FAZER LOGINforte) Kira é uma mulher que tenta reconstruir sua vida enquanto enfrenta solidão, instabilidade emocional e dificuldades financeiras. Quando Vincent entra em sua vida de forma inesperada, ele parece ser exatamente o tipo de presença que preenche o vazio que ela sente — calmo, protetor e atento a cada detalhe. Mas a chegada de Zoe, uma antiga ligação de Vincent, e a sensação crescente de que algo está fora do lugar começam a quebrar essa segurança.
Ver maisKira tinha decidido que aquela noite seria simples.
Sem pensar demais. Mesmo sendo o aniversário da morte dos seus pais, ela não queria passar horas presa às lembranças que sempre pareciam maiores do que conseguiria suportar. Naquele dia, ela não queria sentir falta. Não queria pensar no vazio que ainda existia dentro dela. Ela só queria uma noite comum. Estar com os amigos. Rir. Conversar sobre qualquer coisa que não doesse. E fingir, pelo menos por algumas horas, que estava tudo bem. A música preenchia o bar, misturando-se às risadas da mesa onde ela estava. Kira segurava o copo entre os dedos, acompanhando a conversa dos amigos enquanto tentava não pensar demais. — Alguém viu a Zoe? — um deles perguntou. — Faz tempo que eu não vejo ela. O sorriso de Kira diminuiu um pouco. O nome ainda carregava algo estranho dentro dela. — Não faço ideia — respondeu. Outro amigo deu de ombros. — Ela ainda está com aquele cara rico? Alguns olhares se voltaram para Kira. Ela percebeu e soltou uma pequena risada. — Vocês sabem que eu não tenho acesso à vida dela, né? — Mas vocês não eram inseparáveis? Kira olhou para o copo por alguns segundos antes de responder. — Éramos. A palavra saiu mais baixa do que ela esperava. — Mas algumas coisas mudaram. Ela girou a bebida lentamente. — Aconteceram algumas situações que eu não gostei. Algumas atitudes dela começaram a me incomodar. Ninguém insistiu. Todos perceberam que aquele assunto tinha um limite. Antes que a conversa continuasse, a porta do bar se abriu. Kira não prestou atenção de imediato. Só percebeu quando alguns dos amigos ficaram mais quietos. — Olha quem chegou. Ela acompanhou o olhar deles. Um homem entrou no bar. Alto. Postura segura. Cabelo escuro e uma expressão difícil de interpretar. Ele não parecia estar tentando chamar atenção. Mas chamava. Era como se ele observasse o ambiente antes de fazer parte dele. Kira reconheceu na mesma hora. Vincent. Ela não esperava vê-lo ali. Ele também pareceu notar sua presença. Por alguns segundos, os dois apenas se encararam de longe. Então Kira levantou a mão em um cumprimento discreto. Vincent respondeu com um leve movimento de cabeça. Simples. Mas não indiferente. Ele caminhou até o bar e pediu uma bebida. — Eu vou falar com ele — Kira disse, levantando. Um dos amigos segurou o olhar nela. — Tem certeza? Ela arqueou a sobrancelha. — Por quê? — Não sei. Só não vou com a cara dele. Kira sorriu de lado. — Relaxa. É só o Vincent. Ela atravessou o bar. Quando chegou perto dele, ele virou o rosto. — Oi, Vincent. Ele a observou por um instante antes de responder. — Kira. O jeito que ele disse seu nome fez ela perceber uma coisa. Ele lembrava dela. Não apenas quem ela era. Mas dela. — Você veio sozinho? — perguntou. Ela olhou ao redor. — Onde está a Zoe? Por um momento, a expressão dele mudou. Foi rápido. Mas ela percebeu. — Não estou mais com ela. Kira ficou surpresa. — Sério? Vincent apenas confirmou com a cabeça. — Sim. Ela perdeu um pouco do sorriso. — Sinto muito. Ele pegou o copo que estava sobre o balcão. — Não precisa. A resposta veio tranquila. Sem raiva. Sem tristeza aparente. E isso chamou a atenção dela. — Às vezes a gente acha que conhece alguém melhor do que realmente conhece — comentou Kira. Vincent desviou o olhar para ela. — E você? Ela franziu a testa. — Eu? — Você está bem? A pergunta pareceu simples. Mas não era algo que as pessoas costumavam perguntar para ela. Kira sorriu. — Estou. Ela apontou para a mesa. — Estou com meus amigos. Vincent olhou na direção indicada. — Percebi. Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele. — Eles não parecem muito felizes com a minha presença. Kira olhou para trás e viu os amigos tentando disfarçar. Ela riu. — Eles estão tentando descobrir se você é perigoso. Vincent ergueu uma sobrancelha. — E chegaram a alguma conclusão? Kira voltou a olhar para ele. — Ainda não. Pela primeira vez naquela noite, ele pareceu realmente divertido. — E você? — Eu o quê? — Já decidiu? Kira ficou alguns segundos pensando. — Ainda estou analisando. O sorriso dele aumentou levemente. — Interessante.Adrieni não tentou mudar Kira de uma hora para outra.Depois da conversa com Vincent, entendeu que talvez a pior coisa que pudesse fazer fosse pressioná-la.Por isso, começou devagar.Passava algumas tardes com ela, conversando sobre coisas simples. Às vezes falavam sobre o casamento. Outras vezes sobre Londres, sobre os lugares que Adrieni conhecia ou sobre coisas que poderiam fazer juntas.Kira nunca dizia muito.Mas também não se afastava.E, para Adrieni, aquilo já era um começo.Naquela manhã, as duas estavam conversando quando Adrieni teve uma ideia.— Kira, você quer fazer uma coisa comigo hoje?Kira levantou os olhos.— O quê?— Quero ir a uma loja de vestidos de noiva.Kira sorriu discretamente.— Para quê?— Para escolher o seu vestido, obviamente.Kira soltou uma pequena risada.— Eu ainda nem pensei nisso.— Então está na hora.Adrieni se levantou e pegou a bolsa.— E pensei em uma coisa melhor ainda.Kira ficou curiosa.— O quê?— Leve sua câmera.A expressão de Kira mudo
Algum tempo havia passado desde a mudança para Londres.Kira e Vincent começavam, aos poucos, a se adaptar à nova casa.Os móveis já estavam organizados, os empregados conheciam a rotina da casa e George havia se estabelecido com a família na propriedade.Mas havia uma coisa à qual Vincent ainda não conseguia se acostumar.A nova Kira.Ela acordava algumas noites assustada.Às vezes, completamente gelada, com o corpo tremendo e os olhos arregalados, como se tivesse acabado de escapar de alguma coisa.Em outras, simplesmente não conseguia dormir.Vincent a encontrava sentada no sofá durante a madrugada, olhando para a janela com lágrimas escorrendo em seus olhos.Sem dizer nada.Como se estivesse presa dentro dos próprios pensamentos.Ele tentava se aproximar.Às vezes conseguia arrancar um pequeno sorriso.Conversava sobre coisas bobas, lembrava momentos bons, fazia brincadeiras, preparava seu café preferido.E por alguns minutos parecia funcionar.Mas bastava ele sugerir que saíssem
Após uma longa viagem, finalmente chegaram a Londres.A casa já estava preparada.Os móveis haviam sido colocados no lugar, cada cômodo organizado e cada detalhe escolhido pensando no que Kira gostava.Vincent havia feito questão de deixar tudo pronto antes da chegada dos dois.Também contratara algumas pessoas para cuidar da limpeza e da organização da casa. Não queria que Kira precisasse assumir todas aquelas responsabilidades logo depois da mudança.Queria que ela tivesse tempo.Tempo para descansar.Tempo para se adaptar.E, principalmente, tempo para voltar a descobrir quem era.Quando Kira entrou na casa pela primeira vez, caminhou devagar pelos cômodos, observando cada detalhe.Passou os dedos sobre alguns móveis, abriu as portas dos quartos, olhou para o jardim e, aos poucos, começou a reconhecer aquele espaço como seu.Não era a casa que havia deixado para trás.Era uma nova casa.Um novo lugar.Uma nova fase.No dia seguinte, depois de organizar algumas de suas coisas, Kira
A decisão de deixar o país já estava tomada.Londres seria o novo destino de Kira e Vincent.Naquela manhã, Vincent chamou George para conversar.Os dois estavam no escritório quando Vincent fechou alguns documentos e levantou os olhos.— George, quero falar sobre a mudança.George permaneceu atento.— Você ainda pretende continuar trabalhando como secretário da Kira?— Claro.— Então preciso saber se está disposto a se mudar para Londres conosco.George não hesitou.— Sim.Vincent recostou-se na cadeira.— Se você tiver família e quiser levá-los, pode levar. Eu providencio a moradia e todos os custos da mudança.George sorriu.— Minha família é pequena. Somos apenas eu, minha mãe e meu irmão mais novo.Ele pensou por alguns segundos antes de continuar.— Na verdade, acho que ele vai gostar muito. Sempre sonhou em estudar fora. Nunca imaginou que teria essa oportunidade.— Então considere essa oportunidade concedida.George sorriu.— Obrigado, senhor.— Não precisa agradecer. Você vai












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