MasukEle não sabia amar. Dante não apenas evitava sentimentos — ele os destruía antes que pudessem existir. Frio, inacessível e marcado por um passado que se recusa a encarar, sua casa é o reflexo perfeito de quem ele se tornou: silenciosa, impecável… e completamente vazia. Até Clara atravessar aquela porta. Ela não pediu espaço — e definitivamente não pediu permissão para permanecer. Contratada para trabalhar em sua casa, Clara logo percebe que por trás do homem arrogante e distante existe algo muito mais perigoso do que a frieza: dor. E ao contrário de todos, ela não recua. Entre ordens secas, olhares demorados e silêncios carregados de tensão, uma conexão inesperada começa a surgir — intensa demais para ser ignorada, arriscada demais para ser vivida. Mas amar alguém como Dante tem um preço. E quando segredos vêm à tona e feridas antigas são reabertas, Clara vai precisar decidir se vale a pena lutar por um homem que nunca aprendeu a amar… ou se a única forma de não se perder é ir embora antes que seja tarde demais.
Lihat lebih banyakA noite na casa de campo parecia irreal. Depois do jantar, ficamos sentados na varanda dos fundos, observando o lago refletir a luz da lua. O ar estava frio. Mas o cobertor sobre nossas pernas e o calor do corpo de Dante ao meu lado tornavam tudo confortável demais para que eu pensasse em qualquer outra coisa. O silêncio entre nós já não era pesado. Era íntimo. Seguro. Apoiei a cabeça em seu ombro enquanto ele acariciava distraidamente meus dedos. — Aqui é bonito — murmurei. Dante soltou um pequeno “hm”. — Isabella odiava este lugar. Meu corpo enrijeceu levemente antes que eu pudesse evitar. Dante percebeu imediatamente. Os dedos pararam sobre os meus. — Ei. Levantei o rosto para encará-lo. Os olhos escuros estavam atentos. Cuidadosos. — Não falei dela para te machucar. Forcei um sorriso pequeno. — Eu sei. Ele segurou meu rosto delicadamente. — Eu quero poder falar sobre ela sem que isso signifique perder você. Meu coração apertou. Porque aquilo era importante.
Por alguns segundos, tudo o que consegui fazer foi olhar para ele. Para o homem que eu amava. O homem que tinha me machucado. Mas que, pela primeira vez, estava ali sem fugir. Sem esconder o medo atrás de distância. Sem me afastar para se proteger. A chuva continuava caindo do lado de fora, suave contra os vidros do carro. Dante manteve a mão em meu rosto, acariciando minha pele com delicadeza. Como se ainda tivesse receio de que eu desaparecesse. Minha voz saiu baixa. Fragilizada. — Você partiu meu coração. A dor atravessou os olhos dele imediatamente. — Eu sei. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. — E eu odiei você por isso. Dante abaixou a cabeça por um instante, como se aquelas palavras fossem merecidas. Talvez fossem. Mas então ele voltou a me olhar. E havia tanta honestidade ali que meu peito apertou. — Eu me odiei também. O silêncio entre nós ficou pesado de emoção. Meu coração ainda doía. Mas, mesmo machucada, eu conseguia enxergar
A primeira sensação que tive ao abrir os olhos foi a de que alguém estava martelando dentro da minha cabeça. Soltei um gemido e puxei o travesseiro sobre o rosto. Ao meu lado, Lívia resmungou algo incompreensível e se virou na cama. Foi então que ouvi a campainha. Uma vez. Duas. Três. Longa e insistente. Fechei os olhos com força. — Se for um vendedor, eu juro que mato — murmurei. Lívia enterrou o rosto no travesseiro. — Você está mais perto da porta. — Odeio você. — Eu também te amo. Com um esforço monumental, saí da cama. O quarto girou levemente. Meu estômago protestou. Caminhei tropeçando pelo corredor, ainda vestindo a camiseta enorme de Lívia e com o cabelo em um estado lamentável. A campainha tocou outra vez. — Já vai! — gritei, irritada. Abri a porta. E congelei. Dante estava ali. Calça escura. Camisa social amarrotada, como se tivesse vestido a primeira que encontrou. Barba por fazer. Olheiras profundas. E uma expressão te
Eu não sei como consegui dirigir. Sinceramente. Tudo o que lembro é das lágrimas embaçando minha visão, das mãos apertando o volante com tanta força que meus dedos doíam e da sensação devastadora de que algo dentro de mim havia sido arrancado. O homem que, poucas horas antes, dizia me amar… Tinha me deixado ir. E o pior de tudo não era o fato de ele ainda amar Isabella. Eu sempre soube que ela fazia parte dele. O que me destruiu foi perceber que, no momento em que precisou escolher entre o medo e nós, Dante escolheu o medo. Escolheu a culpa. Escolheu o passado. E eu fiquei para trás. Quando estacionei em frente ao prédio de Lívia, minhas mãos tremiam tanto que precisei de alguns segundos para conseguir desligar o carro. Encostei a testa no volante. E chorei. Não um choro bonito, silencioso e controlado. Mas um choro doloroso, convulsivo, que parecia vir de um lugar profundo demais. O tipo de choro que faz o peito doer e o ar faltar. Peguei o celular c






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