LOGINDurante cinco anos, todo o mundo vampírico sabia que Caelan Vale bebia apenas o meu sangue. Não porque eu fosse especial, mas simplesmente porque ele me escolheu, e todos presumiam que isso me tornava a única fonte de sangue do Príncipe Vampiro, sua única exceção. Até aquela noite. O homem que nunca permitia que ninguém o tocasse baixou a cabeça e bebeu diretamente da mão de outra mulher. Aquela mulher era Isolde Voss, a verdadeira noiva de Caelan. — Claire, você realmente achou que uma humana poderia se tornar a consorte de um Príncipe? Fiquei ali, imóvel. Humanos jamais deixavam de ser humanos. Eu acreditava que fosse a exceção. No fim, nunca cheguei nem perto de ser uma. Coloquei diante dele os documentos para romper nosso vínculo de sangue e disse que eram apenas papéis de viagem. Caelan sequer baixou os olhos. A caneta-tinteiro negra deslizou pela página enquanto ele assinava o próprio nome com uma indiferença quase casual, igual à que demonstrava em tudo o que fazia comigo ao longo daqueles cinco anos. Ele não fazia ideia de que, ao assinar com as próprias mãos, não estava abrindo mão apenas de mim. Em meu ventre, eu já carregava seu único herdeiro meio-sangue. Mais tarde, todos saíram à procura da humana fugitiva, mas apaguei meu cheiro antes que as buscas começassem. Dessa vez, nem mesmo o todo-poderoso Príncipe Vampiro me encontraria com tanta facilidade. Antes, fui eu quem implorou pelo amor dele. Agora, era a vez dele.
View MoreVoltei para o Castelo Vale.Enquanto percorria o corredor, os criados baixavam a cabeça, um após o outro.— Minha Senhora.— Minha Senhora.— Minha Senhora.A saudação se espalhou pelo corredor.Cinco anos atrás, quando caminhei por ali pela primeira vez, eles me chamavam de outras coisas.Humana. Fonte de sangue. A humana que seguia o Príncipe.Agora, o castelo inteiro sabia que eu carregava no ventre o único filho do Príncipe.A ironia daquilo não me escapava.Caelan estava parado no fim do corredor.— Esta criança é a única herdeira da família Vale. Puro-sangue ou meio-sangue, não faz diferença.Olhei para ele estranhamente calma.Ele só dizia aquilo porque aquela criança era dele. Mas e se não fosse? Se eu não estivesse grávida, ele teria ido ao Rio me procurar? Teria cancelado a cerimônia de noivado?Teria dormido no chão? Teria aprendido a pedir desculpas pela primeira vez na vida?Eu não sabia. E não tinha coragem de apostar outra vez.Naquela noite, eu me senti
O sol começava a se pôr. Caelan estava parado no corredor, observando-me.— Claire... — Ele hesitou.— Acha mesmo que, para mim, você não passava de uma fonte de sangue?Baixei a cabeça e organizei os papéis dentro da bolsa.— Isso já não importa.— Para mim, importa.Não respondi.Virei-me e subi as escadas. Porque agora, qualquer que fosse a resposta, ela não seria capaz de mudar aqueles cinco anos.Naquela noite, a campainha tocou.Abri a porta.Caelan estava do lado de fora, com uma mala na mão.— Claire, posso ficar aqui?— Não.Comecei a fechar a porta, mas uma mão me impediu.Então, de repente, os donos do apartamento surgiram atrás de mim.— Claire. — A proprietária estava com uma expressão extremamente séria. — Gestações de meio-sangue são instáveis. É melhor que o pai fique por perto.Olhei para os dois.— Ele é um Príncipe vampiro, não um obstetra.O marido dela assentiu solenemente.— Mesmo assim, pode servir de motorista. Você deveria pensar no bebê.
De manhã cedo diante do meu prédio, o mesmo carro preto estava estacionado ali havia três dias.Saí do prédio e então o vidro baixou.— Entre.— Não.— A faculdade de medicina fica a quarenta minutos daqui.— Eu sei.— Vai chover.— Trouxe um guarda-chuva.Silêncio.Ele me encarou. Depois saiu do carro e abriu a porta do passageiro.— Claire. Entre.— Não.No segundo seguinte, ele me ergueu nos braços.— Caelan!— Você vai se atrasar.— Me ponha no chão!— Não.A porta bateu e a trava eletrônica se fechou com um clique.Bati no vidro com a palma da mão, frustrada.— Abra a porta!Caelan ligou o motor com a maior calma do mundo.— O Rio não é seguro.— Uma mulher grávida não deveria andar de táxi sozinha.— Isso não é da sua conta!Caelan me encarou.Por um segundo, pareceu prestes a retrucar, mas então se conteve.— Antes, você nunca me dizia não.— Isso foi antes.Dez minutos depois.— Encoste.Ele pisou no freio na mesma hora.— O que houve?Levei uma
— O que você acabou de dizer?Caelan ergueu os olhos bruscamente.Isolde estava sentada diante dele, visivelmente nervosa. Não ousava dizer nada.Caelan a encarou.— Por que Claire achava que seu filho era meu?O ar pareceu congelar.Isolde começou a puxar nervosamente a barra da manga.Depois de um longo silêncio, finalmente reuniu coragem para responder:— Caelan, todo mundo pensava isso.— Pare de fazer rodeios. Estou perguntando a você. — Ele não desviou os olhos dela.O ambiente ficou ainda mais tenso.Por fim, Isolde baixou os olhos.— É verdade. Nunca a corrigi.Ela hesitou.— E, às vezes... eu a deixava entender isso de propósito.A expressão de Caelan foi escurecendo pouco a pouco.— Por quê?Isolde permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de responder:— Porque eu não queria perder você.Sua mão pousou delicadamente sobre o ventre.— Quando Ethan morreu, você fez uma promessa a ele.Sua voz não passava de um sussurro.— Prometeu que cuidaria de mi






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