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O Vínculo de Sangue que Rompemos

O Vínculo de Sangue que Rompemos

By:  Seven SeasCompleted
Language: Portuguese
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Durante cinco anos, todo o mundo vampírico sabia que Caelan Vale bebia apenas o meu sangue. Não porque eu fosse especial, mas simplesmente porque ele me escolheu, e todos presumiam que isso me tornava a única fonte de sangue do Príncipe Vampiro, sua única exceção. Até aquela noite. O homem que nunca permitia que ninguém o tocasse baixou a cabeça e bebeu diretamente da mão de outra mulher. Aquela mulher era Isolde Voss, a verdadeira noiva de Caelan. — Claire, você realmente achou que uma humana poderia se tornar a consorte de um Príncipe? Fiquei ali, imóvel. Humanos jamais deixavam de ser humanos. Eu acreditava que fosse a exceção. No fim, nunca cheguei nem perto de ser uma. Coloquei diante dele os documentos para romper nosso vínculo de sangue e disse que eram apenas papéis de viagem. Caelan sequer baixou os olhos. A caneta-tinteiro negra deslizou pela página enquanto ele assinava o próprio nome com uma indiferença quase casual, igual à que demonstrava em tudo o que fazia comigo ao longo daqueles cinco anos. Ele não fazia ideia de que, ao assinar com as próprias mãos, não estava abrindo mão apenas de mim. Em meu ventre, eu já carregava seu único herdeiro meio-sangue. Mais tarde, todos saíram à procura da humana fugitiva, mas apaguei meu cheiro antes que as buscas começassem. Dessa vez, nem mesmo o todo-poderoso Príncipe Vampiro me encontraria com tanta facilidade. Antes, fui eu quem implorou pelo amor dele. Agora, era a vez dele.

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Chapter 1

Capítulo 1

Em sete dias, o vínculo de sangue entre Caelan e mim finalmente seria rompido.

Quando esse dia chegasse, eu poderia enfim deixar o castelo que me manteve prisioneira por cinco anos.

Assim que empurrei as portas do salão de banquetes, todos se calaram por um instante. Logo depois, os olhares se voltaram para mim, carregados de piedade, deboche e diversão.

Baixei os olhos para minhas roupas. Eu havia concluído meu estágio no hospital poucos minutos antes, e o leve cheiro de desinfetante ainda estava impregnado no tecido.

Na outra ponta da longa mesa, Isolde Voss estava sentada ao lado de Caelan.

Cabelos prateados, lábios vermelhos e um vestido de veludo preto. Bastava vê-la sentada ali para saber que ela pertencia totalmente àquele mundo.

Desde que entrei, Caelan não desviou os olhos dela nem uma única vez.

— Então o Príncipe finalmente trouxe sua verdadeira noiva de volta.

— Essa Claire não passava de uma fonte de sangue humana. Será que ela realmente achou que era a dona do castelo?

— Ouvi dizer que ela era apenas uma estudante pobre de uma faculdade de Medicina do mundo humano.

Risadas abafadas se espalharam pelo salão, mas permaneci em silêncio.

Ela era a noiva. E eu? O que eu era, afinal?

Nada além da fonte de sangue à qual ele recorria sempre que queria se alimentar.

Isolde girou delicadamente a taça, fazendo o líquido carmesim ondular lentamente em seu interior. No instante seguinte, ergueu-a diretamente até os lábios de Caelan.

O salão mergulhou em silêncio. Até minha respiração parou por um momento.

Durante aqueles cinco anos, Caelan jamais permitiu que outra pessoa tocasse no sangue que ele consumia. Ele detestava até mesmo beber em taças.

Sempre que se alimentava, fazia questão de cravar as presas diretamente no meu pulso. Quando elas perfuravam minha pele, um formigamento se espalhava pelo meu braço. E toda vez que ele abaixava a cabeça para sugar o sangue da ferida, meu corpo tremia sem que eu conseguisse controlar.

Mas agora, aquele homem que sempre se mostrava quase obsessivo com esses detalhes abaixou a cabeça e bebeu o sangue oferecido pela mão de outra mulher.

O gesto pareceu natural e espontâneo, como se aquilo já fosse um hábito entre os dois.

Então aquilo nunca foi obsessão. Eu só era conveniente.

— Claire, venha até aqui. — Caelan finalmente olhou para mim, mantendo a voz indiferente.

Como se chamasse o animal de estimação que criava havia anos.

Caminhei até ele, e Caelan pousou a taça sobre a mesa.

— Afinal, o que era aquele documento que você me pediu para assinar ontem?

Meu coração se apertou imediatamente.

— Era uma autorização de viagem para um programa de intercâmbio na área médica.

Seu olhar ficou preso ao meu por um breve instante.

— Quero ver.

Meus dedos se fecharam devagar enquanto eu levava a mão à bolsa. Naquele momento, porém, Isolde soltou uma leve tosse.

A atenção de Caelan se afastou de mim na mesma hora.

— O que houve? — Ele se virou imediatamente para ela e abaixou o tom de voz.

— Não foi nada. — Isolde balançou a cabeça com delicadeza.

Caelan franziu a testa e murmurou mais algumas palavras para ela antes de finalmente voltar a me encarar. Sua expressão, no entanto, já tinha recuperado a indiferença habitual.

— Não volte a me interromper durante um banquete por causa de uma coisa tão insignificante.

Alguém próximo a nós sussurrou:

— Bastou Isolde tossir uma vez para o Príncipe ficar preocupado.

— Ela é só uma humana. O Príncipe já estava sendo generoso demais com a própria fonte de sangue.

Caelan não desmentiu nenhum deles.

Bastou Isolde demonstrar o menor desconforto para que ele perdesse até mesmo a vontade de confirmar se eu realmente pretendia deixá-lo.

Cinco anos antes, eu era apenas uma caloura em uma faculdade de Medicina do mundo humano.

Naquela noite, faltou energia no campus. Eu descia as escadas carregando uma pilha de papéis quando alguns vampiros de baixo escalão me encurralaram no corredor.

Achei que morreria ali.

De repente, todo o corredor ficou em silêncio. Os vampiros pareceram sentir a presença de algo aterrorizante e se ajoelharam, um após o outro, tomados pelo medo.

No fim do corredor escuro, Caelan avançou lentamente, mantendo os olhos fixos em mim.

Foi naquela noite que ele sentiu o cheiro do meu sangue pela primeira vez.

Mais tarde, descobri que meu sangue era de um tipo extremamente raro, quase irresistível para um príncipe puro-sangue tão exigente quanto ele.

Na primeira vez em que Caelan mordeu minha pele, até sua respiração perdeu o ritmo. E, por algum motivo, bastou senti-lo tão perto para que todas as forças abandonassem meu corpo.

Durante muito tempo, acreditei cegamente que, sempre que Caelan se aproximava de mim, queria algo além do meu sangue.

Só quando Isolde voltou eu finalmente compreendi a verdade: ele não precisava de mim, e sim do que corria em minhas veias.

Uma coisa não tinha nada a ver com a outra, mas passei cinco anos fingindo que tinha.

— Caelan. O castelo já começou os preparativos para a cerimônia de noivado. — Isolde se encostou delicadamente nele.

As pessoas ao redor se apressaram em concordar.

— As famílias Vale e Voss sempre estiveram destinadas a se unir.

Caelan abaixou a cabeça e ajeitou a alça que escorregava do ombro de Isolde. Seus dedos deslizaram suavemente pela pele dela.

Vi o discreto movimento em sua garganta quando ela engoliu em seco.

Meu peito ficou pesado, e tudo o que eu poderia ter dito simplesmente se desfez dentro de mim.

— E aquele programa de intercâmbio que você mencionou? Quando seria a viagem? — Caelan perguntou de repente, voltando os olhos para mim.

Antes que eu pudesse responder, Isolde colocou a mão sobre a dele.

— É só um programinha. Não me diga que você estava mesmo preocupado com a possibilidade de ela deixar você. — Disse ela com suavidade.

Caelan soltou uma risada baixa e não voltou a perguntar.

"Claro. Para ele, eu sempre seria a humana que esperava pacientemente que ele abaixasse a cabeça e bebesse diretamente de minhas veias."

Mas Caelan não sabia que, em sete dias, eu iria embora para sempre.

Deixaria o Castelo Vale, voltaria ao mundo humano e seria Claire Hartwell outra vez, em vez de continuar existindo apenas como a fonte de sangue de Caelan Vale.
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