LOGINRick tinha quase tudo, boas condições, beleza, carisma, e na sua família, era o mais popular. O lobo mais forte, talentoso, com maior potencial para liderar tudo, a vida humana e a selvagem.
Seus pais sempre foram um exemplo, um casal de alto padrão, sempre o encorajaram a tomar suas próprias decisões, ser um homem forte, um líder na matilha, fizeram questão de o criar, para ser bom em tudo, gostavam que praticasse esportes, mas sem ferir a ninguém, ele sabia caminhar muito bem, como humano e como fera, era um apaixonado por adrenalina. Apesar de ser um ótimo partido, nunca teve relacionamento sério. Dizia ser focado nos estudos, e essa não é a real razão. Na verdade, Rick nunca encontrou alguém que lhe fez querer viver ou morrer. No começo até se cobrava, tentando entender qual era o seu problema, gostos peculiares, considerados sujos e promíscuos até… todo um querer vivido em segredo por muito tempo. Ele era um lindo cafajeste. Otelo pai dele, não era tão diferente do filho na sua juventude, porém quando encontrou Évora, soube que não queria qualquer coisa em sua vida sem ela. Há muitos anos casados e seguindo com o plano, que, por sinal, sempre deu muito certo, só queriam a vida do filho completamente nos trilhos. Por causa deles, a cidade toda entrou em guerra no passado e Évora abriu mão de tudo, por eles. Durante as festividades de um feriado prolongado, Otelo convidou um amigo do passado e sua família para se reunirem na sua fazenda. Queriam apresentar seus filhos, que nunca se viram, e relembrar os velhos tempos se divertindo. Évora estava a meses, decidida a casar o filho, com alguém que fosse boa o suficiente. Callum, que também era bruxo, estava se mudando de volta, não ia à sua pequena cidade natal há mais de quinze anos. Por causa de problemas financeiros e uma herança, ele retornou com sua família. Yesenia também bruxa e, sua esposa, que também morou lá no passado, não queria voltar de forma alguma. Seriam dias para aproveitarem, as antigas amizades. Ainda arrumando a mudança, Yesenia optou por irem para a fazenda apenas no dia seguinte. Kaya, que também odiou a mudança, queria sair para respirar, assim que desse, ia sair novamente. O clima naquela casa não estava dos melhores. Se arrumou e saiu pela janela escondida, algo dentro dela, estava a deixando mais irracional do que nunca. Seu estilo era um pouco destoante e alvo de críticas familiares: roupas escuras, curtas, às vezes decotadas e provocantes até demais. Com uma maquiagem forte, como de uma vampira ou garota de programa gótica, foi de calça escura, regata preta decotada de alças e tênis, caminhando e olhando o quanto tudo parecia pacato. Não pôde deixar de reparar em um grupo de homens que passou do outro lado da avenida e parou em uma loja de conveniência em um posto de combustível. Estavam em dois carros, ouvindo música alta e aparentemente se divertindo. Enquanto um entrou para pegar bebidas, os outros ficaram ao lado de fora. Estavam com a caminhonete repleta de coisas atrás, como se fossem dar uma festa. Kaya precisava ir até lá comprar cigarros. Os encarou e, diferente do que esperavam, não se intimidou com os olhares curiosos. Um deles acenou com deboche, o outro correu até ela, abriu a porta da loja: — E aeee gata, lembra de mim? Você me atropelou. Debochada, sorriu e foi entrando. — Não. Se aproximou da geladeira escolhendo o que pegar. O rapaz convidou com muita graça a atendente para uma festa no dia seguinte e, ao ver Kaya chegando perto, a convidou também: — Gata, quero te mostrar o melhor dessa cidade. — Vai rolar uma festa insana amanhã, é na área rural. Lhe entregou um envelope pequeno. — Ó, presente de boas-vindas. Somos pessoas adoráveis! Sem dar muita importância, ela pegou e sorriu. — Quanto custa? Ele disse que, para ela, nada. E era necessário levar um documento para poder entrar e ir a caráter, roupinha curta, sem calcinha. Saíram rindo entre si. Ela ignorou a audácia, pediu o cigarro para a atendente, olhou o convite, que quase não tinha informações, parecia sofisticado e misterioso. A atendente começou a falar que ela deu sorte, porque não era o tipo de festa para qualquer um. Kaya ficou olhando sem entender. — De que tipo exatamente de festa estamos falando? Devolvendo o troco, a moça disse que era muito reservada e até luxuosa. Sugeriu que fossem juntas, e ressaltou sobre o uso de máscaras. Kaya começou a rir. — Máscara? Como assim? É a fantasia? Super simpática, a moça mostrou o verso do convite. — Olha, a temática é essa: Baile das Sombras. Geralmente pintam os rostos também, você que escolhe. A ideia é que não fique completamente comum ou reconhecível. — Ahhh, mulheres têm que ir de vestido, roupas mais sensuais, vestido ou saia. — É uma festa do sim, sabe? Swing, ménage, muita pegação. — Quer se arrumar na minha casa? Sou a Monaylle. Garota, espera… Kaya foi saindo: — Nããão, valeu. Foi caminhando até um barranco que dava nos fundos de sua casa, ficou horas lá observando a movimentação dos vizinhos e de sua família. Só entrou quando todos foram deitar. Yesenia era rigorosa e exigente, não deixava ninguém dormir além do horário, que ela tivesse estipulado. Os acordou eufórica, queria deixar tudo perfeito para o passeio, foi ao mercado e cozinhou duas sobremesas para levar, torta de framboesa e pudim de chocolate. Sua ansiedade para impressionar a fez gritar várias e várias vezes dando ordens, se pudesse, escolheria a roupa de cada um deles. Ela optou por levar Kaya, mais antes a encheu de ameaças. Chegaram à fazenda no final da tarde e foram bem recebidos. Otelo e Évora estavam com a mesma absurda ansiedade, queriam que as visitas ficassem à vontade. Ao conhecerem a futura nora, não tiveram dúvidas, Nilufer era perfeita, apenas precisava descobrir, suas origens. Serviram drinks e foram jogar cartas à beira da piscina. Havia outros convidados também. Tudo parecia melhor do que o esperado. Só faltava o noivo prometido, chegar. Kaya, que não era nada de se enturmar, foi logo para o canto mais distante, onde sua mãe a deixou ir. Sentou embaixo de uma árvore para desenhar e só saiu de lá quando todos decidiram entrar. Toda aquela diversão não lhe atingia. Seus gostos eram outros. Após o jantar regado a bebidas, Kaya aproveitou a distração da mãe e decidiu sair. Escondida, se arrumou às pressas: vestido vermelho curto agarrado, jaqueta de couro preta, cabelo com cachos e uma máscara de cetim com correntes que revelava apenas seus olhos carregados de maquiagem preta. Sem muitas opções de calçados, teve que colocar botas, um coturno preto. Sem medo do escuro e sem noção de perigo, saiu pela porta da varanda que dava nos fundos da fazenda, andou beirando a estrada e nem acreditou quando encontrou o local da festa. Bem iluminado apenas na entrada, estava tocando músicas eletrônicas, rodeado de carros luxuosos. Era realmente diferente, um espetáculo para uma cidade pequena. Na entrada, os recepcionistas estavam de cueca e lingerie, escondendo o rosto com toucas balaclavas, os convidados chegando de máscaras tentando se camuflar. Ela foi andando próxima a um casal, ambos mostraram os convites e entraram. No bar tinham drinks e uma moça oferecendo comprimidos. Com pouca iluminação, só de perto ela percebeu o que era, não aceitou e foi andando, reparando nas pessoas. Ninguém parecia estar interessado em olhar ninguém. Estavam simplesmente curtindo. Lá tinham três ambientes, o outro parecia mais escuro ainda. Ao entrar, ela logo entendeu por que tinham mais casais indo para lá: havia vários se agarrando, beijando muito, dançando em êxtase com grande proximidade. Aproveitando que não era possível ver muito, Kaya pegou uma bebida e começou a dançar. Ficando à vontade, pôde esquecer dos problemas. Logo percebeu que um rapaz estava olhando fixamente para ela. Todo vestido de preto, com uma máscara simples que cobria apenas os olhos, estava no escuro, onde revelava apenas seu contorno e porte físico. Na dúvida se ele estava ou não a notando de fato, começou a dançar saindo da direção dele. Ele se moveu, para ver. Ele não só acompanhou olhando, como foi indo atrás lentamente. Tinha algo aparentemente legal no outro ambiente, ela foi ver para evitar o rapaz. Era um labirinto onde ninguém estava entrando sozinho. Sem saber se era regra ou não, entrou só e rapidamente viu exatamente para que servia. Era como um “Dark Room”, um local específico para terem relações mais íntimas. Tinham poltronas a cada beco sem saída, casais se chupando, fazendo de tudo, três, até mais pessoas juntas. Voltar para trás parecia mais difícil e constrangedor. Quanto mais andava, menos pessoas encontrava, e aquilo a instigou a tentar chegar até o fim. O cheiro de natureza, da fumaça, das bebidas e cigarros, tudo a excitava. Achando que lá não tinha saída, parou em um dos becos, deitou na poltrona olhando para o céu e começou a imaginar como seria a nova vida. Talvez as coisas melhorassem. Afinal, algo naquela cidade a fazia se sentir viva. Distraída, fumando, percebeu que tinha alguém lhe observando. Continuou imóvel e falou, hostil: — Perdeu alguma coisa aqui? O rapaz que a observava dançando se aproximou, a olhando fixamente como um predador. — Não, mas acabei de encontrar. Fico feliz, por ter vindo me ver. Ela se sentou, colocando a máscara de volta cobrindo parte do rosto. — Não vim te ver. Se levantou e ia sair do beco. Ele a segurou pelo braço: — Está com pressa coelhinha? Não queria te assustar! Ela se soltou com desprezo, sem o olhar: — Pois não conseguiria, nem se quisesse. Saiu rindo. — Me assustar… Andou alguns minutos e deu em um beco sem saída, onde tinha uma mesa. Quando foi voltar para trás, o encontrou parado, rindo: — Está perdida? Conheço esse labirinto como a palma das minhas mãos. Ajudei, fazer. Ela voltou para trás, encostou na mesa: — Conhece mesmo? Por isso escolheu vir sozinho? — Todos só entraram acompanhados, pelo o que vi. Ele se aproximou, a encarando com um olhar lascivo: — Não estamos sozinhos. Escolhi vir por você.Kaya assentiu, ficou quieta. Na manhã seguinte foram até o hospital, Zay ficou acompanhando os procedimentos padrões para humanos, os dois trocavam olhares divertidos, percebendo que a bebê era muito saudável e que aquilo era desnecessário. Elas ficariam em observação até o dia seguinte, ele as deixou lá e foi ao velório. Kaya estava sozinha no quarto, com Sumayla junto. Cochilou e acordou sentindo a irmã, muito triste, pode ouvir ela chorando, no quarto ao lado, pode ouvir vozes quase discutindo, Nilufer dizia que não conseguia, Rick insistia para ela pelo menos tentar, Kan dizia que Rick deveria entender o que ela estava passando. Sumayla estava no corredor, entrou no quarto falou desconcertada. — É, o karma existe. A coisa não está nada boa, aí do lado. — Você já deve ter ouvido. Te acordaram? Kaya se sentou sentindo os s.eios doerem, estava com a camisola molhada de leite, Sumayla pegou a bebê, entregou a ela, Kaya falou pensativa, incomodada com o choro dos gêmeos. Sentin
Kaya falou arrasada baixinho. — Vamos. Zay a olhou alguns segundos, respondeu para Lorian. — Preciso verificar. Assim que saiu da caverna, quebrou o pescoço de Lorian o fazendo desmaiar, eles sabiam que ele tentaria impedir, de irem adiante, Kaya se aproximou andando toda ensanguentada com a bebê nos braços, sem vida. Zay as pegou no colo e levou para o antigo cemitério, a onde havia escondido as facas, correu pela mata com a velocidade de vampiro. Eles já haviam decidido desde que reataram, que se não pudessem salvar a bebê, desistiriam de tudo, chorando, entraram juntos no mausoléu da família dele, ele pegou as facas, deitaram próximos abraçados, com a bebê no meio, Kaya falou pegando uma das facas. — Sky, é o nome dela. Ela precisa de um nome. Ele pegou a outra faca, disse posicionando na direção do coração de Kaya. — É um lindo nome, mas precisa ser composto. Sky Blue. — Nós vamos te amar, eternamente filha. Perdão, por não ter conseguido te salvar. — Disse beijando a beb
Rick ficou calado, sério, Kaya falou apreensiva. — É melhor eu ir pra casa. Não sou médica mesmo. Minerva falou que poderia levar ela, Zay falou exultante. — Então, é que a Nilufer pediu pra vocês ficarem com ela. — Eu não posso decidir nada por ninguém. Só estou dando o recado. — Vou preparar tudo. Amor, se quiser ir embora, só não vai sozinha, tá bom? — Disse acariciando Kaya na barriga. Ela assentiu, ficou parada olhando os lanches, Rick esfregou o rosto, suspirou e confessou, que tinha medo, de assumir um compromisso, que não ia conseguir, e decepcionar o filho. Kaya falou pensativa. — Para com isso, você é bom em tudo o que faz. Quem tem que ter medo, sou eu. — Depois de tantos meses, sem uma ligação. Sem nenhuma conversa. Nilufer chegou, eles puderam sentir mais não viram, porque estavam longe nos fundos da fazenda. Ele suspirou e disse que ia, pois estava sentindo o bebê, e algo dentro dele não o deixaria ficar longe. Ele beijou Minerva e foi, Kaya ficou olhando pensat
Zay ficou triste, respondeu pensativo. — Eu não sei, mas tenho medo. Por ele. — Nunca vi o Rick desistir de nada. A Nilufer poderia ter feito tudo diferente. — Sido mais amiga, parceira. Se ela pelo menos entendesse, que a Monaylle manipulou a todos. Kaya respondeu triste, pensando na irmã. — É que ela não quis entender, nem a mim. Ou a ele. — Mas quer saber, não é problema meu. Zay ficou pensando no quanto Évora era boa e em como foram amigos no passado, nos dias seguintes procurou Rick, e tratou da papelada da fazenda, com um advogado. Em menos de um mês, tudo ficou pronto, os lobos cuidaram voluntariamente da parte de construir alojamentos, galpões para aulas, tudo reforçado para os esportes que os lobos jovens necessitavam praticar. As bruxas cuidaram da parte da biblioteca, doaram tudo o que as crianças iriam precisar para estudar magia, fizeram um museu com objetos, fotos, lá tinha tudo sobre os an
Ela o beijou lentamente, se virou de frente para ele, o acariciando com as mãos no rosto, ombros, sussurrou contra a boca dele.— Irei esperar, ansiosamente. Para que de sentido aos meus dias vazios e tristes.Foi se afastando com um sorriso malicioso. — Vou tomar banho, você vem? Ele sorriu desacreditado, respondeu tirando a camiseta. — Sempre irei te seguir. Não importa onde você for. Ela deixou o vestido cair lentamente, no corredor, foi para o banheiro só de calcinha, ele tirou o restante da roupa no caminho, entrou só de cueca, começou a beijar nas costas, foi tirando a calcinha dela, enquanto ela ligava o chuveiro. Kaya entrou primeiro, ele foi logo em seguida e a beijou lentamente, a puxando contra si, acariciando seu corpo todo, ela estava menos contida, o olhando fixamente nos olhos, falou rindo enquanto ele a erguia no colo, abraçados de frente. — Achei que eu ia precisar pedir. Ele a penetrou profundamente, respondeu de olhos fechados a beijando sutilmente várias vez
Kaya estava séria, falou desconfiada. — Não. Eu não quero drama, cercando o meu bebê. — Não posso e nem vou tentar convencer o seu irmão a nada. — Sumayla, eu te respeito e admiro. Mas, isso não é sobre você. A minha vida toda, deixei que decidissem tudo por mim. — Não vou mais permitir que isso se repita. Sumayla ficou séria, falou abrindo a porta. — Ok cunhadinha, eu vou ficar bem longe de vocês. Porque não consigo assistir sem fazer nada, o meu irmão que eu tanto amo, errando. Kaya ficou séria olhando, não respondeu nada, começou acariciar a barriga pensando no bebê, falou com ele. — Eu só quero que você seja feliz, não importa quanto tempo. A mamãe te ama muito. E faria qualquer coisa por você. Zay estava entrando, ouviu tudo, falou parado na porta. — O papai também faria qualquer coisa. Tudo bem? — Você sabe que pode conversar comigo. Sobre qualquer coisa. Se aproximou a envolvendo em seus braços, ela o abraçou forte, falou se sentindo muito bem, feliz. — T







