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Capítulo 82

Autor: A. OLIVEIRA
last update Fecha de publicación: 2026-10-03 23:07:01

— Antônio! — quase gritei, a voz saindo mais alta do que eu pretendia.

Atravessei o quarto rápido, sentando no colo dele antes que ele pudesse completar qualquer pensamento, os braços envolvendo o pescoço dele num abraço apertado demais pra ser natural.

— Nem ouvi você entrar — murmurei contra o ombro dele, tentando parecer casual, o coração martelando tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguia sentir.

Ele ficou ali, petrificado por um segundo, claramente sem entender a origem daquela
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    Voltei pro quarto sem lembrar de ter atravessado o corredor. Só percebi que estava lá quando as costas bateram na porta fechada, e o coração, a mil, foi escorregando junto comigo até eu ficar sentada no chão, os sapatos ainda na mão.Beatriz. Dentro do escritório dele. Às nove da noite.A voz dela continuava na minha cabeça, aveludada e autoritária, de quem estava acostumada a ser obedecida. "Não antes de você olhar pra mim e dizer isso de novo."Dizer o quê? Dizer o quê, Antônio?Fiquei ali um tempo, tentando respirar de um jeito que parecesse normal. E o que eu podia fazer? Bater na porta? Entrar de repente, exigindo explicação? Eu não era namorada, era signatária de um contrato na qual ele nunca tinha me prometido nada, pelo contrário, naquela noite no carro ele disse com todas as letras que não quer um relacionamento mesmo me amando. Se eu invadisse aquela sala cobrando satisfação, ia só dar mais motivos para ele me manter afastada.Levantei. Sentei na cama. Levantei de novo. Fui

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    — Terra chamando Angélica!Renata estalou os dedos na frente do meu rosto, e eu pisquei, voltando pra copa, pro cheiro de café requentado e pro sorriso enorme que ela segurava com muito custo.— Desculpa. Eu estava pensando.— Deu pra perceber. Você fez uma cara de assassina de filme. — Ela olhou pros lados, conferiu que a copa estava vazia e se aproximou de mim, falando baixinho, quase colada no meu ombro. — Mas, por falar em bofe, tem uma coisa que eu e as meninas estamos querendo saber desde cedo.— Que coisa?Ela apontou o queixo pra minha mão esquerda. Eu nem tinha reparado que segurava a xícara de um jeito que deixava o anel exposto, brilhando sob a luz branca da copa.— Esse anel que você começou a usar. Não me diga... — Renata levou as duas mãos à boca, e a voz, que tentava continuar baixa, saiu num sussurro agudo, empolgadíssima. — NÃO ME DIGA!Eu ri. Ri tanto que precisei apoiar a xícara na bancada.— Renata, eu não vou falar nada agora.— COMO NÃO? — sussurrou ela, com os o

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    Cheguei cedo na empresa, com os olhos pesados e um bocejo que insistia em escapar toda vez que eu relaxava o maxilar.Eu tinha dormido três horas. A culpa tinha nome, sobrenome e um sorriso safado que, naquela manhã, eu preferi não encarar sobre a mesa do café. Aquela pergunta, "o que vai ser de nós?", ficou no ar no meio da madrugada, sem resposta, repetida em silêncio por dois adultos que tinham medo demais da própria resposta. Saí de casa antes dele acordar, deixando só um bilhete no travesseiro e um beijo na testa que ele provavelmente nem sentiu.Bocejei de novo, no elevador, e pensei, rindo sozinha: "Sabia que o Antônio não ia me deixar dormir."Às dez em ponto, sentei na cabeceira da sala de reuniões, com a pasta aberta, o café na mão e a postura de quem não tinha nenhuma dúvida sobre quem mandava naquele andar. Lucas chegou primeiro, o terno meio amassado, o olhar de quem não dormiu também, mas por motivos bem diferentes. Atrás dele, Patrícia Moura, a líder de interiores, uma

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    A encomenda chegou no fim da tarde, num envelope pardo sem identificação: um gravador do tamanho de um pendrive, desses que parecem carregador de celular. Testei três vezes no banheiro da empresa, gravei a minha própria voz sussurrando "Lucas é um péssimo profissional", ri sozinha e escondi o aparelho no fundo da gaveta da minha sala, pronto pra funcionar. Eu não ia gastar bala à toa. Mas, quando chegasse a hora, a arma estava carregada.Jantei com o Antônio na cozinha, os dois de pé, comendo o que a Dona Rosa deixou no forno e conversando sobre trivialidades com a leveza de quem finge que o resto do mundo não existe. Ele me contou de uma reunião de acionistas, eu contei do olhar do Lucas no elevador, e rimos juntos, e foi tão bom que, por uns minutos, eu me esqueci de ter medo.À noite, eu estava me preparando pra dormir, a cara cheia de creme, o cabelo preso num coque torto, o pijama mais velho da minha mala, aquele de ursinho que a minha mãe me deu aos quinze anos, quando bateram n

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