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Capítulo 4

Author: Sem Sonhos
Eu estava sendo estrangulada, sem conseguir respirar, e batia desesperadamente nas mãos dele.

— Cof... Que Carlos...?

Henrique me soltou com violência, tomado pela fúria, e chutou a mesa, a virando no chão.

— Juliana já me contou tudo! À tarde, você a agrediu como uma louca! Ela estava com o menino na farmácia para fazer um curativo e, quando se virou, Carlos tinha desaparecido! Além de você, quem mais teria sequestrado uma criança de três anos?

Tossindo convulsivamente, encarei aquele homem furioso diante de mim, sem acreditar no que estava ouvindo.

— Eu nem saí de casa! Você enlouqueceu?

— Quem enlouqueceu foi você! — Henrique estava tão aflito que tinha os olhos vermelhos. Apontando o dedo para o meu rosto, berrou. — Há meio ano você passa álcool em mim todos os dias. A sua cabeça já está completamente transtornada! Agora nem uma criança inocente você poupa! Ligue agora para as pessoas que contratou e mande eles voltarem!

Cerrei os dentes e recuei.

— Eu já disse que não o vi! Se não suporta isso, então se divorcie de mim! — Me virei para pegar o acordo de divórcio sobre a mesa.

— Enquanto não disser onde está o menino, você não sai daqui!

De repente, Henrique agarrou a parte de trás da gola da minha roupa. A força brutal dele rasgou minha camisa, e os botões se espalharam pelo chão. Meu corpo ficou exposto ao ar frio.

Antes que eu pudesse reagir, ele segurou meu pulso e me arrastou com violência para o banheiro, como se estivesse arrastando uma criminosa.

— Henrique, o que você está fazendo? Me solte! — Gritei, tomada pelo pânico.

Naquele instante, as mãos daqueles homens no beco, quando eu tinha dezesseis anos, se sobrepuseram por completo às mãos de Henrique.

— Se não entregar a criança, hoje eu vou fazer você cair em si!

Ele chutou a porta do banheiro e me arremessou com força dentro da banheira gelada.

Abriu o chuveiro, e a água fria caiu sobre mim sem piedade.

— Cof, cof... Socorro...

Engasgada pela água, eu me debatia desesperadamente, tentando sair da banheira.

Henrique arrancou o cinto da própria cintura, torceu meus braços para trás e os amarrou com força ao apoio metálico da banheira.

Eu me contorcia como louca, o corpo inteiro tremia na água gelada.

Henrique se virou e pegou, debaixo da pia, um grande galão de álcool desinfetante de alta concentração.

Ele desenroscou a tampa e despejou o álcool diretamente sobre a minha cabeça.

— Você não gosta tanto de atormentar os outros com álcool? Então fale! Onde está a criança?

O cheiro intenso de álcool roubou meu ar em um instante, e meus olhos arderam como se estivessem em chamas.

Henrique, porém, não se importou. Segurou minha cabeça com força e a empurrou de novo para dentro da água misturada com álcool na banheira.

Engasgada, eu só conseguia emitir alguns sons indistintos, enquanto meu estômago se contraía em espasmos violentos.

— Está doendo...

Antes que eu terminasse de falar, uma dor aguda, como uma faca sendo retorcida, atravessou meu baixo-ventre.

Logo depois, um líquido quente escorreu pela parte interna das minhas coxas.

Aquele calor se misturou à água gelada da banheira e, em um instante, apareceu uma mancha vermelha-viva, ofuscante.

Olhei fixamente para as manchas de sangue se espalhando pela água, atordoada, e me esqueci de continuar lutando.

Foi nesse momento que o celular que ele havia jogado sobre a pia tocou. Ao ver quem ligava, Henrique hesitou por um segundo antes de atender.

Do outro lado da linha, a voz de um policial soou com certa impaciência.

— É o Sr. Henrique? A criança não foi sequestrada! O menino foi sozinho até o último andar do shopping para brincar no escorregador. Quando o encontramos, estava tomando sorvete. Vocês não ficaram de olho no próprio filho e insistiram em dizer que ele havia sido sequestrado e que alguém queria assassiná-lo de propósito. Isso não é desperdício de recursos policiais?

Por um instante, no banheiro, restou apenas o barulho da água caindo do chuveiro. O celular na mão de Henrique e o galão de álcool caíram juntos no chão.

Ele virou a cabeça de repente e seu rosto foi ficando pálido como papel.

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