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Capítulo 3

Author: Seven Seas
Meu celular vibrou uma vez.

[Voo internacional para o Rio — check-in disponível]

Fiquei olhando para a notificação por um longo tempo.

Caelan odiava lugares assim, cheios de calor e luz do sol.

Mas, pela primeira vez em anos, finalmente senti que conseguia respirar outra vez.

Durante cinco anos, aceitei de bom grado ser sua fonte de sangue. Dormia ao lado dele em caixões, esperando que ele abaixasse a cabeça para beber meu sangue, e me contentava com as raras migalhas de ternura que ele me oferecia.

Tudo por causa daquele único olhar que Caelan me lançou na escuridão, na noite em que nos conhecemos.

Quando voltei ao castelo, quase todos os meus pertences já não estavam mais no quarto.

Como Isolde detestava o cheiro de humanos, os criados levaram tudo para a ala oeste.

No quarto agora vazio, restava apenas uma pequena caixa de veludo negro sobre a mesa de cabeceira. Era um presente de Caelan.

Naquela época, achei que representava algo precioso.

Naquele momento, porém, apenas a observei em silêncio por alguns segundos antes de atirá-la na lareira. As chamas engoliram lentamente o veludo negro.

Então era essa a sensação.

Algumas coisas podiam queimar até desaparecer sem causar dor alguma.

— Claire.

Ouvi passos atrás de mim, Caelan estava parado à porta, com os olhos voltados para o fogo.

— O que você está queimando?

— Nada.

Sacudi as cinzas que ficaram presas aos meus dedos.

Ele permaneceu em silêncio por dois segundos antes de falar:

— Meu noivado com Isolde só vai acontecer porque as famílias de sangue puro precisam formar uma aliança. É apenas para manter as aparências.

Ergui os olhos para ele.

— Caelan, sinceramente, não me importo com quem você vai ficar noivo. Nem com quem vai se casar.

Por um instante, ele pareceu não compreender o que eu disse.

Ficou apenas me encarando em silêncio por um longo tempo.

Os corredores da academia de medicina estavam silenciosos e impregnados pelo cheiro forte de desinfetante.

O laudo do exame em minhas mãos estava tão amarrotado que mal se podia ler.

[Gravidez: 8 semanas]

A gestação já estava na oitava semana. Eu engravidei pouco antes de Isolde voltar ao castelo.

O médico ajustou os óculos.

— Claire, tem certeza de que deseja interromper a gravidez?

Abri a boca, mas nenhum som saiu.

Só conseguia pensar naquela noite, no caixão escuro e em Caelan me apertando contra o corpo enquanto seus dedos gelados acariciavam suavemente meu baixo-ventre.

— Se algum dia você engravidar, esse bebê será meu único herdeiro.

Naquela época, eu fantasiava em segredo que, se realmente tivéssemos um filho, talvez Caelan aprendesse um dia a me amar como duas pessoas comuns amavam uma à outra.

Baixei os olhos para o laudo em minhas mãos.

— ...Preciso pensar mais um pouco.

Quando voltei ao castelo, o salão principal estava lotado.

— Parabéns, senhorita Isolde. Um herdeiro puro-sangue vai abalar todo o mundo vampírico.

Parei no mesmo instante.

Isolde estava sentada elegantemente no sofá, com uma das mãos pousada sobre o ventre.

O médico da família sorriu com satisfação.

— Está confirmado. A senhorita Isolde está grávida.

Por um segundo, o salão inteiro mergulhou em silêncio.

Então Caelan me viu parada na entrada e veio imediatamente em minha direção.

— Claire, escute...

Dei um passo para trás.

"Explicar o quê? Por que, assim que ela se levantou, seu primeiro impulso foi ampará-la? Ou que você finalmente era capaz de se preocupar tanto assim com alguém?"

— Caelan... Há tanta gente olhando. — Isolde se levantou lentamente do sofá.

Caelan ficou tenso por reflexo.

No instante seguinte, virou-se para ela e a amparou nos braços.

— Sente-se. Precisa descansar.

Sua voz ficou mais suave enquanto ele ajeitava o xale ao redor dos ombros dela.

Permaneci ali em silêncio, sentindo meu estômago se revirar cada vez mais.

Isolde segurou de leve a manga de Caelan, então fechei os olhos.

Quando voltei a abri-los, dei meia-volta e saí do castelo.

O ar noturno estava congelante.

Sentei-me sozinha em um banco diante da academia de medicina, ainda apertando o laudo da gravidez entre os dedos.

Foi só então que percebi que não me restava lugar algum para onde ir. O lugar onde vivi durante cinco anos nunca foi realmente meu lar.

O e-mail de confirmação do apartamento que aluguei no Rio apareceu na tela do celular.

Baixei a cabeça e apoiei delicadamente uma das mãos sobre o ventre. A partir dali, talvez fôssemos mesmo apenas nós dois.
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