço embaixo da escrivaninha e passado o dia inteiro fazendo coisas normais.Tomou café com os gêmeos. Levou o Leo ao pediatra. Respondeu quarenta e um e-mails. Ligou para o advogado criminalista que acompanhava o caso do chá beneficente e ouviu, com atenção profissional, que o inquérito tinha sido distribuído e que a perícia no colar sairia em até vinte dias.E não contou nada a Helena.Ele tinha, para isso, três justificativas que soavam muito bem dentro da cabeça dele.A primeira: aquilo era antigo. Sessenta e cinco anos. Nada daquilo ameaç

  • O Segredo dos Gêmeos do CEO   Capítulo 95: Dezoito Nomes

    Há coisas que uma família guarda por vergonha, coisas que guarda por amor, e uma terceira categoria, muito mais rara, que ela guarda porque não teve coragem nem de esconder direito.Voltaram para casa às onze e meia.Helena subiu para ver as crianças. Leo dormia atravessado na cama com os dois pés para fora e uma meia só. Maya dormia com o dedo na boca, a coisa que ela tinha abandonado aos três anos e recomeçado três semanas antes, e Helena ficou de pé na porta olhando aquilo por um tempo longo demais, com a mão esquerda fechada porque não queria acordar ninguém com o brilho.Alexander não subiu com ela.Havia uma coisa que ele tinha deixado pela metade às cinco da tarde, e ele não conseguia dormir com coisa pela metade.Subiu ao sótão à meia-noite e vinte, de camisa sem gravata, com a caixa azul debaixo do braço, para devolvê-la ao lugar de onde tinha saído.Foi ao guardar que ele percebeu.O fundo da caixa estava alto demais.Alexander conhecia proporção — conhecia por profissão e p

Weitere Kapitel
Entdecke und lies gute Romane kostenlos
Kostenloser Zugriff auf zahlreiche Romane in der GoodNovel-App. Lade deine Lieblingsbücher herunter und lies jederzeit und überall.
Bücher in der App kostenlos lesen
CODE SCANNEN, UM IN DER APP ZU LESEN
DMCA.com Protection Status