LOGINSolto um suspiro, sentindo o ar preso no meu peito escapar aos poucos. Fecho os olhos por uma fração de segundos, como se aquilo fosse suficiente para me recompor, antes de voltar a encará-lo. A presença dele ainda pesa no ambiente, intensa demais para ser ignorada.
— Desculpa ter entrado no seu quarto. Eu já vou sair! — digo, tentando manter a voz firme, mesmo que por dentro tudo esteja em alerta. Viro-me rapidamente e caminho até a porta, cada passo um pouco mais apressado que o anterior. Mas antes que meus dedos sequer alcancem a maçaneta, ele se move. Rápido. Preciso. Seu corpo se coloca na minha frente, bloqueando completamente minha saída. Paro imediatamente. Perto demais. — Você entra assim… e acha que pode sair sem mais, nem menos? — ele pergunta, a voz baixa, carregada de um controle que me faz prender a respiração. Engulo em seco. É impressão minha… ou o ar ficou mais quente? — Olha, senhor… eu sou nova aqui, não sei ainda das regras, então sinto muito ter entrado no seu quarto! — respondo, tentando sustentar o olhar dele, mesmo sentindo um leve nervosismo se espalhar pelo meu corpo. Por um breve segundo, algo muda. Algo se acende no olhar dele. — Você é Helena Carmelin? — ele questiona, agora com um interesse mais evidente, mais direto. — Sim — respondo, quase automaticamente. Ele dá um passo na minha direção. Depois outro. E eu não me movo. Meu corpo simplesmente… não reage. Fico imóvel, presa naquele momento, enquanto ele se aproxima até ficar perigosamente perto. Perto o suficiente para que eu precise erguer o rosto para continuar sustentando seu olhar. Consigo sentir o calor que vem dele, a proximidade que invade meu espaço sem pedir permissão. Sua mão se ergue lentamente. Prendo a respiração. Ele toca meu cabelo com uma delicadeza inesperada, pegando uma mecha solta e colocando-a atrás da minha orelha, os dedos roçando de leve minha pele. O gesto é simples… mas faz meu coração acelerar de um jeito completamente errado. — Gael Ackles, ao seu dispor… ma belle — ele diz, com um leve tom de provocação na voz, pegando minha mão em seguida e levando-a até os lábios, depositando um beijo demorado demais sobre minha pele. Meu estômago revira. Engulo em seco. Ackles? É… com ele que eu vou me casar? Abro a boca, pronta para falar, pronta para entender o que está acontecendo… mas o som de passos no corredor me faz congelar. Alguém está vindo. O pânico sobe rápido demais. Sem pensar, me afasto dele e vou até a cama, onde a iluminação é mais baixa. O tecido escuro ajuda, as sombras escondem. Puxo o cobertor e me cubro rapidamente, tentando me encaixar entre as dobras como se fizesse parte daquele cenário. A cama está levemente bagunçada… talvez o suficiente para não denunciar minha presença. Talvez. Alguém b**e na porta. Meu coração dispara. — Entra — Gael diz, a voz voltando ao tom controlado de antes, como se nada tivesse acontecido. A porta se abre. — Estava falando com alguém? — uma outra voz masculina invade o quarto, desconfiada, firme. Prendo a respiração sob o cobertor. — E se eu estivesse? — Gael responde, sem hesitar, o tom carregado de desafio. O silêncio que se segue é tenso. Pesado. — Deveria estar se preocupando em estar apresentável para a nossa convidada de honra — o outro homem diz, com uma leve irritação na voz. Meu coração quase para. Convidada de honra. Sou eu. Escuto os passos de Gael pelo quarto, lentos, calculados, mas não me atrevo a me mover sequer um centímetro. Qualquer movimento pode me entregar. — Você deveria estar focando no que realmente importa — ele rebate, a voz mais baixa, mais firme. Mais perigosa. Por alguns segundos, tudo fica em silêncio. E então… A porta se fecha. Mas eu continuo ali. Escondida. Prendendo a respiração… como se ainda estivesse em perigo. Tiro o cobertor do rosto, puxando o ar com força… mas o susto vem antes mesmo que eu consiga reagir. Gael está ali. Perto demais. Meu corpo se enrijece, e antes que qualquer som escape da minha garganta, sua mão cobre minha boca, firme, quente, impedindo qualquer reação. Ele está ajoelhado ao lado da cama, um dos joelhos apoiado no chão, na altura exata do meu rosto, como se tivesse descido até mim de propósito… como se já soubesse onde eu estaria. — Shh… — a voz dele é baixa, quase um sussurro, mas carregada de autoridade. — Você não vai querer que ele volte e te encontre na minha cama… vai? Meu coração dispara contra o peito, forte demais. Nego com a cabeça, ainda sob o toque da mão dele. Lentamente, Gael afasta a mão dos meus lábios… mas não se afasta de mim. Nunca completamente. Seus dedos deslizam pela minha bochecha com uma calma perigosa, como se estivesse explorando cada detalhe do meu rosto, traçando um caminho até a curva da minha orelha, onde ele demora um segundo a mais do que deveria. Minha respiração falha. — Melhor… eu ir embora — sussurro, a voz baixa, quase instável. Mas ele não recua. Sua mão continua o percurso, descendo lentamente pelo meu pescoço, deixando um rastro quente pela minha pele, até alcançar a base da minha garganta. Seus dedos contornam minha clavícula com uma precisão quase estudada, como se estivesse memorizando cada linha do meu corpo. Engulo em seco. Meu coração está acelerado demais. — Você quer ir embora? — ele pergunta, a voz suave… mas com algo mais por trás. Algo que desafia. Algo que testa. Faço que sim com a cabeça, incapaz de confiar na minha própria voz naquele momento. Mas o toque dele não para. Sua mão continua descendo, devagar, sem pressa, passando pela curva do meu corpo, firme, seguro… como se soubesse exatamente o efeito que causa em mim. Minha respiração fica mais curta. Mais descompassada. — Mas o seu corpo… — ele se inclina levemente, a voz ainda mais baixa, próxima demais — parece querer outra coisa. — Gael… — tento protestar, mas meu tom sai fraco, traído pela própria reação do meu corpo. Ele não para. A proximidade dele me envolve, me prende, me confunde. — Diga, mon amour… — sua voz desliza suave, quase um sussurro contra o ar entre nós — o que você realmente quer? E pela primeira vez… Eu não sei responder. Sua mão desliza até pela minha barriga. Gael me olha como se esperasse que eu o para-se, mas é como se meu corpo estivesse hipnotizado pelo seu toque. Eu não consigo dizer para ele parar. Sua mão encontra uma brecha pelo meu vestido, ele acaricia a parte interior da minha coxa. — Tu ressembles à un ange! — Ele diz algo em alguma língua que não consigo identificar. ( Você parece um anjo) — Gael, por favor! — Sussurro. Ele aproxima seus lábios dos meus ouvidos, sinto seu dedo tocar na minha calcinha. — Está pedindo para eu parar ou continuar? — Ele sussurra, deixa um beijo na minha orelha que faz meu corpo inteiro arrepiar. Sinto que estou ficando molhada. — Estou a sua disposição, mon amour. Neste momento, eu sou seu! — Sua confissão me faz delirar. Seus dedos tiram a calcinha que estava no caminho dele, seus dedos começam um movimento circular no meu clitóris. Gael coloca a mão livre na minha boca quando deixo escapar um gemido baixo de prazer. — Quietinha, princesa. Não podem nos ouvir! — Ele diz no meu ouvido. Ele acelera os movimentos dos seus dedos, aperto meu pé contra a cama, minha mão vai até sua blusa, onde seguro firme, buscando algum tipo de alívio. — Gael! — Digo, sua mão na minha boca abafa meu gemido. — Diga meu nome, princesa. Só o meu nome! — Ele pede. Não aguento, começo a gemer. Meus gemidos abafados pela sua mão, seus dedos em um movimento acelerado e constante no meu clitóris. Sinto meu útero contrair. Quando chego no clímax, aperto sua camisa firme. Solto um suspiro quando meu corpo se alivia. Gael tira a mão da minha boca, se aproxima e beija a lateral dos meus lábios, sem beijar totalmente meus lábios. — Preciso desenhar o quão linda você fica corada, mon amour! — Ele sussurra. Mordo meus lábios. Eu acabei de deixar ele me tocar?Cinco anos se passaram desde o dia em que cruzamos os portões da mansão Ackles com nossa filha nos braços. Cinco anos de risadas ecoando pelos corredores, de brinquedos espalhados pela sala, de noites mal dormidas e de um amor que só fez crescer. Nossa menina, Sofia Ackles, havia se tornado o centro do nosso mundo. Aos cinco anos, Sofia era uma mistura perfeita de nós dois. Tinha os olhos cinzentos de Gael e o meu sorriso. Era curiosa, falante e dona de uma personalidade forte que frequentemente deixava o pai dividido entre orgulho e rendição absoluta. Gael, como eu já imaginava desde o primeiro dia, transformou-se em um pai completamente apaixonado. Não havia nada que ele não fizesse por nossa filha. Ela o tinha enrolado em torno do dedo desde o instante em que nasceu, e todos na família sabiam disso. E agora, a mansão Ackles estava prestes a receber mais um pequeno membro. Eu estava grávida novamente. Dessa vez, de um menino. A descoberta havia emocionado toda a
Dois dias depois de chegarmos do hospital, a mansão Ackles estava mais movimentada do que o normal. Eu estava no quarto do bebê, sentada na poltrona de amamentação com nossa filha adormecida em meus braços, quando ouvi passos e vozes no corredor. Gael, que organizava algumas fraldas na cômoda, ergueu os olhos e sorriu de canto. — Parece que meu irmão finalmente criou coragem. Arqueei uma sobrancelha. — Ele trouxe Aurora? Gael assentiu. — E, se eu conheço Nathanael, ele está mais nervoso do que no dia em que apontou uma arma pela primeira vez. Ri baixinho. Poucos segundos depois, alguém bateu à porta. — Entrem — chamei. A porta se abriu, revelando Nathanael Ackles. Ao lado dele estava Aurora. Aurora era ainda mais bonita do que eu imaginava. Tinha cabelos castanhos ondulados, olhos expressivos e um sorriso delicado que transmitia doçura imediata. Nathanael parecia um pouco tenso. — Helena, Gael… essa é Aurora. Um sorriso espontâneo surgiu em meus lábios. — Finalmente.
O caminho de volta para a mansão Ackles foi um borrão de emoções. Eu permaneci no banco de trás do carro, com nossa filha adormecida em meus braços, envolta em uma manta de cashmere branca com pequenos bordados de flores. O rostinho delicado estava parcialmente escondido pela touquinha de tricô, e cada respiração suave fazia meu coração se apertar de um amor tão intenso que eu mal conseguia colocar em palavras. Ao meu lado, Gael não conseguia desviar os olhos dela. De vez em quando, estendia a mão para tocar a mãozinha minúscula da nossa filha, como se ainda estivesse tentando acreditar que aquela bebê perfeita era real. — Ela é tão pequena — murmurou pela centésima vez. Sorri. — E já conseguiu deixar o pai completamente rendido. Gael ergueu os olhos para mim, um sorriso emocionado curvando seus lábios. — Eu já era completamente rendido a vocês duas. Meu coração derreteu. Quando os portões da mansão se abriram, senti uma onda inesperada de emoção. Agora não era a
Acordei com um gemido preso na garganta. Por um instante, achei que ainda estava sonhando. Mas então outra onda de dor atravessou meu corpo, intensa e profunda, apertando meu ventre com uma força que me fez agarrar os lençóis. — Ah… Minha respiração ficou curta. Levei as duas mãos à barriga, sentindo o coração disparar. Outra contração. Muito mais forte do que qualquer desconforto que eu havia sentido até então. — Nathanael! — chamei, a voz trêmula. Não precisei chamar duas vezes. Em questão de segundos, Nathanael surgiu ao meu lado, os olhos ainda pesados de sono, mas imediatamente alertas. — Helena? Outra contração me fez fechar os olhos e apertar sua mão. — Está doendo… muito. O rosto dele empalideceu. — As contrações? Assenti, tentando respirar como o médico havia ensinado. — Acho que… acho que ele vai nascer. Nathanael entrou em ação no mesmo instante. — Certo. Vamos para o hospital. Ele me ajudou a sentar, depois a levantar com cuidado. Minhas pernas tremiam
A manhã em que Gael precisou viajar começou com um silêncio pesado no nosso quarto. Eu já estava com quase nove meses de gravidez, e minha barriga parecia enorme. Até me virar na cama exigia esforço, e caminhar pela mansão havia se tornado um exercício de paciência e equilíbrio. Nosso bebê se mexia com frequência, forte e decidido, como se estivesse tão ansioso quanto nós para finalmente nos conhecer. Gael estava terminando de arrumar a mala quando me sentei na cama, apoiando uma das mãos na lombar e a outra sobre o ventre. — Eu ainda acho que você não deveria ir — murmurei. Ele fechou a mala e veio imediatamente até mim. Ajoelhou-se à minha frente, afastou uma mecha do meu cabelo e pousou a mão na minha barriga. — Se houvesse qualquer outra opção, eu ficaria. Os olhos cinzentos dele carregavam culpa e preocupação. Acariciei o rosto do meu marido. — Eu sei. Gael inclinou-se e beijou meu ventre. — Nada de sustos enquanto o papai estiver fora, piccolo. Nosso bebê respondeu c
Naquela tarde, a mansão Ackles estava mergulhada em uma tranquilidade rara. O sol dourado do fim do dia aquecia a varanda dos fundos, e uma brisa suave fazia as cortinas brancas balançarem preguiçosamente. Eu estava sentada em uma poltrona ampla de vime, com várias almofadas apoiando minhas costas e minha barriga de sete meses. Minhas mãos acariciavam distraidamente o ventre enquanto observava os jardins perfeitamente cuidados da propriedade. Nosso bebê estava particularmente ativo naquele dia, e cada movimento arrancava um sorriso involuntário dos meus lábios. A porta de vidro se abriu atrás de mim. — Posso fazer companhia à minha cunhada favorita? Sorri ao ouvir a voz de Nathanael. — Você só tem uma cunhada. — Exatamente por isso você continua no topo do ranking. Ri baixinho. Nathanael trouxe duas canecas de chá e me entregou uma delas antes de se acomodar na cadeira ao meu lado. O hematoma da invasão já havia desaparecido, mas havia algo diferente nele nas últimas semanas.







