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Capítulo 7: O Veneno na Pedra

Author: M.R. PEREIRA
last update publish date: 2026-07-28 20:57:34

Enquanto Sloan descarregava sua fúria na sala de interrogatórios, o silêncio nas profundezas das masmorras foi quebrado pelo eco de saltos finos contra o chão úmido. O som era ritmado e arrogante, carregado da soberba de quem acreditava ser a verdadeira dona do Palácio de Cristal.

Eliz continuou sentada na esteira de palha, de olhos fechados, apenas ouvindo. O cheiro doce e artificial de jasmim flutuou pelo ar carregado de mofo. Era Amanda. Ela não havia mudado em nada o perfume que usava na noite em que dividia a cama com Sloan.

A pesada silhueta da atual favorita do Supremo parou diante das grades de ferro da cela. Amanda usava um manto de veludo vermelho-sangue, ricamente bordado com fios de ouro, e trazia um sorriso vitorioso nos lábios pintados. Ela acreditava que encontraria ali apenas mais um prisioneiro rebelde capturado nas fronteiras do Norte.

Quando Eliz abriu os olhos devagar e ergueu a cabeça, permitindo que a luz fraca da tocha iluminasse o seu rosto, o sorriso de Amanda congelou.

A cor sumiu das bochechas da nobre instantaneamente. Seus olhos castanhos arregalaram-se em um pânico tão puro que sua própria loba recuou nas profundezas de sua mente. Amanda deu dois passos para trás, tropeçando na própria capa, e levou a mão à boca para abafar um grito de horror que arranhou sua garganta.

— Não... Não pode ser... — Amanda gaguejou, a voz falhando, transformando-se num sussurro estrangulado. — Você está morta. Você virou cinzas naquele quarto! Eu vi o fogo consumir tudo!

Eliz levantou-se sem pressa. Cada movimento seu era calculado, gélido e desprovido da pressa ou da submissão que costumava demonstrar no passado. Ela caminhou até as grades, segurando o ferro frio com as duas mãos, e inclinou o rosto para a frente. O brilho castanho-avermelhado de seus olhos capturou os de Amanda, prendendo a rival no lugar.

— Sinto muito por te desapontar Alteza — respondeu Eliz, sua voz saindo tão mansa e cortante quanto o vento da tempestade que uivava lá fora. — Mas o fogo do Norte é fraco demais para me destruir.

— Como você ousa voltar? — o pânico de Amanda rapidamente tentou se fantasiar de fúria, embora suas mãos continuassem tremendo visivelmente. — Você foi rejeitada! Você não é nada além de uma renegada sem matilha! Sloan odeia você. Se ele souber que você está aqui, ele mesmo vai arrancar a sua cabeça!

Eliz deu uma risada baixa, um som sombrio que ecoou pelas paredes de pedra e fez Amanda dar mais um passo para trás.

— Sloan sabe, Amanda. Foi a guarda de elite dele que me caçou e me trouxe de volta — revelou ela, observando com frio detalhismo o desespero da outra aumentar. — Mas ele não me trouxe para me matar. Ele me trouxe porque o reino de vocês está desmoronando, e ele descobriu, tarde demais, que precisa da verdadeira Luna ao lado dele.

— Você está mentindo! — a nobre sibilou, as garras crescendo na ponta dos dedos perfeitamente manicurados. — O trono é meu! Eu limpei o seu rastro. Eu gastei uma fortuna para garantir que nenhum ancião ou guarda encontrasse os seus restos mortais! Você deveria ter ficado no buraco onde se escondeu!

Eliz aproximou o rosto ainda mais das grades, deixando que a aura do seu sangue Alfa que havia moldado nas arenas de luta de Kaled se expandisse pela cela. A pressão no ar mudou de imediato. Amanda engoliu em seco ao notar que a garota assustada que ela humilhara no altar não existia mais. Diante dela estava uma mulher que conhecia o gosto do sangue e da sobrevivência.

— Achei que queria me matar por ciúmes, Amanda, mas nós duas sabemos a verdade — sussurrou Eliz, o tom gélido fazendo a rival estremecer da cabeça aos pés. — Você mandou me queimar porque descobriu quem eu sou. Você descobriu o Selo de Sangue no meu pescoço. Você sabe que, se os rebeldes e o povo do Sul me virem assumir o meu lugar, a sua linhagem de parasitas cai antes do anoitecer.

Amanda abriu a boca para retrucar, mas as palavras morreram em sua garganta. Ela olhou para a postura inabalável de Eliz, para a intensidade de seus olhos, e percebeu que o segredo que ela tanto tentou enterrar agora estava trancado na mesma masmorra que ela visitara para tripudiar.

O confronto ali não era mais entre uma amante ambiciosa e uma noiva rejeitada. Era entre uma usurparora apavorada e a legítima rainha que agora que estava ali, estava disposta a cobrar a dívida.

 

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